<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922</id><updated>2012-02-15T22:27:44.626-08:00</updated><category term='seicho-no-iê'/><title type='text'>Assim falou Zarathustra</title><subtitle type='html'>Meditações sobre a existência por um profeta, poeta, esteta, místico, herege e epicurista carioca que a si mesmo se denomina Zarathustra.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>56</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-8937195737501615018</id><published>2011-04-28T07:40:00.000-07:00</published><updated>2011-04-28T07:56:48.816-07:00</updated><title type='text'>Um mundo sozinho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-D37ihUYZbpY/Tbl9zKJHr6I/AAAAAAAAOzc/K8VqA7RUvkI/s1600/Pequeno_Principe.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 304px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-D37ihUYZbpY/Tbl9zKJHr6I/AAAAAAAAOzc/K8VqA7RUvkI/s400/Pequeno_Principe.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5600645929461329826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10pt;"  &gt;&lt;b&gt;Estou sendo voluntário num  coach que uma amiga, a Naíma Andrade, está criando a partir da Ciência Numérica do Ser. A cada número, é feito um diagnóstico, um plano de ação e são realizados exercícios para trabalhar a qualidade do número. Eis um deles.&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10pt;"  &gt;&lt;b&gt;Procure ficar sozinho e imaginar a vida sozinho, o mundo com somente você, escreva um texto sobre isso.&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  Um mundo só... estranho. Se Deus está em mim, não estou só. Se ele me enviasse para Marte... eu ia me sentir muito só longe da família, amigos, namorada, mulheres, cerveja, sexo, natureza, tudo o que amo neste mundo. Mas eu ia tratar de aproveitar o tempo para caminhar pelas ruas pedregosas de Marte pensando na vida e em mim, ia procurar fazer muita ginástica e atividade física, se a gravidade permitisse (eu ia ter que dar um jeito, nem que colocasse pedras nos pés para evitar sair flutuando), e também ia, todo dia, meditar, fazer os exercicios de alquimia taoísta, Rosacruz, sufismo, tudo o que eu pudesse exercitar de tudo o que já aprendi... Enfim, cultivaria meu autodesenvolvimento de corpo, alma, espírito. Tudo o que sempre sonhei, dedicação 100% a meu crescimento pessoal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisas que ás vezes quero fazer e não disponho do tempo para isso. Mas se tivesse tempo, vivendo em Marte sem precisar fazer outra coisa que cultivar o autodesenvolvimento, eu ia amar poder me dedicar à minha espiritualidade, à comunhão com Deus, às viagens astrais pelo Universo, aos sonhos, à telepatia, ao estudo dos astros, do Cosmos, da ciência... uau!!! Que excitante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também ia procurar cultivar minhas inteligências... a espacial, a numérica, a verbal, a musical, a cinestésica... apesar de só ter o terreno árido de Marte para isso, ia procurar me adaptar a esse ambiente inóspito e tirar tesão desse negócio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ia ficar me perguntando... para que tanta inteligência, se não posso servir outras pessoas? Ia ficar esperando um dia encontrar alguém, como um pequeno príncipe num planeta errante, à espera de uma raposinha, ou de algum ET com quem pudesse me comunicar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu estivesse numa nave ou estação espacial e houvesse livros, músicas, filmes disponíveis, então, melhor ainda, eu ficaria feliz por acumular cultura e erudição, algo que me ressinto muito de não dedicar muito tempo para fazer. Iria ler todos os clássicos gregos, romances da Renascença, do Iluminismo, e estudar Psicologia, Taoísmo, Desenho Humano, Filosofia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez sentisse muita falta de conversar com outras pessoas sobre o que eu tinha lido e aprendido... mas eu ia procurar então conversar com Deus e com os anjos sobre isso. E se não houvesse Deus nem anjos e espíritos, então eu os criaria, para que meu mundo fizesse sentido!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ia começar a escrever, escrever minhas idéias, e criar romances com personagens. Já que seria só eu no mundo, eu criaria os personagens do mundo para me fazer companhia, como um deus cria seu próprio mundo para se divertir e passar seu tempo infinito, por toda a eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por fim, depois de me deliciar com literatura, cinema, artes, escrever, pensar, meditar, cultivar meu corpo, eu iria andar com Deus todo dia e pedir a Ele que me enviasse, assim que eu estivesse pronto, para um mundo em que eu pudesse continuar aprendendo e pudesse compartilhar tudo o que aprendi com as pessoas. E esperaria a sua vontade, para na hora certa realizar minha missão. E, enquanto isso, aproveitaria a vida, o momento solitário em Marte que Deus me proporcionou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-8937195737501615018?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/8937195737501615018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=8937195737501615018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/8937195737501615018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/8937195737501615018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2011/04/um-mundo-sozinho.html' title='Um mundo sozinho'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-D37ihUYZbpY/Tbl9zKJHr6I/AAAAAAAAOzc/K8VqA7RUvkI/s72-c/Pequeno_Principe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-6296493744912783561</id><published>2011-02-19T13:50:00.001-08:00</published><updated>2011-02-19T13:51:53.493-08:00</updated><title type='text'>Eu sou espírito imortal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-NUtEcpVIUN0/TWA7bDm3PxI/AAAAAAAAOXo/fFV-i9DJ3RE/s1600/Sunset.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-NUtEcpVIUN0/TWA7bDm3PxI/AAAAAAAAOXo/fFV-i9DJ3RE/s400/Sunset.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575521674695491346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu sou imortal.&lt;br /&gt;Sou espírito eterno, gerado do Espírito Santo de  Deus.&lt;br /&gt;Sou corpo mortal, alma evanescente, espírito imortal, de Deus  proveniente. Deus me gerou de si mesmo, sou filho dEle. Sou eterno com  Deus, porque nasci dEle, e Ele nunca nasceu. Sou uma gota do oceano  divino, dEle vim e para Ele voltarei.&lt;br /&gt;Ele vive em mim, eu vivo nele. Ele me gerou, sou espírito do Espírito  Santo procedente. Luz da Luz, amor do amor, gota dágua do oceano dágua  infinito, de infinito poder, luz, amor, misericórdia, luz, verdade,  bem-aventurança eterna.&lt;br /&gt;Meu espírito é imortal, porque Deus é espírito, Deus é imortal e o Deus  eterno e seu Cristo vivem em mim eternamente. O meu corpo voltará ao pó,  tal qual era, meu espírito voltará a Deus que o deu. Vaidade das  vaidades, tudo é vaidade.&lt;br /&gt;Sou eterno, imortal como Deus,porque vivo nEle. Ele está em mim, age  através de mim e é sobre mim.&lt;br /&gt;Em mim brilha o Sol dos Sóis, o Rei dos  Reis, o Senhor dos Senhores, o Alfa e o Ômega, a Resplandecente Estrela  da Manhã.&lt;br /&gt;O Cristo de Deus, o Senhor, O Eterno Salvador, vive em mim para sempre.&lt;br /&gt;Age  em mim, Senhor. Que eu diminua, e tu cresças. Ilumina minha vida e  minha mente, e alimenta o mundo com a luz que vive em mim, com a fonte  de água viva que jorra para a vida eterna de dentro do meu coração.&lt;br /&gt;O Pão da Vida, A Porta, O Caminho, A Verdade e a Vida, o Bom Pastor, o  Leão da Tribo de Judá, vive em mim. A vida e a Luz do mundo vivem dentro  de mim.&lt;br /&gt;Que esse sol e fogo consumidor brilhem através de mim e eu  possa expressar o amor, a luz, a bondade, a benignidade, a mansidão, o  domínio próprio, a justiça, a fidelidade,  a alegria, a paz do Senhor em  mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-6296493744912783561?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/6296493744912783561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=6296493744912783561' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/6296493744912783561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/6296493744912783561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2011/02/eu-sou-espirito-imortal.html' title='Eu sou espírito imortal'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NUtEcpVIUN0/TWA7bDm3PxI/AAAAAAAAOXo/fFV-i9DJ3RE/s72-c/Sunset.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-8299662305946936616</id><published>2011-01-11T04:14:00.000-08:00</published><updated>2011-01-11T04:28:16.726-08:00</updated><title type='text'>Deus mora em mim</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TSxMt6v-8sI/AAAAAAAAOT4/ZVPm5M8-3cE/s1600/pentecostesfl7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560903991644058306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 286px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TSxMt6v-8sI/AAAAAAAAOT4/ZVPm5M8-3cE/s400/pentecostesfl7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;"Há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, age através de todos e está em todos"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apóstolo Paulo, epístola aos Efésios, cap.4, vers.6&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tenho mais dúvida nenhuma de que o soberano Deus, sol de todos os sóis, habita em mim. E essa verdade cristã faz eco na yoga, no Paratma hindu, na Superalma em todos nós.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tenho mais dúvida, porém me resta vivenciar essa verdade. Pois, se habita para sempre em mim o Amor, A Luz, o Eterno, a Paz Profunda, o Fogo Consumidor, o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, a Sabedoria infinita, o Onisciente, Onipresente, Todo-Poderoso Deus, o o Supremo, a Suprema Personalidade de Deus, Sol dos Sóis, Cheio de Bem-aventurança, Graça, Misericórdia, Verdade, Justiça, Alegria e Plenitude... se Ele, se EU SOU está em mim...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Então esta é a Iluminação. A Luz é saber que a Luz reside em mim. Mas se me sinto iluminado por esta revelação, este tirar de véus, não me sinto, porém, um iluminado. Sou carnal, fraco, muitas vezes imoral, inconsequente, pecador... humano, demasiadamente humano, como diz Nietzsche.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Que contradição... Paulo já se referia a essa luta como o conflito entre a carne e o Espírito, e os hindus chamam de Maya à ilusão e sedução da matéria, desta mulher enfeitiçadora, sereia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sou Espírito, porque todo o que nascido do Espírito é Espírito... e todo o que se une ao Senhor, é um Espírito com Ele. E porque só há uma fé e um Espírito, como também só uma esperança de vocação em que fui chamado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas sou carne, mortal, pecador... Dualidade, dialética. Ao mesmo tempo imortal, porque Deus está em mim, e mortal, porque minha carne um dia voltará ao pó, e o Espírito a Deus, que o deu... Mas a mortalidade é só uma ilusão material, porque, como diz Jesus, para Deus todos vivem...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Então... é caminhar... andar no Espírito... e me abrir para que Deus aja, viva, opere, ame, crie, seja, ilumine o mundo através de mim... Que eu seja o corpo de Cristo na terra, que ele possa através de mim curar os doentes, aliviar os oprimidos, salvar os perdidos, consolar os que choram...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-8299662305946936616?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/8299662305946936616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=8299662305946936616' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/8299662305946936616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/8299662305946936616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2011/01/deus-mora-em-mim.html' title='Deus mora em mim'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TSxMt6v-8sI/AAAAAAAAOT4/ZVPm5M8-3cE/s72-c/pentecostesfl7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-1915583719506374203</id><published>2010-08-13T06:34:00.001-07:00</published><updated>2010-08-13T06:35:06.857-07:00</updated><title type='text'>Tsunami do Pacífico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TGVJ-jYl8JI/AAAAAAAAONo/ivEiwYdrWlw/s1600/picasso021.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 312px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TGVJ-jYl8JI/AAAAAAAAONo/ivEiwYdrWlw/s400/picasso021.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5504887458529407122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;&lt;span class="il"&gt;Poesia&lt;/span&gt; é coisa engraçada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Fica aqui esquecida, coitada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Até que acabam as &lt;span&gt; &lt;/span&gt;saídas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;E escrevo, encurralado&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Para exorcizar um diabo,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Expulsar de dentro o bicho&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Correndo atrás do próprio rabo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Seja agora a &lt;span class="il"&gt;poesia&lt;/span&gt; oráculo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Que me desvende, por Deus &lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;O segredo dos encantos seus&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Será feitiço, mandiga, magia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Encanto, prosa, vã &lt;span class="il"&gt;poesia&lt;/span&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Macumba, sugestão, hipnose&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Que agrava minha psicose?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Meu Deus, ela não faz nada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Mas que estrago ela faz...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Que arroubo quando sorri&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;E, Amazona, cavalga em mim&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;E se contorce como cobra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;E me zombeteia, me goza&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Mas nada disso explica...nem Freud!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Nem Nietzche e sua Salomé&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Ela é engenheira demais pro meu gosto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Como gosto dessa mulher...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Eu fico assim tão psicólogo,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Me surta o poeta, me faço cantor&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Me acomete um lirismo, um delírio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;eu sinto vertigem, ela é colírio,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Não tem remédio, nem vudu&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Que corte esse feitiço, esse exu&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Fiz um brainstorm pra descobrir&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;A beleza, o sorriso, o encanto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;A leveza, seu siso, meu canto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Me faz poeta, homem sensato &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Menino gaiato, homem de fato&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Ela me faz propostas loucas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Como namorar comigo à toa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Ela anda comigo no Pacífico&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Ela é de lua cheia, fica virada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Qual Tsunami da minha praia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Ela me faz viajar, me leva à falência&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Sem clemência nem decência&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Passeia nas orlas do meu Atlântico&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Ela me leva ao caminho de Santiago&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;A albergues, às vias de fato&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Não sei onde vou parar nem se quero&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;O que quero é que ela me leve&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Para o diabo que nos carregue&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Para o céu, para os anjos, a Lua&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;Para a metafísica espúria&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:'Trebuchet MS';font-size:10;"  &gt;E que o resto vá pro inferno&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-1915583719506374203?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/1915583719506374203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=1915583719506374203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/1915583719506374203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/1915583719506374203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/08/tsunami-do-pacifico.html' title='Tsunami do Pacífico'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TGVJ-jYl8JI/AAAAAAAAONo/ivEiwYdrWlw/s72-c/picasso021.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-4475716503281650943</id><published>2010-07-22T11:20:00.001-07:00</published><updated>2010-07-22T11:21:27.211-07:00</updated><title type='text'>ENCONTRE SUA TRIBO!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TEiMGHZnQ1I/AAAAAAAAOMY/snFLWhQN8dI/s1600/mixer.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 195px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TEiMGHZnQ1I/AAAAAAAAOMY/snFLWhQN8dI/s400/mixer.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496797381899273042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estou divulgando em primeira mão o site TRIBESFINDER - ENCONTRE SUA TRIBO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.tribesfinder.com/"&gt;www.tribesfinder.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site foi criado para promover encontros de "tribos" de interesses comuns... ou bem diferentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja o assunto esportes, artes, trabalho, diversão, espiritualidade, hobbies, formações acadêmicas e profissionais, em TRIBESFINDER você pode encontrar seus pares... ou seus opostos... ou simplesmente mixar grupos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine você poder participar de um grupo que reúna para um bate-papo um executivo, um rapper, uma dançarina, um parapsicólogo e um motociclista apaixonado por Harley-Davidsons? Com TRIBESFINDER é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TRIBESFINDER está na fase de testes e, por isso, seus comentários serão muito valiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveite à vontade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço&lt;br /&gt;Emerson A P&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-4475716503281650943?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/4475716503281650943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=4475716503281650943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4475716503281650943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4475716503281650943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/07/encontre-sua-tribo.html' title='ENCONTRE SUA TRIBO!'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TEiMGHZnQ1I/AAAAAAAAOMY/snFLWhQN8dI/s72-c/mixer.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-4416448425173026489</id><published>2010-07-19T10:23:00.000-07:00</published><updated>2010-07-19T14:50:33.961-07:00</updated><title type='text'>Pensamentos de um bêbado de Deus</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TESQRwaadSI/AAAAAAAAOMQ/prhPChssWGE/s1600/human-space-universe-cosmos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 263px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TESQRwaadSI/AAAAAAAAOMQ/prhPChssWGE/s400/human-space-universe-cosmos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495676080026711330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz algum tempo venho pensando nessas coisas. Brincando com essas idéias. Elas iam e viam em minha mente em várias situações em que dava pouca importância a elas. Como quando estava bêbado, por exemplo. O álcool só me trazia uma rapidez e fluidez de associações que a mente consciente reprimia há anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas associações surgiram de anos e anos de leituras da Bíblia, e de muitos outros livros sagrados, da yôga, da alquimia taoísta, da Ordem Rosacruz, do sufismo, da filosofia ocidental, da minha prática de meditação, de ouvir muitos sábios, mestres, pessoas iluminadas ou apenas de olhar para minha própria vida e ao redor de mim. E estas verdades (?) vieram à minha mente, menos que verdades prontas, mais questões, dúvidas, hipóteses, que para mim fazem cada vez mais sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembra uma frase que li certa vez num livro rosacruz: "quem começa com certezas termina com dúvidas, e quem começa com dúvidas termina com certezas". Aqui são apenas dúvidas, provocações, intuições e vislumbres. Nada sei... só que minhas suspeitas são cada vez mais fortes... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam que grande amor nos concedeu o Pai: sermos chamados filhos de Deus. E de fato, nós o somos... dizia o apóstolo S. João. Estava pensando que faz para mim muito sentido que Deus tenha compartilhado um pedaço de si, sua energia, seu espírito, e cada uma dessas partículas são feitas da mesma essência que o Todo. De forma que, ao ver a parte, vemos o todo, e ao ver o todo, vemos as partes. Gota d´água no oceano, fótons da Luz... espíritos do Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada uma dessas partes teria consciência, porque, para mim, é da natureza do Espírito ser auto-consciente. Deus sabe que Ele é. Seu nome é EU SOU. Cristo, consciente de Si, do EU SOU em si, disse de si mesmo: Antes que Abraão existisse, EU SOU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Eu, consciente de Deus em mim, do Espírito Santo em mim, e de ser eu mesmo parte da essência divina, posso dizer: EU SOU. EU SOU espírito. EU SOU Filho de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o espírito em mim é UM com o Espírito Santo em mim, se o Espírito do Pai e do Filho são um só Espírito com meu espírito: "Quem se une ao Senhor torna-se um só Espírito com Ele", disse o apóstolo Paulo, então posso dizer, com o Espírito Santo em mim, ecoando a Voz Eterna do Espírito que habita em mim: "Antes que Abraão existisse, EU SOU". O mesmo Espírito de Cristo que pronunciou estas palavras habita agora em mim. O mesmo Deus que disse a Moisés, de dentro da sarça ardente, "EU SOU QUEM EU SOU", habita em mim e diz comigo: EU SOU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, posso repousar na minha identidade com DEus e com seu Filho, minha identidade eterna como nascido de Deus: EU SOU. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não pára aqui. Continuando as minhas idéias que pululam na mente. E a dor? Por que a dor? Estou com uma dolorosa afta na boca que me lembra para ir ao periodentista cuidar das minhas gengivas. E uma pontada no meu estômago me lembra que preciso voltar ao gastro e me alimentar melhor, voltar a meditar, ter uma vida mais regrada. Da mesma forma a arritmia aponta para um ritmo errado da minha vida, que preciso corrigir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então... será que Deus não colocou a dor para nos lembrar de cuidar de nós? De que precisamos crescer? Toda dor é um grito do corpo, da alma e do espírito clamando para que cuidemos desse templo, ou que cuidemos de nossa alma. Que não estamos aqui apenas para beber, comer e transar. Mas que Ele nos colocou aqui com algum propósito. E que Ele está dentro de nós. Que esse propósito está dentro de cada um clamando, doendo, por ser buscado. Que essa Luz, Esse Espírito ansia por nós noite e dia, como o Pai esperando pelo Filho pródigo perdido no mundo, deslumbrado com o mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas peralá... o mundo, esse mundo de dor, de prazeres, de maya, de luxúria... este mundo todo é criação de Deus. Diabo? Satanás? Pecado? Tudo isso está aqui com um propósito maior de nossa evolução. Nada ocorre por acaso. Morte, dor, miséria, assassinato, estupro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MEu Deus... será que somos mesmo centelhas divinas, Eu sou esquecido parte do grande EU SOU, eternos e sem saber que cada ação repercute na eternidade? Que nos prende a esse teatro, a essa roda, a esse playground, a sucessivos ciclos kármicos de ação e reação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lembro de que Deus é amor... não parece contraditório? E se Deus é sábio, amor e bondade, Luz da Luz sem treva alguma, em que não há pecado... então tudo deve fazer algum sentido. A morte, assim como a dor, e o assassinato, a maldade, o egoísmo, o pecado. Confesso que é difícil de engolir um mundo tão injusto e tanta maldade humana com a idéia de que somos essencialmente feitos da mesma essência de Deus. Então Rousseau estava certo ao dizer que o homem é bom e a sociedade que o corrompe? Sempre estive inclinado a acreditar, como Hobbes, que o homem é o lobo do homem, e que o inferno é o outro, seguindo Sartre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aos poucos vou me curvando à idéia de que somos filhos de Deus esquecidos, espíritos decaídos da glória divina que esquecemos de como voltar para casa. E que temos a eternidade para descobrir isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paciência divina é imensa. A misericórdia divina é imensa. Ele está ativamente nos chamando. ELe nos ama. Ele interfere. Ele faz milagres. Mas ELe também espera. Ele nos deu a essência dEle, para que possamos despertar aos poucos, no tempo que a eternidade nos concede, da interdependência de tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que ferindo o outro me firo a mim mesmo... que o egoísmo é a grande ilusão, porque está tudo interligado... somos todos essência divina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que isso é heresia das brabas para algum... sei que conflita com tantas crenças que eu mesmo professei...mas minha razão, dádiva divina, cada vez mais me leva mais longe nessas idéias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ME permitam viajar mais um pouco... E se o Espírito de Deus, presente em todo o lugar, imanente na matéria que criou, quisesse fecundar de consciência todo o Universo, toda a matéria, enfim... a energia material feminina, maya, fecundada pela energia da consciência masculina espiritual... e dessa procriação nascessem os seres senscientes, autoconscientes, seres humanos, seres humano-divino, seres de corpo/matéria,alma e espírito? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero dizer... pensei nisso ali, no deserto de Atacama, ao ver todas aquelas pedras, areias, toda aquela vastidão, aquela vegetação corajosa e brava nascendo do deserto mais árido... elas são A Vida. A vida lutando para sobreviver, para ser consciente. E cada pedaço de vida tem alguma consciência, primitiva. E nossa consciência, que julgamos tão avançada, pode ser tão primitiva se considerarmos que somos apenas uma ostra incustrada numa pedra numa praia qualquer de um oceano qualquer de um planeta qualquer destes multiversos de Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todos estão aqui para evoluir sua consciência divina. Cada átomo, cada pedra, cada planta, cada ser humano e angelical. Todos notas da Música divina, partes do Todo eterno, da grande Consciência que nos ama tanto que quis compartilhar conosco a Alegria da consciência divina. VEde que grande amor nos concedeu o Pai, de sermos chamados de Filhos de Deus, e podermos ter consciência disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas neste caminho de crescimento eterno há dor, tristeza, morte, prazer... por que? Por que só assim crescemos. Senão seríamos eternas pedras, vermes, bactérias em sua zona de conforto e prazer. A luta pela sobrevivência é apenas a primeira forma de evoluir. A dor, a morte, o prazer, também... e assim caminha a humanidade... e todo o Universo ainda bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de pensar nisso. É poético. É bonito. Faz sentido. Não é mais verdadeiro do que acreditar que Deus nos mandará para o inferno se não escolhermos ficar do lado de Seu Único Filho, e fazermos parte da nação escolhida. Posso estar enganado. Mas gosto de pensar que Deus me ama, e que seu amor consiste em partilhar sua natureza divina e sua consciência comigo. mas que para isso eu preciso conquistá-la. Ou pelo menos me abrir para a graça divina conscientemente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-4416448425173026489?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/4416448425173026489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=4416448425173026489' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4416448425173026489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4416448425173026489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/07/faz-algum-tempo-venho-pensando-nessas.html' title='Pensamentos de um bêbado de Deus'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TESQRwaadSI/AAAAAAAAOMQ/prhPChssWGE/s72-c/human-space-universe-cosmos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-3415464265050191683</id><published>2010-07-14T08:13:00.000-07:00</published><updated>2010-07-14T10:21:10.215-07:00</updated><title type='text'>Recuperando a Energia que nos foi tirada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TD3xTZxmS4I/AAAAAAAAOLw/QRHBzLY1ook/s1600/DRAG%C3%83Ored-dragon2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 319px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TD3xTZxmS4I/AAAAAAAAOLw/QRHBzLY1ook/s400/DRAG%C3%83Ored-dragon2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493812436100598658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo só existe uma energia única que se divide e multiplica pelas infinitas energias que formam o universo em que vivemos. Os chineses classificam essa energia única quando está operando, em 3 tipos de energias essenciais;    JING a energia primordial que você tinha ao nascer – CHI energia vital, a vitalidade -e SHEN a energia espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na alquimia Interna Taoista para conseguirmos uma energia genuína SHEN, precisamos partir da base-  a recuperação do JING, e daí  para a transformação  da energia CHI em SHEN. Essa é a missão de qualquer ser humano na terra; aprender a transformar qualquer tipo de energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O JING funciona como uma poderosa fonte de abastecimento de energia vital/emocional  e espiritual.  Quando nascemos  essa energia flui plenamente dentro de nós,  vamos crescendo e o mundo vai nos retirando essa energia essencial e nos tornando escravos dos modelos de mundo criados  pelas civilizações que nascem, chegam a um apogeu e morrem, infinitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sair fora dessa roda da fortuna, a alquimia interna taoista nos oferece 8 fórmulas alquímicas libertadoras. Toda essa jornada se inicia com a recuperação da energia JING.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Como identificar essa energia primordial?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bichos do mato  vivem imersos nessa energia, e  pode-se ver claramente essa força  no estado de alerta, de prontidão e presença que eles irradiam pelos olhos e pelos movimentos. Neles o Jing é chamado de instinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animais domesticados perdem completamente o Jing, o instinto, e aprendem bem rápido a mimetizar o emocional humano civilizado. Tenho uma enorme pena dos animais domesticados. ....pobres sombras do instinto que perdem a cada mimo, a cada  afago e capricho de seus donos. Bicho do mato não chega perto de homens, parecem adivinhar o que teem a  perder. Sabem que uma vez domado pelos agrados ou pela crueldade dos homens, estão perdidos para a vida intensa e livre que levam soltos na natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A energia Jing é indomável, ela é a essência da vida que grita por liberdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os taoistas também são indomáveis,  eles sabem como gerar e transformar sua energia, e essa é a primeira que despertam e recuperam dentro de si.  As fórmulas milenares que praticam,  acordam o guerreiro adormecido,  traz de volta a pura energia da vida  que um dia perderam. Ela vem da terra e penetra no corpo pelo ponto R1, subindo pelas pernas, indo diretamente para o rins, nutrindo pouco a pouco a força do instinto morto, da vida revivificando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser humano comum e civilizado é um ser “capado”, seu instinto sua força foi domada para torná-lo mais obediente aos padrões aceitos por uma determinada cultura e civilização. Quando essa força se enfraquece temos o homem padrão, quando ela se esgota temos o homem morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa primeira etapa  de recuperação da energia primordial JING - pela qual devem passar todos os taoistas práticos - toda nossa força e independência retornam. Somente depois de experimentar essa incrível bateria de vida, pode um taoista  genuíno se encaminhar para educar esse poder,  transformando-o para o nível Chi e Shen. Não há como retornar ao Tao, entrar no Vazio, se nosso Jing não se recuperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ano difícil, indomável e imprevisível  de 2010, aqueles que possuem o poder do Jing recuperado  suportam bem mais  a fluidez dura e incerta de um ano do Tigre do Metal, e reconhecem seu poder duro e certeiro de nos transformar nem que seja através da dor...e estamos exatamente no meio desse processo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TD3xexYD4tI/AAAAAAAAOL4/4qsM4HFruMY/s1600/dragon.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 334px; height: 348px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TD3xexYD4tI/AAAAAAAAOL4/4qsM4HFruMY/s400/dragon.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493812631414498002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Algumas dicas para os que querem conhecer os sinais de um Jing recuperado:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;1-      Uma disposição incrível para o movimento, o seguir, o fazer, o criar, dar a luz, realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2-      Uma força sexual nunca sentida antes, ela parece um cavalo bravio correndo em disparada pelos campos, feliz e...  finalmente livre das amarras... dos milênios de repressão inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3-      Uma enorme sensibilidade na sola dos pés que parece abrigar todos os sentido ali. Uma fonte borbulhante de energia se abre no centro da sola dos pés, e isso traz um prazer enorme bem próximo do que chamamos orgasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4-      Ausência do medo, daquele medo primordial da morte, da vida, do futuro, do amor que sempre acompanha a natureza do homem de nossos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5-      Um sentimento de total independência de qualquer coisa externa, essa energia quando circula dentro de nós é totalmente auto suficiente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com essa força e esse novo poder do JING fluindo, circulando dentro do corpo, vem a urgência e o dever de educar essa energia a nosso favor, e para isso precisamos seduzi-la, amá-la cortejando-a até que ceda e vibre com equilíbrio dentro de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum instrutor no mundo é capaz de recuperar o JING de um aluno, somente seu amor e dedicação a prática dessas fórmulas pode um dia fazer com que essa energia poderosa se revele, se recupere e retorne trazendo de volta  sua força natural e primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens que vivem em apartamentos, (note o nome sugestivo – aperta – mente ), vivem assim mesmo, apertados dentro de um mundo que os distancia da liberdade de ser, do prazer de viver, da alegria e contato com a verdadeira vida simples. Perdemos nossa energia JING quando seguimos os padrões vigentes e passamos a perseguir sonhos falsos, ou pessoas e crenças  que nos afastam de nossa natureza essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar somente se for com sapatos, ter horror ao sol ou a chuva, buscar no mundo prazeres falsos, as baladas, noitadas, sexo sem bem aventurança,  ser admirado, aceito, amado. Tudo isso mina nosso JING e nunca substituirá o maravilhoso prazer que a circulação dessa energia dentro do corpo traz.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TD3xz4zdeMI/AAAAAAAAOMA/B9LXCignS5c/s1600/02.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 277px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TD3xz4zdeMI/AAAAAAAAOMA/B9LXCignS5c/s400/02.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493812994185722050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dicas para atrair a energia JING e fazer com que ela penetre em seu corpo:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;1-      Ame profundamente a terra, mas não apenas com o coração, ame a terra com tesão, como um amante ao fazer amor que sua amada. Amor romântico pela terra não recupera o JING, somente o amor com tesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2-      Desça sempre com sua mente, coração e paixão para dentro da terra e misture sua energia com a da terra. Desça sempre e fundo, atravesse a terra e passeie com sua consciência na sua outra banda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3-      “Acorde” a sensibilidade na sola de seus pés ao andar descalço na terra, no gramado, na areia da praia, imaginando raízes saindo dali e penetrando profundamente na terra. Procure sempre andar descalço com essa consciência e imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4-      Fortaleça o poder do seu períneo (o músculo que segura o xixi) exercitando-o diariamente. Respire com o períneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5-      Coma com prazer alimentos orgânicos agradecendo a terra e absorvendo sua essência como quem absorve VIDA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6-      Sorria, sorria muito, gargalhe sempre que puder vivendo a vida pelo prazer de simplesmente estar vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7-      Se contente com o que tem, e se desapegue de tudo, amores, pessoas, bens, sofrimentos e aprenda a viver feliz sem nada, contente simplesmente por existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8-      Crie um sentimento de agradecimento dentro do seu coração. Viva prazerosamente!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique feliz...fique feliz...e permaneça feliz...mesmo quando dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito JING para todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ely Britto&lt;br /&gt;Presidente do Intertao&lt;br /&gt;Ecovila Viver Simples&lt;br /&gt;Tel 35- 3363 2497&lt;br /&gt;Tel- 35.  9141 7383&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.healing-tao.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.viversimples.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sábios são sábios porque aplicam em suas vidas os princípios do I Ching.&lt;br /&gt;Vivendo com o coração aberto e tranquilo nos tornamos iluminados.” &lt;br /&gt;Trecho do livro The Book of Harmony and Balance&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-3415464265050191683?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/3415464265050191683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=3415464265050191683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3415464265050191683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3415464265050191683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/07/recuperando-energia-que-nos-foi-tirada.html' title='Recuperando a Energia que nos foi tirada'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/TD3xTZxmS4I/AAAAAAAAOLw/QRHBzLY1ook/s72-c/DRAG%C3%83Ored-dragon2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-6394528829759684988</id><published>2010-03-24T07:07:00.001-07:00</published><updated>2010-03-24T07:21:50.453-07:00</updated><title type='text'>O que as empresas exigem do profissional do novo milênio?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6odH8cNIXI/AAAAAAAALFI/UgKozd7SDBI/s1600/frustrated1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 377px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6odH8cNIXI/AAAAAAAALFI/UgKozd7SDBI/s400/frustrated1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452202321206124914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compartilho com vocês minhas respostas a uma entrevista com uma estudante de um curso de administração. Embora tenha respondido como profissional da área de recursos humanos, penso que ela pode ser útil àqueles de vocês que querem atuar em empresas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que sempre atuei como profissional de recursos humanos em diversas empresas privadas e públicas, seja como consultor, gerente ou empregado, penso que tenho uma visão sólida do perfil que as empresas exigem de um profissional do novo milênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Qual a função de um profissional de RH?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Assessorar os gestores e as suas respectivas áreas de negócio e apoio na gestão de pessoas, de forma alinhada às estratégias de negócio, com vistas a tornar mais rentável o capital humano da empresa, de forma sustentável a todas as partes interessadas: acionistas, fornecedores, sociedade, clientes, empregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Num mercado de trabalho tão concorrido como o de hoje, o que um profissional de RH precisa ter/ser como diferencial dos demais?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Conhecer profundamente o negócio de forma a exercer impacto sobre as estratégias do negócio, e ter um conhecimento técnico sólido das diversas disciplinas de administração em geral, e de recursos humanos em particular. Ter experiência em outras culturas e línguas também é um diferencial para lidar com a diversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6ofWVcDuZI/AAAAAAAALFg/I5RQ9pTsfaY/s1600/379.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6ofWVcDuZI/AAAAAAAALFg/I5RQ9pTsfaY/s400/379.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452204767457819026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; - Quais os pontos positivos e os negativos de se trabalhar em RH?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pontos positivos são o de poder agregar valor ao negócio e lidar com gente, o que apaixonante para mim. Conciliar o aspecto objetivo, métrico e econômico-financeiro da gestão com a diversidade, multiplicidade e subjetividade humana é um desafio apaixonante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aspecto negativo é esbarrar com a visão burocrática e operacional, muitas vezes pouco alinhada à pós-modernidade e às necessidades do negócio e das pessoas, que ainda impera na cultura da administração dos "recursos humanos", vide o nome inapropriado, RH, que vê as pessoas como coisas, recursos, meios para a consecução de um fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- A aparência física é um fator relevante para a conquista de um emprego?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A aparência no sentido de apresentação pessoal, como marketing pessoal, é fundamental. Em algumas áreas que lidam diretamente com clientes, como vendas, é ainda mais importante, já que os requisitos do cliente é que vão definir a melhor apresentação pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6odMOUpMxI/AAAAAAAALFQ/K_oItGj7UbU/s1600/144554_Entrepreneurship.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 305px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6odMOUpMxI/AAAAAAAALFQ/K_oItGj7UbU/s400/144554_Entrepreneurship.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452202394725724946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- De acordo com algumas pesquisas, existe um maior número de vagas em relação aos de profissionais. Por que então se fala tanto em desemprego?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Porque, com a automatização e informatização, por um lado, e pelo aumento da competição num mercado globalizado, por outros, as oportunidades de trabalho que surgem exigem mais qualificação técnica e competências humanas como criatividade, diversidade cultural, flexibilidade e outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, as escolas e faculdades não necessariamente estão formando essa espécie de profissionais aderentes às necessidades atuais e futuras das empresas. Outro ponto a ser mencionado é que o paradigma de emprego estável numa grande empresa precisa ser questionado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, muitas  oportunidades de trabalho surgem em pequenas e médias empresas, talvez em formas mais flexíveis de contrato de trabalho, em empresas de prestação de serviços, ou de segmentos de alta tecnologia, telecomunicações e internet. Os estudantes precisam estar antenados com as tendências mutáveis do mercado para o futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6off8oiENI/AAAAAAAALFo/tFCKld3ltB8/s1600/ilustra029.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 346px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6off8oiENI/AAAAAAAALFo/tFCKld3ltB8/s400/ilustra029.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452204932597944530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ademais, porque diabos só mirar em ser empregado de empresas? A opção de ser um empreendedor e abrir a própria empresa é cada vez uma proposta mais atraente numa era em que os empregos tendem a acabar e a dar lugar a contratos flexíveis de trabalho. Muitas universidades têm incubadoras de empresas que podem ajudar o estudante a se capacitar como empreendedor e empresário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Tendo em vista que quase todas as empresas exigem profissionais com experiência, como se ter oportunidade do primeiro emprego/estágio?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Agrega valor estudar numa boa faculdade, ter vivência no exterior, ter no currículo trabalho voluntário, experiência de liderança estudantil, prática de esportes, hábito de leitura e gosto por atividade culturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6ofrMuD61I/AAAAAAAALFw/Ph5wm2OGOzQ/s1600/ESPORTES.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 206px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6ofrMuD61I/AAAAAAAALFw/Ph5wm2OGOzQ/s400/ESPORTES.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452205125894662994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Competências estas que não se aprendem na escola, mas criam um diferencial de uma formação humanista e cultural mais ampla, mais apta para enfrentar desafios da multiculturalidade e da competitividade do mercado empresarial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Quais as principais dificuldades que encontrou na relação empresa/funcionário? Como as resolveu?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A burocracia, os jogos de poder, a lentidão na adaptação às mudanças, o tratamento pausterizado dado aos empregados, vistos no discurso como importantes, mas tratados na prática como "recursos humanos" que podem ser facilmente descartados ou substituídos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, a adaptação e flexibilidade para manter o idealismo e humanismo que valoriza o ser humano, sem perder o pragmatismo que se foca em resultados e na solução de problemas imediatos. A solução: ser um sonhador pragmático, mirar na utopia, sem deixar de concretizar aquilo que é possível agora, querer o ótimo mas aceitar provisoriamente o bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Na sua empresa, o que é observado num processo seletivo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Por ser um concurso público, é avaliada a formação acadêmica, a cultura geral do empregado, o conhecimento de informática e língua inglesa, e as características e aptidões psicológicas medidas em testes psicotécnicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Como definiria/apresentaria a sua empresa, considerando a sua cultura organizacional? O que ela mais valoriza? E o que menos valoriza?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma empresa de cultura sólida, ligeiramente tradicional e conservadora, orientada para o mercado e para a sustentabilidade sócio-econômica e ambiental, em que convive uma cultura orientada para o mercado e ao mesmo tempo estatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valoriza, além da formação acadêmica, profissionais com sólida bagagem cultural, que sabem trabalhar bem em equipe, que são capazes de suportar estresse e pressão de trabalho num ambiente altamente competitivo, que tem ótimas habilidades de comunicação e liderança, além de flexibilidade e adaptação às mudanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ela menos valoriza são profissionais muito individualistas e competitivos que não sabem trabalhar bem em equipe nem fazer networking, querendo ser estrelas brilhando sozinhas. Esses profissionais acabam perdendo muitas oportunidades e sendo "isolados".&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6of2XUlXSI/AAAAAAAALF4/u2F6IcUDwzs/s1600/mta1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 376px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6of2XUlXSI/AAAAAAAALF4/u2F6IcUDwzs/s400/mta1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452205317719153954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;- Que tipo de profissional a sua empresa busca? E o mercado?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que a empresa valoriza, que acabei de mencionar. Apesar do concurso público não conseguir medir as competências comportamentais, os profissionais que se sobressaem e têm oportunidades de crescimento são aqueles alinhados com o que a empresa valoriza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mercado, não é diferente, mas essa exigência é mais forte, sem as limitações do concurso público, e os profissionais que não se adaptam a essas expectativas simplesmente não têm lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- O que um administrador deve ter/saber para obter sucesso em seu trabalho?   &lt;/b&gt; &lt;br /&gt;Conhecer solidamente administração, com uma base econômica-financeira sólida de forma a conseguir medir a sua contribuição para o negócio em termos tangíveis. Estar antenado com o que acontece no mundo através de jornais, revistas especializadas e internet, é também fundamental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter vivência cultural diversificada e sólida, com uma  visão humanista e sistêmica, é também importante. Por fim, ter flexibilidade e resiliência para lidar com mudanças, com pressões, estresse e competitividade, são fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6odenbmPSI/AAAAAAAALFY/KJxL03oWQ_A/s1600/work.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6odenbmPSI/AAAAAAAALFY/KJxL03oWQ_A/s400/work.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452202710703422754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Quais habilidades devem ser desenvolvidas, considerando um graduando em ADM? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, além das habilidades técnicas do curso de administração, desenvolver as competências comportamentais relacionadas à inteligência emocional intrapessoal e interpessoal, além de competências orientadas para o negócio como a visão sistêmica e estratégica, orientação para resultados, criatividade, flexibilidade, iniciativa, negociação, administração de conflitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa alternativa para adquirir experiência é participar de projetos universitários de incubadoras de empresas, o que denota maturidade e empreendedorismo. Neste ambiente de competição controlada, podem ser treinados novos comportamentos que são muito valorizados pelas empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Em geral, os recém formados no curso de ADM atendem as expectativas da sua empresa? Do mercado? Como?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que uma pequena parcela tem a maturidade necessária para desenvolver outras competências além dos conhecimentos acadêmicos desenvolvidos na universidade. Além do envolvimento em projetos de incubadora de empresas, já mencionado, ter a vivência de um bom estágio, onde se possa colocar em prática os conhecimentos da faculdade e ser submetido à pressão e estresse é importante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agrega ter no currículo um histórico de viagens e vivências no exterior, bagagem cultural ampla, participação em atividades voluntárias e participação em projetos que demonstrem liderança, iniciativa, comunicação, negociação e habilidade de relacionamento interpessoal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-6394528829759684988?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/6394528829759684988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=6394528829759684988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/6394528829759684988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/6394528829759684988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/03/o-que-as-empresas-exigem-do.html' title='O que as empresas exigem do profissional do novo milênio?'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6odH8cNIXI/AAAAAAAALFI/UgKozd7SDBI/s72-c/frustrated1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-4460218585686215811</id><published>2010-03-22T08:07:00.000-07:00</published><updated>2010-03-22T08:13:26.534-07:00</updated><title type='text'>EU SOU...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6eI0e97TuI/AAAAAAAALEs/bfgicPr8Bgk/s1600-h/gita.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 281px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6eI0e97TuI/AAAAAAAALEs/bfgicPr8Bgk/s400/gita.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451476309202652898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Canto VII Sabedoria da Visão Espiritual (Bhagavad Gita)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala Krishna: Escuta agora, filho de Pritha, como, mantendo o pensamento amorosamente voltado para Mim, aplicando-te à Yoga e fazendo de Mim teu refúgio, chegarás sem dúvida a conhecer-me por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Vou revelar-te sem reservas este conhecimento e o superconhecimento. Desde que os adquira, nada resta por aprender neste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Entre milhares de mortais, poucos se esforçam para atingir a perfeição, e entre os que conseguem atingi-la poucos são os que Me conhecem em essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Terra, água, fogo, ar, éter, pensamento, intelecto e consciência pessoal são os oito componentes que integram a Minha natureza material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Esta é Minha natureza inferior. Conhece agora, ó tu de braço poderoso, Minha outra natureza, a superior, o elemento vital que mantém o Universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Sabe que esta (Minha dupla natureza) é a fecunda matriz de todos os seres. Sou o princípio do Mundo e Sou também seu fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Não há absolutamente nada superior a Mim, Dhananjaya. Todo Universo está preso a mim, como as pérolas de um colar estão presas ao fio que as mantém unidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;EU SOU&lt;/span&gt;, filho de Kunti, o sabor da água, a luz do Sol e da Lua, das palavras sagradas Eu sou o pranava OM (=OM). O som no éter e a virilidade nos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Sou puro perfume na terra, o brilho do fogo, a vida dos vivos, a santidade dos santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Sabe, filho de Pritha, que Sou a semente de toda a manifestação, sou a sabedoria dos sábios e o poder dos poderosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. Sou a força dos fortes, livre de apego; Eu Sou o puro amor dos amantes, ó príncipe dos bharatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. Entende que de Mim procedem todas as coisas - consciência, energia e matéria; Eu não estou nelas mas elas estão em Mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. Iludido pelos três atributos da natureza (satwa, rajas e tamas), que se revelam em todas as coisas, não sabe que Eu estou acima delas e sou imperecível e imutável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. Difícil, ó príncipe, é romper o véu de ilusão que cerca a manifestação. Somente aquele que se aproximam de Mim superam a ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. Os maus e os insensatos não Me procuram; seu entendimento foi arrebatado pela ilusão e eles participam da natureza demoníaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. Quatro espécies de homens Me adoram, Arjuna: os aflitos, os que buscam a sabedoria, os que desejam riquezas e os sábios, ó príncipe dos bharatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. Entre eles, o sábio, sempre consagrado à união mística e adorando o Uno, excede todos os demais; pois o sábio Me ama acima de todas as coisas e Eu o amo da mesma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. Todos eles são nobres, mas considero o sábio como a Mim mesmo, pois consagrado à união espiritual ele vem a Mim, meta suprema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. Ao fim de numerosos nascimentos, o homem dotado de sabedoria chega a Mim pensando: Vasudeva é o Todo. "Um homem com tão grande alma é difícil de encontrar".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-4460218585686215811?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/4460218585686215811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=4460218585686215811' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4460218585686215811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4460218585686215811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/03/eu-sou.html' title='EU SOU...'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S6eI0e97TuI/AAAAAAAALEs/bfgicPr8Bgk/s72-c/gita.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-3659328861442031249</id><published>2010-03-15T10:46:00.000-07:00</published><updated>2010-03-15T11:25:40.555-07:00</updated><title type='text'>Antes que Abraão existisse, EU SOU</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S554GSuOk5I/AAAAAAAALEg/L9aDvMd-mrM/s1600-h/jeova.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 314px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S554GSuOk5I/AAAAAAAALEg/L9aDvMd-mrM/s400/jeova.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448924648665158546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O SER existe desde o princípio. Desde antes de qualquer princípio, meio o fim de qualquer história, ELE É. Ele é o Eterno, o Infinito, o Absoluto, o UM. O SER se apresentou certa vez aos hebreus na sarça ardente, e apareceu a Moisés, seu profeta escolhido. Quando Moisés perguntou ao SER manifesto, o Anjo do Senhor, qual era seu nome, para que pudesse dizer aos hebreus, o SER apenas disse: Diz a eles que EU SOU QUEM EU SOU. Este é o significado de JHVH, Javé ou Jeová: EU SOU. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que era, que é e que há de vir, o Todo-Poderoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristo disse: Antes que Abraão existisse, EU SOU. EU e o PAI somos UM. Não crês que EU estou no PAI e o PAI está em MIM? Crede, nem que seja por minhas obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Cristo, ao morrer, disse: Eu vou, mas deixo o Consolador, o Espírito da Verdade, para que esteja para sempre convosco. Eu vou, mas voltarei para vós outros. E quando  eu voltar, vossa alegria será completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Ele ressuscitou. E vos afirmo: Ele voltou para nós, através do Seu Santo Espírito. O apóstolo Paulo afirma que "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele". E afirma: Cristo vive em mim, e esse viver que tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, o qual me amou e a si mesmo se entregou por mim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E disse: "Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século". E que disse: Amai-vos uns aos outros, conforme eu vos amei." "E maiores obras do que estas (que Ele fez), farás, porque volto para o Pai." Ele está em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristo vive em nós. O mesmo que é um com o PAi, que disse: Antes que Abraão existisse, EU SOU. E Ele, sendo UM com PAI, nos faz filhos de Deus, como Ele mesmo é. Por isso Aquele que crê nEle, é chamado de Filho de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, o Pai, o EU SOU, o Espírito SAnto, habita em Nós. Por isso, somos templo de Deus, do Seu Espírito. "Sois santuário do Deus vivente". Cristo, o EU SOU, habita em nós para sempre. O EU SOU ETERNO, o Espírito Santo, habita em nós para sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doravante, conjugai todas as promessas de Deus em primeira pessoa, sendo a voz do próprio EU SOU a dizer para vós suas promessas eternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouça a Voz de Deus vos dizer para sempre, de dentro de vosso coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu te amo para sempre. Tu és meu filho. Enviei meu Filho a ti, para que creias nele e tenhas a vida eterna. Não te deixarei, jamais te desampararei. Sou teu refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Não temas, porque te ajudo, não te assombres, porque sou teu Deus, eu te amparo, te sustento com a destra da minha justiça. Porque a mim se apegou com amor, eu te livrarei. Por-te-ei num alto retiro porque conheceste meu nome. Tu me invocarás, eu te responderei. Estarei contigo na angústia, livrar-te-ei, e te glorificarei. Dar-te-ei abundância de dias, e te mostrarei a minha salvação."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-3659328861442031249?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/3659328861442031249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=3659328861442031249' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3659328861442031249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3659328861442031249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/03/antes-que-abraao-existisse-eu-sou.html' title='Antes que Abraão existisse, EU SOU'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S554GSuOk5I/AAAAAAAALEg/L9aDvMd-mrM/s72-c/jeova.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-5740560913688264754</id><published>2010-03-15T10:01:00.001-07:00</published><updated>2010-03-15T10:17:12.875-07:00</updated><title type='text'>Ferida ostra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S55rj1d1dkI/AAAAAAAALEY/JrxBFaI0vZY/s1600-h/07_MHG_mul_sherazade2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 256px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S55rj1d1dkI/AAAAAAAALEY/JrxBFaI0vZY/s400/07_MHG_mul_sherazade2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448910862556689986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ora silente e lúbrica,&lt;br /&gt;Tão selvagem e séria,&lt;br /&gt;Em paisagem etéria&lt;br /&gt;Ès indecente e rúnica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do teu mal, meu bem,&lt;br /&gt;Defloro-te o mel,&lt;br /&gt;Do teu gozo zen&lt;br /&gt;Eu diviso o céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do teu olhar oceano, &lt;br /&gt;Silente mistério,&lt;br /&gt;Serpente encanto&lt;br /&gt;Do meu monastério&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-5740560913688264754?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/5740560913688264754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=5740560913688264754' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/5740560913688264754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/5740560913688264754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/03/ferida-ostra.html' title='Ferida ostra'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S55rj1d1dkI/AAAAAAAALEY/JrxBFaI0vZY/s72-c/07_MHG_mul_sherazade2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-9176267525675578278</id><published>2010-03-07T17:43:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T17:45:26.347-08:00</updated><title type='text'>MUDE E MARQUE!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S5RWsJrSHMI/AAAAAAAALDw/UzGKDtliGQo/s1600-h/S5035294.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S5RWsJrSHMI/AAAAAAAALDw/UzGKDtliGQo/s400/S5035294.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446073165909466306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A mente apaga registros duplicados &lt;br /&gt;Por Airton Luiz Mendonça&lt;br /&gt;(Artigo do jornal O Estado de São Paulo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo  os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo  deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que  considerar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso cérebro é extremamente otimizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada  e não aparece no índice de eventos do dia e   portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quando você se sente mais vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático  e 'apagando' as experiências duplicadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos     mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece  muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como acontece?&lt;br /&gt;Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior,    na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa ,   no lugar de repetir realmente a experiência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca  de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção   de passagem do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo     e cheio de novidades), vão diminuindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para    algumas pessoas, na década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ROTINA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa,    mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo:    M &amp; M (Mude e Marque).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente,  para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você ( marcando o evento e diferenciando o dia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas    disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre    na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo,  deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de    um livro novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... em outras palavras... V-I-V-A. !!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se você viver intensamente as diferenças, o    tempo vai parecer mais longo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém    disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito  mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerque-se de amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;di fE rEn tEs !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V I V A !!!!!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-9176267525675578278?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/9176267525675578278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=9176267525675578278' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/9176267525675578278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/9176267525675578278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/03/mude-e-marque.html' title='MUDE E MARQUE!'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S5RWsJrSHMI/AAAAAAAALDw/UzGKDtliGQo/s72-c/S5035294.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-2955413928737879088</id><published>2010-02-12T05:05:00.000-08:00</published><updated>2010-02-12T05:14:55.050-08:00</updated><title type='text'>Dilema de Páris</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S3VUPDY8qII/AAAAAAAALDE/xztMf7KTekI/s1600-h/The-Judgement-Of-Paris.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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Acabou-se o problema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devorarei vossos corpos hermosos&lt;br /&gt;perdendo-me no harém do vosso prazer&lt;br /&gt;Beijando-as todas dos pés ao pescoço&lt;br /&gt;E entre suas coxas me intrometer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vis sedutoras, de que me acusais?&lt;br /&gt;De cafajeste, ceder às beldades!&lt;br /&gt;Escravo de Baco e seus festivais&lt;br /&gt;Deleito no leito até a saciedade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No amar, como o mar, há naufrágios&lt;br /&gt;Mas no peito, a despeito de sua dor&lt;br /&gt;E da prevenção dos maus presságios&lt;br /&gt;Prometeu traz a fama de sedutor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa comédia romântica nunca tem fim...&lt;br /&gt;Sofro tanto de amores quanto causo dores&lt;br /&gt;Ferem-me doces balas de festim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como recusar-te, Vênus, o sim?&lt;br /&gt;Se morro de amores, a mim levas flores&lt;br /&gt;E renasço das cinzas qual arlequim!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(68, 68, 68);font-family:Arial;font-size:9;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-2955413928737879088?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/2955413928737879088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=2955413928737879088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/2955413928737879088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/2955413928737879088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/02/dilema-de-paris.html' title='Dilema de Páris'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S3VUPDY8qII/AAAAAAAALDE/xztMf7KTekI/s72-c/The-Judgement-Of-Paris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-6373071562459359151</id><published>2010-02-12T04:44:00.000-08:00</published><updated>2010-02-12T04:48:04.550-08:00</updated><title type='text'>Arcangel</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S3VN-dbolyI/AAAAAAAALC8/a-Px27JE48E/s1600-h/angel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 367px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S3VN-dbolyI/AAAAAAAALC8/a-Px27JE48E/s400/angel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437337860567504674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="font-family: georgia;"&gt;Será um anjo&lt;br /&gt;Que caiu do céu&lt;br /&gt;Do destino arranjo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei não quer saber&lt;br /&gt;Que há por trás desse&lt;br /&gt;Sorriso de arcanjo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei não deu pra ver&lt;br /&gt;Que é lá do Leblon&lt;br /&gt;Menina carioca&lt;br /&gt;Swing sangue bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá na Lagoa&lt;br /&gt;Ao som de blues&lt;br /&gt;E da tua voz&lt;br /&gt;O corpo dançou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que coisa boa&lt;br /&gt;Teus olhos azuis&lt;br /&gt;Raiar de mil sóis&lt;br /&gt;Olhei me cegou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti seu cheiro&lt;br /&gt;Do corpo o calor&lt;br /&gt;Seu doce tempero&lt;br /&gt;Me nocauteou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah meu bom Deus&lt;br /&gt;Me dê uma chance&lt;br /&gt;Dê vê-la de novo&lt;br /&gt;Será o amor?&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-6373071562459359151?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/6373071562459359151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=6373071562459359151' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/6373071562459359151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/6373071562459359151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/02/arcangel.html' title='Arcangel'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S3VN-dbolyI/AAAAAAAALC8/a-Px27JE48E/s72-c/angel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-1218833664280217032</id><published>2010-02-11T17:34:00.000-08:00</published><updated>2010-02-12T04:44:21.460-08:00</updated><title type='text'>Carneirices</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S3VNIZ5eAzI/AAAAAAAALC0/SesTf9puwEQ/s1600-h/picasso021.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 312px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S3VNIZ5eAzI/AAAAAAAALC0/SesTf9puwEQ/s400/picasso021.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437336931905962802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é essa que vem de longe em  ternura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes presa no rastro da noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virada a página da biografia ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vem. Se insinua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu revivo meu jeito em pessoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechado. Ela não é como as outras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sedutoras. Ela é consternação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível impassível ante ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu jardim antes amuralhado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaz  derribado, mostra-a&lt;br /&gt;nua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que faço de ti, criança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero tê-la. Entregar-me?ia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me lembra vidas vividas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela cheira a velha adolescência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destino. Antiga e reprimida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me lembra Fernâo Gaivota&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as ilusões do indeciso Messias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sombras em sua face lunar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Astronauta que sou, aterriso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua quente atmosfera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mil sóis e muitas eras&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-1218833664280217032?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/1218833664280217032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=1218833664280217032' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/1218833664280217032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/1218833664280217032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/02/quem-e-essa-que-vem-de-longe-em-ternura.html' title='Carneirices'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S3VNIZ5eAzI/AAAAAAAALC0/SesTf9puwEQ/s72-c/picasso021.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-3378430483726407216</id><published>2010-01-22T13:30:00.000-08:00</published><updated>2010-01-22T13:37:53.936-08:00</updated><title type='text'>Deus é Luz</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S1oZL3ZBWFI/AAAAAAAALCA/5jOM7LYNQ28/s1600-h/luz1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 231px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S1oZL3ZBWFI/AAAAAAAALCA/5jOM7LYNQ28/s400/luz1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5429679992386705490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é Luz, e não há nele treva alguma. Se dissermos que estamos nELe e andamos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Se andarmos na Luz, como Ele está na Luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (Apóstolo João)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é Luz, e está em mim. Eu, por minha vez, sou como um vaga-lume, uma centelha infinitesimal dessa Luz eterna e infinita. A minha luz brilha mais quanto maior é minha comunhão com ELe. A ignorância, o estar adormecido, o afastar-se da luz produz as trevas, que nada mais é que estar distante dEle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está no céu" Jesus Cristo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, Deus está em mim, e minha caminhada nEle é manifestar a Luz dele em mim. Assim como o seu AMor, Sabedoria, Plenitude, Justiça, Santidade, Beleza, Bondade, Benignidade, Alegria, Bem-aventurança eterna...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o Senhor é O Espírito. E onde está o Espírito do Senhor, aí há Liberdade. E nós, com o véu de nossos olhos retirado, como que por um espelho, vamos refletindo a glória do Senhor, transformando-nos, de glória em glória, em Sua própria imagem, como que pelo Senhor, o Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glória a Deus!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-3378430483726407216?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/3378430483726407216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=3378430483726407216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3378430483726407216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3378430483726407216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/deus-e-luz.html' title='Deus é Luz'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S1oZL3ZBWFI/AAAAAAAALCA/5jOM7LYNQ28/s72-c/luz1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-1872417190595424223</id><published>2010-01-22T13:29:00.000-08:00</published><updated>2010-01-22T13:30:07.529-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='seicho-no-iê'/><title type='text'>Caminhando Com Deus</title><content type='html'>De cima do estrado, vinha a voz firme e sonora do Mestre. Na platéia, logo à frente, havia um grupo de alunas da Escola Preparatória de Noivas da Seicho-No-Ie ouvindo atentamente suas palavras. O auditório estava repleto de adeptos ansiosos por ouvir sobre a Verdade. Eu estava à esquerda do púlpito, assistindo também, sentada ao lado dos membros da diretoria da Seicho-No-Ie. Tinha, então, 42 anos de idade.&lt;br /&gt;Quando entrava no recinto da academia da Seicho-No-Ie, em companhia de meu marido eu deixava de considerá-lo como tal, passando a vê-lo como meu Mestre. Já encontrara Deus dentro de mim e não tinha mais necessidade de procurá-lo fora. Entretanto, sentia uma imensa e intensa necessidade de me aperfeiçoar incessantemente, manifestando cada vez mais meu Deus interior. Assim, chovendo ou nevando, eu freqüentava as academias da Seicho-No-Ie, seguindo meu Mestre.&lt;br /&gt;O amor pleno, a sabedoria perfeita, a Vida eterna – tudo isso já foi concedido a todos os seres viventes da Terra. Já somos dotados de Vida eterna. Somos indestrutíveis, inabaláveis e imortais. Mesmo quando vemos a imagem da Lua fragmentada nas ondas do mar, a Lua em si permanece perfeita no céu; o mesmo se pode dizer do ser humano: A doença é apenas um aspecto aparente, um fenômeno passageiro; o ser humano verdadeiro permanece sempre perfeito. Que mundo abençoado!&lt;br /&gt;Hei de me desenvolver e aperfeiçoar cada vez mais, visando ao crescimento infinito!&lt;br /&gt;Vivíamos dias calmos e felizes na “casa da colina”. Nessa casa, uma pomba branca – símbolo de amor e pureza – botou muitos ovos e nasceram filhotes que se afeiçoaram a nós e se aninhavam em nosso colo.&lt;br /&gt;Meu marido trabalhava no escritório, eu em nosso quarto, e nossa filha fazia suas tarefas no quarto dela. Ficávamos horas separados, cada qual empenhado no seu trabalho, mas não sabíamos o que era solidão. O marido vivia dentro da esposa; a esposa vivia dentro do marido. Os pais viviam dentro da filha; a filha vivia dentro dos pais. Fora de casa podia haver tempestade, mas no interior de nosso lar reinava sempre calor e paz.&lt;br /&gt;Deus estava em mim. A felicidade estava em mim. Tudo estava em mim. Por isso mesmo, desejava tanto caminhar com Deus para crescer infinitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.sni.org.br/exibe_noticia.asp?id=79&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-1872417190595424223?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/1872417190595424223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=1872417190595424223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/1872417190595424223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/1872417190595424223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/caminhando-com-deus.html' title='Caminhando Com Deus'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-1035801257357696250</id><published>2010-01-11T10:11:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T10:41:16.384-08:00</updated><title type='text'>Koans e Contos Zen Buddhistas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0twebltOVI/AAAAAAAALBk/WKjSF9xK8cE/s1600-h/ushuaia1.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0twebltOVI/AAAAAAAALBk/WKjSF9xK8cE/s400/ushuaia1.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425553844202191186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Uma xícara de Chá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas. Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:&lt;br /&gt;"Está muito cheio. Não cabe mais chá!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;2. Uma Parábola&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, disse o Buddha uma parábola: Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.&lt;br /&gt;"Que delícia!", ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;3. Nas Mãos do Destino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Ele sabia que poderia ganhar mesmo assim, mas seus soldados tinham dúvidas. No caminho para a batalha ele parou em um templo Shintó e disse aos seus homens:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a Cara sair, iremos vencer; se sair a Coroa, iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos."&lt;br /&gt;Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então saiu e jogou a moeda. A Cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a lutar que eles ganharam a batalha facilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a batalha, seu segundo em comando disse-lhe orgulhoso:&lt;br /&gt;"Ninguém pode mudar a mão do Destino!"&lt;br /&gt;"Realmente não..." disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a Cara impressa nos dois lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;4. Garotas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Tanzan e Ekido certa vez viajavam juntos por uma estrada lamacenta. Uma pesada chuva ainda caía, dificultando a caminhada. Chegando a uma curva, eles encontraram uma bela garota vestida com um quimono de seda e cinta, incapaz de cruzar a intercessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Venha, menina," disse Tanzan de imediato. Erguendo-a em seus braços, ele a carregou atravessando o lamaçal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ekido não falou nada até aquela noite quando eles atingiram o alojamento do Templo. Então ele não mais se conteve e disse:&lt;br /&gt;"Nós monges não nos aproximamos de mulheres," ele disse a Tanzan, "especialmente as jovens e belas. Isto é perigoso. Por que fez aquilo?"&lt;br /&gt;"Eu deixei a garota lá," disse Tanzan. "Você ainda a está carregando?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;5. Sem trabalho, Sem comida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;HYAKUJO, o mestre Zen chinês, costumava trabalhar com seus discípulos mesmo na idade de 80 anos, aparando o jardim, limpando o chão, e podando as árvores. Os discípulos sentiram pena em ver o velho mestre trabalhando tão duramente, mas eles sabiam que ele não iria escutar seus apelos para que parasse. Então eles resolveram esconder suas ferramentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia o mestre não comeu. No dia seguinte também, e no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele deve estar irritado por termos escondido suas ferramentas," os discípulos acharam. "É melhor nós as colocarmos de volta no lugar."&lt;br /&gt;No dia em que eles fizeram isso, o mestre trabalhou e comeu exatamente como antes. À noite ele os instruiu, simplesmente:&lt;br /&gt;"Sem trabalho, sem comida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;6. Nada Existe&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;YAMAOKA TESSHU, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso: "A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!"&lt;br /&gt;Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;7. A Subjugação de um fantasma - Um Exorcismo Zen...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Uma jovem e bela esposa caiu doente e finalmente chegou às portas da morte.&lt;br /&gt;"Eu te amo tanto," ela disse ao seu marido, "Eu não quero deixar-te. Prometas que não me trocarás por nenhuma outra mulher! Se tu não o fizeres, eu retornarei como um fantasma e te causarei aborrecimentos sem fim!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após, a esposa morreu. O marido procurou respeitar seu último desejo pelos primeiros três meses, mas então ele encontrou outra mulher e se apaixonou. Eles tornaram-se noivos e logo se casariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente após o noivado um fantasma aparecia todas as noites ao homem, acusando-o por não ter mantido sua promessa. O fantasma era esperto, também. Ela lhe dizia tudo o que acontecia e era falado entre ele e sua noiva, mesmo as mais íntimas experiências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que dava à sua noiva um presente, o fantasma o descrevia em detalhes. Ela até mesmo repetia suas conversas, e isso aborrecia tanto o homem que ele não era capaz de dormir. Alguém o aconselhou a expor seu problema a um mestre Zen que vivia próximo à vila. Enfim, em desespero, o pobre homem foi buscar sua ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então sua ex-esposa tornou-se um fantasma e sabe tudo o que você faz," comentou o mestre, meio divertido. "O que quer que você faça ou diga, o que quer que você dê à sua amada, ela sabe. Ela deve ser um fantasma muito sábio... Realmente você deveria admirar tal fantasma! A próxima vez que ela aparecer, barganhe com ela. Diga a ela exatamente o que direi a você..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite o homem encontrou o fantasma e disse o que o mestre havia instruído:&lt;br /&gt;"Você sabe tanto de mim que eu nada posso esconder-lhe! Se você me responder apenas uma questão, eu lhe prometo desfazer meu noivado e permanecer solteiro."&lt;br /&gt;"Na verdade, eu sei que você foi ver um mestre Zen hoje! Diga-me sua questão." Disse o fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem levantou sua mão direita fechada e perguntou:&lt;br /&gt;"Já que sabes tanto, diga-me apenas quantos feijões eu tenho nesta mão..."&lt;br /&gt;Neste exato momento não havia mais nenhum fantasma para responder a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;8. Verdadeira Riqueza&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um homem muito rico pediu a Sengai para escrever algo pela continuidade da prosperidade de sua família, de modo que esta pudesse manter sua fortuna de geração a geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sengai pegou uma longa folha de papel de arroz e escreveu: "Pai morre, filho morre, neto morre."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem rico ficou indignado e ofendido. "Eu lhe pedi para escrever algo pela felicidade de minha família! Porque fizeste uma brincadeira destas?!?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não pretendi fazer brincadeiras," explicou Sengai tranqüilamente. "Se antes de sua morte seu filho morrer, isto iria magoá-lo imensamente. Se seu neto se fosse antes de seu filho, tanto você quanto ele ficariam arrasados. Mas se sua família, de geração a geração, morrer na ordem que eu escrevi, isso seria o mais natural curso da Vida. Eu chamo a isso Verdadeira Riqueza."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;9. Homem Santo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Boatos espalharam-se por toda a região acerca do sábio Homem Santo que vivia em uma pequena casa sobre a montanha. Um homem da vila decidiu fazer a longa e difícil jornada para visitá-lo. Quando chegou na casa, ele viu um simples velho dentro que o recebeu, abrindo a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu gostaria de ver o sábio Homem Santo," disse ele ao outro. O velho sorriu e permitiu-o entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eles caminhavam ao longo da casa, o homem da vila olhava ansiosamente em torno, antecipando seu encontro com um homem considerado um verdadeiro Santo. Mas antes que pudesse dar pela coisa, ele já havia percorrido a extensão da casa e levado para fora. Ele parou e voltou-se para o velho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu quero ver o Homem Santo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Já o fizeste," disse o velho. "Todos que tu encontras em tua vida, mesmo se eles pareçam simples e insignificantes... veja cada um deles como um sábio Homem Santo. Se fizeres deste modo, então quaisquer que sejam os problemas que trouxestes aqui hoje, serão resolvidos..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fechou a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;10. Os Portais do Paraíso&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um orgulhoso guerreiro chamado Nobushige foi até Hakuin, e perguntou-lhe: "Se existe um paraíso e um inferno, onde estão?" "Quem é você?" perguntou Hakuin. "Eu sou um samurai!" o guerreiro exclamou. "Você, um guerreiro!" riu-se Hakuin. "Que espécie de governante teria tal guarda? Sua aparência é a de um mendigo!".&lt;br /&gt;Nobushige ficou tão raivoso que começou a desembainhar sua espada, mas Hakuin continuou:&lt;br /&gt;"Então você tem uma espada! Sua arma provavelmente está tão cega que não cortará minha cabeça..."&lt;br /&gt;O samurai retirou a espada num gesto rápido e avançou pronto para matar, gritando de ódio. Neste momento Hakuin gritou:&lt;br /&gt;"Acabaram de se abrir os Portais do Inferno!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir estas palavras, e percebendo a sabedoria do mestre, o samurai embainhou sua espada e fez-lhe uma profunda reverência.&lt;br /&gt;"Acabaram de se abrir os Portais do Paraíso," disse suavemente Hakuin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;11. É mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Uma linda garota da vila ficou grávida. Seus pais, encolerizados, exigiram saber quem era o pai. Inicialmente resistente a confessar, a ansiosa e embaraçada menina finalmente acusou Hakuin, o mestre Zen o qual todos da vila reverenciavam profundamente por viver uma vida digna. Quando os insultados pais confrontaram Hakuin com a acusação de sua filha, ele simplesmente disse:&lt;br /&gt;"É mesmo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a criança nasceu, os pais a levaram para Hakuin, o qual agora era visto como um pária por todos da região. Eles exigiram que ele tomasse conta da criança, uma vez que essa era sua responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É mesmo?" Hakuin disse calmamente enquanto aceitava a criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muitos meses ele cuidou carinhosamente da criança até o dia em que a menina não agüentou mais sustentar a mentira e confessou que o pai verdadeiro era um jovem da vila que ela estava tentando proteger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pais imediatamente foram a Hakuin, constrangidos, para ver se ele poderia devolver a guarda do bebê. Com profusas desculpas eles explicaram o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É mesmo?" disse Hakuin enquanto devolvia a criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;12. Certo e Errado&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Quando Bankei realizava seus retiro semanais de meditação, discípulos de muitas partes do Japão vinham participar. Durante um destes Sesshins um discípulo foi pego roubando. O caso foi reportado a Bankei com a solicitação para que o culpado fosse expulso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bankei ignorou o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde o discípulo foi surpreendido na mesma falta, e novamente Bankei desdenhou o acontecimento. Isto aborreceu os outros pupilos, que enviaram uma petição pedindo a dispensa do ladrão, e declarando que se tal não fosse feito eles todos iriam deixar o retiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Bankei leu a petição ele reuniu todos diante de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vocês são sábios," ele disse aos discípulos. "Vocês sabem o que é certo e o que é errado. Vocês podem ir para qualquer outro lugar para estudar e praticar, mas este pobre irmão não percebe nem mesmo o que significa o certo e o errado. Quem irá ensiná-lo se eu não o fizer? Eu vou mantê-lo aqui mesmo se o resto de vocês partirem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma torrente de lágrimas foram derramadas pelo monge que roubara. Todo seu desejo de roubar tinha se esvaecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;13. Buddha Cristão&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um dos monges do mestre Gasan visitou a universidade em Tokyo. Quando ele retornou, ele perguntou ao mestre se ele jamais tinha lido a Bíblia Cristã. "Não," Gasan replicou, "Por favor leia algo dela para mim."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monge abriu a Bíblia no Sermão da Montanha em São Mateus, e começou a ler. Após a leitura das palavras de Cristo sobre os lírios no campo, ele parou. Mestre Gasan ficou em silêncio por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim," ele finalmente disse, "Quem quer que proferiu estas palavras é um ser iluminado. O que você leu para mim é a essência de tudo o que eu tenho estado tentando ensinar a vocês aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;14. A Lua Não Pode Ser Roubada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ryokan, um mestre Zen, vivia a mais simples e frugais das vidas em uma pequena cabana aos pés de uma montanha. Uma noite um ladrão entrou na cabana apenas para descobrir que nada havia para ser roubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ryokan retornou e o surpreendeu lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você fez uma longa viagem para me visitar," ele disse ao gatuno, "e você não deveria retornar de mãos vazias. Por favor tome minhas roupas como um presente."&lt;br /&gt;O ladrão ficou perplexo. Rindo de troça, ele tomou as roupas e esgueirou-se para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ryokan sentou-se nu, olhando a lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pobre coitado," ele murmurou. "Gostaria de poder dar-lhe esta bela lua."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;15. Equanimidade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Durante as guerras civis no Japão feudal, um exército invasor poderia facilmente dizimar uma cidade e tomar controle. Numa vila, todos fugiram apavorados ao saberem que um general famoso por sua fúria e crueldade estava se aproximando - todos exceto um mestre Zen, que vivia afastado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou à vila, seus batedores disseram que ninguém mais estava lá, além do monge. O general foi então ao templo, curioso em saber quem era tal homem. Quando ele lá chegou, o monge não o recebeu com a normal submissão e terror com que ele estava acostumado a ser tratado por todos; isso levou o general à fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seu tolo!!" ele gritou enquanto desembainhava a espada, "não percebe que você está diante de um homem que pode trucidá-lo num piscar de olhos?!?"&lt;br /&gt;Mas o mestre permaneceu completamente tranqüilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E você percebe," o mestre replicou calmamente, "que você está diante de um homem que pode ser trucidado num piscar de olhos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;16. O ladrão que se tornou um discípulo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Uma noite quando Shichiri Kojun estava recitando sutras um ladrão com uma espada entrou em seu zendo, exigindo seu dinheiro ou a sua vida.&lt;br /&gt;Shichiri disse-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não me perturbe. Você pode encontrar o dinheiro naquela gaveta." E retomou sua recitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco depois ele parou de novo e disse ao ladrão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não pegue tudo. Eu preciso de alguma soma para pagar os impostos amanhã."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O intruso pegou a maior parte do dinheiro e principiou a sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Agradeça à pessoa quando você recebe um presente," Shichiri acrescentou. O homem lhe agradeceu, meio confuso, e fugiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos dias depois o indivíduo foi preso e confessou, entre outras coisas, a ofensa contra Shichiri. Quando Shichiri foi chamado como testemunha ele disse:&lt;br /&gt;"Este homem não é ladrão, ao menos tanto quanto me diz respeito. Eu lhe dei o dinheiro e ele inclusive me agradeceu por isso."&lt;br /&gt;Após o homem ter cumprido sua pena, ele foi a Shichiri e tornou-se um de seus discípulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;17. Verdadeira regeneração&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ryokan devotou sua vida ao estudo do Zen. Um dia ele ouviu que seu sobrinho, a despeito das advertências de sua família, estava gastando seu dinheiro com uma prostituta. Uma vez que o sobrinho tinha substituído Ryokan na responsabilidade de gerenciar os proventos da família, e os bens desta portanto corriam risco de serem dissipados, os parentes pediram a Ryokan fazer algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ryokan teve que viajar por uma longa estrada para encontrar seu sobrinho, o qual ele não via há muitos anos. O sobrinho ficou grato por encontrar seu tio novamente e o convidou a pernoitar em sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda a noite Ryokan sentou em meditação. Quando ele estava partindo na manhã seguinte ele disse ao jovem: "Eu devo estar ficando velho, minhas mãos tremem tanto! Poderia me ajudar a amarrar minha sandália de palha?"&lt;br /&gt;O sobrinho o ajudou devotadamente. "Obrigado," disse Ryokan finalmente, "você vê, a cada dia um homem se torna mais velho e frágil. Cuide-se com atenção." Então Ryokan partiu, jamais mencionando uma palavra sobre a cortesã ou as reclamações de seus parentes. Mas, daquela manhã em diante, o esbanjamento do seu neto terminou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;18. O Homem rico&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um homem queria ficar rico e, todos os dias, ia pedir a Deus que lhe atendesse às súplicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia de inverno, ao voltar da oração, avistou, presa no gelo do caminho, uma polpuda carteira de dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo instante, julgou-se atendido. Mas como a carteira resistisse aos seus esforços, urinou em cima dela a fim de derreter o gelo que a retinha. E foi então...&lt;br /&gt;Que despertou na cama toda molhada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;19. Morte de Takuan&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mestre Takuan (cujo nome significa "pepino") estava morrendo; um discípulo aproximou-se e perguntou-lhe qual era o seu testamento. Takuan respondeu que não tinha testamento; mas o discípulo insistiu:&lt;br /&gt;- Não tendes nada... Nada para dizer?&lt;br /&gt;- A vida não passa de um sonho.&lt;br /&gt;E expirou.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;20. Eremita e a ambição&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Na China antiga, um eremita meio mágico vivia numa montanha profunda. Um belo dia, um velho amigo foi visitá-lo. Senrin, muito feliz por recebê-lo, ofereceu-lhe um jantar e um abrigo para a noite; na manha seguinte, antes da partida do amigo, quis ofertar-lhe um presente. Tomou de uma pedra e, com o dedo, converteu-a num bloco de ouro puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amigo não ficou satisfeito; Senrin apontou o dedo para uma rocha enorme, que também se transformou em ouro.&lt;br /&gt;O amigo, porém, continuava sem sorrir.&lt;br /&gt;- Que queres, então? - indagou Senrin.&lt;br /&gt;Respondeu-lhe o amigo:&lt;br /&gt;- Corta esse dedo, eu o quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;21. Presente de Insultos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Certa vez existiu um grande guerreiro. Ainda que muito velho, ele ainda era capaz de derrotar qualquer desafiante. Sua reputação estendeu-se longe e amplamente através do país e muitos estudantes reuniam-se para estudar sob sua orientação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia um infame jovem guerreiro chegou à vila. Ele estava determinado a ser o primeiro homem a derrotar o grande mestre. Junto à sua força, ele possuía uma habilidade fantástica em perceber e explorar qualquer fraqueza em seu oponente, ofendendo-o até que a este perdesse a concentração. Ele esperaria então que seu oponente fizesse o primeiro movimento, e assim revelando sua fraqueza, e então atacaria com uma força impiedosa e velocidade de um raio. Ninguém jamais havia resistido em um duelo contra ele além do primeiro movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra todas as advertências de seus preocupados estudantes, o velho mestre alegremente aceitou o desafio do jovem guerreiro. Quando os dois se posicionaram para a luta, o jovem guerreiro começou a lançar insultos ao velho mestre. Ele jogava terra e cuspia em sua face. Por horas ele verbalmente ofendeu o mestre com todo o tipo de insulto e maldição conhecidos pela humanidade. Mas o velho guerreiro meramente ficou parado ali, calmamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o jovem guerreiro finalmente ficou exausto. Percebendo que tinha sido derrotado, ele fugiu vergonhosamente.&lt;br /&gt;Um tanto desapontados por não terem visto seu mestre lutar contra o insolente, os estudantes aproximaram-se e lhe perguntaram: "Como o senhor pôde suportar tantos insultos e indignidades? Como conseguiu derrotá-lo sem ao menos se mover?"&lt;br /&gt;"Se alguém vem para lhe dar um presente e você não o aceita," o mestre replicou, "para quem retorna este presente?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;22. Caçando dois coelhos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um estudante de artes marciais aproximou-se de seu mestre com uma questão:&lt;br /&gt;"Gostaria de aumentar meu conhecimento das artes marciais. Em adição ao que aprendi com o senhor, eu gostaria de estudar com outro professor para poder aprender outro estilo. O que pensa de minha idéia?"&lt;br /&gt;"O caçador que espreita dois coelhos ao mesmo tempo," respondeu o mestre, "corre o risco de não pegar nenhum."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23. O Mais Importante Ensinamento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um renomado mestre Zen dizia que seu maior ensinamento era este: Buddha é a sua mente. De tão impressionado com a profundidade implicada neste axioma, um monge decidiu deixar o Monastério e retirar-se em um local afastado para meditar nesta peça de sabedoria. Ele viveu 20 anos como um eremita refletindo no grande ensinamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ele encontrou outro monge que viajava na através da floresta próxima à sua ermida. Logo o monge eremita soube que o viajante também tinha estuda sob o mesmo mestre Zen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por favor, diga-me se você conhece o grande ensinamento do mestre," perguntou ansioso ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos do monge viajante brilharam, "Ah! O mestre foi muito claro sobre isto. Ele disse que seu maior ensinamento era: Buddha NÃO é a sua mente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;24. Aprendendo do modo mais duro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O filho de um mestre em roubos pediu a seu pai para ensinar-lhe os segredos de seu ofício. O velho ladrão concordou e naquela noite levou seu filho para assaltar uma grande mansão. Enquanto a família dormia, ele silenciosamente levou seu aprendiz para dentro de um quarto que continha um armário de ricas roupas. O pai disse ao filho para entrar no armário e pegar algumas roupas. Quando o rapaz fez isso, seu pai rapidamente fechou a porta e o prendeu lá dentro. Então ele saiu, e bateu sonoramente na porta da frente, acordando consequentemente a família que dormia, e rapidamente fugiu antes que qualquer pessoa o visse.&lt;br /&gt;Horas mais tarde, seu filho retornou à casa, em trapos e exausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pai!" ele gritou em fúria, "Porque o senhor me prendeu no armário? Se eu não tivesse usado desesperadamente meus recursos com medo de ser descoberto, eu jamais teria escapado. Tive que abandonar toda a minha timidez para sair de lá!"&lt;br /&gt;O velho ladrão sorriu: "Filho, você acabou de ter sua primeira lição na arte da rapinagem..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;25. Gutei e o Dedo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O Mestre Gutei, sempre que lhe faziam uma pergunta, respondia levantando um dedo sem dizer nada. Um noviço adquiriu o vício de imitá-lo. Certo dia, um visitante perguntou ao noviço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que sermão o Mestre está pronunciando agora?"&lt;br /&gt;O noviço respondeu levantando o dedo. O visitante, quando se encontrou com o Mestre, contou-lhe que o noviço o imitara. Mais tarde, o Mestre escondeu uma faca nas vestes e chamou o noviço. Quando este se apresentou, Gutei perguntou-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que é Buddha?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz, ansioso para impressionar o mestre, respondeu levantando o dedo. O Mestre então agarrou-lhe a mão e cortou-lhe o dedo com a faca. O discípulo, apavorado e em choque, já ia sair correndo, mas o Mestre o chamou com um grito:&lt;br /&gt;"NOVIÇO!"&lt;br /&gt;Quando o rapaz se voltou para o Mestre, este perguntou abruptamente :&lt;br /&gt;"O que é Buddha?"&lt;br /&gt;O discípulo ia levantar o dedo, mas não tinha mais dedo. Neste instante, ele alcançou o Satori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;26. Seguindo a corrente&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um velho homem bêbado acidentalmente caiu nas terríveis corredeiras de um rio que levavam para uma alta e perigosa cascata. Ninguém jamais tinha sobrevivido àquele rio. Algumas pessoas que viram o acidente temeram pela sua vida, tentando desesperadamente chamar a atenção do homem que, bêbado, estava quase desmaiado. Mas, miraculosamente, ele conseguiu sair salvo quando a própria correnteza o despejou na margem em uma curva que fazia o rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao testemunhar o evento, Kung-tzu (Confúcio) comentou para todas as pessoas que diziam não entender como o homem tinha conseguido sair de tão grande dificuldade sem luta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele se acomodou à água, não tentou lutar com ela. Sem pensar, sem racionalizar, ele permitiu que a água o envolvesse. Mergulhando na correnteza, conseguiu sair da correnteza. Assim foi como conseguiu sobreviver."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;27. O Sonho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez o mestre taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, um pessoa novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então ele pensou para si mesmo:&lt;br /&gt;"Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha em ser um homem?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;28. Egoísmo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Primeiro Ministro da Dinastia Tang era um herói nacional pelo seu sucesso tanto como homem de estado quanto como líder militar. Mas a despeito de sua fama, poder e riqueza, ele se considerava um humilde e devoto Buddhista. Freqüentemente ele visitava seu mestre Zen favorito para estudar com ele, e eles pareciam se dar muito bem. O fato de que ele era primeiro ministro aparentemente não tinha efeito em sua relação, que parecia ser simplesmente a de um reverendo mestre e seu respeitoso estudante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, durante sua visita usual, o Primeiro Ministro perguntou ao mestre, "Mestre, o que é o egoísmo de acordo com o Buddhismo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto do mestre ficou vermelho, e num tom de voz extremamente desdenhoso e insultuoso ele gritou em resposta:&lt;br /&gt;"Que tipo de pergunta estúpida é esta?!?"&lt;br /&gt;Tal resposta tão inesperada chocou tanto o Primeiro Ministro que este tornou-se imediatamente arrogante e com raiva:&lt;br /&gt;"Como ousa me tratar assim?"&lt;br /&gt;Neste momento o mestre Zen sorriu e disse:&lt;br /&gt;"ISTO, Sua Excelência, é egoísmo..."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29. Conhecendo os Peixes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez Chuang Tzu e um amigo caminhavam à margem de um rio.&lt;br /&gt;"Veja os peixes nadando na corrente," disse Chuang Tzu, "Eles estão realmente felizes..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não é um peixe," replicou arrogantemente seu amigo, "Então você não pode saber se eles estão felizes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não é Chuang Tzu," disse Chuang Tzu, "Então como você sabe que eu não sei que os peixes estão felizes?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;30. Plena Atenção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Após dez anos de aprendizagem, Tenno atingiu o título de mestre Zen. Num dia chuvoso, ele foi visitar o famoso mestre Nan-In. Quando ele entrou no mosteiro, o mestre recebeu-o com uma questão,&lt;br /&gt;"Você deixou seus tamancos e seu guarda-chuva no alpendre?"&lt;br /&gt;"Sim", Tenno replicou.&lt;br /&gt;"Diga-me então," o mestre continuou, "você colocou seu guarda-chuva à esquerda de seu calçado, ou à direita?"&lt;br /&gt;Tenno não soube como responder ao koan, percebendo afinal que ele ainda não tinha alcançado a plena atenção. Então ele tornou-se aprendiz de Nan-In e estudou sob sua orientação por mais dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;31. Concentração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Após ganhar vários torneios de Arco e Flecha, o jovem e arrogante campeão resolveu desafiar um mestre Zen que era renomado pela sua capacidade como arqueiro.&lt;br /&gt;O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou em um distante alvo na mosca na primeira flecha lançada, e ainda foi capaz de dividi-la em dois com seu segundo tiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim!", ele exclamou para o velho arqueiro, "Veja se pode fazer isso!"&lt;br /&gt;Imperturbável, o mestre não preparou seu arco, mas em vez disso fez sinal para o jovem arqueiro segui-lo para a montanha acima. Curioso sobre o que o velho estava tramando, o campeão seguiu-o para o alto até que eles alcançaram um profundo abismo atravessado por uma frágil e pouco firme tábua de madeira. Calmamente caminhando sobre a insegura e certamente perigosa ponte, o velho mestre tomou uma larga árvore longínqua como alvo, esticou seu arco, e acertou um claro e direto tiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Agora é sua vez," ele disse enquanto ele suavemente voltava para solo seguro.&lt;br /&gt;Olhando com terror para dentro do abismo negro e aparentemente sem fim, o jovem não pôde forçar a si mesmo caminhar pela prancha, muito menos acertar um alvo de lá.&lt;br /&gt;"Você tem muita perícia com seu arco," o mestre disse, percebendo a dificuldade de seu desafiante, "mas você tem pouco equilíbrio com a mente que deve nos deixar relaxados para mirar o alvo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;32. Professor de Sino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um novo estudante aproximou-se do mestre Zen e perguntou-lhe como ele poderia absorver seus ensinamentos de forma correta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pense em mim como um sino," o mestre explicou. "Me dê um suave toque, e eu irei lhe dar um pequeno tinido. Toque-me com força e você receberá um alto e profundo badalo."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33. O Elefante e a Pulga&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Roshi Kapleau (um mestre Zen moderno) concordou em falar a um grupo de psicanalistas sobre Zen. Após ser apresentado ao grupo pelo diretor do instituto analítico, o Roshi quietamente sentou-se sobre uma almofada colocada sobre o chão. Um estudante entrou, prostrou-se diante do mestre, e então sentou-se em outra almofada próxima, olhando seu professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que é Zen?" o estudante perguntou. O Roshi pegou uma banana, descascou-a, e começou a comê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Isso é tudo? O senhor não pode me dizer nada mais?" o estudante disse.&lt;br /&gt;"Aproxime-se, por favor." O mestre replicou. O estudante moveu-se mais para perto e Roshi balançou o que restava da banana em frente ao rosto do outro. O estudante fez uma reverência e partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segundo estudante levantou-se e dirigiu-se à audiência:&lt;br /&gt;"Vocês todos entenderam?" Quando não houve resposta, o estudante adicionou:&lt;br /&gt;"Vocês acabaram de testemunhar uma completa demonstração do Zen. Alguma questão?"&lt;br /&gt;Após um longo silêncio constrangido, alguém falou.&lt;br /&gt;"Roshi, eu não estou satisfeito com sua demonstração. O senhor nos mostrou algo que eu não tenho certeza de ter compreendido. DEVE existir uma maneira de nos DIZER o que é o Zen!"&lt;br /&gt;"Se você insiste em usar mais palavras," o Roshi replicou, "então Zen é 'um elefante copulando com uma pulga...'".&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34. Livros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Hsüan-Chien, quando jovem, era um devoto estudante do buddhismo. Estudou muito os conceitos e as doutrinas, e tornou-se muito hábil em analisar os termos complexos, e se considerava um expert em filosofia buddhista. Aprendeu de cor o Sutra do Diamante, e orgulhosamente escreveu um longo comentário sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, sabendo que em Hunan havia um grande sábio que dizia coisas que ele não concordava, resolveu viajar até lá para provar, através de seu conhecimento, que o pretenso sábio estava errado. Ele pegou seu comentário Qinglong sobre o Sutra do Diamante e partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho, encontrou uma velha que vendia bolinhos de arroz. Cansado e com fome, falou à senhora:&lt;br /&gt;"Gostaria de comprar alguns bolinhos, por favor."&lt;br /&gt;"Que livros está carregando? ", perguntou a velha.&lt;br /&gt;"É o meu comentário sobre o sentido verdadeiro do Sutra do Diamante," disse orgulhoso," mas você não sabe nada sobre esses assuntos profundos."&lt;br /&gt;Após um pequeno momento em silêncio, a velha lhe disse:&lt;br /&gt;"Vou lhe fazer uma pergunta, e se puder me responder eu lhe darei os bolinhos de graça. Se não, terá que ir embora, pois não vou lhe vender os bolinhos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achando-se capaz de responder qualquer pergunta, quanto mais de uma pessoa sem os seus anos de conhecimentos nos termos filosóficos, disse:&lt;br /&gt;"Muito bem, pergunte-me".&lt;br /&gt;"Está escrito no Vajracchedika que a Mente do passado é inatingível, a Mente do futuro é inatingível e a Mente do presente é inatingível; diga-me então: com qual Mente você vai se alimentar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estupefato, Hsüan-chien não soube o que dizer. A velha levantou-se e comentou:&lt;br /&gt;"Sinto muito, mas acho que terá que se alimentar em outro lugar", e partiu.&lt;br /&gt;Quando chegou no seu destino encontrou Longtan, o mestre do templo. Tinha chegado tarde, e ainda abalado com o encontro anterior, sentou-se silenciosamente em frente ao mestre, esperando que ele iniciasse o debate. O mestre, após muito tempo, disse:&lt;br /&gt;"É muito tarde, e você está cansado. É melhor ir para seu quarto dormir."&lt;br /&gt;"Muito bem," disse o intelectual, levantou-se e começou a sair para a escuridão do corredor. O mestre veio de dentro do salão e comentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Está muito escuro, tome, leve esta vela acesa," e lhe passou uma das velas acesas do altar. Quando Hsüen-chien pegou a vela trazida pelo mestre, Longtan subitamente assoprou-a, apagando a luz e deixando ambos silenciosos em meio à escuridão. Neste momento Hsüan-chien atingiu o Satori.&lt;br /&gt;No dia seguinte, levou todos seus livros e comentários para o pátio e os queimou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;35. Obra de Arte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um mestre em caligrafia escreveu alguns ideogramas em uma folha de papel. Um dos seus mais especialmente sensíveis estudantes estava observando. Quando o artista terminou, ele perguntou a opinião do seu pupilo - que imediatamente lhe disse que não estava bom. O mestre tentou novamente, mas o estudante criticou também o novo trabalho. Várias vezes, o mestre cuidadosamente redesenhou os mesmos ideogramas, e a cada vez seu estudante rejeitava a obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quando o estudante estava com sua atenção desviada por outra coisa e não estava olhando, o mestre aproveitou o momento e rapidamente apagou os caracteres que havia escrito no último trabalho, deixando a folha em branco.&lt;br /&gt;"Veja! O que acha?," ele perguntou. O Estudante então virou-se e olhou atentamente.&lt;br /&gt;"ESTA... é verdadeiramente uma obra de arte!", exclamou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Uma lenda diz que este é o conto que descreve a criação de arte do mestre Kosen, que por sua vez foi usada para criar o entalhe em madeira das palavras "O Primeiro Princípio", que ornamentam o portão do Templo Obaku em Kyoto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;36. Buscando por Buddha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge pôs-se a caminho de uma longa peregrinação para encontrar Buddha. Ele levou muitos anos em sua busca até alcançar a terra onde dizia-se que vivia Buddha. Ao cruzar o sagrado rio que cortava este país, o monge olhava em torno enquanto o barqueiro conduzia o bote. Ele percebeu algo flutuando em sua direção. Quando o objeto chegou mais perto, ele viu que era um cadáver - e que o morto era ele mesmo!&lt;br /&gt;O monge perdeu todo o controle e deu um grito de dor à visão de si mesmo, rígido e sem vida, flutuando suavemente na corrente do grande rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste instante percebeu que ali estava começando sua busca pela liberação...&lt;br /&gt;E então ele soube definitivamente que sua procura por Buddha havia terminado.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37. O Agora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um guerreiro japonês foi capturado pelos seus inimigos e jogado na prisão. Naquela noite ele sentiu-se incapaz de dormir pois sabia que no dia seguinte ele iria ser interrogado, torturado e executado. Então as palavras de seu mestre Zen surgiram em sua mente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O "amanhã" não é real. É uma ilusão. A única realidade é "AGORA. O verdadeiro sofrimento é viver ignorando este Dharma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio ao seu terror subitamente compreendeu o sentido destas palavras, ficou em paz e dormiu tranqüilamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;38. Nada santo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez Bodhidharma foi levado à presença do Imperador Wu, um devoto benfeitor buddhista, que ansiava receber a aprovação de sua generosidade pelo sábio. Ele perguntou ao mestre:&lt;br /&gt;"Nós construímos templos, copiamos os sutras sagrados, ordenamos monges e monjas. Qual o mérito, reverenciado Senhor, da nossa conduta?"&lt;br /&gt;"Nenhum mérito, em absoluto", disse o sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Imperador, chocado e algo ofendido, pensou que tal resposta com certeza estava subvertendo todo o dogma buddhista, e tornou a perguntar:&lt;br /&gt;"Então qual é o Santo Dharma, o Primeiro Princípio?"&lt;br /&gt;"Um vasto Vazio, sem nada santo dentro dele", afirmou Bodhidharma, para a surpresa do Imperador. Este ficou furioso, levantou-se e fez sua última pergunta:&lt;br /&gt;"Quem és então, para ficares diante de mim como se fosse um sábio?"&lt;br /&gt;"Eu não sei, Majestade", replicou o sábio, que assim tendo dito virou-se e foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;39. Onde está sua mente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, após muitos sofrimentos, Shang Kwang foi aceito por Bodhidharma como seu discípulo. O jovem então perguntou ao mestre:&lt;br /&gt;"Eu não tenho paz de espírito. Gostaria de pedir, Senhor, que pacificasse minha mente."&lt;br /&gt;"Ponha sua mente aqui na minha frente e eu a pacificarei!" replicou Bodhidharma.&lt;br /&gt;"Mas... é impossível que eu faça isso!" afirmou Shang Kwang.&lt;br /&gt;"Então já pacifiquei a sua mente.", conclui o sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;40. A prática faz a perfeição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um estudante de canto de ópera dramática treinou sob um rígido professor que insistia que ele recitasse dia após dia, mês após mês o mesmo trecho da mesma canção, sem jamais ser permitido ir adiante. Finalmente, oprimido pela frustração e desespero, o jovem fugiu em busca de outra profissão. Uma noite, parando em uma estalagem, ele encontrou por acaso o anúncio de uma competição de recitação. Não tendo nada a perder, ele entrou na competição e, é claro, cantou a única passagem que ele conhecia tão bem. Quando ele terminou, o patrocinador da competição congratulou-o efusivamente sua performance. A despeito das embaraçadas objeções do estudante, recusou-se a acreditar que havia escutado um cantor principiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Diga-me," perguntou o patrocinador, "quem é seu instrutor? Ele deve ser um grande mestre!"&lt;br /&gt;O estudante mais tarde tornou-se conhecido como o grande cantor japonês Koshiji.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;41. O Paraíso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Duas pessoas estavam perdidas no deserto. Elas estavam morrendo de inanição e sede. Finalmente, eles avistaram um alto muro. Do outro lado eles podiam ouvir o som de quedas d'água e pássaros cantando. Acima eles podiam ver os galhos de uma árvore frutífera atravessando e pendendo sobre o muro. Seus frutos pareciam deliciosos.&lt;br /&gt;Um dos homens subiu o muro e desapareceu no outro lado.&lt;br /&gt;O outro, em vez disso, saciou sua fome com as frutas que sobressaíam da árvore ali mesmo, e retornou ao deserto para ajudar outros perdidos a encontrar o caminho para o oásis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;42. Gato Ritual - Complicando o que é simples&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam sua meditação do anoitecer, o gato que vivia no Monastério fazia tanto barulho que os distraía. Então o professor ordenou que o gato fosse amordaçado durante a prática noturna. Anos depois, quando o mestre morreu, o gato continuou a ser amarrado durante a meditação. E quando o gato eventualmente morreu, outro gato foi trazido para o Monastério e amarrado. Séculos depois, quando todos os fatos do evento estavam perdidos no passado, praticantes intelectuais que estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos sobre a significância de se amordaçar um gato durante a prática da meditação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;43. Natureza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dois monges estavam lavando suas tigelas no rio quando perceberam um escorpião que estava se afogando. Um dos monges imediatamente pegou-o e o colocou na margem. No processo ele foi picado. Ele voltou para terminar de lavar sua tigela e novamente o escorpião caiu no rio. O monge salvou o escorpião e novamente foi picado. O outro monge então perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Amigo, por que você continua a salvar o escorpião quando você sabe que sua natureza é agir com agressividade, picando-o?"&lt;br /&gt;"Porque," replicou o monge, "agir com compaixão é a minha natureza."&lt;br /&gt;(Outra versão deste conto descreve uma raposa que concorda em carregar um escorpião em suas costas através de um rio, sob a condição que o escorpião não o pique. Mas o escorpião ainda assim pica a raposa quando ambos estavam no meio da correnteza. Enquanto a raposa afundava, levando o escorpião consigo, ela lamentosamente perguntou ao escorpião por que tinha condenado a ambos à morte ao picá-la. "Porque é minha natureza."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma estória é encontrada na tradição indígena americana. No Brasil a raposa é substituída por um sapo.)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;44. Sem Mais Questões&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ao encontrar um mestre Zen em um evento social, um psiquiatra decidiu colocar-lhe uma questão que sempre esteve em sua mente:&lt;br /&gt;"Exatamente como você ajuda as pessoas?" ele perguntou.&lt;br /&gt;"Eu as alcanço naquele momento mais difícil, quando elas não tem mais nenhuma questão para perguntar," o mestre respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;45. Não Morri Ainda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Imperador perguntou ao Mestre Gudo: "O que acontece com um homem iluminado após a morte?" "Como eu poderia saber?", replicou Gudo. "Porque o senhor é um mestre... não é?" respondeu o Imperador, um pouco surpreso. "Sim Majestade," disse Gudo suavemente, "mas ainda não sou um mestre morto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;46. Samsara&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O monge perguntou ao Mestre: "Como posso sair do Samsara (a Roda de renascimentos e mortes)?"&lt;br /&gt;O Mestre respondeu:&lt;br /&gt;"Quem te colocou nele?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;47. Mente em Movimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dois homens estavam discutindo sobre uma flâmula que tremulava ao vento:&lt;br /&gt;"É o vento que realmente está se movendo!" declarou o primeiro.&lt;br /&gt;"Não, obviamente é a flâmula que se move!" contestou o segundo.&lt;br /&gt;Um mestre Zen, que por acaso passava perto, ouviu a discussão e os interrompeu dizendo:&lt;br /&gt;"Nem a flâmula nem o vento estão se movendo," disse, "É a MENTE que se move."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;48. O Quebrador de Pedras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que freqüentavam a mansão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quão poderoso é este mercador!" pensou o quebrador de pedras. Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sua grande surpresa ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele. Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe. Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quão poderoso é este oficial!" ele pensou. "Gostaria de poder ser um alto oficial!"&lt;br /&gt;Então ele tornou-se o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta. Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol. Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quão poderoso é o Sol!" ele pensou. "Gostaria de ser o Sol!"&lt;br /&gt;Então ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a terra sobre tudo e todos, crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores. Mas um dia uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quão poderosa é a nuvem de tempestade!" ele pensou "Gostaria de ser uma nuvem!"&lt;br /&gt;Então ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos. Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quão poderoso é o Vento!" ele pensou. "Gostaria de ser o vento!"&lt;br /&gt;Então ele tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra. Mas em determinado momento ele encontrou algo que ele não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse em sua volta, lançando-lhe rajadas de ar. Ele viu que o objeto era uma grande e alta rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quão poderosa é a rocha!" ele pensou. "Gostaria de ser uma rocha!"&lt;br /&gt;Então ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, inamovível. Mas enquanto ele estava lá, orgulhoso pela sua força, ele ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?!?" pensou surpreso.&lt;br /&gt;Ele olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;49. Talvez&lt;br /&gt;Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo.&lt;br /&gt;"Que má sorte!" eles disseram solidariamente.&lt;br /&gt;"Talvez," o fazendeiro calmamente replicou. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.&lt;br /&gt;"Que maravilhoso!" os vizinhos exclamaram.&lt;br /&gt;"Talvez," replicou o velho homem. No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna.&lt;br /&gt;"Que pena," disseram.&lt;br /&gt;"Talvez," respondeu o fazendeiro. No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor.&lt;br /&gt;O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente:&lt;br /&gt;"Talvez."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;50. Cipreste&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou ao mestre:&lt;br /&gt;"Qual o significado de Dharma-Buddha?"&lt;br /&gt;O mestre apontou e disse:&lt;br /&gt;"O cipreste no jardim."&lt;br /&gt;O monge ficou irritado, e disse:&lt;br /&gt;"Não, não! Não use parábolas aludindo a coisas concretas! Quero uma explicação intelectual clara do termo!"&lt;br /&gt;"Então eu não vou usar nada concreto, e serei intelectualmente claro," disse o mestre. O monge esperou um pouco, e vendo que o mestre não iria continuar fez a mesma pergunta:&lt;br /&gt;"Então? Qual o significado de Dharma-Buddha?"&lt;br /&gt;O mestre apontou e disse:&lt;br /&gt;"O cipreste no jardim."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;51. Chá ou Paulada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez Hakuin contou uma estória:&lt;br /&gt;"Havia uma velha mulher que tinha uma casa de chá na vila. Ela era uma grande conhecedora da cerimônia do chá, e sua sabedoria no Zen era soberba. Muitos estudantes ficavam surpresos e ofendidos que uma simples velha pudesse conhecer o Zen, e iam à vila para testá-la e ver se isso era mesmo verdade.&lt;br /&gt;"Toda vez que a velha senhora via monges se aproximando, ela sabia se eles vinham apenas para experimentar o seu chá, ou para testá-la no Zen. Àqueles que vinham pelo chá ela servia gentil e graciosamente, encantando-os. Àqueles que vinham tentar saber de seu conhecimento do Zen, ela escondia-se até que o monge chegasse à porta e então lhe batia com um tição.&lt;br /&gt;"Apenas um em cada dez conseguiam escapar da paulada..."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;52. Os Poderes Sobrenaturais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa manhã, o Mestre Daie, ao levantar-se, chamou seu discípulo Gyozan e lhe disse:&lt;br /&gt;"Vamos fazer uma disputa para saber quem de nós dois possui mais poderes sobrenaturais?"&lt;br /&gt;Gyozan retirou-se sem nada responder. Dali a pouco, voltou trazendo uma bacia com água e uma toalha. O mestre lavou o rosto e enxugou-se em silêncio. Depois, Daie e Gyozan sentaram em ante uma mesinha e ficaram conversando sobre assunto diversos, tomando chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, Kyogen, outro discípulo, aproximou-se e perguntou:&lt;br /&gt;"O que estão fazendo?"&lt;br /&gt;"Estamos fazendo uma competição com nossos poderes sobrenaturais", respondeu o Mestre, "Queres participar?"&lt;br /&gt;Kyogen retirou-se calado e logo depois retornou trazendo uma bandeja com doces e biscoitos. O Mestre Daie então dirigiu-se aos seus dois discípulos, e exclamou:&lt;br /&gt;"Na verdade, vós superais em poderes sobrenaturais Sariputra, Mogallana e todos os discípulos de Buddha!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;53. Pó&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Chao-Chou (Joshu) certa vez varria o chão quando um monge lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Sendo vós o sábio e santo Mestre, dizei-me como se acumula tanto pó em seu quintal?"&lt;br /&gt;Disse o Mestre, apontando para o pátio:&lt;br /&gt;"Ele vem lá de fora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;54. Jardim Zen - A Beleza Natural&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge jovem era o responsável pelo jardim zen de um famoso templo Zen. Ele tinha conseguido o trabalho porque amava as flores, arbustos e árvores. Próximo ao templo havia um outro templo menor onde vivia apenas um velho mestre Zen. Um dia, quando o monge estava esperando a visita de importantes convidados, ele deu uma atenção extra ao cuidado do jardim. Ele tirou as ervas daninhas, podou os arbustos, cardou o musgo, e gastou muito tempo meticulosamente passando o ancinho e cuidadosamente tirando as folhas secas de outono. Enquanto ele trabalhava, o velho mestre observava com interesse de cima do muro que separava os templos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminou, o monge afastou-se um pouco para admirar seu trabalho.&lt;br /&gt;"Não está lindo?" ele perguntou, feliz, para o velho monge.&lt;br /&gt;"Sim," replicou o ancião, "mas está faltando algo crucial. Me ajude a pular este muro e eu irei acertar as coisas para você."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após certa hesitação, o monge levantou o velho por sobre o muro e pousou-o suavemente em seu lado. Vagarosamente, o mestre caminhou para a árvore mais próxima ao centro do jardim, segurou seu tronco e o sacudiu com força. Folhas desceram suavemente à brisa e caíram por sobre todo o jardim.&lt;br /&gt;"Pronto!" disse o velho monge," agora você pode me levar de volta."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;55. Ponte de Pedra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia uma famosa ponte de pedra no Monastério de Chao-Chou (Joshu) que era uma atração do lugar. Certa vez um monge viajante afirmou:&lt;br /&gt;"Já ouvi falar sobre a famosa ponte de pedra, mas até agora não a vi. Vejo somente uma tábua."&lt;br /&gt;"Vedes uma tábua," confirmou Chao-chou, "e não vedes a ponte de madeira."&lt;br /&gt;"Então onde está a ponte de pedra?" perguntou o monge.&lt;br /&gt;"Acabastes de cruzá-la", disse prontamente Chao-Chou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;56. Apenas duas palavras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia um certo Monastério Soto Zen que era muito rígido. Seguindo um estrito voto de silêncio, a ninguém era permitido falar. Mas havia uma pequena exceção a esta regra: a cada 10 anos os monges tinham permissão de falar apenas duas palavras. Após passar seus primeiros dez anos no Monastério, um jovem monge foi permitido ir ao monge Superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Passaram-se dez anos," disse o monge Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?"&lt;br /&gt;"Cama dura..." disse o jovem.&lt;br /&gt;"Entendo..." replicou o monge Superior.&lt;br /&gt;Dez anos depois, o monge retornou à sala do monge Superior.&lt;br /&gt;"Passaram-se mais dez anos," disse o Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?"&lt;br /&gt;"Comida ruim..." disse o monge.&lt;br /&gt;"Entendo..." replicou o Superior.&lt;br /&gt;Mais dez anos se foram e o monge uma vez mais encontrou-se com o seu Superior, que perguntou:&lt;br /&gt;"Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer, após mais estes dez anos?"&lt;br /&gt;"Eu desisto!" disse o monge.&lt;br /&gt;"Bem, eu entendo o porquê," replicou, cáustico, o monge Superior. "Tudo o que você sempre fez foi reclamar!"&lt;br /&gt;(Este é um conto comum em alguns locais Soto ocidentais. Não existe certeza se é um conto Zen original. Como muitas anedotas, esta aqui nos faz rir, mas também nos encoraja a refletir sobre o quê há de engraçado nisso tudo...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;57. Aranha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um conto Tibetano fala de um estudante de meditação que, enquanto meditava em seu quarto, pensava ver uma assustadora aranha descendo à sua frente. A cada dia a criatura ameaçadora retornava cada vez maior em tamanho. Tão terrificado estava o estudante que finalmente foi ao seu professor para relatar o seu dilema:&lt;br /&gt;"Não posso continuar meditando com tal ameaça sobre mim," disse ele tremendo de pavor. "Vou guardar uma faca em meu colo durante a meditação, de forma que quando a aranha aparecer eu possa matá-la!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor advertiu-o contra esta idéia:&lt;br /&gt;"Não faça isso. Faça como eu lhe digo: leve um pedaço de carvão na sua meditação, e quando a aranha aparecer, marque um 'X' em sua barriga. Depois disso venha até mim."&lt;br /&gt;O estudante retornou à sua meditação. Quando a aranha novamente apareceu, ele lutou contra o impulso de atacá-la e em vez disso fez como o mestre sugeriu. Então correu para a sala de dele, gritando:&lt;br /&gt;"Eu a marquei na barriga! Fiz o que me pediu! O que faço agora?"&lt;br /&gt;O professor olhou-o e falou:&lt;br /&gt;"Levante a túnica e olhe para sua própria barriga."&lt;br /&gt;Ao fazer isso, o estudante viu o "X" que havia feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;58. Meditação e Macacos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um homem estava interessado em aprender meditação. Foi até um zendo (local de prática meditativa zen) e bateu na porta. Um velho professor o atendeu:&lt;br /&gt;"Sim?"&lt;br /&gt;"Bom dia meu senhor," começou o homem. "Eu gostaria de aprender a fazer meditação. Como eu sei que isso é difícil e muito técnico, eu procurei estudar ao máximo, lendo livros e opiniões sobre o que é meditação, suas posturas, etc... Estou aqui porque o senhor é considerado um grande professor de meditação. Gostaria que o senhor me ensinasse."&lt;br /&gt;O velho ficou olhando o homem enquanto este falava. Quando terminou, o professor disse:&lt;br /&gt;"Quer aprender meditação?"&lt;br /&gt;"Claro! Quero muito?" exclamou o outro.&lt;br /&gt;"Estudou muito sobre meditação?", disse um tanto irônico.&lt;br /&gt;"Fiz o máximo que pude..." afirmou o homem.&lt;br /&gt;"Certo," replicou o velho. "Então vá para casa e faça exatamente isso: NÃO PENSE EM MACACOS."&lt;br /&gt;O homem ficou pasmo. Nunca tinha lido nada sobre isso nos livros de meditação. Ainda meio incerto, perguntou:&lt;br /&gt;"Não pensar em macacos? É só isso?"&lt;br /&gt;"É só isso."&lt;br /&gt;"Bem isso é simples de fazer" pensou o homem, e concordou. O professor então apenas completou:&lt;br /&gt;"Ótimo. Volte amanhã," e bateu a porta.&lt;br /&gt;Duas horas depois, o professor ouviu alguém batendo freneticamente a porta do zendo. Ele abriu-a, e lá estava de novo o mesmo homem.&lt;br /&gt;"Por favor me ajude!" exclamou aflito "Desde que o senhor pediu para que eu não pensasse em macacos, não consegui mais deixar de me preocupar em NÃO PENSAR NELES!!!! Vejo macacos em todos os cantos!!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;59. O Eu Verdadeiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um homem muito perturbado foi até um mestre Zen, apresentou-se e disse:&lt;br /&gt;"Por favor, Mestre, eu me sinto desesperado! Não sei quem eu sou. Sempre li e ouvi falar sobre o Eu Superior, nossa verdadeira Essência Transcendental, e por muitos anos tentei atingir esta realidade profunda, sem nunca ter sucesso! Por favor mostre-me meu Eu Verdadeiro!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o professor apenas ficou olhando para longe, em silêncio, sem dar nenhuma resposta. O homem começou a implorar e pedir, sem que o mestre lhe desse nenhuma atenção. Finalmente, banhado em lágrimas de frustração, o homem virou-se e começou a se afastar. Neste momento o mestre chamou-o pelo nome, em voz alta.&lt;br /&gt;"Sim?" replicou o homem, enquanto se virava para fitar o sábio.&lt;br /&gt;"Eis o seu verdadeiro Eu." disse o mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;60. Ansiando por Deus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um sábio estava meditando à margem de um rio quando um homem jovem, um tanto entusiasmado, o interrompeu.&lt;br /&gt;"Mestre, eu desejo ser seu discípulo!", disse o jovem.&lt;br /&gt;"Por quê?" replicou o sábio.&lt;br /&gt;O jovem era uma pessoa que sempre ouviu falar dos caminhos espirituais, e tinha uma idéia fantasiosa e romântica deles. Em sua imaturidade, ele achava que ser "espiritual" era algo como participar de um movimento, de uma crença, de uma moda, sem grandes conseqüências. Ele então pensou numa resposta bem "profunda" e disse:&lt;br /&gt;"Porque eu quero encontrar DEUS!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio pulou de onde estava, agarrou o rapaz pelo cangote, arrastou-o até o rio e mergulhou sua cabeça sob a água. Manteve-o lá por quase um minuto, sem permitir que respirasse, enquanto o terrificado rapaz chutava e lutava para se libertar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente o mestre o puxou da água e o arrastou de volta à margem. Largou-o no chão, enquanto o homem cuspia água e engasgava, lutando para retomar a respiração e entender o que acontecera. Quando ele eventualmente se acalmou, o sábio lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Diga-me, quando estava sob a água, sabendo que morreria, o que você queria mais do que tudo?&lt;br /&gt;"Ar!", respondeu o jovem, amuado.&lt;br /&gt;"Muito bem", disse o mestre. "Vá para sua casa, e quando você souber ansiar por um Deus tanto quanto você acabou de ansiar por ar, pode voltar a me procurar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;61. Por que palavras?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge aproximou-se de seu mestre - que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua - com uma grande dúvida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."&lt;br /&gt;O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então," o monge perguntou, "por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;62. O Som do Silêncio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, um buddhista foi às montanhas procurar um grande mestre, que segundo acreditava poderia lhe dizer a palavra definitiva sobre o sentido da Sabedoria. Após muitos dias de dura caminhada o encontrou em um belo templo à beira de um lindo vale.&lt;br /&gt;"Mestre, vim até aqui para lhe pedir uma palavra sobre o sentido do Dharma. Por favor, faça-me atravessar os Portões do Zen."&lt;br /&gt;"Diga-me," replicou o sábio, "vindo para cá vós passastes pelo vale?"&lt;br /&gt;"Sim."&lt;br /&gt;"Por acaso ouvistes o seu som?"&lt;br /&gt;Um tanto incerto, o homem disse:&lt;br /&gt;"Bem, ouvi o som do vento como um suave canto penetrando todo o vale."&lt;br /&gt;O sábio respondeu:&lt;br /&gt;"O local onde vós ouvistes o som do vale é onde começa o caminho que leva aos Portões do Zen. E este som é toda palavra que vós precisais ouvir sobre a Verdade."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;63. O Mudo e o Papagaio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um jovem monge foi até o mestre Ji-shou e perguntou:&lt;br /&gt;"Como chamamos uma pessoa que entende uma verdade mas não pode explicá-la em palavras?"&lt;br /&gt;Disse o mestre:&lt;br /&gt;"Uma pessoa muda comendo mel".&lt;br /&gt;"E como chamamos uma pessoa que não entende a verdade, mas fala muito sobre ela?"&lt;br /&gt;"Um papagaio imitando as palavras de uma outra pessoa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;64. Autocontrole&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dia aconteceu um tremendo terremoto que sacudiu inteiramente um templo Zen. Partes dele chegaram mesmo a ruir. Muitos dos monges ficaram terrificados. Quando o terremoto parou o professor do templo disse, vaidosa e arrogantemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Agora vocês tiveram a oportunidade de ver como um verdadeiro sábio Zen se comporta diante de uma situação de crise. Vocês devem ter notado que EU não entrei em pânico. EU estive sempre muito consciente do que estava acontecendo e do que fazer. EU guiei vocês todos para a cozinha, a parte mais firme do templo. E esta foi uma brilhante decisão, pois como vocês vêem todos sobrevivemos sem nenhum arranhão! Contudo, a despeito de meu grande autocontrole e compostura exemplar, admito ter sentido um pouco - muito pouco - de tensão. Fato que vocês devem ter deduzido quando me viram beber um grande copo de água, algo que eu jamais faço em circunstâncias normais..."&lt;br /&gt;Neste momento alguns monges sorriram, mas não disseram nada.&lt;br /&gt;"De quê estão rindo?" perguntou o professor.&lt;br /&gt;"Aquilo não era água," disse um dos monges, "era um grande copo de molho apimentado..."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;65. O Silêncio Completo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quatro monges decidiram meditar em silêncio completo, sem falar por duas semanas. Na noite do primeiro dia a vela começou a falhar e então apagou.&lt;br /&gt;O primeiro monge disse, "Oh, não! A vela apagou!"&lt;br /&gt;O segundo comentou, "Não tínhamos que ficar em silêncio completo?"&lt;br /&gt;O terceiro reclamou, "Por que vocês dois quebraram o silêncio?"&lt;br /&gt;Finalmente o quarto afirmou, todo orgulhoso, "Aha! Eu sou o único que não falou!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;66. Sem Problema&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um praticante Zen foi à Bankei e fez-lhe esta pergunta, aflito:&lt;br /&gt;"Mestre, Eu tenho um temperamento irascível. Sou às vezes muito agitado e agressivo e acabo criando discussões e ofendendo outras pessoas. Como posso curar isso?"&lt;br /&gt;"Tu possuis algo muito estranho," replicou Bankei. "Deixe ver como é esse comportamento."&lt;br /&gt;"Bem... eu não posso mostrá-lo exatamente agora, mestre," disse o outro, um pouco confuso.&lt;br /&gt;"E quando tu a mostrarás para mim?" perguntou Bankei.&lt;br /&gt;"Não sei... é que isso sempre surge de forma inesperada," replicou o estudante.&lt;br /&gt;"Então," concluiu Bankei, "essa coisa não faz parte de tua natureza verdadeira. Se assim fosse, tu poderias mostrá-la sempre que desejasse. Quando tu nasceste não a tinhas, e teus pais não a passaram para ti. Portanto, saibas que ele não existe."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;67. Impermanência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, em seu trono.&lt;br /&gt;"O que vós desejais?" perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.&lt;br /&gt;"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o professor.&lt;br /&gt;"Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem, "disse o Rei, divertido, "Este é o meu palácio."&lt;br /&gt;"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.&lt;br /&gt;"Meu pai. Ele está morto."&lt;br /&gt;"E a quem pertenceu antes dele?"&lt;br /&gt;"Meu avô," disse o Rei já bastante intrigado, "Mas ele também está morto."&lt;br /&gt;"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem - vós me dizeis que tal lugar NÃO É uma hospedaria?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;68. Buddha - Além da Palavras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez estava Buddha sentado sob uma árvore, com os seus discípulos reunidos à sua volta esperando que ele iniciasse seu discurso. Em determinado momento, Buddha calmamente inclinou-se e colheu uma flor. Levantou-a à altura de seu rosto e girou-a suavemente. Seus discípulos ficaram espantados e confusos, e murmuraram entre si questionando o sentido daquilo. Dentre eles, apenas Kashyapa entendeu o gesto, sorrindo. Shakyamuni Buddha percebeu que Kashyapa tinha compreendido, e lhe disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O método de Meditação que ensino é ver as coisas como elas são, nada rejeitar e tratar as coisas com alegria, vendo claramente sua face original. Esse Dharma misterioso transcende a linguagem e os princípios racionais. O pensamento lógico não pode ser usado para obter a Compreensão; apenas com a sensibilidade da não-mente alcança-se a Verdade. Vós compreendestes. Por isso, concedo-lhe a partir deste momento o espírito do Dhyana."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;69. Uma vida inútil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um bondoso fazendeiro tornou-se velho demais para poder trabalhar nos campos. Assim ele passava seus dias apenas sentado na varanda, feliz em observar a natureza. Seu filho era uma pessoa insensível e ambiciosa que não gostava de dar duro. Mas, ainda trabalhando na fazenda, podia observar seu pai de vez em quando ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele é inútil," o filho falou para si mesmo, agastado, "ele não faz nada!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o filho ficou tão frustado por ver seu pai numa vida que ele considerava absurda, que construiu um caixão de madeira, arrastou-o até a varanda e disse insensivelmente para o seu pai entrar nele. Sem dizer uma palavra, o pai deitou-se no caixão. Após fechar a tampa, o filho arrastou o caixão até as fronteiras da fazenda onde existia um grande abismo. Quando ele se aproximou da beira, ouviu uma suave batida na tampa, de dentro do caixão. Ele abriu-o. Ainda deitado lá pacificamente, o pai olhou para seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sei que você vai lançar-me no abismo, mas antes de fazer isso posso lhe sugerir uma coisa?"&lt;br /&gt;"O que é?" disse o filho, confuso e algo constrangido por ver seu pai tão calmo.&lt;br /&gt;"Lance-me ao abismo, se quiser," disse o pai, "mas salve este bom caixão de madeira. Seus filhos podem querer usá-lo um dia com você..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;70. Quando cansado...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um estudante perguntou a Joshu, "Mestre, o que o Satori?"&lt;br /&gt;O mestre replicou: "Quando estiver com fome, coma. Quando estiver cansado, durma."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;71. Duelo de Chá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um mestre da cerimônia do chá no antigo Japão certa vez acidentalmente ofendeu um soldado, ao distraídamente desdenhá-lo quando ele pediu sua atenção. Ele rapidamente pediu desculpas, mas o altamente impetuoso soldado exigiu que a questão fosse resolvida em um duelo de espadas. O mestre de chá, que não tinha absolutamente nenhuma experiência com espadas, pediu o conselho de um velho amigo mestre Zen que possuía tal habilidade. Enquanto era servido de um chá pelo amigo, o espadachim Zen não pôde evitar notar como o mestre de chá executava sua arte com perfeita concentração e tranqüilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Amanhã," disse o mestre Zen, "quando você duelar com o soldado, segure sua arma sobre sua cabeça como se estivesse pronto para desferir um golpe, e encare-o com a mesma concentração e tranqüilidade com que você executa a cerimônia do chá".&lt;br /&gt;No dia seguinte, na exata hora e local escolhidos para o duelo, o mestre de chá seguiu seu conselho. O soldado, também já pronto para atacar, olhou por muito tempo em silêncio para a face totalmente atenta porém suavemente calma do mestre de chá. Finalmente, o soldado lentamente abaixou sua espada, desculpou-se por sua arrogância, e partiu sem ter dado um único golpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;72. Surpreendendo o Mestre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os estudantes em um mosteiro ficavam espantadíssimos com o monge mais velho, não porque ele fosse rígido, mas porque nada parecia irritá-lo ou perturbá-lo. Na verdade, eles o consideravam alguém sobrenatural e até mesmo um tanto assustador. Um dia eles decidiram fazer um teste com o mestre. Um grupo deles escondeu-se silenciosamente em um canto escuro de uma das passagens do templo, e esperaram o momento em que o velho monge iria passar por ali. Num momento o velho homem apareceu, carregando um copo de chá quente. Exatamente quando ele passava, todos os estudantes pularam na sua frente, gritando o mais alto que podiam:&lt;br /&gt;"AAAAAAHHHH!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o monge não demonstrou absolutamente nenhuma reação, deixando todos pasmos de espanto. Pacificamente fez seu caminho até uma pequena mesa no canto mais afastado do templo, gentilmente pousou o copo, e então, encostando no muro, deu um grito de choque:&lt;br /&gt;"OOOHHHHH!"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;73. Trabalhando Duro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um estudante foi ao seu professor e disse fervorosamente,&lt;br /&gt;"Eu estou ansioso para entender seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prêmio e dominar este conhecimento?"&lt;br /&gt;A resposta do professor foi casual,&lt;br /&gt;"Uns dez anos..."&lt;br /&gt;Impacientemente, o estudante completou,&lt;br /&gt;"Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isto! Vou trabalhar duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objetivo?"&lt;br /&gt;O professor pensou um pouco e disse suavemente,&lt;br /&gt;"Vinte anos."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;74. A História do Homem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Conta-se que na Pérsia antiga vivia um rei chamado Zemir. Coroado muito jovem, julgou-se na obrigação de instruir-se: reuniu em torno de si numerosos eruditos provenientes de todos os Países e pediu-lhes que editassem para ele a história da humanidade. Todos os eruditos se concentraram, portanto, nesse estudo.&lt;br /&gt;Vinte anos se escoaram no preparo da edição. Finalmente, dirigiram-se a palácio, carregados de quinhentos volumes acomodados no dorso de doze camelos.&lt;br /&gt;O rei Zemir havia, então, passado dos quarenta anos.&lt;br /&gt;"Já estou velho, "disse ele. "Não terei tempo de ler tudo isso antes da minha morte. Nessas condições, por favor, preparai-me uma edição resumida."&lt;br /&gt;Por mais vinte anos trabalharam os eruditos na feitura dos livros e voltaram ao palácio com três camelos apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o rei envelhecera muito. Com quase sessenta anos, sentia-se enfraquecido:&lt;br /&gt;"Não me é possível ler todos esses livros. Por favor, fazei-me deles uma versão ainda mais sucinta."&lt;br /&gt;Os eruditos labutaram mais dez anos e depois voltaram com um elefante carregado das suas obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a essa altura, com mais de setenta anos, quase cego, o rei não podia mesmo ler. Pediu, então, uma edição ainda mais abreviada. Os eruditos também tinham envelhecido. Concentraram-se por mais cinco anos e, momentos antes da morte do monarca, voltaram com um volume só.&lt;br /&gt;"Morrerei, portanto, sem nado conhecer da historia do Homem - disse ele."&lt;br /&gt;À sua cabeceira, o mais idoso dos eruditos respondeu:&lt;br /&gt;"Vou explicar-vos em três palavras a história do Homem: o homem nasce, sofre e, finalmente, morre."&lt;br /&gt;Nesse instante o rei expirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;75. Kantaka e o fio de Aranha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Assim eu ouvi:&lt;br /&gt;O Buddha, um dia, passeava no Céu Trayastrimsa, as margens do lago da Flor de Lótus. Nas profundezas do lago, lobrigava o Naraka (um tipo de região de demérito Kármico, na tradição do Buddhismo Mahayana). Nessa ocasião, viu ali um homem chamado Kantaka que morto dias antes, se debatia e padecia nas profundezas. Transbordando de compaixão, o Buddha Shakyamuni queria socorrer todos os que, embora se achassem mergulhados no Naraka, tivessem praticado uma boa ação na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kantaka fora ladrão e levara uma existência devassa. Por isso mesmo estava no Naraka. Certa vez, no entanto, agira com generosidade: um dia, enquanto passeavam, avistara uma inofensiva aranha e tivera vontade de esmagá-la; reprimira-se, contudo, pensando, subitamente, que talvez pudesse favorecê-la; deixara-a com vida e seguiu o seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Buddha Shakyamuni viu nessa ação generosa um bom espírito, e sentiu-se inclinado a ajudá-lo. Por isso fez descer as profundezas do lago um comprido fio de teia de aranha, que chegou ao Naraka no lugar onde estava Kantaka.&lt;br /&gt;Kantaka olhou para a novidade e concluiu que se tratava de uma corda de prata muito forte. Mas, não querendo acreditar nisso, disse consigo que devia ser, sem dúvida, um fio de teia de aranha pendurado, muito fino, e que seria provavelmente dificílimo trepar por ele; mesmo assim, arriscaria tudo, pois desejava ardentemente sair daquele Naraka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agarrou, portanto o fio, embora não deixasse de pensar nos perigos da escalada, pois a linha poderia rebentar de um momento para outro; mas foi subindo... subindo... auxiliando-se com os pés e as mãos, e envidando grandes esforços para não escorregar.&lt;br /&gt;A escalada era longa. Chegado a metade do caminho, quis olhar para baixo e contemplar os Narakas, que já tinham ficado, decerto, muito longe. Acima dele, via a luz e só ambicionava alcançá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclinando-se para baixo, a fim de olhar pela derradeira vez, viu uma multidão de pessoas que também subiam pelo fio, numa sucessão ininterrupta, desde as grandes profundezas do Naraka. Kantaka foi tomado de pânico: a corda poderia, quando muito, agüentá-lo; mas com o peso daquelas centenas de pessoas agarradas a ela acabaria cedendo, e todos, com ele, voltariam ao Naraka!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que azar! Que droga! Aquela gente lá embaixo não tinha nada que sair do Naraka. Por que precisa seguir-me? - praguejava ele, increspando os seguidores.&lt;br /&gt;Nesse preciso momento, o fio cedeu, exatamente a altura das mãos de Kantaka, e todos remergulharam nas profundezas tenebrosas do lago.&lt;br /&gt;Naquele mesmo instante, o sol do meio-dia resplandecia sobre o lago em cujas margens tranqüilas passeava o Buddha...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;76. Baso e a Meditação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando jovem, Baso praticava incessantemente a Meditação. Certa ocasião, seu Mestre Nangaku aproximou-se dele e perguntou-lhe:&lt;br /&gt;- Por que praticas tanta Meditação?&lt;br /&gt;- Para me tornar um Buddha.&lt;br /&gt;O Mestre tomou de uma telha e começou a esfregá-la com um pedra. Intrigado, Baso perguntou:&lt;br /&gt;- O que fazeis com essa telha?&lt;br /&gt;- Pretendo transformá-la num espelho.&lt;br /&gt;- Mas por mais que a esfregueis, ela jamais se transformará num espelho! será sempre uma pedra.&lt;br /&gt;- O mesmo posso dizer de ti. Por mais que pratiques Meditação, não te tornarás Buda.&lt;br /&gt;- Então o que fazer?&lt;br /&gt;- É como fazer um boi andar.&lt;br /&gt;- Não entendo.&lt;br /&gt;- Quando queres fazer um carro de bois andar, bates no boi ou no carro?&lt;br /&gt;Baso não soube o que responder e então o Mestre continuou:&lt;br /&gt;- Buscar o Estado de Buda fazendo apenas Meditação é matar o Buda. Dessa maneira, não acharás o caminho certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;77. A Bola e o Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, enquanto o velho mestre Seppo Gisen jogava bola, Gessha aproximou-se e perguntou:&lt;br /&gt;"Por que é que a bola rola?"&lt;br /&gt;Seppo respondeu:&lt;br /&gt;"A bola é livre. É a verdadeira liberdade."&lt;br /&gt;"Por quê?"&lt;br /&gt;"Porque é redonda. Rola em toda parte, seja qual for a direção, livremente. Inconsciente, natural, automaticamente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;78. Tigelas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez um estudante perguntou ao mestre Joshu:&lt;br /&gt;- Mestre, por favor, o que é o Satori?.&lt;br /&gt;Joshu respondeu-lhe:&lt;br /&gt;- Terminaste a refeição?&lt;br /&gt;- É claro, mestre, terminei.&lt;br /&gt;- Então, vai lavar tuas tigelas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;79. Kito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dia, Um velho foi visitar mestre Ryokan e disse-lhe:&lt;br /&gt;- Eu quisera pedir-vos que fizésseis um kito [Cerimonia para cumprimento de uma promessa] em minha intenção. Assisti à morte de muita gente ao meu redor. E também deverei morrer um dia. Portanto, por favor, fazei um kito para eu viver por muito tempo.&lt;br /&gt;- De acordo. Fazer um kito para viver muito tempo não é difícil. Quantos anos tendes?&lt;br /&gt;- Apenas oitenta.&lt;br /&gt;- Ainda sois jovem. Diz um provérbio japonês que até os cinqüenta anos somos como crianças e que, entre os setenta e os oitenta, precisamos amar.&lt;br /&gt;- Concordo, fazei-me então um bom kito!&lt;br /&gt;- Até que idade quereis viver?&lt;br /&gt;- Para mim, acho que basta-me viver até os cem.&lt;br /&gt;- Vosso desejo, na verdade, não é muito grande. Para chegar aos cem anos, só vos resta viver mais vinte. Não é um período tão longo assim. E sendo o meu kito muito exato, morrereis exatamente aos cem anos.&lt;br /&gt;O velho ficou com medo:&lt;br /&gt;- Não, não! Fazei que eu viva cento e cinqüenta anos!&lt;br /&gt;- Atualmente, tendo atingido os oitenta, já viveste mais da metade do prazo que desejais. A escalada de uma montanha exige grande soma de esforços e tempo, mas a descida é rápida. A partir de agora, vossos derradeiros setenta anos passarão como um sonho.&lt;br /&gt;- Nesse caso, dai-me até trezentos anos!&lt;br /&gt;Ryokan respondeu:&lt;br /&gt;- Como o vosso desejo é pequeno! Somente trezentos anos! Diz um provérbio antigo que os grous vivem mais de mil anos e as tartarugas dez mil. Se animais podem viver tanto assim, como é que vós, um homem , desejais viver apenas trezentos anos!&lt;br /&gt;- Tudo isso é muito difícil...- tornou o velho, confuso. - Para quantos anos de vida podeis fazer-me um kito?&lt;br /&gt;- Quer dizer, então, que não quereis morrer! Eis aí uma atitude de todo em todo egoísta... - replicou o mestre.&lt;br /&gt;- Bem, tem razão....- respondeu o ancião, constrangido.&lt;br /&gt;- Assim sendo, o melhor é fazer um kito para não morrer.&lt;br /&gt;- Sim, é claro! E pode ser? Esse é o kito que eu quero! - o velho animou-se bastante.&lt;br /&gt;- É muito caro, muito, muito caro, e leva muito tempo...&lt;br /&gt;- Não faz mal. - concordou o velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajuntou, então, Ryokan:&lt;br /&gt;- Começaremos hoje cantando apenas o Makka Hannya Shingyo; a seguir, todos os dias, vireis fazer zazen no templo. Pronunciarei, então, conferências em vossa intenção.&lt;br /&gt;Dessa maneira, de uma forma suave e indireta, Ryokan fez o velho homem deixar de se preocupar com o dia de sua morte e o conduziu ao Dharma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;80. Essência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Na China, havia um monge Zen, chamado mestre Dori, que, por fazer zazen empoleirado num pinheiro pára-sol, fora alcunhado de mestre Ninho de Passarinho Um poeta muito célebre, Sakuraten, foi visitá-lo e, ao vê-lo fazer zazen, disse-lhe:&lt;br /&gt;"Tomai cuidado, que isso é perigoso; podereis, um dia, cair do pinheiro!"&lt;br /&gt;"De maneira nenhuma," respondeu mestre Dori. "Vós é que correis perigo de um dia cair."&lt;br /&gt;Sakuraten refletiu. "Com efeito, vivo dominado por paixão, é como brincar com o raio". E perguntou ao mestre Zen:&lt;br /&gt;"Qual é a verdadeira essência do budismo?"&lt;br /&gt;Mestre Dori respondeu:&lt;br /&gt;"Não façais nada violento, praticai somente o aquilo que é justo e equilibrado."&lt;br /&gt;"Mas até uma criança de três anos sabe disso!" exclamou o poeta.&lt;br /&gt;"Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticada até mesmo por um velho de oitenta anos..." completou o mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;81. Perguntas do Rei Milinda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Durante uma conversa, o rei Milinda perguntou ao Bodhisattva Nagasena:&lt;br /&gt;- Que é o Samsara?&lt;br /&gt;Nagasena respondeu:&lt;br /&gt;- Ó grande rei, aqui nascemos e morremos, lá nascemos e morremos, depois nascemos de novo e de novo morremos, nascemos, morremos... Ó grande rei, isso é Samsara.&lt;br /&gt;Disse o rei:&lt;br /&gt;- Não compreendo; por favor, explicai-me com mais clareza.&lt;br /&gt;Nagasena replicou:&lt;br /&gt;- É como o caroço de manga que plantamos para comer-lhe o fruto. Quando a grande árvore cresce e dá frutos, as pessoas os comem para, em seguida, plantar os caroços. E dos caroços nasce uma grande mangueira, que dá frutos. Desse modo, a mangueira não tem fim. E assim, grande rei, que nascemos aqui, morremos ali, nascemos, morremos, nascemos, morremos. Grande rei, isso é Samsara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro Sutra, o rei Milinda pergunta ainda:&lt;br /&gt;- Que é o que renasce no mundo seguinte (Depois da morte.)&lt;br /&gt;Responde Nagasena:&lt;br /&gt;- Depois da morte nascem o nome, o espírito e o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei pergunta:&lt;br /&gt;- É o mesmo nome, o mesmo espírito e o mesmo corpo que nascem depois da morte?&lt;br /&gt;- Não é o mesmo nome, o mesmo espirito e o mesmo corpo que nascem depois da morte. Esse nome, esse espírito e esse corpo criam a ação. Pela ação, ou Karma, nascem outro nome, outro espírito e outro corpo.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;82. Bonecos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui a história do monge Zen Hotan.&lt;br /&gt;Hotan ouvia as preleções de um mestre. Na estréia das palestras, a assistência foi numerosa mas, a pouco e pouco, nos dias seguinte, a sala se esvaziou; até que, um dia, Hotan ficou só na sala com o mestre. E este lhe disse:&lt;br /&gt;- Não posso fazer uma conferência só para ti; de mais a mais, estou cansado.&lt;br /&gt;Hotan prometeu voltar no outro dia com muita gente. Nesse dias Porém. voltou só. Não obstante, disse ao mestre:&lt;br /&gt;- Podeis fazer a conferência hoje, porque eu trouxe numerosa companhia!&lt;br /&gt;Hotan trouxeram bonequinhas, que espalhara pela sala. Disse-lhe o mestre:&lt;br /&gt;- Mas são apenas bonecas!&lt;br /&gt;- Com efeito, - respondeu-lhe Hotan. - mas todas as pessoas que aqui vieram não são mais do que bonecas, pois não compreendem patavina dos vossos ensinamentos. Só eu lhes compreendi a profundeza e a verdade. Mesmo que muita gente tivesse vindo, serviria tão-somente de enchimento, decoração, vazio sem fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;83. Vem...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mestre Tokusan (742-865) estava sentado em zazen à beira do rio. Avizinhando-se da margem, um discípulo gritou-lhe:&lt;br /&gt;- Bom dia, mestre! Como estais?&lt;br /&gt;Tokusan interrompeu o zazen e, com o leque, fez sinal ao discípulo:&lt;br /&gt;Vem . . . vem . . . !&lt;br /&gt;Levantou-se, deu meia-volta e pôs-se a ladear o rio, seguindo o curso da água...&lt;br /&gt;O discípulo, nesse instante, experimentou o Satori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;84. O Médico e o Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Kenso Kusuda, diretor de um hospital em Nihonbashi, Tóquio, recebeu um dia a visita de um velho amigo, também médico, que não via há sete anos.&lt;br /&gt;"Como vai?", perguntou Kusuda.&lt;br /&gt;"Deixei a medicina", respondeu o amigo.&lt;br /&gt;"Ah, sim?"&lt;br /&gt;"Na verdade, agora eu pratico o Zen."&lt;br /&gt;"E o que é o Zen?"-- quis saber Kusuda.&lt;br /&gt;"É difícil explicar..." -- hesitou o amigo.&lt;br /&gt;"E como é possível entendê-lo, então?"&lt;br /&gt;"Bem, deve-se praticá-lo."&lt;br /&gt;"E como faço isso?"&lt;br /&gt;"Em Koishikawa, há uma sala de meditação dirigida pelo Mestre Nan-In. Se quiser experimentar, vá até lá."&lt;br /&gt;No dia seguinte Kusuda dirigiu-se à sala de meditação do Mestre Nan-In. Ao chegar, gritou:&lt;br /&gt;"Com licença!"&lt;br /&gt;"Quem é?" responderam lá de dentro. Um velho de aspecto miserável, que se aquecia junto a um fogareiro próximo ao vestíbulo, dirigiu-se a ele. Kusuda entregou-lhe seu cartão e o velho, após dar uma olhada, disse sorrindo:&lt;br /&gt;"Olá!!! Faz tempo que o senhor não aparece!"&lt;br /&gt;"Mas... é a primeira vez que venho aqui!" - disse Kusuda, surpreso.&lt;br /&gt;"Ah, sim? É a primeira vez? Como está escrito 'Diretor de hospita1', pensei que fosse o Sasaki. O que o senhor deseja?"&lt;br /&gt;"Quero falar com o Mestre Nan-in."&lt;br /&gt;"Já está falando com ele!" disse o velho, abrindo um largo sorriso.&lt;br /&gt;"Então o Mestre Nan-in é o senhor?", disse Kusuda meio desconfiado. Esperava alguém mais "venerável".&lt;br /&gt;"Eu mesmo", respondeu o velho, sem dar mostras de resolver a mandar seu visitante entrar. Já meio desanimado e um tanto desdenhoso, Kusuda decidiu falar ali mesmo, de pé, no vestíbulo:&lt;br /&gt;"Eu gostaria que o senhor me ensinasse a praticar o Zen."&lt;br /&gt;O velho olhou para ele e disse:&lt;br /&gt;"Praticar o Zen? O senhor é um médico não? Deve então tratar bem de seus doentes e se esforçar para o bem de sua família, o Zen é isso. Agora, pode ir embora."&lt;br /&gt;Kusuda voltou para casa, sem entender nada. Intrigado com as palavras de Nan-In, três dias depois resolveu visitar novamente o velho Mestre. Nan-In atendeu-o novamente no Vestíbulo.&lt;br /&gt;"Novamente o senhor aqui? O que deseja?"&lt;br /&gt;"Insisto para que o senhor me ensine a praticar o Zen!" - disse Kusuda petulantemente.&lt;br /&gt;"Ora, nada tenho a acrescentar ao que já disse outro dia. Vá embora e seja um bom médico". E fechou a porta.&lt;br /&gt;Dois ou três dias depois, Kusuda novamente voltou a ver o Mestre, pois absolutamente não conseguira entender suas palavras.&lt;br /&gt;"Outra vez aqui?"&lt;br /&gt;"Eu vim porque não consegui entender suas palavras, por mais que pensasse sobre elas."&lt;br /&gt;"Pensando nas palavras é que o senhor não vai entender coisa nenhuma mesmo!" - disse o velho monge.&lt;br /&gt;"Então o que eu devo fazer?" - disse Kusuda, já quase desesperado.&lt;br /&gt;"Procure perceber por si, ora essa! Agora, vá embora."&lt;br /&gt;Mas Kusuda desta vez zangou-se muito e respondeu:&lt;br /&gt;"Por três vezes, embora tenha muitos afazeres, larguei tudo e vim até aqui pedir-lhe para me ensinar o Zen e sempre o senhor me manda embora sem me dar o mínimo esclarecimento! Que espécie de mestre é o senhor, afinal!?!"&lt;br /&gt;"Ah! Finalmente ele zangou-se!", exclamou o Mestre.&lt;br /&gt;"Mas é EVIDENTE!", desabafou o médico.&lt;br /&gt;"Então agora chega de palavreado e seja educado! Faça-me uma saudação."&lt;br /&gt;Encarando fixamente o velho monge, Kusuda reprimiu sua vontade de dar-lhe um soco na cara e inclinou-se em reverência. O Mestre então conduziu-o à sala de meditação e o ensinou a praticar zazen.&lt;br /&gt;Anos depois, Kusuda finalmente entendeu porque o Zen também é cuidar bem dos doentes e esforçar-se para o bem de sua família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;85. Joshu e o Grande Caminho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado em limpar o pátio do mosteiro. Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava atormentando, lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?"&lt;br /&gt;Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito:&lt;br /&gt;"O caminho passa ali fora, depois da cerca."&lt;br /&gt;"Mas," replicou o homem meio confuso, "eu não me refiro a esse caminho."&lt;br /&gt;Parando seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse:&lt;br /&gt;"Então de que caminho se trata?"&lt;br /&gt;O outro disse, em tom místico:&lt;br /&gt;"Falo, mestre, do Grande Caminho!"&lt;br /&gt;"Ahhh, esse!" sorriu Joshu. "O grande caminho segue por ali até a Capital."&lt;br /&gt;E continuou a sua tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;86. Apenas uma estátua&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez Tan-hsia, monge da dinastia Tang, fez uma parada em Yerinji, na Capital, cansado e com muito frio. Como era impossível conseguir abrigo e fogo, e como era evidente que não sobreviveria à noite, retirou em um antigo templo uma das imagens de madeira entronizadas de Buddha, rachou-a e preparou com ela uma fogueira, assim aquecendo-se. O monge guardião de um templo mais novo próximo, ao chegar ao local de manhã e ver o que tinha acontecido, ficou estarrecido e exclamou:&lt;br /&gt;"Como ousais queimar a sagrada imagem de Buddha?!?"&lt;br /&gt;Tan-hsia olhou-o e depois começou a mexer nas cinzas, como se procurasse por algo, dizendo:&lt;br /&gt;"Estou recolhendo as Sariras (*) de Buddha..."&lt;br /&gt;"Mas," disse o guardião confuso "este é um pedaço de madeira! Como podes encontrar Sariras em um objeto de madeira?"&lt;br /&gt;"Nesse caso," retorquiu o outro "sendo apenas uma estátua de madeira, posso queimar as duas outras imagens restantes?"&lt;br /&gt;(*) Sariras - tais objetos são depósitos minerais - como pequenas pedras - que sobram de alguns corpos cremados, e que segundo a tradição foram encontrados após a cremação do corpo de Gautama Buddha, sendo considerados objetos sagrados.&lt;br /&gt;Koan: Em que parte de um objeto fica o reverenciado Sagrado?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;87. O Monge Indiferente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma velha construiu uma cabana para um monge e o alimentou por vinte anos, como forma de adquirir méritos. Certo dia, como forma de experimentar a sabedoria adquirida pelo monge, a velha pediu à jovem mulher que levava ao monge o alimento todos os dias (já que a velha senhora não podia mais fazer o caminho com freqüência) o abraçasse. Ao chegar à cabana, a menina encontrou o monge em zazen. Ela abraçou-o e perguntou-lhe se gostava dela. O monge, frio e indiferente, disse de forma dura:&lt;br /&gt;"É como se uma árvore seca estivesse abraçada a uma fria rocha. Está tão frio como o mais rigoroso inverno, não sinto nenhum calor."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem retornou, e disse o que o monge fez. A velha, irritadíssima, foi até lá, expulsou o monge e queimou a cabana. Enquanto ele se afastava, ela gritou:&lt;br /&gt;"E eu, que passei vinte anos sustentando um idiota!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;88. Baso e o Nariz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certo dia Baso passeava em companhia de seu jovem discípulo Hyakujô. A certa altura do passeio, viram uma revoada de patos selvagens. Baso perguntou então a Hyakujô:&lt;br /&gt;"Que é aquilo, Hyakujô?"&lt;br /&gt;"São patos selvagens, Mestre" - disse o jovem.&lt;br /&gt;"E para onde vão?"&lt;br /&gt;"Vão-se embora, voando..." - replicou Hyakujô, fitando o céu, pensativo.&lt;br /&gt;Então Baso agarrou o nariz de seu discípulo com toda a força, dando um forte puxão. Hyakujô gritou:&lt;br /&gt;"Aaaai!"&lt;br /&gt;Baso exclamou: "NÃO FORAM EMBORA COISA NENHUMA!"&lt;br /&gt;Ao ouvir isso, Hyakujô obteve o Satori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;89. O tesouro em casa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dia, um jovem chamado Yang Fu deixou sua família e lar para ir a Sze-Chuan visitar o Bodhisattva Wu-Ji. Ele sonhou que junto àquele mestre poderia encontrar um grande tesouro de sabedoria. Quando já se encontrava às portas da cidade, após uma longa viajem cheia de aventuras, encontrou um velho senhor. Este lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Onde vais, jovem?"&lt;br /&gt;"Vou estudar com Wu-Ji, o Bodhisattva." - respondeu o rapaz.&lt;br /&gt;"Em vez de buscar um Bodhisattva, é mais maravilhoso encontrar Buddha."&lt;br /&gt;Excitado com a perspectiva de encontrar o Grande Mestre, disse Yang Fu:&lt;br /&gt;"Oh! Sabes onde encontrá-lo?!"&lt;br /&gt;"Voltes para casa agora mesmo. Quando lá chegares, encontrarás uma pessoa usando uma manta e chinelos trocados, que lhe cumprimentará. Essa pessoa é o Buddha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz pensou, aterrado: "Como posso retornar agora, quando estou às portas do meu objetivo? Eu teria que confiar muito no que este simples velho me diz". Então Yang Fu teve uma forte intuição de que aquele simples homem à sua frente era alguém de grande sabedoria. Num impulso, voltou-se para a estrada, sem jamais ter encontrado Wu-Ji. Ele retornou o mais rápido que pode, ansioso pela vontade de encontrar Buddha. Chegou em casa tarde da noite, e sua amorosa mãe, em meio à alegria e pressa de abraçar o filho que retornava ao lar, cobriu-se de uma manta usada e calçou seus chinelos trocados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para sua mãe desse modo, que vinha sorrindo e pronta a abraçá-lo, Yang Fu atingiu o Satori. Este era o maior tesouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Mistério do Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, Huang Shan-ku perguntou ao mestre Hui-t'ang:&lt;br /&gt;"Por favor, Mestre, diga-me qual é o significado oculto do Buddhismo?"&lt;br /&gt;O Mestre replicou:&lt;br /&gt;"Kung-Tzu (Confúcio) disse: 'Pensais que estou escondendo coisas, ó meus discípulos? Na verdade, não escondo nada de vocês'. O Zen também não tem nada de oculto. A Verdade já está revelada."&lt;br /&gt;"Não enten...!" estava dizendo o homem. Mas o mestre fez um gesto de silêncio e disse:&lt;br /&gt;"Não digas nada!"&lt;br /&gt;Huang Shan-ku ficou confuso. O Mestre então ergueu-se e convidou-o a seguí-lo até o sopé de uma montanha. Eles caminharam em silêncio. Lá chegando, o Mestre perguntou:&lt;br /&gt;"Sentes o suave aroma dos ciprestes?"&lt;br /&gt;"Sim," disse o outro.&lt;br /&gt;"Como vês, também eu não escondo nada de ti."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;91. Sem Motivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, três amigos passeavam e viram um homem no cume de um pequeno monte, sentado. Curiosos sobre o que estaria o homem fazendo, foram até ele, usando a trilha na encosta. Chegando lá, o primeiro disse:&lt;br /&gt;"Olá, está esperando um amigo?"&lt;br /&gt;"Não..." - respondeu o outro. O segundo homem replicou:&lt;br /&gt;"Então está respirando o ar puro!"&lt;br /&gt;"Não..." - disse o estranho. O terceiro amigo disse:&lt;br /&gt;"Já sei! Você estava passando e resolveu olhar este belo cenário."&lt;br /&gt;"Não, na verdade..." - repetiu o homem. Os três amigos então exclamaram ao mesmo tempo, estupefatos:&lt;br /&gt;"Mas então, o que faz aqui?!"&lt;br /&gt;O homem disse com um suave sorriso:&lt;br /&gt;"Apenas ESTOU aqui..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;92. A Morte de Buddha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Assim eu ouvi:&lt;br /&gt;Estava o Abençoado - já adentrado em anos - caminhando no Bosque de Upavartana, em companhia de seu dileto discípulo Ananda, quando subitamente sentiu-se fatigado. Deitou-se um pouco para descansar, com Ananda a seu lado. Após um tempo, sentiu-se melhor e levantou-se. Um pouco mais adiante na senda, o Venerável voltou a parar, fatigado. Logo após algum tempo em descanso, levantou-se. Então, pela terceira vez, sentiu-se muito cansado, e Ananda, aflito, o ajudou a deitar-se à sombra de uma árvore. O Abençoado então disse a seu discípulo:&lt;br /&gt;"Busque meus discípulos e reuna-os à minha volta, pois o Tathagata em breve terá sua personalidade extinta."&lt;br /&gt;Quando os discípulos se assentaram, disse o Buddha muitas coisas sábias, e então disse a Ananda, mas falava para todo o Sangha:&lt;br /&gt;"Preguei o Dharma sem limites entre o oculto e o revelado, pois no tocante à Verdade o Tathagata não tem nada que se assemelhe ao punho cerrado de um instrutor que oculta alguma coisa.&lt;br /&gt;"Já sou velho, Ananda, tenho oitenta anos e termino meus caminhos e meus dias; assim como uma velha carroça que vagamente roda na estrada, assim meu corpo se sustenta com muita fragilidade. Meu corpo só está bem quando mergulho no equilíbrio da meditação.&lt;br /&gt;"Por isso, monges, permanecei na Senda, e assim deveis vos guiar pelos Preceitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o Dharma e as regras do Sangha sejam vosso mestre quando eu partir; e que o Sangha saiba derrogar, se convier, os preceitos de pouca importância. Se conseguirdes guardar bem os Preceitos, disso&lt;br /&gt;resultará a Boa Lei. Se não conseguirdes guardar de forma correta o sentido dos Preceitos, então seus pretensos atos de benevolência serão destituídos de méritos reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Assim, pois, Ananda, sede vossas próprias lâmpadas. Apoiai-vos em vós mesmos e não em nenhum sustentáculo externo. Sustentai-vos apenas na Verdade. Que ela seja vossa bandeira e refúgio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigindo-se à assembléia, perguntou:&lt;br /&gt;"Se ainda entre vós alguém abriga dúvidas, que a exponha livremente, pois meu tempo de responder a todas as dúvidas está encurtando."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ananda disse, após um período:&lt;br /&gt;"Certamente, dentre os que aqui se encontram não há ninguém que abrigue dúvidas ou receios acerca do Buddha, do Dharma e da Senda."&lt;br /&gt;Então o Abençoado proferiu suas últimas palavras:&lt;br /&gt;"Decadência é inerente a todas as coisas existentes, porém o Dharma perdurará eternamente. Busquem com afinco por sua libertação."&lt;br /&gt;Neste momento o Buddha entrou em meditação, e expirou tranqüilamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;93. O Dharma Eterno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dia um discípulo perguntou ao seu professor:&lt;br /&gt;"Mestre, todas as coisas existentes têm de extinguir-se, mas há uma Verdade Eterna?"&lt;br /&gt;"Sim," disse o mestre. E apontou para o jardim:&lt;br /&gt;"Ela é como as flores do campo, que de tão belas parecem brocados de pura seda; como um riacho aparentemente imóvel, mas que de fato está fluindo suavemente para o oceano."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;94. O Verão Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar o Verão, Yang-shan fez uma visita a Kuei-shan, que lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Não vos vi por aqui todo o Verão, o que fizestes?"&lt;br /&gt;Yang-shan replicou:&lt;br /&gt;"Estive cultivando um pedaço de terra e terminei de plantar umas sementes."&lt;br /&gt;"Então," comentou Kuei-shan, "não desperdiçastes o vosso Verão."&lt;br /&gt;Por sua vez, Yang-shan disse:&lt;br /&gt;"E vós, como passastes o Verão?"&lt;br /&gt;"Uma refeição por dia e um bom sono à noite," argumentou o outro.&lt;br /&gt;"Então," foi a vez de Yang-shan comentar, "não desperdiçastes o vosso Verão."&lt;br /&gt;Koan: Buscamos a Verdade longe, mas ela está sempre próxima de nós.&lt;br /&gt;95. Como capturar o Vazio&lt;br /&gt;Shin-kung perguntou a um dos seus mais inteligentes monges:&lt;br /&gt;"Podeis capturar o Vazio?"&lt;br /&gt;"Sim, senhor", replicou ele.&lt;br /&gt;"Mostrai-me como fazes," pediu o mestre.&lt;br /&gt;O monge abriu os braços e açambarcou o espaço vazio. Shin-kung disse:&lt;br /&gt;"É essa a maneira? Apesar de tudo, não capturou coisa alguma."&lt;br /&gt;"Então," replicou o monge um tanto ofendido, "qual é o método que usas?"&lt;br /&gt;O mestre segurou o nariz do aluno e deu um forte puxão. O rapaz gritou:&lt;br /&gt;"Aaiii! Estás puxando com muita força! Está me machucando!"&lt;br /&gt;O mestre replicou:&lt;br /&gt;"Perfeito! Essa é a maneira de realmente capturar o Vazio!"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;96. A Pedrinha no Bambu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Hsiang-yen fui discípulo de Pai-chang. Era uma pessoa muito inteligente, e sempre confiou na presunção de que se estudasse e absorvesse todo o conhecimento dos termos e textos buddhistas, seria um entendedor do Zen. Após a morte de seu mestre, ele dirigiu-se a Kuei-shan - que era o mais antigo discípulo de Pai-chang - para que este lhe orientasse. Mas Kuei-shan comentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Soube que estiveste sob a orientação de meu antigo mestre e falaram-me de tua notável inteligência. Tentar compreender o buddhismo através deste meio leva geralmente a uma compreensão analítica, que em si nada tem de útil, mas que pode indiretamente levar o praticante a uma intuição do sentido Zen. Por isso, eu lhe pergunto: como tu eras antes de teus pais terem lhe concebido?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hsiang-yen ficou pasmo, sem saber o que dizer. Pediu licença e foi para seu quarto, e procurou em todos os textos e conceitos uma resposta para a estranha questão. Não foi capaz, e voltou ao outro monge. Pediu-lhe para ensinar sobre o sentido do que quis dizer, e Kuei-shan perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sinto muito, mas nada tenho a lhe dar. Tu sabes mais do que eu, e se nós debatêssemos com certeza eu ficaria em dificuldades. Tudo o que eu lhe pudesse dizer pertence às minhas descobertas pessoais e jamais poderia ser teu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hsiang-yen ficou desapontado e achou que o monge mais velho lhe estava escondendo algo deliberadamente. Resolveu partir do templo, e buscar o conhecimento através dos livros e conceitos, pois achava que na verdade o seu conhecimento não era suficiente, e por isso o outro não quis lhe responder. Foi morar em um eremitério e passou a estudar com afinco. Após vários anos, achando-se suficientemente conhecedor dos conceitos buddhistas, voltou a Kuei-shan. Este, quando ouviu suas doutas explicações e sua solicitação por orientação, apenas sorriu e nada disse. Virou-se e foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hsiang-yen ficou irritadíssimo. Naquele momento tomou uma decisão, destruiu todos os seus textos e resolveu desistir dos estudos, ainda que já fosse um grande intelectual. Ele pensou: "Qual a utilidade de estudar o buddhismo, se este é tão sutil e se é tão difícil receber instruções de outrem? Serei agora um simples monge praticante, e desisto de entender qualquer coisa!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonou o templo e suas cercanias, construiu uma cabana próxima à sepultura de Chu, o Mestre Nacional de Nan-yang, e passou a viver uma vida simples longe dos estudos e questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, estava varrendo o chão de sua casa quando a vassoura tocou numa pedrinha, que rolou e bateu em um bambu. Em meio ao silêncio, o som ecoou suavemente. Ao ouvir este som, Hsiang-yen experimentou o Satori, e finalmente compreendeu o que tinha lhe dito Kuei-shan. Ele então ajoelhou-se e silenciosamente fez uma reverência de agradecimento ao sábio monge.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;97. Compreendeis o Budismo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Hui-neng (o Sexto Patriarca Zen):&lt;br /&gt;"Quem herdou o espírito do Quinto Patriarca?"&lt;br /&gt;Hui-neng respondeu:&lt;br /&gt;"Aquele que compreende o Budismo."&lt;br /&gt;"Teríeis então vós herdado este espírito?" quis saber o monge.&lt;br /&gt;"Não," replicou o mestre. "Eu não o herdei."&lt;br /&gt;"Por que não?!?" o monge, naturalmente pasmo, perguntou então.&lt;br /&gt;"Porque não compreendo o Budismo." Afirmou Hui-neng.&lt;br /&gt;Koan: Vós compreendeis o Budismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;98. Além do Vazio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez um monge perguntou a Li-chan:&lt;br /&gt;"Se todas as coisas se reduzem em última análise ao Vazio, este a quê se reduzirá?"&lt;br /&gt;Respondeu o mestre:&lt;br /&gt;"Minha língua é curta demais para vos explicar."&lt;br /&gt;"E por que vossa língua é tão curta?" perguntou o monge, intrigado.&lt;br /&gt;"No interior e no exterior ela é da mesma vazia natureza." Disse o mestre.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;99. A Sábia Iluminada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Perto do templo onde vivia o mestre Hakuin, morava uma jovem com seu pai. Seu nome era Osatsu, e embora segunda a tradição japonesa ela estivesse em idade para casar, por mais que seu pai insistisse ela não queria fazê-lo, preferindo estudar os Sutras. Certo dia, após ler um Sutra, atirou o livro para cima de uma mesa e sentou-se em cima dele, dando gostosas gargalhadas. Assustado, seu pai foi ver Hakuin em busca de conselhos. O mestre resolver ir falar com a menina. Ao ver Hakuin chegar ela sorriu e sentou-se à sua frente.&lt;br /&gt;"Disseram-me que sentastes em cima de um Sutra", perguntou o mestre.&lt;br /&gt;"Sim," respondeu a mulher, "pois sou mais digna de respeito do que um simples livro de sutras."&lt;br /&gt;Hakuin olhou-a e disse:&lt;br /&gt;"Nesse caso é melhor ir para o templo e não mais ficar em casa." A partir deste dia Osatsu praticou o Zen sob a orientação de Hakuin. Depois de algum tempo, seguindo os conselhos do mestre, ela casou-se e teve filhos, ainda que continuasse a praticar o Zen. Quando ficou mais velha, ela teve netos, os quais amava muito. Já então era considerada uma sábia mestra.&lt;br /&gt;Um dia aconteceu de um de seus jovens netos adoecer e morrer. No dia do funeral, Osatsu abraçou o esquife, e chorou muito. Um dos presentes, estranhando o fato, disse-lhe:&lt;br /&gt;"Então, embora sejas Iluminada pela Sabedoria, sofres mais do que nós?"&lt;br /&gt;"Eu amava muito este meu neto!" disse simplesmente a sábia Osatsu, entre lágrimas.&lt;br /&gt;Koan: O sentimento jamais abandona o sábio. Qual é o segredo do amor sem apegos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;100. Inferno?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um homem perguntou ao mestre Zen:&lt;br /&gt;"Onde estará o senhor daqui a cem anos?"&lt;br /&gt;"Renascido como um cavalo ou um burro", respondeu o velho sábio.&lt;br /&gt;"Oh!", exclamou o homem , confuso. "E depois disso?"&lt;br /&gt;"Renascerei em um Naraka[1]", declarou o mestre.&lt;br /&gt;"Mas... o senhor é um homem bom e sábio, por que tal coisa aconteceria?" perguntou o homem.&lt;br /&gt;"Se não renascer lá para ensinar o Dharma, quem o fará?"&lt;br /&gt;[1] Região de demérito kármico, associada ao semita "Inferno".&lt;br /&gt;Koan: O Dharma está em toda parte. Onde tu estarás daqui a cem anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;101. Bambu longo, bambu curto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, durante uma palestra, um monge perguntou a um mestre Zen:&lt;br /&gt;"Qual o significado fundamental do Budismo?"&lt;br /&gt;O mestre disse:&lt;br /&gt;"Ao final da palestra fique aqui sozinho comigo que eu lhe explicarei."&lt;br /&gt;Imaginando que algo muito importante lhe seria revelado, o monge esperou impaciente o fim da preleção. Quando todos saíram, ele perguntou ansioso:&lt;br /&gt;"Então, responder-me-ás agora?"&lt;br /&gt;"Siga-me," disse o mestre e levantou-se. Conduziu o monge ao belo jardim aos fundos do templo, apontou para o bosque de bambus e disse:&lt;br /&gt;"Este bambu é longo, aquele é curto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;102. Mente Ecológica, Mente Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um discípulo perguntou ao seu mestre Zen:&lt;br /&gt;"Como posso fazer com que as montanhas, os rios e a grande Terra me beneficiem?"&lt;br /&gt;Respondeu o mestre:&lt;br /&gt;"Vós deveis beneficiar as montanhas, os rios e a grande Terra."&lt;br /&gt;Koan: A mente Zen é a nutrição da Terra. A mente da Terra é a nossa nutrição.&lt;br /&gt;103. O que estais fazendo?&lt;br /&gt;Shih-t'ou, certa vez, perguntou ao seu discípulo Yueh-shan:&lt;br /&gt;"O que estais fazendo aqui?"&lt;br /&gt;"Nada estou fazendo", respondeu o pupilo.&lt;br /&gt;"Então estais gastando seu tempo!" Disse o mestre, testando-o.&lt;br /&gt;"Não será também gastar o tempo, quando fazemos alguma coisa?" replicou o monge.&lt;br /&gt;"Dizeis que nada estais fazendo, mas quem é este indivíduo que nada faz?"&lt;br /&gt;Respondeu Yueh-shan:&lt;br /&gt;"Até o mais sábio não pode saber."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;104. O Aperfeiçoamento Pessoal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um praticante certa vez perguntou a um mestre Zen, que ele considerava muito sábio:&lt;br /&gt;"Quais são os tipos de pessoas que necessitam de aperfeiçoamento pessoal?"&lt;br /&gt;"Pessoas como eu." Comentou o mestre. O praticante ficou algo espantado:&lt;br /&gt;"Um mestre como o senhor precisa de aperfeiçoamento?"&lt;br /&gt;"O aperfeiçoamento," respondeu o sábio, "nada mais é do que vestir-se, ou alimentar-se..."&lt;br /&gt;"Mas," replicou o praticante, "fazemos isso sempre! Imaginava que o aperfeiçoamento significasse algo mais profundo para um mestre."&lt;br /&gt;"O que achas que faço todos os dias?" retrucou o mestre. "A cada dia, buscando o aperfeiçoamento, faço com cuidado e honestidade os atos comuns do cotidiano. Nada é mais profundo do que isso."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;105. O Buddha Cipreste&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um discípulo perguntou ao seu mestre:&lt;br /&gt;"Mestre, um cipreste possui a natureza de Buddha?"&lt;br /&gt;"Sim," disse o sábio.&lt;br /&gt;"E quando ele se tornará um Buddha?" indagou o aluno.&lt;br /&gt;"Quando o céu cair..." comentou o mestre. O discípulo, confuso, perguntou então:&lt;br /&gt;"E quando o céu cairá?"&lt;br /&gt;"Quando o cipreste tornar-se Buddha," finalizou o sábio, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;106. A Gargalhada Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma bela noite, o mestre Yao-shan foi passear pelas montanhas. Era uma linda noite de verão, e quando o sábio estava na beira de uma escarpa, as nuvens descobriram a lua e a névoa dissipou-se subitamente. Yao-shan pôde então ver o vale iluminado pela lua, numa visão de sonho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando tanta beleza, Yao-shan repentinamente começou a dar gostosas gargalhadas. Seu riso foi tão alto que os ecos reverberaram por quilômetros de distância.&lt;br /&gt;No dia seguinte, os habitantes da pequena aldeia próxima das montanhas comentavam entre si:&lt;br /&gt;"Ontem à noite ouvi risos! Misteriosos risos, e não sei de onde vinham." - disse um aldeão.&lt;br /&gt;"Sim, eu também ouvi! Isso é realmente misterioso!" - replicou outro. Dois monges do templo ouviram os comentários e um deles simplesmente disse:&lt;br /&gt;"Não há mistérios no Zen. O som que ouvistes foram de Yao-shan, rindo nas colinas. O Som da alegria zen é como a vida: não encontra fronteiras, e é ouvida por todos."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;107. Homem ou Mulher - Não Faz Diferença&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma monja vivia preocupada e mortificada porque, segundo tinha lido num texto, o fato de ser uma mulher obstaculava seu caminho espiritual; que toda mulher deveria ansiar por renascer como homem, para que assim pudesse desenvolver-se no Caminho. Como ela tinha lido tal coisa em um Sutra, ela imaginou que isso seria algo real e sério, mas não entendia como poderia ser assim. Um dia, buscou o mestre Long-tan e perguntou-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mestre, li em um Sutra que ser uma mulher é algo ruim, e que devo me aperfeiçoar para que, um dia, possa renascer como um homem e assim poder atingir a sabedoria. Mas como posso fazer isso? O que devo fazer para renascer como um homem?"&lt;br /&gt;O mestre simplesmente perguntou-lhe:&lt;br /&gt;"Há quanto tempo és uma monja?"&lt;br /&gt;"Mas..." replicou a monja "eu não perguntei sobre isso. Perguntei como posso um dia renascer como homem!"&lt;br /&gt;"O que tu és agora?" perguntou o mestre.&lt;br /&gt;"Uma mulher, ora!" respondeu a monja, surpresa. "Quem não sabe disso?"&lt;br /&gt;"E quem realmente conhece tua verdadeira natureza para, a partir do fato de seres uma mulher, sentenciar tolamente que tua condição feminina lhe impede de compreender o Dharma?" disse Long-tan.&lt;br /&gt;Neste momento a monja obteve o Satori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;108. Chuva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Num dia chuvoso, quando estava sentado com um discípulo no salão do templo e ouvindo as gotas d'água batendo suavemente no telhado e no pátio, o mestre Jing-qing perguntou ao outro monge:&lt;br /&gt;"Que som é aquele lá fora?"&lt;br /&gt;"É a chuva," respondeu o monge. O mestre disse:&lt;br /&gt;"Ao buscar fora de si mesmos alguma coisa, todos os seres se confundem com os significados."&lt;br /&gt;"Então," replicou o discípulo, "como deveria eu me sentir em relação ao que percebo, Mestre?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio apenas disse:&lt;br /&gt;"Eu sou o barulho da chuva."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;109. Onde Começa o Caminho?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dia, um discípulo foi ao mestre Kian-fang e perguntou-lhe:&lt;br /&gt;"Todas as direções levam ao caminho de Buddha, mas apenas uma conduz ao Nirvana. Por favor, mestre, diga-me onde começa este Caminho?"&lt;br /&gt;O velho mestre fez um risco no chão com seu bastão e disse:&lt;br /&gt;"Aqui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;110. Não tenho nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um jovem monge aproximou-se de Chao-chou muito orgulhoso e eufórico, e disse:&lt;br /&gt;"Me desfiz de tudo o que tinha! Minhas mãos estão vazias e vim à vós com o coração sereno!"&lt;br /&gt;"Então resta apenas desfazeres-te disso, e chegarás ao Zen." Afirmou o mestre.&lt;br /&gt;"Mas," replicou o monge, "não tenho mais nada. Do que mais posso me desfazer?"&lt;br /&gt;"Tudo bem," comentou o sábio, "se tu queres manter o Nada que ainda carregas, fique com ele..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;111. Estou Aqui&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um velho monge estava secando vegetais sob o inclemente sol do meio-dia. Um homem aproximou-se solícito e disse:&lt;br /&gt;"Quantos anos tens?"&lt;br /&gt;"Sessenta e Oito," disse o ancião.&lt;br /&gt;"Por que trabalhas tanto aqui no templo?"&lt;br /&gt;"Porque aqui no tempo tem tanto trabalho a fazer," replicou o monge.&lt;br /&gt;"Mas porque trabalha sob este sol tão quente?"&lt;br /&gt;"Porque o sol quente está lá, e meu trabalho é aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;112. Isso também passará&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um praticante foi até o seu professor de meditação, tristemente, e disse:&lt;br /&gt;"Minha prática de meditação é horrível! Ou eu fico distraído, ou minhas pernas doem muito, ou eu constantemente fico com sono. É simplesmente horrível!!!!"&lt;br /&gt;"Isso passará," o professor disse suavemente.&lt;br /&gt;Uma semana depois, o estudante retornou ao seu professor, eufórico:&lt;br /&gt;"Minha prática de meditação é maravilhosa! Eu sinto-me tão consciente, tão pacífico, tão relaxado, tão vivo! É simplesmente maravilhoso!!!!!"&lt;br /&gt;O mestre disse tranqüilamente:&lt;br /&gt;"Isso também passará."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;113. O Real Imaginário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Yen-kuan:&lt;br /&gt;"Quem é realmente Vairochana Buddha?"&lt;br /&gt;"Por favor," replicou Yen-kuan, "passe-me aquele jarro d'água."&lt;br /&gt;O monge esticou o braço, pegou o jarro e o colocou na frente do outro. Yen-kuan então disse:&lt;br /&gt;"Pode recolocá-lo no lugar original, por favor?"&lt;br /&gt;O monge fez isso, sem comentários. Após um momento ele perguntou novamente a Yen-kuan:&lt;br /&gt;"Quem é realmente Vairochana Buddha?"&lt;br /&gt;O mestre respondeu:&lt;br /&gt;"A venerável divindade esteve aqui, mas já retornou ao seu lugar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;114. Quem é você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Mestre Ma-ku certa vez chamou seu discípulo:&lt;br /&gt;"Liang-sui!"&lt;br /&gt;O outro monge respondeu:&lt;br /&gt;"Sim?"&lt;br /&gt;Ao ouvir essa resposta, o mestre novamente chamou:&lt;br /&gt;"Liang-sui!"&lt;br /&gt;O monge disse:&lt;br /&gt;"Pronto!"&lt;br /&gt;Pela terceira vez o mestre falou:&lt;br /&gt;"Liang-sui!"&lt;br /&gt;O discípulo, intrigado, replicou:&lt;br /&gt;"Estou aqui, mestre."&lt;br /&gt;Após uma pausa sem nada dizer, o sábio exclamou para seu aluno:&lt;br /&gt;"Quão tolo tu és!"&lt;br /&gt;Ao ouvir isso Liang-sui teve o Satori, e afirmou:&lt;br /&gt;"Mestre, já não mais me engano. Se não tivesse buscado a vós como mestre, eu teria sido levado miseravelmente, durante toda minha vida, a permanecer preso aos sutras e aos sastras!"&lt;br /&gt;Mais tarde, alguns companheiros de Liang-sui perguntaram-lhe:&lt;br /&gt;"O que sabes sobre a filosofia de Buddha?"&lt;br /&gt;Liang-sui respondeu:&lt;br /&gt;"Tudo o que sabeis eu também sei. Mas o que sei nenhum de vós sabeis."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;115. Mente e Não-Mente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Ta-chu:&lt;br /&gt;"São as palavras a Mente?"&lt;br /&gt;"Não, as palavras são condições externas. Elas não são a Mente," disse o mestre.&lt;br /&gt;"Então onde, fora das condições externas, podemos encontrar a Mente?"&lt;br /&gt;"Não há Mente além das palavras," declarou o sábio.&lt;br /&gt;"Não havendo Mente independente das palavras, o que é afinal a Mente?" perguntou o monge, confuso.&lt;br /&gt;"A Mente é sem forma e sem imagens. Em verdade, ela nem depende nem é independente das palavras. É eternamente serena e livre em seu movimento."&lt;br /&gt;Koan: Onde está a sua Mente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;116. A Velha e o Buddha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia uma velha mulher que vivia no lado leste da cidade em que também morava o Buddha. Ela nascera quando tinha nascido Gautama, e tinha vivido toda sua vida acompanhando a estória de Sua vida, uma vez que era sua contemporânea. Entretanto, ela nunca quis vê-lo, ou falar com ele. Sempre que ouvia que Buddha se aproximava, ela fugia de sua presença, tentando por todos os modos evitar-lhe o olhar, correndo para aqui e para ali, escondendo-se.&lt;br /&gt;Mas certo dia, ela estava em um local de onde não podia sair ou se esconder. Buddha se aproximava, e a velha mulher, desesperada em seu terror de encontrar tal homem, já não sabia o que fazer. Então, no último momento, ela fez a única coisa possível para evitar ver o Buddha: ergueu ambas as mãos à frente de seu rosto, tapando assim sua visão.&lt;br /&gt;Neste momento, maravilhosamente, o rosto de Buddha apareceu entre cada um de seus dez dedos.&lt;br /&gt;Koan: A condição de Buddha representa a absoluta afirmação (Dharma). Não se pode fugir da Verdade, pois ela vai estar a cada passo de seu caminho. Portanto, quem é esta velha mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;117. A Morte de Um Gato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No mosteiro de Nan-Ch'uan (748-834 d.C.), os monges da ala oriental discutiam com os da ala ocidental, no meio do dojo de meditação, sobre a posse de um gatinho. Em meio à confusão chega o mestre, que silenciosamente pega o gato pelo cangote e o ergue acima de todos. O silêncio cai sobre os monges, e o mestre diz:&lt;br /&gt;"Algum de vós podeis dizer algo para salvar este pobre animal?"&lt;br /&gt;Ninguém soube o que dizer. O mestre simplesmente torce o pescoço do gato, matando-o. Divide-o em dois, e lança uma parte na direção de cada grupo de monges desolados.&lt;br /&gt;Mais tarde, quando Chao-chou retornou de uma viagem, ouviu de alguns monges o relato do acontecido. Ali perto, Nan-Ch'uan observava a conversa. Um dos monges perguntou a Chao-chou:&lt;br /&gt;"O que terias feito para salvar o gato?"&lt;br /&gt;Chao-chou nada disse, descalçou as sandálias, colocou-as na cabeça, e saiu andando. Neste momento Nan-Ch'uan apareceu e disse, num tom entristecido:&lt;br /&gt;"Estivésseis aqui na ocasião e teríeis sido capaz de salvar aquele gatinho."&lt;br /&gt;Koan: O que é "possuir"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;118. O Corajoso General&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia um certo general chinês, que em batalha liderou seus homens com coragem e destemida força. Nada podia levá-lo a sentir medo, pois sua convicção era inabalável. Certo dia ele estava em casa, tomando chá usando sua mais adorada relíquia, uma bela xícara de porcelana finamente decorada. Ele era profundamente apegado àquela peça, e a estimava muito. Quando fez o gesto de colocá-la na mesa sua mão vacilou e a xícara começou a cair ao chão. Terrificado com o temor de que a peça se quebrasse, o general lançou-se ao chão e no último momento conseguiu pegá-la.&lt;br /&gt;Ainda tenso, tremendo e suando frio, o general pensou:&lt;br /&gt;"Liderei homens em terríveis guerras e passei por momentos assustadores na vida sem jamais vacilar! Como é possível que eu sentisse tanto temor por causa de um pequeno objeto de porcelana?!?"&lt;br /&gt;Então o general percebeu plenamente a natureza de seu apego na vida. Neste momento, largou a xícara ao chão, voltou-se para uma vida contemplativa e abandonou a violência e a paixão ignorantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;119. O Cego e a Lanterna&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando saía da casa de um amigo tarde da noite, um homem cego recebeu deste uma lanterna. O cego disse, surpreso:&lt;br /&gt;"Sou cego. De que me vale levar uma lanterna?"&lt;br /&gt;"Sei disso, mas como vais caminhar no escuro, a lanterna evitará que outras pessoas esbarrem em vós," disse o solícito amigo, acendendo a vela dentro da lanterna.&lt;br /&gt;O homem partiu levantando a lanterna à sua frente. Confiante no fato de que ela evitaria acidentes com outras pessoas, ele caminhou sem medo ou relutância ao longo da estrada. Nunca ele se sentiu tão confiante, sabendo que a lanterna era um eficiente aviso de sua presença no caminho.&lt;br /&gt;Entretanto, para sua completa surpresa, de repente alguém esbarra fortemente nele, que cai ao chão. Irritado com isso, o cego grita:&lt;br /&gt;"Não podeis ver uma lanterna aproximando-se?! Com certeza és mais cego do que eu!!!!"&lt;br /&gt;Mas o outro homem disse confuso:&lt;br /&gt;"Mas como poderia ter visto uma lanterna apagada nesta noite escura?"&lt;br /&gt;Todo aquele tempo o cego carregava a lanterna inutilmente, pois a vento tinha apagado a vela há muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;120. Perfeição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certo dia um Mestre falava para seus alunos sobre a natureza da Perfeição. Um dos discípulos, céptico quanto a possibilidade de poder realmente algo chegar à perfeição concretamente e incapaz de compreender o sentido do que o Mestre falava, observou próximo ao grupo um cesto de maçãs e disse ironicamente:&lt;br /&gt;"Mestre, fiquei fascinado com sua explicação sobre a Perfeição. Poderia o senhor, para ilustrar o que acabou de dizer, me dar uma maçã perfeita?"&lt;br /&gt;O Mestre calmamente olhou dentro da cesta, retirou uma maçã e entregou ao aluno. Pegando-a, este viu que a fruta estava com uma parte podre num dos lados. Olhou para o professor e disse arrogante:&lt;br /&gt;"Essa é a perfeição de que fala? Esta maçã tem uma parte podre!"&lt;br /&gt;"Sim," replicou o Mestre. "Mas para teu nível de compreensão e discernimento, esta maçã podre é o máximo de maçã perfeita que poderás obter..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;121. Salvar Vidas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia um médico na antiga China, cujo trabalho era cuidar dos soldados nas batalhas. Entretanto a angústia de ver as atrocidades da guerra, e o fato de que sua função como médico parecia inútil, pois sempre que curava um soldado este voltava à guerra e eventualmente morria, fez com que ele pensasse:&lt;br /&gt;"Se o destino de todas as pessoas é morrer, por que devo eu buscar salvar vidas? Se minha medicina tem realmente valor, por que estes homens, após serem curados, voltam a buscar a morte?"&lt;br /&gt;Sem conseguir encontrar uma resposta, o médico abandonou sua profissão e foi às montanhas procurar um sábio mestre Zen. Após meses de prática, ele finalmente compreendeu seu dilema. Afastou-se de seu retiro e voltou à cidade. Quando lá chegou, um amigo seu cumprimentou-o pela sua volta e disse:&lt;br /&gt;"Que felicidade vê-lo de volta. Encontrou a resposta para sua dúvida?"&lt;br /&gt;"Descobri que todo este tempo fiz a pergunta errada. Não sou médico porque busco salvar vidas; sou médico porque a Vida merece ser perpetuada o mais possível. O médico não salva a vida de outrem; ele apenas ajuda a perpetuar a Vida Universal (o Tao) em cada ser que busca curar. Pois a vida de cada ser é uma só Vida, e cada vez que curo alguém, mantenho o Tao em perpétuo e maravilhoso movimento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;122. Olhando da Maneira Correta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia em uma aldeia uma velha chamada "mulher chorosa" pois todos os dias, chovendo ou fazendo sol, ela sempre estava chorando. Ela vendia bolinhos na rua, e um monge sempre passava por ela quando ia ao grande templo para os ritos. Um dia, curioso, ele lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Sempre que passo, seja em belos dias ensolarados, seja em suaves dias chuvosos, vejo a senhora chorando. Por que isso acontece?"&lt;br /&gt;"Tenho dois filhos," ela respondeu, "Um faz delicadas sandálias, o outro guarda-chuvas. Quando faz sol, penso que ninguém comprará os guarda-chuvas de meu filho, e ele e sua família vão passar necessidades. Quando chove, penso no meu filho que faz sandálias, e que ninguém vai comprá-las. Então ele também vai ter dificuldade para sustentar sua família."&lt;br /&gt;O monge sorriu e disse:&lt;br /&gt;"Mas... a senhora deveria ver as coisas de forma correta. Veja: quando o sol brilha, seu filho que faz sandálias venderá muito, e isso é muito bom! Quando chove, seu filho que faz guarda-chuvas venderá muito, e isso é também muito bom!"&lt;br /&gt;A velha olhou-o com alegria e exclamou:&lt;br /&gt;"Tem razão!"&lt;br /&gt;Desde então a velha passa todos os dias, chovendo ou fazendo sol, sorrindo feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;123. Tudo Morre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando era jovem, o então monge Ikkyu e seu irmão estavam arrumando o quarto de seu mestre, e num acidente o irmão quebrou a tigela da cerimônia do chá favorita do sábio professor. Ambos ficaram assustados, pois a tigela era muito estimada pelo mestre, pois foi um presente do imperador. Entretanto, Ikkyu disse ao irmão:&lt;br /&gt;"Não se preocupe. Sei como abordar a questão com nosso mestre!"&lt;br /&gt;Juntou os pedaços de cerâmica, escondeu-os no manto, saiu para o jardim do templo e sentou-se a esperar pelo velho sábio. Quando este se aproximou, Ikkyu propôs-lhe um Mondo (uma seqüência de perguntas e respostas):&lt;br /&gt;"Mestre, é dito que todos os seres e todas as coisas no Universo estão fadadas a morrer?"&lt;br /&gt;"Sim," respondeu o Mestre, "o próprio Buddha assim afirmou, e tal conceito é inegável: todas as coisas têm de perecer."&lt;br /&gt;"Sendo assim, devemos compreender a natureza da impermanência, e superar o sofrimento ignorante pelas perdas que são, afinal, relativas e inevitáveis."&lt;br /&gt;"Com certeza, tal compreensão faz parte do caminho correto!" disse o mestre feliz pela sagacidade de seu jovem discípulo. Neste momento, Ikkyu retirou os cacos de sua manga, pousou-os à frente do mestre e disse:&lt;br /&gt;"Mestre, sua querida xícara de chá morreu..."&lt;br /&gt;E saiu ligeiro da presença do surpreso sábio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;124. O Que Mais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou ao mestre:&lt;br /&gt;"Faz muito tempo que venho a vós diariamente, a fim de ser instruído no santo caminho de Buddha, mas até hoje jamais vós me destes nenhuma palavra a este respeito. Eu vos imploro, mestre, sejais mais caridoso."&lt;br /&gt;O velho mestre olhou-o com surpresa:&lt;br /&gt;"O que quereis dizer com isso, meu rapaz? Todas as manhãs vós me saudais e eu vos respondo. Quando me trazeis uma xícara de chá, eu a aceito, agradeço-vos e me delicio com vossa solicitude. O que mais desejais que eu lhe ensine?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;125. Alegria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O monge Shou-duan era muito diligente, mas não tinha senso de humor. Praticava o Zen de forma rígida e moralista, e era incapaz de se guiar pela alegria. Um dia seu mestre Yang-ki perguntou:&lt;br /&gt;"Quem foi seu mestre anterior?"&lt;br /&gt;"O monge Chaling Yu", respondeu o outro.&lt;br /&gt;"Ouvi dizer que ele obteve o Satori quando escorregou de uma ponte e caiu na água, e até mesmo chegou a escrever um poema sobre isso, não foi assim?"&lt;br /&gt;"Sim," replicou Shou-duan, "e eu ainda me lembro do poema:&lt;br /&gt;Tenho uma pérola brilhante&lt;br /&gt;Que por muito tempo esteve obscurecida pelo pó;&lt;br /&gt;Agora o pó se foi&lt;br /&gt;E o brilho voltou&lt;br /&gt;Iluminando os rios e as colinas."&lt;br /&gt;Ouvindo isso, o mestre Yang-ki caiu na gargalhada, rindo sem parar. O monge Shou-duan ficou pasmo. Não entendeu o porquê de tanta alegria. Naquela noite foi incapaz de dormir, pensando no que poderia ter sido engraçado naquilo tudo. No dia seguinte foi à presença do mestre e lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Mestre, por que riste tanto ao ouvir o poema que recitei ontem? Não entendo o que pode ser tão engraçado!"&lt;br /&gt;"Ontem um palhaço esteve aqui, apresentando-se numa pantomima. Vós lembrais disso?"&lt;br /&gt;"Sim, lembro-me."&lt;br /&gt;"Pois há um aspecto nele que é completamente superior ao vosso espírito."&lt;br /&gt;Intrigado, o monge replicou: "E o que um palhaço possui de mais profundo do que eu?"&lt;br /&gt;"Ele gosta que as pessoa riam, e vós tendes medo quando elas riem..."&lt;br /&gt;Ouvindo isso, o monge obteve o Satori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;126. Não Conheço Títulos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dia, o grande general Kitagaki foi visitar seu velho amigo, o superior do templo Tofuku. Ao chegar, disse a um noviço de forma algo desdenhosa como comumente se dirigia às pessoas que considerava seus subordinados no exército:&lt;br /&gt;"Diga ao Mestre que o grande general Kitagaki está aqui."&lt;br /&gt;O noviço foi ao seu mestre e disse:&lt;br /&gt;"Mestre, o Grande General Kitagaki está aqui."&lt;br /&gt;O mestre respondeu:&lt;br /&gt;"Não conheço Grandes Generais."&lt;br /&gt;O noviço voltou à presença do militar com o recado enquanto o velho sábio observava do pórtico:&lt;br /&gt;"Desculpe, o mestre não pode vê-lo. Ele não conhece nenhum Grande General."&lt;br /&gt;O General inicialmente ficou surpreso, depois indignado, e finalmente compreendeu. Humildemente disse ao noviço:&lt;br /&gt;"Desculpe minha arrogância. Por favor, diga-lhe que Kitagaki deseja vê-lo."&lt;br /&gt;O monge assim o fez. Logo, o mestre aproximou-se com um sorriso e cumprimentou:&lt;br /&gt;"Ah, Kitagaki! Há quanto tempo! Por favor, entre."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;127. A Vaca Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Shih-kung, um dia, trabalhava na cozinha quando Ma-tsu aproximou-se e perguntou o que fazia.&lt;br /&gt;"Estou cuidando da Vaca, "disse o outro, enquanto lavava os pratos.&lt;br /&gt;"Como cuidais da vaca?" desejou saber o mestre.&lt;br /&gt;"Se ela se afasta da Senda, eu puxo-a de volta pelo focinho. Não posso me distrair nem um minuto!"&lt;br /&gt;Comentou Ma-tsu:&lt;br /&gt;"Sabeis realmente cuidar dela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;128. Nada é Desperdiçado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, o mestre Yi-shan tomava banho, mas a água estava muito quente. Ele pediu então ao seu discípulo que trouxesse água fria. O discípulo encheu um balde e foi despejando-o devagar na tina de banho, e em determinado momento o mestre disse:&lt;br /&gt;"Está bom, obrigado. A quentura foi diminuída e agora está muito agradável."&lt;br /&gt;Como sobrou um pouco de água no balde, o noviço simplesmente virou-se e jogou a água no chão, perto da tina. O mestre ao ver isso gritou para o outro monge:&lt;br /&gt;"Por que fizestes tal estupidez?! Tudo tem utilidade. Por que desperdiçou a água? Poderia tê-la despejado sob uma planta ou árvore, onde poderia ser útil! Ou então por que não a jogou num canteiro de flores? Nunca se esqueça: não devemos desperdiçar nem mesmo uma gota de água, nem uma folha de grama!!&lt;br /&gt;"Tudo neste mundo é valioso."&lt;br /&gt;Ouvindo isso, o monge noviço compreendeu o significado da vida. Desde então ele ficou conhecido como "Gota D'água".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;129. Dar e Receber&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um professor de Zen, após anos como orientador de um aluno particularmente sensível e sábio, resolveu lhe dar um presente:&lt;br /&gt;"Estou ficando velho, em breve morrerei. Para simbolizar sua sucessão a mim como mestre vou lhe dar este livro valiosíssimo."&lt;br /&gt;O discípulo, entretanto, não estava interessado em livros:&lt;br /&gt;"Não é necessário, obrigado, mestre. Eu aceitei o seu ensinamento como o Zen que prescinde a palavra escrita. Gosto de sua face original. Fique com seu precioso livro."&lt;br /&gt;O professor insistiu, e afirmou, orgulhoso:&lt;br /&gt;"Este livro atravessou sete gerações, é uma relíquia! Por favor, fique com ele como um símbolo de sua aceitação do manto e da tigela!"&lt;br /&gt;O outro apenas disse:&lt;br /&gt;"Está bem, dê-me o livro."&lt;br /&gt;Ao recebê-lo, o discípulo simplesmente atirou o livro no fogo próximo, queimando-o. O professor ficou chocado. Gritou para o aluno, indignado:&lt;br /&gt;"Como pôde fazer isso?! Era uma peça inestimável de conhecimento!"&lt;br /&gt;Foi a vez do sábio discípulo ficar indignado:&lt;br /&gt;"Como podes dar mais valor a papel e couro do que àquilo que me ensinastes diretamente, de forma pura? Ensinar uma sabedoria que não se pode praticar é como agir sem coração, e não ser nada mais do que um repetidor de textos sagrados. Tu me deste um objeto, e eu usufrui dele como considerei adequado. Como podes ficar indignado com um simples 'dar e receber'?"&lt;br /&gt;Koan: O que é "possuir"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;130. O Intelectual e as respostas Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez Tao-kwang, um intelectual budista e estudioso do Vijñaptimara (idealismo absoluto), aproximou-se de um mestre Zen e perguntou:&lt;br /&gt;"Com que atitude mental deve um indivíduo disciplinar-se para alcançar a Verdade?"&lt;br /&gt;Respondeu o mestre Zen: "Não há nenhuma mente a ser disciplinada, nem qualquer verdade na qual nós devemos nos disciplinar."&lt;br /&gt;Replicou o intelectual:&lt;br /&gt;"Se não há nenhuma mente para ser controlada e nenhuma Verdade para ser ensinada, por que vos reunis todos os dias aos monges? Se não tenho língua, como será possível aconselhar a outrem a virem até mim?"&lt;br /&gt;"Eu não possuo nem uma polegada de espaço para dar, portanto onde posso conseguir uma reunião de monges? Eu não possuo língua, como posso aconselhar a outrem virem a mim?" respondeu o mestre.&lt;br /&gt;O Intelectual então exclamou:&lt;br /&gt;"Como podeis proferir uma tal mentira na minha cara!?!!"&lt;br /&gt;"Se não tenho língua," retorquiu o mestre, "para aconselhar os outros como é possível pregar uma mentira?"&lt;br /&gt;Desesperado em confusão, disse Tao-kwang:&lt;br /&gt;"NÃO POSSO SEGUIR VOSSO RACIOCÍNIO!!!"&lt;br /&gt;"Nem eu tampouco..." concluiu o mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;131. Não Ouso Dizer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pai-chang (720-814. d. C.) certa vez questionou a Nan-chuan (748-834. d.C.):&lt;br /&gt;"Há alguma verdade que nenhum sábio como vós jamais ousou dizer até hoje?"&lt;br /&gt;"Sim," respondeu Nan-chuan.&lt;br /&gt;O outro continuou:&lt;br /&gt;"E qual é, então, esta coisa sobre a qual não falais?"&lt;br /&gt;Respondeu o mestre:&lt;br /&gt;"Não é nem Mente, nem Buddha, nem Matéria."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;132. Quer Chá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Chao-chou perguntou a um monge recém-chegado a seu mosteiro:&lt;br /&gt;"Já estivestes antes aqui?"&lt;br /&gt;"Sim, senhor," respondeu o monge, "já estive no verão passado."&lt;br /&gt;"Ah! Então entre e tome uma xícara de chá," disse o mestre, feliz.&lt;br /&gt;Outro dia, apareceu um novo recém-chegado. Chao-chou lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Já estivestes antes aqui?"&lt;br /&gt;"Eu jamais estive aqui, mestre."&lt;br /&gt;"Ah!" exclamou o sábio, feliz, "Então entre e tome uma xícara de chá."&lt;br /&gt;Inju, o monge que administrava o templo, testemunhou ambos os eventos. Disse então para Chao-chou, intrigado:&lt;br /&gt;"Por que sempre fazeis o mesmo oferecimento, qualquer que seja a resposta do monge?"&lt;br /&gt;O mestre subitamente gritou-lhe:&lt;br /&gt;"INJU!!!"&lt;br /&gt;O outro assustou-se e disse, apreensivo:&lt;br /&gt;"Sim! O que houve?!"&lt;br /&gt;Chao-chou completou:&lt;br /&gt;"Entre e tome uma xícara de chá."&lt;br /&gt;Koan: Quer chá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;133. Poeira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O salão de meditação (zendo) vivia empoeirado, e Chao-chou costumava varrê-lo, assim como ao pátio em frente. Certa vez perguntaram a Chao-chou:&lt;br /&gt;"Por que, mestre, este santo zendo está sempre atraindo tanta poeira?"&lt;br /&gt;Chao-chou exclamou:&lt;br /&gt;"Oh, veja! Ali está outro grão de poeira!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;134. Carroça&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um Imperador, sabendo que um grande sábio Zen estava às portas de seu palácio, foi até ele para fazer uma importante pergunta:&lt;br /&gt;"Mestre, onde está o Eu?"&lt;br /&gt;O mestre então pediu-lhe:&lt;br /&gt;"Por favor traga-me aquela carroça que está lá."&lt;br /&gt;A carroça foi trazida. O sábio perguntou:&lt;br /&gt;"O que é isso?"&lt;br /&gt;"Uma carroça, é claro," respondeu o Imperador.&lt;br /&gt;O mestre pediu que retirasse os cavalos que puxavam a carroça. Então disse:&lt;br /&gt;"Os cavalos são a carroça?"&lt;br /&gt;"Não."&lt;br /&gt;O mestre pediu que as rodas fossem retiradas.&lt;br /&gt;"As rodas são a carroça?"&lt;br /&gt;"Não, mestre."&lt;br /&gt;O mestre pediu que retirassem os assentos.&lt;br /&gt;"Os assentos são a carroça?"&lt;br /&gt;"Não, eles não são a carroça."&lt;br /&gt;Finalmente apontou para o eixo e falou:&lt;br /&gt;"O eixo é a carroça?"&lt;br /&gt;"Não, mestre, não são."&lt;br /&gt;Então o sábio concluiu:&lt;br /&gt;"Da mesma forma que a carroça, o Eu não pode ser definido por suas partes. O Eu não está aqui, não está lá. O Eu não se encontra em parte alguma. Ele não existe. E não existindo, ele existe."&lt;br /&gt;Dito isso, ele começou a se afastar do surpreso monarca. Quando estava já afastado, voltou-se e perguntou-lhe:&lt;br /&gt;"Onde Eu estou?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;135. Fudaishi e a explicação do Sutra do Diamante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Mestre Fudaishi foi convidado pelo imperador Wu, de Liao, para fazer uma preleção sobre o famoso Sutra do Diamante. No palácio estavam o Imperador, seus ministros e mandarins, todos solenemente aguardando a presença do Mestre no salão principal. Ao chegar, Fudaishi subiu ao púlpito, e observou por alguns momentos atentamente os presentes. Depois ergueu o bastão, deu uma pancada com ele com toda a força no chão e retirou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Imperador ficou pasmo. Um de seus ministros perguntou-lhe:&lt;br /&gt;"Vossa Majestade, entendeu?"&lt;br /&gt;"Não entendi nada, na verdade!" volveu o surpreso monarca. Seu ministro então explicou:&lt;br /&gt;"O Mestre já explicou tudo o que poderia explicar sobre o Vajracchedhika Sutra..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;136. O Cão Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Chao-chou:&lt;br /&gt;"Mestre, um cão possui a natureza de Buddha?"&lt;br /&gt;Chao-chou respondeu:&lt;br /&gt;"Wu!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;137. Pai-chang e a Raposa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Todas as vezes que Pai-chang (Hyakujo) fazia preleções sobre o Zen um velho homem as assistia, despercebido pelos monges. Ao final de cada palestra, ele partia junto com os monges. Mas um dia ele permaneceu após a partida de todos, e Pai-chang perguntou-lhe:&lt;br /&gt;"Quem sois vós?"&lt;br /&gt;O velho respondeu:&lt;br /&gt;"Não sou um ser humano, mas eu era um homem quando o Buddha Kashyapa pregou neste mundo. Eu era um mestre Zen e vivia nestas montanhas. Naquela época um dos meus estudantes me perguntou se um homem iluminado é sujeito à lei da Causalidade. Eu lhe respondi: 'O homem iluminado não é sujeito à lei da causalidade.' Devido a esta resposta evidenciar um apego à um conceito absoluto eu tornei-me uma raposa por quinhentos renascimentos, e eu ainda estou renascendo como raposa. Podeis vós me resgatar desta condição com suas palavras e assim liberar-me de um corpo de raposa? Por favor, respondeis: Está o homem iluminado sujeito à lei da causalidade?"&lt;br /&gt;Pai-chang disse:&lt;br /&gt;"O homem iluminado é uno com a lei da causalidade".&lt;br /&gt;Ao ouvir as palavras de Pai-chang o velho atingiu o Satori.&lt;br /&gt;"Estou emancipado," ele disse, prestando homenagem ao mestre com uma profunda inclinação. "Não sou mais uma raposa, mas eu devo deixar meu corpo em meu local de residência atrás desta montanha. Por favor, peço-vos que realizeis meu funeral na condição de um monge." E então desapareceu.&lt;br /&gt;No dia seguinte Pai-chang deu uma ordem por intermédio do monge-principal para que se preparasse um funeral para um monge.&lt;br /&gt;"Mas ninguém está moribundo no hospital," questionaram os monges. "O que o mestre pretende?"&lt;br /&gt;Após o jantar Pai-chang liderou os monges para fora do templo e em torno da montanha. Em uma caverna ele e seu grupo de monges retiraram o cadáver de uma raposa e então realizaram o rito funeral de cremação.&lt;br /&gt;Naquela noite Pai-chang falou para seus monges e contou-lhes a estória sobre a lei da causalidade.&lt;br /&gt;Huang-po (Obaku), após ouvir a estória, perguntou ousadamente a Pai-chang:&lt;br /&gt;"Eu entendo que há muito tempo atrás, devido a uma certa pessoa ter dado uma resposta Zen errada ela tornou-se uma raposa por quinhentos renascimentos. Mas eu perguntaria: se algum&lt;br /&gt;mestre atual for questionado muitas vezes sobre várias perguntas, e se ele sempre desse respostas certas, o que lhe aconteceria?"&lt;br /&gt;Pai-chang disse:&lt;br /&gt;"Aproxime-se e eu lhe direi."&lt;br /&gt;Obaku aproximou-se e deu rapidamente um tapa na face do mestre, porque percebeu facilmente que essa seria a resposta que Pai-chang pretendia lhe dar.&lt;br /&gt;Pai-chang bateu palmas e riu muito diante do discernimento do outro, e disse simplesmente:&lt;br /&gt;"Eu sempre imaginei que um Persa tivesse barba vermelha, e agora eu conheço um Persa que possui mesmo uma barba vermelha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;138. O Koan do Galho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, Kyogen disse o seguinte:&lt;br /&gt;"Zen é como um homem pendurado num alto galho de árvore pelos dentes, sobre um precipício. Suas mãos não podem alcançar o galho, seus pés não podem se apoiar em outro ramo. Um homem sob a árvore lhe pergunta: 'Por que Bodhidharma veio para a China da Índia?'.&lt;br /&gt;"Se o homem na árvore não responder, ele falha; e se ele o fizer, ele cairá e perderá a vida.&lt;br /&gt;"Assim eu lhes pergunto: O que deve este homem fazer?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;139. O Koan da Roda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Getsuan disse aos seus estudantes:&lt;br /&gt;"Keichu, o primeiro mestre-construtor de rodas da China, fez duas rodas com 50. raios em cada. Agora, suponham que vocês removam o cubo do centro da roda, que une os raios. O que aconteceria com a roda? E se o próprio Keichu fizesse isso, poderia ele ser chamado de mestre-construtor de rodas?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;140. Um Buddha do Passado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Seijo: "Soube que um Buddha que viveu antes da história recordada sentou-se em meditação por dez ciclos de existência e não foi capaz de alcançar a verdade mais alta, e portanto não foi capaz de tornar-se completamente emancipado. Por que isso aconteceu?"&lt;br /&gt;Seijo replicou: "Sua questão é auto-explanatória."&lt;br /&gt;O monge insistiu: "Uma vez que o Buddha estava meditando, por que não pôde alcançar a compreensão búddhica?"&lt;br /&gt;Seijo disse: "Ele não era um Buddha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;141. A pobreza de Seizei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge chamado Seizei pediu a Sozan, cheio de auto-piedade:&lt;br /&gt;"Estou pobre e miserável. Podes me ajudar?"&lt;br /&gt;Sozan chamou: "Seizei?"&lt;br /&gt;"Sim, senhor!" respondeu o outro.&lt;br /&gt;Sozan disse: "Vós possuis o Zen, o melhor vinho da China, e vós já terminastes de beber três copos cheios. Ainda assim estais dizendo que nem sequer seus lábios foram molhados!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;142. Chao-chou e o Punho Levantado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Chao-chou foi até um lugar onde um monge havia se retirado para meditar e perguntou-lhe:&lt;br /&gt;"O quê é o que é?"&lt;br /&gt;O monge, em resposta, levantou seu punho.&lt;br /&gt;Chao-chou replicou: "Navios não podem permanecer ancorados onde a água é muito rasa," e partiu.&lt;br /&gt;Poucos dias mais tarde o mestre foi mais uma vez à hermida do monge e fez-lhe a mesma questão. O monge respondeu do mesmo modo, e então disse Chao-chou:&lt;br /&gt;"Corretamente oferecido, corretamente recebido, corretamente morto, corretamente poupado."&lt;br /&gt;Então fez uma reverência ao monge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;143. Shi-yan Fala Com Seu Mestre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Shi-yan, quando desejava falar com seu mestre, sempre dizia para si mesmo:&lt;br /&gt;"Mestre!"&lt;br /&gt;E respondia para si mesmo: "Sim?"&lt;br /&gt;Então ele mesmo continuava: "Fique Atento!"&lt;br /&gt;E ele respondia: "Sim, mestre!"&lt;br /&gt;"E além disso," ele completava, "não se deixe iludir pelos outros!"&lt;br /&gt;"Sim, sim, meu Mestre!" ele afirmava para si.&lt;br /&gt;144. Tokusan e a Refeição&lt;br /&gt;Tokusan foi ao refeitório do templo com sua tigela nas mãos, pronto para comer alguma coisa. Seppo estava trabalhando como o cozinheiro naquele dia. Quando viu Tokusan, disse:&lt;br /&gt;"O tambor das refeições ainda não foi tocado. Aonde vais com vossa tigela?"&lt;br /&gt;Tokusan então retornou ao seus aposentos.&lt;br /&gt;Seppo falou a Ganto sobre o ocorrido, e Ganto declarou:&lt;br /&gt;"O velho Tokusan na verdade ainda não entende a Verdade Última!"&lt;br /&gt;Tokusan ouviu o comentário e pediu para Ganto aproximar-se.&lt;br /&gt;"Ouvi o que dissestes," ele disse, "vós não aprovais o meu Zen?"&lt;br /&gt;Ganto admitiu isso de forma indireta. Tokusan não disse mais nada, afastando-se calmamente.&lt;br /&gt;No dia seguinte, no momento da palestra, Tokusan entrou, sentou-se, e calmamente falou sobre um tema de forma completamente diferente do que normalmente fazia. Ganto então riu alto e bateu as mãos, dizendo:&lt;br /&gt;"Vejo que nosso velho mestre entende completamente a Verdade Última! Ninguém em toda a China pode superá-lo nisso!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;145. Três Golpes em Tozan&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tonzan foi à presença de Yun-men (Ummon ? – 966). Este perguntou-lhe de onde Tozan estava chegando. Tozan disse:&lt;br /&gt;"Da aldeia Sato."&lt;br /&gt;Yun-men quis saber: "Em qual templo vós passastes o verão?"&lt;br /&gt;"No templo de Hoji, ao sul do lago", disse Tozan de forma casual.&lt;br /&gt;"Quando partistes de lá?" quis saber Yun-men.&lt;br /&gt;"Em 25 de Agosto", respondeu Tozan. Yun-men então lhe afirmou:&lt;br /&gt;"Eu deveria vos dar três golpes de bastão, mas hoje eu vos perdôo."&lt;br /&gt;No dia seguinte Tozan foi até Yun-men, fez uma reverência e perguntou, confuso:&lt;br /&gt;"Ontem vós me perdoastes os três golpes. Entretanto eu não compreendo nem mesmo qual foi a falta que cometi para poder merecer sofrer os golpes que vós me perdoastes!"&lt;br /&gt;Yun-men então repreendeu Tozan desta forma:&lt;br /&gt;"Vós sois inútil. Suas respostas ontem foram sem espírito. Vós simplesmente vagueais de um mosteiro para o outro!"&lt;br /&gt;Ao ouvir as palavras de Yun-men, Tozan obteve o Satori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;146. Sinos e Mantos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Yun-men (Ummon ? – 966)certa vez perguntou:&lt;br /&gt;"O mundo é realmente um imenso mundo! Por que vós respondeis ao badalar dos sinos e vestis mantos cerimoniais?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;147. Um Quilo e Meio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Tozan enquanto ele estava pesando algum linho:&lt;br /&gt;"O que é Buddha?"&lt;br /&gt;Tozan disse:&lt;br /&gt;"Um quilo e meio de puro linho..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;148. O Caminho está no Cotidiano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Joshu perguntou a Nansen: "Qual é o Caminho?"&lt;br /&gt;Nansen disse: "O dia-a-dia é o Caminho".&lt;br /&gt;"Pode ele ser estudado?" perguntou Joshu&lt;br /&gt;Nansen disse: "Se tentares estudá-lo, irás estar muito longe dele."&lt;br /&gt;Joshu replicou: "Se não posso estudá-lo, como posso entender o Caminho?"&lt;br /&gt;Nansen completou: "O Caminho não pertence ao mundo da percepção, nem Ele pertence ao mundo da não-percepção. A cognição é delusão e a não-cognição é sem sentido. Se desejais alcançar o Verdadeiro Caminho além das dúvidas, busqueis ser tão livre como o céu. E não afirmais que isso é bom ou ruim."&lt;br /&gt;Ao ouvir tais palavras, Joshu atingiu o Satori.&lt;br /&gt;Koan: Sabeis reconhecer a Liberdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;149. O Homem Iluminado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Shogen perguntou:&lt;br /&gt;"Por que o homem Iluminado não se ergue e explica sua natureza?"&lt;br /&gt;E então completou:&lt;br /&gt;"Na verdade, não é necessário que as palavras venham da língua..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;150. Esterco Seco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Yun-men (Ummon ? – 966):&lt;br /&gt;"O que é o Dharma-Buddha?"&lt;br /&gt;Yun-men respondeu:&lt;br /&gt;"Esterco sêco."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;151. Kashyapa e a Primeira Resposta Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ananda perguntou a Kashyapa:&lt;br /&gt;"Após o Discurso da Flor, Buddha deu-vos o manto dourado da sucessão. O que mais vos destes o Abençoado?"&lt;br /&gt;Kashyapa gritou-lhe subitamente:&lt;br /&gt;"Ananda!"&lt;br /&gt;Ananda respondeu, surpreso:&lt;br /&gt;"Sim, irmão!"&lt;br /&gt;Kashyapa disse suavemente:&lt;br /&gt;"É tarde. Já podeis descer do mastro minha flâmula e colocar a sua."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;152. Não Pense Bem, Não Pense Mal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando atingiu a iluminação completa o sexto Patriarca (Hui-Neng) recebeu do quinto Patriarca (Hung-Jen) o manto e a tigela, simbólicos da sucessão de grandes mestres a partir de Gautama Buddha, geração após geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monge-chefe do templo chamado Jin-shu, cheio de rancor, perseguiu Hui-neng com a intenção de retirar-lhe estes tesouros. O Sexto Patriarca colocou o manto e a tigela sobre uma pedra ao lado da estrada e disse a Jin-shu:&lt;br /&gt;"Estes objetos apenas simbolizam uma crença. Não há motivos para se brigar por eles. Se desejais possuí-los, tome-os agora."&lt;br /&gt;Quando Jin-shu tentou erger os objetos eles pareceram-lhe tão pesados como uma montanha. Ele não pode tomá-los. Tremendo de vergonha ele disse:&lt;br /&gt;"Eu vim em busca de esclarecimento, e não de tesouros materiais. Por favor, ensinai-me."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sexto Patriarca disse:&lt;br /&gt;"Quando vós não pensais no "Bem" e quando vós não pensais no "Mal", em qual momento está vossa verdadeira natureza?"&lt;br /&gt;Ao ouvir tais palavras Jin-shu atingiu o Satori. Suor escorreu de todo seu corpo. Ele gritou e fez uma reverência, dizendo:&lt;br /&gt;"Vós me destes as secretas palavras e os secretos significados. Há ainda alguma parte mais profunda de vosso ensinamento?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hui-neng disse:&lt;br /&gt;"O que vos disse não é um segredo, em verdade. Quando compreendes vosso verdadeiro Eu o segredo já então lhe pertence."&lt;br /&gt;Jin-shu disse: "Estive sob a orientação do quinto patriarca por muitos anos mas não pude compreender meu verdadeiro Eu até agora. Através de vosso ensinamento eu atingi a fonte. Uma pessoa bebe água e sabe por si mesma se esta é fria ou quente. Posso lhe considerar meu mestre?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hui-neng replicou: "Estudamos ambos sob o mesmo quinto patriarca. Continue chamando-o seu mestre, mas apenas guarde em si o que vós mesmos realizastes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;153. Sem Palavras, Sem Silêncios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Fuketsu:&lt;br /&gt;"Sem falar, sem silenciar, como vós podeis expressar a Verdade?"&lt;br /&gt;Fuketsu replicou:&lt;br /&gt;"Eu sempre me lembro das primaveras no sul da China. Os pássaros cantam por entre as inumeráveis espécies de belas e cheirosas flores..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;154. Pregando do Terceiro Assento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em um sonho Kyozen foi à Terra Pura de Maitreya. Ele se viu lá sentado no terceiro assento no estrado de Maitreya. Alguém então anunciou:&lt;br /&gt;"Hoje aquele que está assentado no terceiro trono irá fazer a Oração!"&lt;br /&gt;Kyozen levantou-se e batendo no martelo, disse:&lt;br /&gt;"A verdade do ensinamento Mahayana é transcendente, além das palavras e dos pensamentos! Vós me compreendeis?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;155. "Eu sou Desperto"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando Buddha atingiu a Suprema Iluminação, diz uma lenda que alguém lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Vós sois um Deus?"&lt;br /&gt;"Não," ele disse.&lt;br /&gt;"Vós sois um santo?"&lt;br /&gt;"Não"&lt;br /&gt;"Então quem sois vós?"&lt;br /&gt;Ele então disse:&lt;br /&gt;"Eu sou Desperto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;156. A conversão de Upali&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Upali era um dos principais seguidores leigos do mestre Jaina Mahavira, contemporâneo de Buddha. Devido a sua inteligência, Upali frequentemente aparecia em público para debater em prol do Jainismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez Upali, buscando esclarecer os princípios do pensamento Jaina, envolveu-se em um debate com o Buddha. Ao fim do debate, Upali ficou tão impressionado com os ensinamentos de Buddha que acabou por solicitar se tornar um seguidor do Iluminado: "Venerável Senhor, por favor aceitai-me como um vosso seguidor!" ele pediu.&lt;br /&gt;Mas Buddha ponderou: "Upali, vós estais sob a influência de suas emoções. Voltai para o seio de seu mestre, e reconsidere cuidadosamente sua decisão antes de me solicitar vossa inclusão no Sangha novamente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Upali ficou então ainda mais impressionado e disse,"Se fosse qualquer outro guru, terias com certeza convocado uma parada para anunciar: 'O maior dos discípulos leigos de Mahavira tornou-se o MEU seguidor!'. Mas vós, Venerável Senhor, me falastes sobre ponderação e cautela reflexiva, para que eu reconsidere o meu ato. Agora eu desejo ainda mais ser seu seguidor. Não me erguerei daqui até vós me aceitares."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, Buddha concordou em aceitar Upali, sob uma condição: "Upali, como um Jaina, vós sempre destes proventos aos monges Jainistas. Quando vos tornares meu seguidor, vós irás continuar a dar-lhes apoio e proventos. Esta é minha condição."&lt;br /&gt;Upali aceitou tal condição. Mais tarde ele tornou-se um dos principais discípulos de Buddha. Upali é considerado aquele que compilou os Vinaya, ou as regras para os monges.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;157. Dois Monges Erguem a Cortina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Hogen, do Mosteiro Seiryo, estava em vias de dar sua palestra antes do jantar quando percebeu que a cortina de bambu, abaixada para a seção de meditação, não tinha sido levantada. Ele apontou para ela, sem falar. Dois monges levantaram-se da audiência e juntos a levantaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hogen, observando o momento concreto, disse:&lt;br /&gt;"Os gestos do primeiro monge são corretos, mas não os do segundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;158. Buddha é esta Mente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Daibai perguntou a Baso:&lt;br /&gt;"O que é Buddha?"&lt;br /&gt;Baso disse:&lt;br /&gt;"Esta Mente é Buddha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;159. O Fio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Após algumas horas em agradável colóquio com seu mestre Niao-wo, o discípulo ergueu-se e reverentemente despediu:&lt;br /&gt;"Obrigado por vosso tempo, Mestre. Agora eu me vou."&lt;br /&gt;"E para onde vais?" Perguntou o sábio.&lt;br /&gt;"Parto pelo país, sempre estudando com afinco o Dharma-Buddha," disse o discípulo.&lt;br /&gt;"Ah, o Dharma-Buddha!" exclamou o Mestre, "Por acaso eu tenho um pouco disso aqui comigo, sabes?"&lt;br /&gt;O jovem discípulo, intrigado e algo curioso, e também ligeiramente ambicioso, perguntou rápido, olhando em volta:&lt;br /&gt;"É mesmo? Onde está? Onde está?"&lt;br /&gt;O Mestre retirou um fio de seu manto e mostrou-o, declarando:&lt;br /&gt;"Este fio também é o Dharma-Buddha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;160. Onde está Chao-chou?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dia um monge viajante, buscando encontrar o caminho até o templo Kwan-yin de Chao-chou (em japonês, Joshu. Seu nome completo seria Kong-shen de Chao-chou – a sua cidade nativa - , sendo chamado apenas de Chao-chou), perguntou a uma velha senhora que vivia nas cercanias da cidade de mesmo nome:&lt;br /&gt;"Estou procurando por Chao-chou. Podes me indicar onde está?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velha disse:&lt;br /&gt;"Siga em frente. Não vire para leste ou oeste."&lt;br /&gt;Impressionado com a resposta, o monge relatou o ocorrido a Chao-chou, acrescentando:&lt;br /&gt;"Aquela velha senhora era muito sábia no Zen. Quando perguntei onde vós estavas, ela me deu uma resposta muito profunda!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chao-chou apenas disse:&lt;br /&gt;"Vou lá testá-la."&lt;br /&gt;Chegando à presença da velha senhora, Chao-chou perguntou:&lt;br /&gt;"Estou procurando por Chao-chou. Podes me indicar onde está?"&lt;br /&gt;A velha disse:&lt;br /&gt;"Siga em frente. Não vire para leste ou oeste."&lt;br /&gt;Voltando até onde ficou o monge, ele replicou:&lt;br /&gt;"Ela apenas não percebe uma coisa: Chao-chou esteve aqui todo o tempo."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;161. Um filósofo questiona Buddha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um filósofo perguntou a Buddha:&lt;br /&gt;"Sem palavras, sem silêncio, podeis vós revelar-me a Verdade?"&lt;br /&gt;O Buddha permaneceu em silêncio.&lt;br /&gt;O filósofo agradeceu profundamente e disse:&lt;br /&gt;"Com vossa amável generosidade eu esclareci minha Ilusão e penetrei no verdadeiro caminho."&lt;br /&gt;Após o filósofo ter partido, Ananda perguntou ao Buddha que ele havia obtido.&lt;br /&gt;O Buddha replicou:&lt;br /&gt;"Um bom cavalo corre apenas à visão da sombra do chicote."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;162. Vivo ou Morto?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O mestre Dao-wu e seu discípulo Jian-yuan foram prestar seus pêsames à família de um amigo falecido. Ao ver o esquife mortuário Jian-yuan perguntou ao seu mestre:&lt;br /&gt;"O nosso amigo está vivo ou morto?"&lt;br /&gt;"Não é possível se afirmar que ele está vivo ou morto," disse o sábio serenamente. Jian-yuan era um monge muito agressivo e impaciente. Ao ouvir tal resposta, ele insistiu:&lt;br /&gt;"E por que não podeis me responder?"&lt;br /&gt;O mestre replicou:&lt;br /&gt;"Não posso fazer isso, me é impossível."&lt;br /&gt;Jian-yuan ficou muito alterado. Gritou então para o sábio:&lt;br /&gt;"Se não me responder, eu vou lhe bater!!!!!!"&lt;br /&gt;"Pois então faça-o. Ainda assim, não poderei lhe responder," disse Dao-wu.&lt;br /&gt;O outro então começou a bater muito no velho sábio, dizendo enlouquecido:&lt;br /&gt;"Que tipo de mestre és tu?! Possui o Conhecimento e recusas a dizer para teu discípulo! Falso! Mentiroso!"&lt;br /&gt;Após agredir violentamente seu mestre, Jian-yuan abandonou-o ao chão, declarando:&lt;br /&gt;"Pois então não diga! Vou embora!"&lt;br /&gt;Depois de alguns anos, Dao-wu morreu. Jian-yuan, que havia procurado outro mestre – chamado Shi-chuang, soube disso e resolveu fazer a mesma pergunta ao seu mestre atual:&lt;br /&gt;"Soube que Dao-wu morreu. Está ele realmente vivo ou morto?"&lt;br /&gt;O sábio disse serenamente:&lt;br /&gt;"Não é possível se afirmar que ele está vivo ou morto."&lt;br /&gt;Ao ouvir isso, Jian-yuan obteve o Satori. Compreendeu então o que Dao-wu quis lhe ensinar. No dia seguinte Jian-yuan foi encontrado andando de um lado a outro no salão de meditação do Templo, segurando uma enxada e parecendo procurar alguma coisa. Shi-chuang perguntou-lhe:&lt;br /&gt;"O que fazes?"&lt;br /&gt;Jian-yuan declarou, firmemente:&lt;br /&gt;"Procuro os restos mortais do grande Mestre Dao-wu!"&lt;br /&gt;Shi-chuang comentou:&lt;br /&gt;"O oceando é vasto, suas ondas brancas inundam o céu. Que restos há para buscar?"&lt;br /&gt;Jian-yuan respondeu:&lt;br /&gt;"Esforço-me na Busca da melhor maneira que posso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;163. O Concreto Imaginário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um monge perguntou a Chao-chou:&lt;br /&gt;"O que diríeis se eu chegasse ante vós sem nada trazer?"&lt;br /&gt;Chao-chou respondeu:&lt;br /&gt;"Deixai-o aí mesmo, no chão."&lt;br /&gt;O monge contestou:&lt;br /&gt;"Mas eu disse que nada trazia, como então poderia pôr algo no chão?"&lt;br /&gt;"Tudo bem então," comentou Chao-chou, despreocupado, "nesse caso, levai-o daqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;164. Um Discurso Muito Importante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Mestre Yao-shan há muitos meses que não dava uma palavra de orientação aos seus discípulos. Estes estavam confusos, e certo dia um discípulo foi à sua presença e disse:&lt;br /&gt;"Todos os discípulos anseiam pela orientação de seu Mestre. Por que vós estais tão silencioso?"&lt;br /&gt;Yao-shan replicou:&lt;br /&gt;"Muito bem. Toqueis o sino e conclamais todos no zendo do Templo. Farei um discurso muito importante."&lt;br /&gt;O sino foi tocado e todos foram alegres para o salão de meditação, esperando pelo discurso de seu mestre. Yao-shan entrou, sentou-se em frente à todos, e permaneceu em silêncio. Passou-se dez minutos, vinte, trinta minutos, uma hora. Em determinado momento o sábio levantou-se e foi embora, encerrando a reunião.&lt;br /&gt;O discípulo foi atrás dele correndo, chamou-o e perguntou:&lt;br /&gt;"Mestre! Por que vais embora sem nos dizer uma palavra?!"&lt;br /&gt;Yao-shan respondeu:&lt;br /&gt;"Há intelectuais do Dharma para ensinar sutras, disciplinadores que ensinam apenas proibições. Mas sou um mestre Zen. Não adianta falar sobre isso, pois o Zen está além das palavras. Portanto, o que vós esperais de mim?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;165. O Ganso na Garrafa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Li-k'u, alto oficial do governo da dinastia T'ang, perguntou a Nan-chuan:&lt;br /&gt;"Há muito tempo um homem mantinha um ganso dentro de uma garrafa. Este cresceu tanto que não podia mais sair da garrafa. O homem desejava retirá-lo, mas não desejava quebrar a garrafa nem ferir o ganso. Como poderíeis fazer com que saísse da garrafa nestas condições?"&lt;br /&gt;O sábio repentinamente gritou:&lt;br /&gt;"Li-k'u!!"&lt;br /&gt;Li-k'u respondeu, assustado:&lt;br /&gt;"O que foi?!"&lt;br /&gt;O mestre disse, afastando-se:&lt;br /&gt;"O ganso já está fora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;166. A Monja e o Koan Irrespondível&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tendo-se tornado monge há pouco tempo, Chu-chih (Gutei, em japonês) vivia em uma cabana de sapê, onde dia após dia dedicava-se à prática fundamental do Zen: o Aperfeiçoamento Pessoal. Um dia, uma monja chamada Chih-chi aproximou-se da cabana, deu três voltas à frente do jovem monge e disse:&lt;br /&gt;"Dizeis apenas uma palavra e eu vos tiro o meu chapéu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chu-chih ficou estupefato. Não sabia o que dizer. Pensou: 'Isso é algum tipo de koan Zen, com certeza! Mas o que significa?!'. Como ele se mantinha em silêncio e perturbado, a monja simplesmente comentou:&lt;br /&gt;"Como não podeis me dizer nada, vou embora."&lt;br /&gt;E afastou-se. Chu-chih ficou lá, sentado, inquieto e sentindo-se fracassado. 'O que ela quis dizer? O que significa o chapéu?', ele pensava angustiado. 'Oh! Vencido por uma monja noviça! Como posso continuar aqui e chamar isso de Aperfeiçoamento Pessoal?', ele refletiu. Preparou-se então para partir na manhã seguinte. Enquanto tentava dormir, apareceu um velho sábio. Este lhe perguntou:&lt;br /&gt;"Vós pareceis muito perturbado! O que vos aflige tanto?"&lt;br /&gt;Chu-chih contou tudo o que ocorrera. Ao final, comentou para o velho:&lt;br /&gt;"A mente de um homem é inútil e sem dignidade. Não posso responder nem mesmo à questão de uma noviça!"&lt;br /&gt;O mestre replicou:&lt;br /&gt;"Gostarias de saber a resposta ao Koan?"&lt;br /&gt;Chu-chih exclamou, aflito:&lt;br /&gt;"Sim, sim Mestre!"&lt;br /&gt;O Mestre então ergueu seu indicador e disse:&lt;br /&gt;"Todas as Verdades estão aqui."&lt;br /&gt;Neste momento Chu-chih obteve o Satori. Disse então, agradecido:&lt;br /&gt;"Agora compreendo. A unidade do Tao é o Todo, o Todo é a unidade do Tao."&lt;br /&gt;O velho sábio, como num sonho, sumiu de sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;167. Sem Diferenças&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, um discípulo perguntou ao monge Pa-ling:&lt;br /&gt;"Há alguma diferença entre o que disseram os patriarcas e o que está escrito nos Sutras sagrados?"&lt;br /&gt;O sábio respondeu:&lt;br /&gt;"Quando fica frio, os faisões empoleram-se nos galhos das árvores, e os patos mergulham sob a água..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;168. O Tao e o Mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, o mestre Zen Fa-yun disse aos seus discípulos:&lt;br /&gt;"Suponham que estejam em uma situação na qual, se avançarem perderão o Tao [o sentido da Vida], se recuarem, perderão o Mundo [a vivência Cotidiana], e se não se moverem, terão demonstrado uma ignorância tão grande quanto a de uma pedra. O que fariam?"&lt;br /&gt;Um dos monges, confuso, disse:&lt;br /&gt;"Neste caso, como evitar parecer ignorante?"&lt;br /&gt;O Mestre respondeu:&lt;br /&gt;"Abandonem o Apego e a Aversão, e saibam realizar todo seu potencial."&lt;br /&gt;"Mas," replicou outro monge,"neste caso, como evitar perder o Tao ou o Mundo?! Ambos são fundamentais. Como podemos existir ignorantes do Sentido da Vida, ou ignorantes da maravilha da Existência Cotidiana?"&lt;br /&gt;O sábio declarou, enfim:&lt;br /&gt;"Avancem e recuem ao mesmo tempo, com fluidez e humildade!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;169. Entender&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, o monge Ch'uang-tze perguntou ao Mestre Ching-feng:&lt;br /&gt;"O que é o Buddha?"&lt;br /&gt;O mestre disse:&lt;br /&gt;"O Deus do fogo busca pelo fogo."&lt;br /&gt;O monge ficou eufórico e saiu gritanto da entrevista, feliz, afirmando:&lt;br /&gt;"Eu entendi!!! Eu REALMENTE entendi!!!!"&lt;br /&gt;Ainda muito feliz consigo mesmo, ele voltou até o seu próprio mestre, Yang-ki, e este lhe perguntou:&lt;br /&gt;"O que aprendestes com Ching-feng?"&lt;br /&gt;"O Deus do fogo, que é em si o fogo, busca sua natureza em outro lugar!! Eu, que sou Buddha, busco o Buddha fora de mim!!!!" afirmava o monge, orgulhoso e feliz de sua descoberta. Yang-ki comentou, triste:&lt;br /&gt;"Eu pensei que vós tivésseis entendido, mas agora vejo que nada entendeu realmente." E foi-se embora.&lt;br /&gt;O monge ficou pasmo. Pensou: 'O que?! Como é possível que eu não tenham entendido?! Como posso estar errado?'. Ele correu até Yang-ki e pediu-lhe, desesperado:&lt;br /&gt;"ESPERE! ESPERE! Dizei-me enfim: O QUÊ É BUDDHA?"&lt;br /&gt;O mestre replicou:&lt;br /&gt;"O Deus do fogo vem buscar o fogo."&lt;br /&gt;O monge, neste momento, experimentou o Satori.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;170. Conflito - Amor ou Paixão?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia uma monja chamada Eshun, que era uma mulher muito bonita. Um jovem monge apaixonou-se por ela. Sem poder resistir ao sentimento, escreveu-lhe uma carta propondo um encontro às escondidas.&lt;br /&gt;No dia seguinte ao fato, tão logo o Mestre terminar a palestra, Eshun levantou-se e disse para o monge, em frente a todos:&lt;br /&gt;"Vós me enviastes uma carta se dizendo enamorado. Entretanto, o Amor não é algo para ser realizado às escondidas, pois ele é pleno e sincero. Se vós realmente me amais e não simplesmente me desejais, venha aqui e abrace-me em frente a todos. O que há para esconder?"&lt;br /&gt;Mas o monge abaixou a cabeça envergonhado. Na verdade, o que sentia não passava de luxúria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;171. O Mestre Certo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os mestres Da-yu e Yu-tang aceitaram o convite para ensinar um alto oficial imperial sobre o Zen. Ao chegar Yu-tang apressou-se em dizer, politicamente:&lt;br /&gt;"Vós pareceis um homem inteligente e receptivo, e isso é muito bom! Creio que serias um bom aprendiz Zen."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Da-yu replicou, sem preocupar-se com suavidades:&lt;br /&gt;"O que dizeis?! Este tolo pode ter uma alta posição, mas não perceberia o Zen nem se este lhe caísse na cabeça!"&lt;br /&gt;O oficial, após ouvir os comentários, disse:&lt;br /&gt;"Ouvindo o que ouvi, agora sei o que fazer para entender o Zen."&lt;br /&gt;A partir de então, tornou-se estudande sob a orientação de Da-yu...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;172. Transitoriedade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:&lt;br /&gt;"Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil..."&lt;br /&gt;Mas outra onda do oceano lhe disse:&lt;br /&gt;"Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoísticamente por aquilo que não és, e mergulhas em auto-piedade!"&lt;br /&gt;"Mas," replicou a pequena onda,"se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?"&lt;br /&gt;"Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!"&lt;br /&gt;"Água? E o que é água?"&lt;br /&gt;"Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contemples a transitoriedade à tua volta, tenhas coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egóica insatisfação..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;173. Vento Zen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Num certo templo o monge principal disse para um jovem acólito:&lt;br /&gt;"Hoje faz um calor insuportável!!! Vás buscar um pouco de ar fresco para mim lá na Montanha da Fronteira, rápido!"&lt;br /&gt;O monge toma um saco grande de linho e parte para a montanha, que se erguia imponente à frente do templo. No meio do caminho ele fica cansado, e resolver deitar-se um pouco para apenas descansar as costas. Mas logo se rende à fadiga e dorme profundamente. Quando acorda já é quase noite!&lt;br /&gt;"Adormeci!", pensa ele, "Que vou fazer? Se eu voltar sem o vento, o superior me fará passar maus bocados!!!"&lt;br /&gt;Após alguns minutos de reflexão, ele exclama:&lt;br /&gt;"Já sei o que fazer!"&lt;br /&gt;Ele levanta-se, ergue seu manto, coloca a boca do saco no traseiro e começa a soltar muitos "Pums", até que o saco fica cheio... Depois, com o saco na mão, retorna ao templo.&lt;br /&gt;O monge principal o repreende, rabugento:&lt;br /&gt;"Idiota! Estás atrasado!! Faz horas que estou à tua espera! Espero que tenha trazido um vento BEEEM fresco! Vamos, ponha o vento para fora!"&lt;br /&gt;"Sim, senhor," diz o jovem, abrindo o saco...&lt;br /&gt;"MISERICÓRDIA!!!!! QUE BAFO!!!!!", exclama o superior, "O vento hoje está uma fedentina!!"&lt;br /&gt;O jovem monge, malandramente disfarçando, comenta muito sério:&lt;br /&gt;"É o calor, senhor! Em dias como esse, até o vento cheira mal..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;174. Onde Vai?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em dois mosteiros vizinhos viviam dois jovens monges muito amigos. De manhã, sempre os monges se encontravam, cada um cuidando de seus afazeres. Certo dia, um dos monges estava varrendo o pátio de seu templo e, vendo aproximar-se o amigo, perguntou:&lt;br /&gt;"Olá! Onde vais?"&lt;br /&gt;O amigo respondeu, feliz:&lt;br /&gt;"Vou aonde meus pés me levarem..."&lt;br /&gt;O monge ficou intrigado com a resposta e comentou com seu mestre. Este lhe disse:&lt;br /&gt;"Da próxima vez, diga-lhe: 'E se não tivesses pés?'"&lt;br /&gt;Quando o jovem noviço viu o amigo de novo na manhã seguinte, fez a mesma pergunta já antecipando o momento em que pegaria o amigo de jeito, desta vez:&lt;br /&gt;"Onde vais?"&lt;br /&gt;Mas o outro disse:&lt;br /&gt;"Aonde o vento me levar!"&lt;br /&gt;O monge ficou frustado! Voltou ao mestre e contou a nova resposta, e este, sorrindo, disse:&lt;br /&gt;"Da próxima vez, diga-lhe: 'E se o vento parasse de soprar?'"&lt;br /&gt;O jovem monge ficou encantado com a idéia:&lt;br /&gt;"Sim, sim! Essa é boa! Agora ele não me escapa!"&lt;br /&gt;No dia seguinte, ao amanhecer, ele viu seu amigo aproximando-se de novo. Perguntou-lhe:&lt;br /&gt;"Olá! Onde vais?"&lt;br /&gt;O amigo parou, sorriu-lhe, e falou suavemente:&lt;br /&gt;"Simplesmente vou ao mercado, meu amigo...", e seguiu seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;175. Predestinação Imprevisível&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certa vez um budista leigo chamado Pang foi visitar Yao-shan. Quando estava indo embora, o mestre pediu a dois hóspedes do mosteiro:&lt;br /&gt;"Por favor, acompanhem-no até o portão."&lt;br /&gt;Ao sair pela portão, Pang percebeu que começava a nevar. Maravilhado, comentou para seus companheiros:&lt;br /&gt;"Ah, que lindo, vejam estes flocos de neve! Todos caindo no lugar certo!"&lt;br /&gt;Um dos praticantes, riu-se arrogantemente e replicou, debochado:&lt;br /&gt;"Ah! E onde deveriam cair exatamente flocos de neve?"&lt;br /&gt;Pang virou-se e exclamou:&lt;br /&gt;"IDIOTA! Olhe para você! Seus olhos vêem como um cego e sua boca fala como um mudo! E ainda se considera um praticante Zen!"&lt;br /&gt;Koan: Qual o destino do que é impermanente e relativo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;176. Autopiedade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dois velhos amigos se encontraram, após muitos anos. Entretanto, a vida tinha levado um a se tornar muito rico e o outro miserável.&lt;br /&gt;Eles ficaram juntos muitas horas, trocando remininscências e bebendo saquê. O homem rico era muito generoso e afável, mas seu amigo só sabia se entregar à autopiedade. Após certo tempo, o homem miserável adormeceu, e seu amigo, condoído com sua condição, resolveu lhe dar uma dádiva e antes de partir introduziu-lhe no bolso um belo diamante. "Se meu pobre amigo estiver em dificuldades poderá conseguir uma boa soma com a venda desta jóia", pensou o bom homem.&lt;br /&gt;Anos se passaram e os dois amigos de novo se encontraram. Mas o homem miserável continuava assim, e ainda se lamentando.&lt;br /&gt;"Mas como ainda estás tão pobre depois de tantos anos?", perguntou o rico, surpreso.&lt;br /&gt;"Pobre de mim!", lamuriou-se o outro, "Sou inútil, e ninguém se importa comigo! Sou incapaz de ganhar dinheiro para sobreviver!"&lt;br /&gt;"Tua autopiedade e egoísmo te fizeram um tolo! Não fosse tua profunda cegueira auto-indulgente, poderias há muito ter percebido o tesouro que deixei em teu bolso!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;177. Entender&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tozan perguntou a seu mestre Ungan:&lt;br /&gt;"Quem pode entender o ensinamento das coisas não sensíveis?"&lt;br /&gt;Ungan respondeu:&lt;br /&gt;"Só as coisas não sensíveis podem entender o ensinamento das coisas não sensíveis."&lt;br /&gt;Tozan então questionou:&lt;br /&gt;"Para assim me responder vós entendestes ou experimentastes este ensinamento?"&lt;br /&gt;Ungan afirmou:&lt;br /&gt;"Se eu pudesse entendê-lo, tu não o poderias."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;178. A bela noite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Baso e seus três discípulos, Hyakujo, Nansen e Chizu (o nome deste último significa "armazén de Sabedoria"), contemplavam, juntos, a bela lua de Outono.&lt;br /&gt;Hyakujo disse:&lt;br /&gt;"Esta é uma noite ideal para realizar-se uma cerimônia buddhista!"&lt;br /&gt;Nansen disse:&lt;br /&gt;"Esta noite é perfeita para fazer zazen."&lt;br /&gt;Mas Chizu nada disse. Contemplava, com um suave sorriso, a bela lua naquela linda noite...&lt;br /&gt;O Mestre Baso então comentou:&lt;br /&gt;"O Sutra acabou de preencher o "armazén de Sabedoria". Depois retornou ao Oceano, ao Universo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Extraído do site http://www.bushido-online.com.br/download/contos.pdf&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-1035801257357696250?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/1035801257357696250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=1035801257357696250' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/1035801257357696250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/1035801257357696250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/koans-e-contos-zen-buddhistas.html' title='Koans e Contos Zen Buddhistas'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0twebltOVI/AAAAAAAALBk/WKjSF9xK8cE/s72-c/ushuaia1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-6971319599286392295</id><published>2010-01-11T09:33:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T09:47:35.748-08:00</updated><title type='text'>Há Mil Sóis em Mim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0tf6WX1zfI/AAAAAAAALBU/9UDJ__t9SWM/s1600-h/Sun-3D-Screensaver.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0tf6WX1zfI/AAAAAAAALBU/9UDJ__t9SWM/s400/Sun-3D-Screensaver.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425535632140520946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo", diz o salmista, e depois o repete Jesus Cristo, Filho de Deus. "Todavia, como homem, morrereis".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o espírito do homem é a mesma essência do espírito de Deus, diferente apenas em escala e em pureza, pois Deus é santo e perfeito, e o espírito humano é imperfeito e pecador, em termos dos atributos da Divindade ele partilha do mesmo caráter e atributos da imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é espírito infinito, nós, filhos dEle, somos espíritos infinitesimais. O mistério é que cada gota deste Oceano tem autoconsciência como ser parcial, limitado, distinto, e ao mesmo tempo é parte deste Todo. Ao mesmo tempo somos gota, e parte do Oceano. "Quem me vê a mim vê ao Pai", diz Cristo a Felipe, "E como perguntas a mim: ´Mostra-nos o Pai´? Não crede que o Pai está em mim, e Eu no Pai? Crede-me, pelo menos, por causa das mesmas obras". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo o espírito gerado por Deus, Pai dos espíritos, e sendo nós imagem e semelhança dele... Pode-se matar o corpo, mas... pode-se matar o espírito? Como pode ele ser aniquilado, sendo energia e gerado pelo sopro do Eterno? Tu és pó, e ao pó tornarás... E: "E o corpo volte ao pó, tal qual era, e o espírito volte a Deus, que o deu... Vaidade das vaidades, diz o Pregador, tudo é vaidade!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus pode matar os espíritos que gerou? Ou, trazer de volta para seu ventre, como um grande Big-Bang, os seres que vieram dele? Será que somos a respiração de Deus, ou seus pensamentos? Será que ele nos expira, e vivemos, e nos inspira, e voltamos a ele? Será se esse é um eterno retorno, um ciclo eterno da Lila de Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sei ao certo é que Cristo vive em mim, que Deus habita em mim, que fez repousar para sempre seu Espírito Santo em mim. E sei que isto é o céu. O céu é onde Deus está, o Reino de Deus está dentro de mim! Haja o que houver, por toda eternidade, ninguém pode me separar de Cristo, que está em mim! Nem céu nem inferno sem Cristo e sem Deus. NELe, dELe e por Ele são todas as coisas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquele que recebe ao Espírito Santo, o seu espírito está unido ao Espírito de Deus, como os galhos de uma árvore.Pode-se pensar num espírito como um átomo isolado, girando em torno de um núcleo, Deus? Ou, na verdade, espírito sendo energia é tudo relacionado, como as gotas e o oceano são indissociáveis? Se Espírito é energia, não há distinção, Espírito e espírito são um em essência, embora distintos em autoconsciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus habita em mim. Seu Espírito habita em mim. Incrível, isto! O Espírito de Cristo habita em mim. Que verdade poderosa, tremenda, eletrizante, entusiástica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um dinamite dentro de mim, tenho o poder de mil sóis dentro de mim. O Amor, A Sabedoria, A Verdade, a Perfeição, A Sanidade, A Santidade, A Plenitude da Divindade está em mim. Se Deus está em mim, quem será contra mim? Se Deus está em mim, não hei de temer a morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo posso nAquele que me fortalece! Sou templo do Espírito Santo, Filho de Deus, herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo. Se com ele sofrermos, para que com Ele sejamos glorificados! (S. Paulo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação! Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem, porque as que se vêem são passageiras, mas as que não se vêem são eternas. (S.Paulo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o poder reside em mim, embora não seja eu. Está em mim, repousa em mim, como o vinho do odre, com a luz da lâmpada, como o óleo do vaso. Eu sou vaso de barro, a Luz de Deus habita em mim. Meu espírito é um com o Espírito de Deus, e me transforma de glória em glória na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-6971319599286392295?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/6971319599286392295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=6971319599286392295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/6971319599286392295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/6971319599286392295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/ha-mil-sois-em-mim.html' title='Há Mil Sóis em Mim'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0tf6WX1zfI/AAAAAAAALBU/9UDJ__t9SWM/s72-c/Sun-3D-Screensaver.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-4329816971515334234</id><published>2010-01-06T03:56:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T09:33:16.211-08:00</updated><title type='text'>As histórias de Mullah Nasrudin</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0R6-2YH-LI/AAAAAAAALBE/RB-oiTyVPaI/s1600-h/Nasruddin.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 361px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0R6-2YH-LI/AAAAAAAALBE/RB-oiTyVPaI/s400/Nasruddin.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423595071428098226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos personagens sufis que mais aprecio é o Mullah Nasrudin. Sua sabedoria prática, e, ao mesmo tempo, profunda, tal qual a dos mestres zen e seus koans, mostrando que a verdade é um óbvio ululante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A felicidade não está onde se procura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasrudin encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminho e perguntou-lhe os motivos de tanta aflição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não há nada na vida que interesse, irmão”, disse o homem. “Tenho dinheiro suficiente para não precisar trabalhar e estou nesta viagem só para procurar algo mais interessante do que a vida que levo em casa. Até agora, eu nada encontrei.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estrada abaixo, correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz de tomar uma boa distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando o caminho por vários atalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem que havia roubado. Colocou a mochila bem do lado da estrada e escondeu-se à espera do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa, mais infeliz do que nunca pela perda da mochila. Assim que viu sua propriedade bem ali, à mão, correu para pegá-la, dando gritos de alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa é uma maneira de se produzir felicidade”, disse Nasrudin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Como Nasrudin criou a verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estas leis não tornam melhores as pessoas”, disse Nasrudin ao Rei; “elas devem praticar certas coisas de forma a sintonizarem-se com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei decidiu que poderia fazer que as pessoas observassem a verdade – e o faria. Ele poderia fazê-las praticar a autenticidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acesso a sua cidade era feito por uma ponte, sobre a qual o Rei ordenou que fosse construída uma forca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os portões foram abertos ao alvorecer do dia seguinte, o Capitão da Guarda estava postado à frente de um pelotão para averiguar todos os que ali entrassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um édito foi proclamado: “Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso permitido. Se mentir, será enforcado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasrudin deu um passo à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aonde vai?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estou a caminho da forca”, respondeu Nasrudin calmamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não acreditamos em você!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Muito bem, se estiver mentindo, enforquem-me!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso mesmo: agora sabem o que é a verdade: a sua verdade!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Os melhores conselhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasrudin começou a construir uma casa : seus amigos, que tinham cada um sua própria casa, e eram carpinteiros, pedreiros, o rodearam de conselhos. Mullá estava radiante. Um após outro, e às vezes todos juntos, disseram-lhe o que fazer. Nasrudin seguia docilmente as instruções que cada um lhe dava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a construção terminou, ela não se parecia em nada com uma casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que curioso! – disse Nasrudin – e contudo eu fiz exatamente aquilo que cada um de vocês me tinha dito para fazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;O barco e o homem letrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dada ocasião, Nasrudin estava em um barco com um homem letrado, quando o Mullá disse algo que contrariava as regras gramaticais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca estudou gramática? – perguntou o estudioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, nunca – respondeu Nasrudin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nesse caso, metade de sua vida se perdeu – retrucou o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasrudin ficou em silêncio durante algum tempo, quando finalmente falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca aprendeu a nadar? – disse o Mullá ao homem letrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, nunca – este respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, nesse caso, toda a sua vida se perdeu. Estamos afundando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;O anúncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo juntou-se um grande número de pessoas, com todo mundo gritando: “Queremos, queremos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Excelente!”, disse o Mullá. “Era só para saber. Podem confiar em mim, que lhes contarei tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Há mais luz por aqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém viu Nasrudin procurando alguma coisa no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que é que você perdeu, Mullá?”, perguntou-lhe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Minha chave”, respondeu o Mullá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, os dois se ajoelharam para procurá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco depois, o sujeito perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Onde foi exatamente que você perdeu esta chave?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na minha casa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Então por que você está procurando por aqui?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Porque aqui tem mais luz.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;O Tolo que era Sábio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasrudin lhe respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cheio de sabedoria acrescentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes, é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e usar fazendo tolices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;O sermão de Nasrudin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele concordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não, não sabemos”, responderam em uníssono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja”, disse o Mullá, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu do púlpito e foi para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudin fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, sabemos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Neste caso”, disse o Mullá, “não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora.” E voltou para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sabem ou não sabem?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A congregação estava preparada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Alguns sabem, outros não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Excelente”, disse Nasrudin, “então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimento para àqueles que não sabem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi para casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-4329816971515334234?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/4329816971515334234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=4329816971515334234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4329816971515334234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4329816971515334234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/um-dos-personagens-sufis-que-mais.html' title='As histórias de Mullah Nasrudin'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0R6-2YH-LI/AAAAAAAALBE/RB-oiTyVPaI/s72-c/Nasruddin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-3676324782729638729</id><published>2010-01-05T09:28:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T09:33:58.512-08:00</updated><title type='text'>OS RUBAYAT</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0N3UqYqdtI/AAAAAAAALA8/XqZwFQaFX8Y/s1600-h/Rubaiyat-Omar-Khayyam-Club-of-America-1921.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 369px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0N3UqYqdtI/AAAAAAAALA8/XqZwFQaFX8Y/s400/Rubaiyat-Omar-Khayyam-Club-of-America-1921.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423309573143033554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS RUBAYAT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Noite, silêncio, folhas imóveis;&lt;br /&gt;    imóvel o meu pensamento.&lt;br /&gt;    Onde estás, tu que me ofereceste a taça?&lt;br /&gt;    Hoje caiu a primeira pétala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Eu sei, uma rosa não murcha&lt;br /&gt;    perto de quem tu agora sacias a sede;&lt;br /&gt;    mas sentes a falta do prazer que eu soube te dar,&lt;br /&gt;    e que te fez desfalecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Acorda... e olha como o sol em seu regresso&lt;br /&gt;    vai apagando as estrelas do campo da noite;&lt;br /&gt;    do mesmo modo ele vai desvanecer&lt;br /&gt;    as grandes luzes da soberba torre do Sultão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Omar Khayyam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1&lt;br /&gt;    Nunca murmurei uma prece,&lt;br /&gt;    nem escondi os meus pecados.&lt;br /&gt;    Ignoro se existe uma Justiça, ou Misericórdia;&lt;br /&gt;    mas não desespero: sou um homem sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    2&lt;br /&gt;    O que vale mais? Meditar numa taverna,&lt;br /&gt;    ou prosternado na mesquita implorar o Céu?&lt;br /&gt;    Não sei se temos um Senhor,&lt;br /&gt;    nem que destino me reservou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    3&lt;br /&gt;    Olha com indulgência aqueles que se embriagam;&lt;br /&gt;    os teus defeitos não são menores.&lt;br /&gt;    Se queres paz e serenidade, lembra-te&lt;br /&gt;    da dor de tantos outros, e te julgarás feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    4&lt;br /&gt;    Que o teu saber não humilhe o teu próximo.&lt;br /&gt;    Cuidado, não deixes que a ira te domine.&lt;br /&gt;    Se esperas a paz, sorri ao destino que te fere;&lt;br /&gt;    não firas ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    5&lt;br /&gt;    Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.&lt;br /&gt;    Apanha um grande copo cheio de vinho,&lt;br /&gt;    senta-te ao luar, e pensa:&lt;br /&gt;    Talvez amanhã a lua me procure em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    6&lt;br /&gt;    Não procures muitos amigos, nem busques prolongar&lt;br /&gt;    a simpatia que alguém te inspirou;&lt;br /&gt;    antes de apertares a mão que te estendem,&lt;br /&gt;    considera se um dia ela não se erguerá contra ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    7&lt;br /&gt;    Alcorão, o livro supremo, pode ser lido às vezes,&lt;br /&gt;    mas ninguém se deleita sempre em suas páginas.&lt;br /&gt;    No copo de vinho está gravado um texto de adorável&lt;br /&gt;    sabedoria que a boca lê, a cada vez com mais delícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    8&lt;br /&gt;    Há muito tempo, esta ânfora foi um amante,&lt;br /&gt;    como eu: sofria com a indiferença de uma mulher;&lt;br /&gt;    a asa curva no gargalo é o braço que enlaçava&lt;br /&gt;    os ombros lisos da bem amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    9&lt;br /&gt;    Que pobre o coração que não sabe amar&lt;br /&gt;    e não conhece o delírio da paixão.&lt;br /&gt;    Se não amas, que sol pode te aquecer,&lt;br /&gt;    ou que lua te consolar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    10&lt;br /&gt;    Hoje os meus anos reflorescem.&lt;br /&gt;    Quero o vinho que me dá calor.&lt;br /&gt;    Dizes que é amargo? Vinho!&lt;br /&gt;    Que seja amargo, como a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    11&lt;br /&gt;    É inútil a tua aflição;&lt;br /&gt;    nada podes sobre o teu destino.&lt;br /&gt;    Se és prudente, toma o que tens à mão.&lt;br /&gt;    Amanhã... que sabes do amanhã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    12&lt;br /&gt;    Além da Terra, pelo Infinito,&lt;br /&gt;    procurei, em vão, o Céu e o Inferno.&lt;br /&gt;    Depois uma voz me disse:&lt;br /&gt;    Céu e Inferno estão em ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    13&lt;br /&gt;    Não vamos falar agora, dá-me vinho. Nesta noite&lt;br /&gt;    a tua boca é a mais linda rosa, e me basta.&lt;br /&gt;    Dá-me vinho, e que seja vermelho como os teus lábios;&lt;br /&gt;    o meu remorso será leve como os teus cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    14&lt;br /&gt;    Tenho igual desprezo por libertinos ou devotos.&lt;br /&gt;    Quem irá dizer se terão o Céu ou o Inferno?&lt;br /&gt;    Conheces alguém que visitou esses lugares?&lt;br /&gt;    E ainda queres encher o mar com pedras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    15&lt;br /&gt;    Na sombra azulada do jardim&lt;br /&gt;    o ar da primavera renova as rosas&lt;br /&gt;    e ilumina os meigos olhos da minha amada.&lt;br /&gt;    Ontem, amanhã... é tão grande o prazer agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    16&lt;br /&gt;    Bebo, mas não sei quem te fez, ó grande ânfora;&lt;br /&gt;    podes conter três medidas de vinho, mas um dia&lt;br /&gt;    a Morte te quebrará. Numa outra hora perguntarei&lt;br /&gt;    como foste criada, se foste feliz, ou por que serás pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    17&lt;br /&gt;    Como o rio, ou como o vento,&lt;br /&gt;    vão passando os dias.&lt;br /&gt;    Há dois dias que me são indiferentes:&lt;br /&gt;    O que foi ontem, o que virá amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    18&lt;br /&gt;    Não me lembro do dia em que nasci;&lt;br /&gt;    não sei em que dia morrerei.&lt;br /&gt;    Vem, minha doce amiga, vamos beber desta taça&lt;br /&gt;    e esquecer a nossa incurável ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    19&lt;br /&gt;    Khayyam, enquanto erguias a tenda da Sabedoria,&lt;br /&gt;    caíste na fogueira da dor; agora és cinzas.&lt;br /&gt;    O Anjo Azrail cortou as cordas da tua tenda&lt;br /&gt;    e a Morte vendeu-a por uma ninharia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    20&lt;br /&gt;    É inútil te afligires por teres pecado;&lt;br /&gt;    também é inútil a tua contrição:&lt;br /&gt;    além da morte estará o Nada,&lt;br /&gt;    ou a Misericórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    21&lt;br /&gt;    Cristãos, judeus, muçulmanos, rezam,&lt;br /&gt;    com medo do inferno; mas se realmente soubessem&lt;br /&gt;    dos segredos de Deus, não iam plantar&lt;br /&gt;    as mesquinhas sementes do medo e da súplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    22&lt;br /&gt;    Na estação das rosas procuro um campo florido&lt;br /&gt;    e sento-me à sombra com uma linda mulher;&lt;br /&gt;    não cuido da minha salvação: tomo o vinho&lt;br /&gt;    que ela me oferece; senão, o que valeria eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    23&lt;br /&gt;    O vasto mundo: um grão de areia no espaço.&lt;br /&gt;    A ciência dos homens: palavras. Os povos,&lt;br /&gt;    os animais, as flores dos sete climas: sombras.&lt;br /&gt;    O profundo resultado da tua meditação: nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    24&lt;br /&gt;    Eu estava com sono e a Sabedoria me disse:&lt;br /&gt;    A rosa da felicidade não se abre para quem dorme;&lt;br /&gt;    por quê te entregares a esse irmão da morte?&lt;br /&gt;    Bebe vinho; tens tantos séculos para dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    25&lt;br /&gt;    Admito que já resolveste o enigma da Criação;&lt;br /&gt;    e o teu destino? Aceito que desvendaste a Verdade;&lt;br /&gt;    e o teu destino? Está bem, viveste cem anos felizes&lt;br /&gt;    e ainda tens muitos para viver; e o teu destino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    26&lt;br /&gt;    Ninguém desvendará o Mistério. Nunca saberemos&lt;br /&gt;    o que se oculta por trás das aparências.&lt;br /&gt;    As nossas moradas são provisórias, menos aquela última.&lt;br /&gt;    Não vamos falar, toma o teu vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    27&lt;br /&gt;    Olha, um dia a alma deixará o teu corpo&lt;br /&gt;    e ficarás por trás do véu, entre o Universo&lt;br /&gt;    e o desconhecido. Enquanto não chega a hora,&lt;br /&gt;    procura ser feliz. Para onde irás depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    28&lt;br /&gt;    Os sábios mais ilustres caminharam nas trevas da ignorância,&lt;br /&gt;    e eram os luminares do seu tempo.&lt;br /&gt;    O que fizeram? Balbuciaram algumas frases confusas,&lt;br /&gt;    e depois adormeceram, cansados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    29&lt;br /&gt;    A vida é um jogo monótono que dá dois prêmios:&lt;br /&gt;    A Dor e a Morte.&lt;br /&gt;    Feliz a criança que expirou ao nascer;&lt;br /&gt;    mais feliz quem não veio ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    30&lt;br /&gt;    Na feira que atravessas não procures amigos&lt;br /&gt;    ou abrigo seguro. Aceita a dor que não tem remédio&lt;br /&gt;    e sorri ao infortúnio; não esperes que te sorriam:&lt;br /&gt;    Seria tempo perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    31&lt;br /&gt;    O mundo gira, distraído dos cálculos dos sábios.&lt;br /&gt;    Renuncia à vaidade de contar os astros&lt;br /&gt;    e lembra-te: vais morrer, não sonharás mais,&lt;br /&gt;    e os vermes da terra cuidarão do teu cadáver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    32&lt;br /&gt;    Aquele que criou o Universo e as estrelas&lt;br /&gt;    exagerou quando inventou a dor.&lt;br /&gt;    Lábios vermelhos como rubis, cabelos perfumados,&lt;br /&gt;    quantos sois no mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    33&lt;br /&gt;    Velho mundo sob o passo do cavalo branco e negro&lt;br /&gt;    dos dias e das noites, és o palácio triste onde mil Djenchids&lt;br /&gt;    sonharam com a glória e mil Bahrams com o amor,&lt;br /&gt;    e a cada manhã acordavam chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    34&lt;br /&gt;    Sono sobre a terra, sono debaixo da terra.&lt;br /&gt;    Sobre a terra, sob a terra: homens deitados.&lt;br /&gt;    Nada em toda a parte. Deserto.&lt;br /&gt;    Homens chegam, outros partem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    35&lt;br /&gt;    Enquanto o rouxinol lhe entoava um hino,&lt;br /&gt;    murchou a bela rosa por causa do vento sul.&lt;br /&gt;    Lamentaremos por ela ou por nós?&lt;br /&gt;    Quando morrermos, outra rosa desabrochará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    36&lt;br /&gt;    Se não tiveste a recompensa que merecias,&lt;br /&gt;    não te importes, não esperes nada;&lt;br /&gt;    já estava tudo nas páginas daquele livro&lt;br /&gt;    que o vento da eternidade vai virando ao acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    37&lt;br /&gt;    Quando me falam das delícias que na outra vida&lt;br /&gt;    os eleitos irão gozar, respondo:&lt;br /&gt;    Confio no vinho, não em promessas;&lt;br /&gt;    o som dos tambores só é belo ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    38&lt;br /&gt;    Bebe vinho, ele te devolverá a mocidade,&lt;br /&gt;    a divina estação das rosas, da vida eterna,&lt;br /&gt;    dos amigos sinceros. Bebe, e desfruta&lt;br /&gt;    o instante fugidio que é a tua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    39&lt;br /&gt;    Bebe o teu vinho. Vais dormir muito tempo&lt;br /&gt;    debaixo da terra, sem amigos, sem mulheres.&lt;br /&gt;    Confio-te um grande segredo:&lt;br /&gt;    As tulipas murchas não reflorescem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    40&lt;br /&gt;    Baixinho a argila dizia&lt;br /&gt;    ao oleiro que a torneava:&lt;br /&gt;    Já fui como tu, não te esqueças,&lt;br /&gt;    não me maltrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    41&lt;br /&gt;    Oleiro, vai com cuidado, trata bem a argila&lt;br /&gt;    com que Adão foi conformado.&lt;br /&gt;    Vejo no torno que moves a mão de Feridun,&lt;br /&gt;    o coração de Khosru... o que fizeste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    42&lt;br /&gt;    A tulipa rubra nasce no campo que foi regado&lt;br /&gt;    pelo sangue de um altivo rei.&lt;br /&gt;    A violeta brota do sinal de beleza que palpitava&lt;br /&gt;    na face de uma doce adolescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    43&lt;br /&gt;    Há tanto tempo giram os astros no espaço;&lt;br /&gt;    há tanto tempo se revezam os dias e as noites.&lt;br /&gt;    Anda de leve na terra, talvez aonde vais pisar&lt;br /&gt;    ainda estejam os olhos meigos de um adolescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    44&lt;br /&gt;    As raízes do narciso que se inclina suave,&lt;br /&gt;    bebem a vida nos lábios mortos de uma mulher.&lt;br /&gt;    Pisa leve a relva macia, ela nasce das cinzas&lt;br /&gt;    de rostos tão belos quanto as tulipas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    45&lt;br /&gt;    O oleiro ia modelando as alças e os contornos&lt;br /&gt;    de uma ânfora. O barro que ele conformava&lt;br /&gt;    era feito de crânios de sultões&lt;br /&gt;    e mãos de mendigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    46&lt;br /&gt;    O bem e o mal se entrelaçam no mundo.&lt;br /&gt;    Não agradeças ao Céu&lt;br /&gt;    pela sorte que te coube, nem o acuses:&lt;br /&gt;    Ele é indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    47&lt;br /&gt;    Se em teu coração cultivaste a rosa do amor,&lt;br /&gt;    quer tenhas procurado ouvir a voz de Deus,&lt;br /&gt;    ou esgotado a taça do prazer,&lt;br /&gt;    a tua vida não foi em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    48&lt;br /&gt;    Vai com prudência, viajante.&lt;br /&gt;    A estrada é perigosa, a adaga do destino&lt;br /&gt;    é acerada. Não colhas as amêndoas doces,&lt;br /&gt;    são venenosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    49&lt;br /&gt;    Um jardim florido, uma bela mulher, e vinho.&lt;br /&gt;    Eis o meu prazer e a minha amargura,&lt;br /&gt;    o meu paraíso e o meu inferno.&lt;br /&gt;    Mas quem sabe o que é Céu e o que é Inferno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    50&lt;br /&gt;    Com a tua face como a rosa, com o teu rosto belo,&lt;br /&gt;    como o de um ídolo chinês, não sabes&lt;br /&gt;    o que o teu olhar faz do rei da Babilônia?&lt;br /&gt;    Um bispo do xadrez, que foge da rainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    51&lt;br /&gt;    A vida passa. O que resta de Bagdad e Balk?&lt;br /&gt;    A aragem mais leve é fatal à rosa já desabrochada.&lt;br /&gt;    Bebe o vinho, e contempla a lua:&lt;br /&gt;    lembra-te das civilizações que ela já viu morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    52&lt;br /&gt;    Ouve o que a Sabedoria diz todos os dias:&lt;br /&gt;    A vida é breve.&lt;br /&gt;    Não te esqueças, não és como certas plantas&lt;br /&gt;    que rebrotam depois de cortadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    53&lt;br /&gt;    Mestres e sábios morreram&lt;br /&gt;    sem se entenderem sobre o Ser e o Não Ser.&lt;br /&gt;    Nós, ignorantes, vamos apanhar as tenras uvas;&lt;br /&gt;    que os grandes homens se regalem com as passas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    54&lt;br /&gt;    O meu nascimento não aumentou o Universo,&lt;br /&gt;    nem a minha morte lhe fanará o esplendor.&lt;br /&gt;    Ninguém me dirá por quê vim ao mundo,&lt;br /&gt;    ou porquê um dia irei embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    55&lt;br /&gt;    Iremos nos perder na estrada do amor,&lt;br /&gt;    e o destino nos pisará, indiferente.&lt;br /&gt;    Vem, menina, taça encantada, dá-me de beber&lt;br /&gt;    em teus lábios, antes que eu me torne pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    56&lt;br /&gt;    Só de nome conhecemos a felicidade.&lt;br /&gt;    O nosso melhor amigo é o vinho;&lt;br /&gt;    afaga a única que te é fiel: a ânfora,&lt;br /&gt;    cheia do sangue das vinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    57&lt;br /&gt;    Não te inquietes, a vida é como um suspiro.&lt;br /&gt;    As cinzas de Djenchid e de Kai-Kobad volteiam&lt;br /&gt;    na poeira vermelha que tolda o ar.&lt;br /&gt;    O Universo é uma miragem, a vida é um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    58&lt;br /&gt;    Senta-te e bebe, felicidade que Mahmud não teve.&lt;br /&gt;    Escuta os sussuros dos amantes, são os Salmos de Davi.&lt;br /&gt;    Não te importes com o passado, não sondes o futuro,&lt;br /&gt;    não percas este instante: Eis a paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    59&lt;br /&gt;    Pessoas presunçosas e obtusas inventaram&lt;br /&gt;    diferenças entre o corpo e a alma.&lt;br /&gt;    Sei apenas que o vinho apaga as angústias&lt;br /&gt;    que nos atormentam, e nos devolve a calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    60&lt;br /&gt;    Que enigma os astros que andam pelo espaço.&lt;br /&gt;    Agarra-te à corda da sabedoria, Khayyam.&lt;br /&gt;    Presta atenção à vertigem&lt;br /&gt;    que faz cair perto de ti os teus companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    61&lt;br /&gt;    Não temo a morte. Prefiro esse ato inelutável&lt;br /&gt;    ao outro que me foi imposto no dia em que nasci.&lt;br /&gt;    O que é a vida, afinal? Um bem que me confiaram&lt;br /&gt;    sem me consultarem e que entregarei com indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    62&lt;br /&gt;    Estou velho, e a paixão que me inspiraste&lt;br /&gt;    vai me levar ao túmulo: não cesso de encher a taça.&lt;br /&gt;    Esta paixão tem razão contra mim:&lt;br /&gt;    o tempo estraga a minha bela rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    63&lt;br /&gt;    Podes me perseguir, miragem de outra ventura,&lt;br /&gt;    podes modular a tua voz, mas só escuto aquela&lt;br /&gt;    que já me encantou. Dizem-me: Deus te perdoará.&lt;br /&gt;    Recuso o perdão que não pedi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    64&lt;br /&gt;    Um pouco de pão, um pouco de água,&lt;br /&gt;    a sombra de uma árvore, e o teu olhar;&lt;br /&gt;    nenhum sultão é mais feliz do que eu,&lt;br /&gt;    e nenhum mendigo é mais triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    65&lt;br /&gt;    Tantos carinhos, tantas delícias,&lt;br /&gt;    tanta ternura no começo do nosso amor.&lt;br /&gt;    Mas agora o teu prazer&lt;br /&gt;    é dilacerar o meu coração. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    66&lt;br /&gt;    Vinho, bálsamo para o meu coração doente,&lt;br /&gt;    vinho da cor das rosas, vinho perfumado&lt;br /&gt;    para calar a minha dor. Vinho, e o teu alaúde&lt;br /&gt;    de cordas de seda, minha amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    67&lt;br /&gt;    Falam de um Criador...&lt;br /&gt;    e Ele deu forma às criaturas para destruí-las?&lt;br /&gt;    Por que são feias? Por que são belas?&lt;br /&gt;    Quem é o responsável? Não compreendo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    68&lt;br /&gt;    Todos pretendem andar pelo Caminho do Saber.&lt;br /&gt;    Uns o procuram, outros afirmam tê-lo encontrado.&lt;br /&gt;    Um dia uma grande voz dirá: Não há caminho,&lt;br /&gt;    nem atalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    69&lt;br /&gt;    Brinda ao resplendor da aurora, e dedica&lt;br /&gt;    o vinho vermelho desta taça, em forma de chama,&lt;br /&gt;    ou de tulipa, ao sorriso meigo de algum adolescente.&lt;br /&gt;    Bebe, e esquece que o punho da dor te prostrará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    70&lt;br /&gt;    Vinho! Que palpite em minhas veias,&lt;br /&gt;    que inunde a minha cabeça. Silêncio!&lt;br /&gt;    Tudo é mentira. Copos! Depressa!&lt;br /&gt;    Envelheci muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    71&lt;br /&gt;    Do meu túmulo virá um tal perfume de vinho&lt;br /&gt;    que embriagará os que por lá passarem,&lt;br /&gt;    e uma tal serenidade vai pairar ali,&lt;br /&gt;    que os amantes não quererão se afastar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    72&lt;br /&gt;    No turbilhão da vida são felizes aqueles&lt;br /&gt;    que presumindo saber tudo não se instruem.&lt;br /&gt;    Fui buscar os segredos do Universo e voltei&lt;br /&gt;    invejando os cegos que encontrei pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    73&lt;br /&gt;    Alguns amigos me dizem: Não bebas mais Khayyam.&lt;br /&gt;    Respondo: Quando bebo, ouço o que me dizem&lt;br /&gt;    as rosas, as tulipas, os jasmins;&lt;br /&gt;    ouço até o que não me diz a minha amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    74&lt;br /&gt;    Em que pensas? Nos que já morreram? São pó no pó.&lt;br /&gt;    Pensas nas virtudes que tiveram? Sim? Deixa-me sorrir.&lt;br /&gt;    Toma este copo, vamos beber; ouve sem inquietação&lt;br /&gt;    o vasto Silêncio do Universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    75&lt;br /&gt;    Não faças planos para amanhã.&lt;br /&gt;    Sabes se poderás terminar a frase que vais dizer?&lt;br /&gt;    Talvez amanhã estejamos tão longe deste albergue,&lt;br /&gt;    como os outros que já se foram há sete mil anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    76&lt;br /&gt;    Conquistador de corações, belo moço&lt;br /&gt;    de olhos brilhantes e altivo semblante,&lt;br /&gt;    senta-te e apanha um copo. Eu te contemplo,&lt;br /&gt;    e penso na ânfora que serás um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    77&lt;br /&gt;    Há muito tempo a minha mocidade se foi.&lt;br /&gt;    Primavera da minha vida, passaste como passaram&lt;br /&gt;    as outras primaveras: sem que eu percebesse.&lt;br /&gt;    Partiste, como se vão os melhores dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    78&lt;br /&gt;    Sente todos os perfumes, todas as cores,&lt;br /&gt;    todas as músicas; ama todas as mulheres.&lt;br /&gt;    Lembra-te que a vida é breve,&lt;br /&gt;    e que breve voltarás ao pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    79&lt;br /&gt;    Não terás paz na terra, e é tolice acreditar&lt;br /&gt;    no repouso eterno. Depois da morte&lt;br /&gt;    teu sono será breve: renascerás na erva&lt;br /&gt;    que será pisada, ou na flor que murchará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    80&lt;br /&gt;    O que realmente possuo?&lt;br /&gt;    O que restará de mim depois da morte?&lt;br /&gt;    É tão breve a vida, uma fogueira:&lt;br /&gt;    Chamas, e depois, cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    81&lt;br /&gt;    Convicção e dúvida, erro e verdade:&lt;br /&gt;    são palavras, como bolhas de ar;&lt;br /&gt;    brilhantes, ou baças: vazias,&lt;br /&gt;    como a existência dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    82&lt;br /&gt;    Escuta, isto ninguém te contou:&lt;br /&gt;    Quando a primeira alba clareou o mundo,&lt;br /&gt;    Adão já era uma criatura dolorosa,&lt;br /&gt;    que pedia a noite, ansiava a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    83&lt;br /&gt;    Não pedi para nascer. Recebo, sem espanto ou ira,&lt;br /&gt;    o que a vida me entrega. Um dia hei de partir;&lt;br /&gt;    não me importa saber qual o motivo&lt;br /&gt;    da minha misteriosa passagem pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    84&lt;br /&gt;    Colhe os frutos que a vida te oferece&lt;br /&gt;    e escolhe as taças maiores;&lt;br /&gt;    não creias que Deus vá fazer as contas&lt;br /&gt;    dos teus vícios e das tuas virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    85&lt;br /&gt;    Os meus cabelos estão brancos,&lt;br /&gt;    tenho setenta anos de idade.&lt;br /&gt;    Agarro agora a felicidade; amanhã,&lt;br /&gt;    talvez não me restem forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    86&lt;br /&gt;    Nunca procurei saber onde encontrar&lt;br /&gt;    o manto da mentira e do ardil,&lt;br /&gt;    mas sempre andei à procura&lt;br /&gt;    dos melhores vinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    87&lt;br /&gt;    Alguns sábios da Grécia sabiam propor enigmas?&lt;br /&gt;    É absoluta a minha indiferença por tanta inteligência.&lt;br /&gt;    Dá-me vinho, minha amiga; deixa-me ouvir o alaúde,&lt;br /&gt;    olha como lembra o vento que passa, como nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    88&lt;br /&gt;    É o mês do Ramadã. Amanhã o sol&lt;br /&gt;    vai iluminar uma cidade silenciosa;&lt;br /&gt;    os vinhos dormirão em suas urnas&lt;br /&gt;    e as mulheres à sombra dos bosques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    89&lt;br /&gt;    Somos os peões deste jogo do xadrez&lt;br /&gt;    que Deus trama. Ele nos move, lança-nos&lt;br /&gt;    uns contra os outros, nos desloca, e depois&lt;br /&gt;    nos recolhe, um a um, à Caixa do Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    90&lt;br /&gt;    A abóbada celeste se parece a uma taça emborcada;&lt;br /&gt;    sob ela, em vão, erram os sábios.&lt;br /&gt;    Ama a tua amada como a ânfora ama o copo;&lt;br /&gt;    olha, boca a boca, ela lhe dá o seu próprio sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    91&lt;br /&gt;    O amor que não consome, não é amor;&lt;br /&gt;    a brasa tem o mesmo calor de uma fogueira?&lt;br /&gt;    Aquele que ama, pelas noites e dias,&lt;br /&gt;    vai se consumindo no prazer e na dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    92&lt;br /&gt;    Não aprendeste nada com os sábios,&lt;br /&gt;    mas o roçar dos lábios de uma mulher em teu peito&lt;br /&gt;    pode te revelar a felicidade.&lt;br /&gt;    Tens os dias contados. Toma vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    93&lt;br /&gt;    O vinho dá-te o calor que não tens;&lt;br /&gt;    suaviza o jugo do passado e te alivia&lt;br /&gt;    das brumas do futuro; inunda-te de luz&lt;br /&gt;    e te liberta desta prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    94&lt;br /&gt;    Nunca rezei nas mesquitas, mas antes&lt;br /&gt;    ainda sentia uma tênue esperança.&lt;br /&gt;    Agora gosto de me sentar lá;&lt;br /&gt;    aquela sombra é propícia ao sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    95&lt;br /&gt;    Na terra cheia de cores alguém caminha:&lt;br /&gt;    não é muçulmano, não é infiel, nem pobre, nem rico;&lt;br /&gt;    não acredita na Verdade e não afirma nada.&lt;br /&gt;    Quem é esse, intrépido e triste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    96&lt;br /&gt;    Um dia pedi a um velho sábio&lt;br /&gt;    que me falasse sobre os que já se foram.&lt;br /&gt;    Ele disse:&lt;br /&gt;    Não voltarão. Eis o que sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    97&lt;br /&gt;    Olha, a rosa estremece ao sopro do vento;&lt;br /&gt;    um pássaro entoa um hino; uma nuvem paira.&lt;br /&gt;    Bebe, e esquece que o vento vai ressecar a rosa,&lt;br /&gt;    levar a nuvem refrescante e o canto do rouxinol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    98&lt;br /&gt;    Onde estão os nossos amigos? Já morreram?&lt;br /&gt;    Ainda os ouço na taverna...&lt;br /&gt;    já se foram? ou estarão embriagados&lt;br /&gt;    de tanto terem vivido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    99&lt;br /&gt;    Quando eu não mais viver, não haverá mais rosas,&lt;br /&gt;    nem lábios vermelhos, nem vinhos perfumados;&lt;br /&gt;    não haverá auroras, nem amores, nem penas:&lt;br /&gt;    o Universo terá acabado, pois ele é o meu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    100&lt;br /&gt;    Podes sondar a profunda noite que nos envolve&lt;br /&gt;    e ir pelo mistério adentro. Em vão.&lt;br /&gt;    Adão, Eva, como deve ter sido amargo aquele beijo&lt;br /&gt;    que nos gerou tão desesperançados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    101&lt;br /&gt;    Cansado de perguntar aos sábios, perguntei à taça:&lt;br /&gt;    Para onde irei depois da morte?&lt;br /&gt;    Ela me respondeu baixinho: Bebe em minha boca,&lt;br /&gt;    bebe longamente: não voltarás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    102&lt;br /&gt;    Eu estava numa olaria e mil ânforas murmuravam.&lt;br /&gt;    Então uma delas disse: Silêncio, deixem&lt;br /&gt;    que esse homem se lembre dos oleiros&lt;br /&gt;    e dos compradores de ânforas que já fomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    103&lt;br /&gt;    Nesta noite caem pétalas das estrelas,&lt;br /&gt;    mas o meu jardim ainda não está coberto delas.&lt;br /&gt;    Assim como o céu derrama flores sobre a terra,&lt;br /&gt;    verto em minha taça o vinho da cor das rosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    104&lt;br /&gt;    Queres saber como será o amanhã? Tolice.&lt;br /&gt;    Confia, ou o fado justificará os teus receios.&lt;br /&gt;    Não te apegues, não questiones livros nem pessoas,&lt;br /&gt;    nosso destino é insondável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    105&lt;br /&gt;    A aurora encheu de rosas a taça do céu,&lt;br /&gt;    e o último rouxinol canta o seu meigo canto;&lt;br /&gt;    e ainda há quem pense em honras e glórias...&lt;br /&gt;    Vem, menina... que sedosos são os teus cabelos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    106&lt;br /&gt;    Vai um cavaleiro pelas sombras do entardecer.&lt;br /&gt;    Aonde irá, por serras e por vales?&lt;br /&gt;    e onde estará deitado amanhã?&lt;br /&gt;    Sobre a terra, ou debaixo dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    107&lt;br /&gt;    O vinho é da cor das rosas;&lt;br /&gt;    talvez não seja o sangue das uvas, mas das rosas;&lt;br /&gt;    e o azul desta taça talvez seja o céu cristalizado;&lt;br /&gt;    e não seria a noite a pálpebra do dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    108&lt;br /&gt;    Mais outra aurora. Como em todas as manhãs,&lt;br /&gt;    deparo a beleza do mundo, e não posso agradecer:&lt;br /&gt;    há tantas rosas, tantos lábios. Vem minha amiga,&lt;br /&gt;    pousa o teu alaúde, os pássaros estão cantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    109&lt;br /&gt;    Homem ingênuo, pensas que és sábio&lt;br /&gt;    e estás sufocado entre os dois infinitos&lt;br /&gt;    do passado e do futuro. Não podes sair.&lt;br /&gt;    Bebe, e esquece a tua impotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    110&lt;br /&gt;    O que farei hoje? Ir à taverna? Ler um livro?&lt;br /&gt;    Um pássaro passa. Aonde irá? Já não o vejo.&lt;br /&gt;    Embriaguez de uma ave no céu azul e morno;&lt;br /&gt;    melancolia de um homem que ainda se lembra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    111&lt;br /&gt;    Mais vinho, minha amiga,&lt;br /&gt;    as tuas faces ainda não estão rosadas.&lt;br /&gt;    Um pouco mais de tristeza, Khayyam,&lt;br /&gt;    tua amada vai te olhar, vai sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    112&lt;br /&gt;    Não tragam lâmpadas, os meus amigos adormeceram;&lt;br /&gt;    estão imóveis, pálidos, como ficarão no túmulo.&lt;br /&gt;    Não tragam as lâmpadas,&lt;br /&gt;    os mortos não precisam delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    113&lt;br /&gt;    Estudei muito e tive mestres eminentes&lt;br /&gt;    e me orgulhava dos meus progressos e triunfos.&lt;br /&gt;    Agora lembro-me do sábio que eu era: era como a água&lt;br /&gt;    que toma a forma do vaso, como a fumaça ao vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    114&lt;br /&gt;    Guardo as minhas tristezas como a ave&lt;br /&gt;    se esconde para morrer. Dá-me vinho, minha amiga,&lt;br /&gt;    e escuta os meus gracejos: Vinho, rosas, lábios,&lt;br /&gt;    e a tua indiferença pela minha dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    115&lt;br /&gt;    Despe-te dessas roupas que te envaidecem&lt;br /&gt;    e que não trazias ao nascer;&lt;br /&gt;    os teus conhecidos não te cumprimentarão mais,&lt;br /&gt;    mas em teu peito cantarão os Serafins do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    116&lt;br /&gt;    Aconteceu o que eu já esperava: Ela me deixou.&lt;br /&gt;    Quando eu a tinha era tão fácil a renúncia;&lt;br /&gt;    junto dela, como estavas só, Khayyam;&lt;br /&gt;    ela se foi para te refugiares nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    117&lt;br /&gt;    Ah, Senhor, destruíste a minha alegria,&lt;br /&gt;    ergueste uma muralha entre mim e a minha amada,&lt;br /&gt;    pisaste a minha bela seara; vou morrer,&lt;br /&gt;    e Tu, cambaleias, embriagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    118&lt;br /&gt;    Silêncio, dor da minha alma,&lt;br /&gt;    deixa-me procurar um remédio.&lt;br /&gt;    É preciso viver; os mortos não se lembram&lt;br /&gt;    e eu quero rever a minha amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    119&lt;br /&gt;    É grande a tua dor? Não lhe dês atenção.&lt;br /&gt;    Lembra-te dos outros que sofrem inutilmente.&lt;br /&gt;    Procura uma linda mulher; mas cuidado, evita amá-la,&lt;br /&gt;    e ela, que não te ame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    120&lt;br /&gt;    Rosas, taças, lábios vermelhos:&lt;br /&gt;    brinquedos que o Tempo estraga;&lt;br /&gt;    estudo, meditação, renúncia:&lt;br /&gt;    cinzas que o Tempo espalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Para mais informações sobre poesia persa, consultar o número 14 da Revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional. Poesia Sempre – Rua da Imprensa 16, 11° andar – Centro – Rio de Janeiro, RJ – 20030-120 – Tels: (xx21) 2544-8597 / 2544-8514 / 25544-8703 – Fax: (xx21) 2220-1009 – E-mail: poesia@bn.br.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A seriedade da tradução de Fitzgerald é rigorosamente contestada no livro Rubaiyyat, El poema original del místico Sufi, Traducción directa del persa: Omar Ali-Shah y Robert Graves – Versión española: Alejandro Calleja, Coleccion Maestros Sufis, Ediciones Dervish International, Buenos Aires, 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    © 2003 — Omar Khayyan&lt;br /&gt;    Versão em português&lt;br /&gt;    © 2003 Alfredo Braga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Versão para eBook&lt;br /&gt;    eBooksBrasil.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    __________________&lt;br /&gt;    Abril 2003&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Proibido todo e qualquer uso comercial.&lt;br /&gt;    Se você pagou por esse livro&lt;br /&gt;    VOCÊ FOI ROUBADO!&lt;br /&gt;    Você tem este e muitos outros títulos GRÁTIS&lt;br /&gt;    direto na fonte:&lt;br /&gt;    www.ebooksbrasil.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    eBookLibris&lt;br /&gt;    © 2003 eBooksBrasil.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Edições em pdf e eBookLibris&lt;br /&gt;    eBooksBrasil.org&lt;br /&gt;    __________________&lt;br /&gt;    Março 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraído de http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/rubayat.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-3676324782729638729?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/3676324782729638729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=3676324782729638729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3676324782729638729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3676324782729638729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/os-rubayat.html' title='OS RUBAYAT'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0N3UqYqdtI/AAAAAAAALA8/XqZwFQaFX8Y/s72-c/Rubaiyat-Omar-Khayyam-Club-of-America-1921.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-776188045896385799</id><published>2010-01-05T09:14:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T09:16:51.270-08:00</updated><title type='text'>Poesia sufi (Rumi)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0Nz9ozcsPI/AAAAAAAALA0/pV9zpxGqJUU/s1600-h/sufis.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 277px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0Nz9ozcsPI/AAAAAAAALA0/pV9zpxGqJUU/s400/sufis.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423305879046631666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Poesia Sufi - Por Jalaluddin Rumi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem,&lt;br /&gt;Te direi em segredo&lt;br /&gt;Aonde leva esta dança.&lt;br /&gt;Vê como as partículas do ar&lt;br /&gt;E os grãos de areia do deserto&lt;br /&gt;Giram desnorteados.&lt;br /&gt;Cada átomo&lt;br /&gt;Feliz ou miserável,&lt;br /&gt;Gira apaixonado&lt;br /&gt;Em torno do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém fala para si mesmo em voz alta.&lt;br /&gt;Já que todos somos um,&lt;br /&gt;falemos desse outro modo.&lt;br /&gt;Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma&lt;br /&gt;Fechemos pois a boca e conversemos através da alma&lt;br /&gt;Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.&lt;br /&gt;Vem, se te interessas, posso mostrar-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que chegaste ao mundo do ser,&lt;br /&gt;uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.&lt;br /&gt;Primeiro, foste mineral;&lt;br /&gt;depois, te tornaste planta,&lt;br /&gt;e mais tarde, animal.&lt;br /&gt;Como pode isto ser segredo para ti?&lt;br /&gt;Finalmente, foste feito homem,&lt;br /&gt;com conhecimento, razão e fé.&lt;br /&gt;Contempla teu corpo - um punhado de pó -&lt;br /&gt;vê quão perfeito se tornou!&lt;br /&gt;Quando tiveres cumprido tua jornada,&lt;br /&gt;decerto hás de regressar como anjo;&lt;br /&gt;depois disso, terás terminado de vez com a terra,&lt;br /&gt;e tua estação há de ser o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não durmas,&lt;br /&gt;senta com teus pares&lt;br /&gt;A escuridão oculta a água da vida.&lt;br /&gt;Não te apresses, vasculha o escuro.&lt;br /&gt;Os viajantes noturnos estão plenos de luz;&lt;br /&gt;não te afastes pois da companhia de teus pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltam-te pés para viajar?&lt;br /&gt;Viaja dentro de ti mesmo,&lt;br /&gt;e reflete, como a mina de rubis,&lt;br /&gt;os raios de sol para fora de ti.&lt;br /&gt;A viagem conduzirá a teu ser,&lt;br /&gt;transmutará teu pó em ouro puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofreste em excesso&lt;br /&gt;por tua ignorância,&lt;br /&gt;carregaste teus trapos&lt;br /&gt;para um lado e para outro,&lt;br /&gt;agora fica aqui.&lt;br /&gt;Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.&lt;br /&gt;Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.&lt;br /&gt;Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,&lt;br /&gt;Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,&lt;br /&gt;As almas, loucas de êxtase dançam.&lt;br /&gt;A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,&lt;br /&gt;Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem à noite, confidencialmente, eu disse a um velho sábio:&lt;br /&gt;- Não me esconda nada dos segredos do mundo!&lt;br /&gt;Muito docemente, ele me disse ao ouvido:&lt;br /&gt;- Chut! Podemos compreender, mas não exprimir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero fugir a cem léguas da razão,&lt;br /&gt;Quero da presença do bem e do mal me liberar.&lt;br /&gt;Detrás do véu existe tanta beleza: lá está meu ser.&lt;br /&gt;Quero me enamorar de mim mesmo, ó vós que não sabeis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu soube enfim que o amor está ligado a mim.&lt;br /&gt;E eu agarro esta cabeleira de mil tranças.&lt;br /&gt;Embora ontem à noite eu estivesse bêbado da taça,&lt;br /&gt;Hoje, eu sou tal, que a taça se embebeda de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou... Chegou aquele que nunca partiu;&lt;br /&gt;Esta água nunca faltou a este riacho&lt;br /&gt;Ele é a substância do almíscar e nós o seu perfume,&lt;br /&gt;Alguma vez se viu o almíscar separado de seu cheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se busco meu coração, o encontro em teu quintal,&lt;br /&gt;Se busco minha alma, não a vejo a não ser nos cachos de teu cabelo.&lt;br /&gt;Se bebo água, quando estou sedento&lt;br /&gt;Vejo na água o reflexo do teu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou medido, ao medir teu amor.&lt;br /&gt;Sou levado, ao levar teu amor.&lt;br /&gt;Não posso comer de dia nem dormir de noite.&lt;br /&gt;Para ser teu amigo&lt;br /&gt;Tornei-me meu próprio inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu amor me tirou de mim.&lt;br /&gt;De ti, preciso de ti&lt;br /&gt;Noite e dia, eu queimo por ti.&lt;br /&gt;De ti, preciso de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso dormir quando estou contigo&lt;br /&gt;por causa de teu amor.&lt;br /&gt;Não posso dormir quando estou sem ti&lt;br /&gt;por causa de meu pranto e gemidos.&lt;br /&gt;Passo as duas noites acordado&lt;br /&gt;mas, que diferença entre uma e outra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temos nada além do amor.&lt;br /&gt;Não temos antes, princípio nem fim.&lt;br /&gt;A alma grita e geme dentro de nós:&lt;br /&gt;- Louco, é assim o amor.&lt;br /&gt;Colhe-me, colhe-me, colhe-me!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, pedi a um velho sábio&lt;br /&gt;que me contasse todos os segredos do universo.&lt;br /&gt;Ele murmurou lentamente em meu ouvido:&lt;br /&gt;- Isto não se pode dizer, isto se aprende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fé da religião do Amor é diferente.&lt;br /&gt;A embriaguez do vinho do Amor é diferente.&lt;br /&gt;Tudo que aprendes na escola é diferente.&lt;br /&gt;Tudo que aprendes do Amor é diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------- Poesia Sufi --------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem ao jardim na primavera, disseste.&lt;br /&gt;- Aqui estão todas as belezas, o vinho e a luz.&lt;br /&gt;Que posso fazer com tudo isso sem ti?&lt;br /&gt;E, se estás aqui, para que preciso disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraído de: http://www.plurall.com/forum/cultura-trance/textos-poesias/25809-poesia-sufi-jalaluddin-rumi/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-776188045896385799?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/776188045896385799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=776188045896385799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/776188045896385799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/776188045896385799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/poesia-sufi-rumi.html' title='Poesia sufi (Rumi)'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0Nz9ozcsPI/AAAAAAAALA0/pV9zpxGqJUU/s72-c/sufis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-4548117533669623440</id><published>2010-01-05T05:24:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T05:25:26.811-08:00</updated><title type='text'>A Centelha (Meister Eckart)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0M9wYjBuWI/AAAAAAAALAs/Px7wLJ4IObQ/s1600-h/deus+e+adao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 331px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0M9wYjBuWI/AAAAAAAALAs/Px7wLJ4IObQ/s400/deus+e+adao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423246277716588898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Centelha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma nobre claridade brilha docemente em nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quer ser acolhida no lazer fiel (ledich seijn)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pura centelha,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vida da vida de nossa alma,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que permanece unida à Fonte divina,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde Deus faz brilhar sua luz eterna (sinen eweghen seijn)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revelação no mais secreto de nós mesmos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que nem razão nem sentido podem compreender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senão no amor nu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eles são transformados (overformet), aqueles que a recebem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobrenaturalmente, da centelha íntima,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em um conhecimento divino simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acidental e o múltiplo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos retiram nossa simplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o diz são João o Evangelista,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta luz brilha nas trevas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sua claridade não é compreendida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pela obscuridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se viessemos a esta claridade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diante de sua face, desocupados e livres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de todo modo, de toda coisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que se aprende, se conta e se compõe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no seio do abismo sem fundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;veríamos a luz na sua luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rujam de terem mantido tanto tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vossa alma ocupada com o acidente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao nível da terra e privada de essência (onghewesent)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a simplicidade vos houvesse acostumado a ela mesma,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oculta em sua luz, vós seríeis libertos de formas e de imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveis estar em grande erro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de buscar fora a luz em partes,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto ela é toda em vós e vos libera totalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quereis se tornar mestre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nesta filosofia, não afirmais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixeis toda coisa, com vós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A! Deus, que nobreza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que esta livre vacuidade, onde o amor abandona amorosamente todo o resto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não busca nada fora dele mesmo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;posto que em sua pura Unidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abarca a eternidade bem-aventurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hadewijch II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaríamos curados de toda enfermidade se estivessemos elevados e recolhidos, nus e destacados. Pois na centelha superior (gesterlîn), onde recebemos a claridade divina, não há jamais separação de Deus, nem qualquer intermediário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Eckhart Sermão XVIII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta centelha recusa todas as criaturas e não vê nada além de Deus na sua nudez, tal qual é nele mesmo. Não lhe é suficiente nem o Pai nem o Filho, nem o Espírito Santo, nem as três Pessoas, na medida onde cada uma delas permanece em sua peculiaridade. Digo em verdade que a esta luz não basta a unicidade da natureza divina enquanto fecunda. Eu diria ainda o que daria um som mais estranho: o digo em verdade e eterna verdade e em perdurável verdade: a esta luz não basta o ser divino simples e impassível que não dá nem recebe; ela quer saber de onde vem este ser; ela quer penetrar no fundo simples, no deserto silencioso onde jamais distinção teve lugar, nem Pai nem Filho nem Espírito Santo, o mais íntimo on ninguém está em casa. É aí somente que esta luz encontra satisfação e aí ela é mais intimamente que ela é nela mesma, pois este fundo é um silêncio simples, imóvel nele mesmo, e por esta imobilidade todas as coisas são movidas, e são concebidas todas as vidas que os vivos dotados de intelecto são neles mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Eckhart&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-4548117533669623440?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/4548117533669623440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=4548117533669623440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4548117533669623440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/4548117533669623440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/centelha-meister-eckart.html' title='A Centelha (Meister Eckart)'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0M9wYjBuWI/AAAAAAAALAs/Px7wLJ4IObQ/s72-c/deus+e+adao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-3454942869771677355</id><published>2010-01-05T05:01:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T05:02:18.715-08:00</updated><title type='text'>Homem: A Morada de Deus</title><content type='html'>Homem: A Morada de Deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por A. W. Tozer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        No profundo interior de cada homem há um lugar sagrado e privado onde habita a misteriosa essência de seu ser. Este profundo lugar é, na realidade, uma parte no homem sem referência a qualquer outra parte da complexa natureza do homem. Ela é o "Eu Sou" do homem, um dom do EU SOU que o criou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O EU SOU que é Deus não é derivado de ninguém e é auto-existente; o "Eu Sou" que é homem é derivado de Deus e dependente cada momento de Seu criativo fiat para continuação de sua existência. Um é o Criador, Altíssimo sobre todos, ancião de dias, habitando na inacessível luz. O outro é uma criatura e apesar de ser mais privilegiado do que outras, ainda é apenas uma criatura, um pensionista da generosidade de Deus e um suplicante diante de Seu trono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O profundo na entidade humana do qual falamos é chamado nas Escrituras de o espírito do homem. "Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus" (1 Coríntios 2:11). Como o autoconhecimento de Deus repousa no eterno Espírito, assim também o autoconhecimento do homem é por seu próprio espírito, e seu conhecimento de Deus é pela direta impressão do Espírito de Deus sobre o espírito do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A importância de tudo isto não pode ser superestimada à medida que pensamos, estudamos e oramos. Ela revela a essencial espiritualidade da humanidade. Ela nega que o homem é uma criatura que possui um espírito e declara que ele é um espírito que tem um corpo. O que o faz ser um ser humano não é seu corpo, mas seu espírito, no qual a imagem de Deus originalmente repousa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Uma das declarações mais libertadoras no Novo Testamento é esta: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade". (João 4:23, 24) . Aqui a natureza da adoração é mostrada sendo completamente espiritual. A verdadeira religião é despojada de dieta e dias, de vestuários e cerimônias, e posta onde ela começa - na união do espírito do homem com o Espírito de Deus,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Do ponto de vista do homem a perca mais trágica na Queda foi a desocupação deste santuário interno pelo Espírito de Deus. No remoto - no oculto centro do ser do homem há uma sarça adaptada para ser a morada do Deus Triuno. Ali Deus planejou descansar e arder com fogo espiritual e moral. O homem por seu pecado perdeu este indescritível privilégio e deve agora habitar sozinho ali. Tão intimamente privado é o lugar que nenhuma criatura pode penetrar; ninguém pode entrar, exceto Cristo; e Ele entrará somente por um convite da fé. "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo" (Apocalipse 3:20).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Pela operação misteriosa do Espírito no novo nascimento, o que é chamado por Pedro de "natureza divina" entra no profundo - no centro do coração do crente e estabelece morada ali. "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele", porque "o Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Romanos 8:9,16). Tal é um verdadeiro Cristão, e somente tal é. Batismo, confirmação, o recebimento dos sacramentos, membresia de igrejas - estes não significam nada, a menos que o supremo ato de Deus na regeneração também ocorra. As exterioridades religiosas podem ter um significado para a alma habitada por Deus; para quaisquer outros elas não são somente inúteis, mas podem realmente se tornar armadilhas, ludibriando-os a um falso e perigoso senso de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        "Guarda com toda a diligência o teu coração" é mais do que um sábio provérbio; ele é uma solene ordenação posta sobre nós por Aquele que mais se importa conosco. Para isto nós devemos dar a mais diligente atenção a fim de que não tropecemos a qualquer hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto&lt;br /&gt;        Cuiabá-MT, 16 de março de 2003.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967262094897712922-3454942869771677355?l=assimfalouzarathustra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/feeds/3454942869771677355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967262094897712922&amp;postID=3454942869771677355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3454942869771677355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967262094897712922/posts/default/3454942869771677355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://assimfalouzarathustra.blogspot.com/2010/01/homem-morada-de-deus.html' title='Homem: A Morada de Deus'/><author><name>O fantástico mundo de Apolo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12630365686241449651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967262094897712922.post-3742995038114605140</id><published>2010-01-05T04:54:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T09:36:55.786-08:00</updated><title type='text'>Assim falou Zarathustra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0M250iLDTI/AAAAAAAALAk/LBjcfKgPAQI/s1600-h/zara.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 247px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aiJFXPS9eSc/S0M250iLDTI/AAAAAAAALAk/LBjcfKgPAQI/s400/zara.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423238743266626866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;eBookLibris&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMEIRA PARTE&lt;br /&gt;PREÂMBULO DE ZARATUSTRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;Aos trinta anos apartou-se Zaratustra da sua pátria e do lago da sua pátria, e foi-se até a montanha. Durante dez anos gozou por lá do seu espírito e da sua soledade sem se cansar. Variaram, porém, os seus sentimentos, e uma manhã, erguendo-se com a aurora, pôs-se em frente do sol e falou-lhe deste modo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Grande astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a quem iluminas? Faz dez anos que te abeiras da minha caverna, e, sem mim, sem a minha águia e a minha serpente, haver-te-ias cansado da tua luz e deste caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, porém, esperávamos-te todas as manhãs, tomávamos-te o supérfluo e bemdizíamos-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: já estou tão enfastiado da minha sabedoria, como a abelha que acumulasse demasiado mel. Necessito mãos que se estendam para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera dar e repartir até que os sábios tornassem a gozar da sua loucura e os pobres da sua riqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso devo descer às profundidades, como tu pela noite, astro exuberante de riqueza quando transpões o mar para levar a tua luz ao mundo inferior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu devo descer, como tu, segundo dizem os homens a quem me quero dirigir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abençoa-me, pois, olho afável, que podes ver sem inveja até uma felicidade demasiado grande!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abençoa a taça que quer transbordar, para que dela manem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo da tua alegria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha! Esta taça quer de novo esvaziar-se, e Zaratustra quer tornar a ser homem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim principiou o caso de Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Zaratustra desceu sozinho das montanhas sem encontrar ninguém. Ao chegar aos bosques deparou-se-lhe de repente um velho de cabelos brancos que saíra da sua santa cabana para procurar raízes na selva. E o velho falou a Zaratustra desta maneira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Este viandante não me é desconhecido: passou por aqui há anos. Chamava-se Zaratustra, mas mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo levava as suas cinzas para a montanha. Quererá levar hoje o seu fogo para os vales? Não terá medo do castigo que se reserva aos incendiários?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim; reconheço Zaratustra. O seu olhar, porém, e a sua boca não revelam nenhum enfado. Parece que se dirige para aqui como um bailarino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra mudou, Zaratustra tornou-se menino, Zaratustra está acordado. Que vais fazer agora entre os que dormem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no mar vivias, no isolamento, e o mar te levava. Desgraçado! Queres saltar em terra? Desgraçado! Queres tornar a arrastar tu mesmo o teu corpo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra respondeu: “Amo os homens”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois por que — disse o santo — vim eu para a solidão? Não foi por amar demasiadamente os homens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, amo a Deus; não amo os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é, para mim, coisa sobremaneira incompleta. O amor pelo homem matar-me-ia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra respondeu: “Falei de amor! Trago uma dádiva aos homens”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nada lhes dês — disse o santo. — Pelo contrário, tira-lhes qualquer coisa e eles logo te ajudarão a levá-la. Nada lhes convirá melhor, de que quanto a ti te convenha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se queres dar não lhes dês mais do que uma esmola, e ainda assim espera que tá peçam”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não — respondeu Zaratustra; — eu não dou esmolas. Não sou bastante pobre para isso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O santo pôs-se a rir de Zaratustra e falou assim: “Então vê lá como te arranjas para te aceitarem os tesouros. Eles desconfiam dos solitários e não acreditam que tenhamos força para dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nossas passadas soam solitariamente demais nas ruas. E, ao ouvi-las perguntam assim como de noite, quando, deitados nas suas camas, ouvem passar um homem muito antes do alvorecer: Aonde irá o ladrão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vás para os homens! Fica no bosque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefere à deles a companhia dos animais! Por que não queres ser como eu, urso entre os ursos, ave entre as aves?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E que faz o santo no bosque?” — perguntou Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O santo respondeu: “Faço cânticos e canto-os, e quando faço cânticos rio, choro e murmuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim louvo a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com cânticos, lágrimas, risos e murmúrios louvo ao Deus que é meu Deus. Mas, deixa ver: que presente nos trazes?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir estas palavras, Zaratustra cumprimentou o santo e disse-lhe: “Que teria eu para vos dar? O que tens a fazer é deixar-me caminhar, correndo, para vos não tirar coisa nenhuma”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim se separaram um do outro, o velho e o homem, rindo como riem duas criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, porém, Zaratustra se viu só, falou assim, ao seu coração: “Será possível que este santo ancião ainda não ouvisse no seu bosque que Deus já morreu?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Chegando à cidade mais próxima, enterrada nos bosques, Zaratustra encontrou uma grande multidão na praça pública, porque estava anunciado o espetáculo de um bailarino de corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Zaratustra falou assim ao povo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu vos anuncio o Super-homem”. (1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O homem é superável. Que fizestes para o superar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora todos os seres têm apresentado alguma coisa superior a si mesmos; e vós, quereis o refluxo desse grande fluxo, preferís tornar ao animal, em vez de superar o homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é o macaco para o homem? Uma irrisão ou uma dolorosa vergonha. Pois é o mesmo que deve ser o homem para Super-homem: uma irrisão ou uma dolorosa vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorrestes o caminho que medeia do verme ao homem, e ainda em vós resta muito do verme. Noutro tempo fostes macaco, e hoje o homem é ainda mais macaco do que todos os macacos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo o mais sábio de todos vós não passa de uma mistura híbrida de planta e de fantasma. Acaso vos disse eu que vos torneis planta ou fantasma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu anuncio-vos o Super-homem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Super-homem é o sentido da terra. Diga a vossa vontade: seja o Super-homem, o sentido da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exorto-vos, meus irmãos, a permanecer fiéis à terra e a não acreditar naqueles que vos falam de esperanças supra-terrestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São envenenadores, quer o saibam ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São menosprezadores da vida, moribundos que estão, por sua vez, envenenados, seres de quem a terra se encontra fatigada; vão-se por uma vez!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutros tempos, blasfemar contra Deus era a maior das blasfêmias; mas Deus morreu, e com ele morreram tais blasfêmias. Agora, o mais espantoso é blasfemar da terra, e ter em maior conta as entranhas do impenetrável do que o sentido da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutros tempos a alma olhava o corpo com desdém, e então nada havia superior a esse desdém: queria a alma um corpo fraco, horrível, consumido de fome! Julgava deste modo libertar-se dele e da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó! Essa mesma alma era uma alma fraca, horrivel e consumida, e para ela era um deleite a crueldade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmãos meus, dizei-me: que diz o vosso corpo da vossa alma? Não é a vossa alma, pobreza, imundície e conformidade lastimosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é um rio turvo. É preciso ser um mar para, sem se toldar, receber um rio turvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem; eu vos anuncio o Super-homem; é ele esse mar; nele se pode abismar o vosso grande menosprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a maior coisa que vos pode acontecer? Que chegue a hora do grande menosprezo, a hora em que vos enfastie a vossa própria felicidade, de igual forma que a vossa razão e a vossa virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora em que digais: “Que importa a minha felicidade! É pobreza, imundície e conformidade lastimosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha felicidade, porém, deveria justificar a própria existência!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora em que digais: “Que importa minha razão! Anda atrás do saber como o leão atrás do alimento. A minha razão é pobreza, imundície e conformidade lastimosa!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora em que digais: “Que importa a minha virtude? Ainda me não enervou. Como estou farto do meu bem e do meu mal. Tudo isso é pobreza, imundície e conformidade lastimosa!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora em que digais: “Que importa a minha justiça?! Não vejo que eu seja fogo e carvão! O justo, porém, é fogo e carvão!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora em que digais: “Que importa a minha piedade? Não é a piedade a cruz onde se crava aquele que ama os homens? Pois a minha pieda,de é uma crucificação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já falaste assim? Já gritaste assim? Ah! Não vos ter eu ouvido a falar assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são os vossos pecados, é a vossa parcimônia que clama ao céu! A vossa mesquinhez até no pecado, isso é que clama ao céu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está, pois, o raio que vos lamba com a sua língua? Onde está o delírio que é mister inocular-vos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede; eu anuncio-vos o Super-homem: “É ele esse raio! É ele esse delírio!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que Zaratustra disse isto, um da multidão exclamou: “Já ouvimos falar demasiado do que dança na corda; mostrá-no-lo agora”. E toda a gente se riu de Zaratustra. Mas o dançarino da corda, julgando que tais palavras eram com ele, pôs-se a trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;Entretanto, Zaratustra olhava a multidão, e assombrava-se. Depois falava assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O homem é corda estendida entre o animal e o Super-homem: uma corda sobre um abismo; perigosa travessia, perigoso caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande do homem é ele ser uma ponte, e não uma meta; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um acabamento (2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses os que atravessam de um para outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo os grandes desdenhosos, porque são os grandes adoradores, as setas do desejo ansiosas pela outra margem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo os que não procuram por detrás das estrelas uma razão para morrer e oferecer-se em sacrifício, mas se sacrificam pela terra, para que a terra pertença um dia ao Super-homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que vive para conhecer, e que quer conhecer, para que um dia viva o Super-homem, porque assim quer o seu acabamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que trabalha e inventa, a fim de exigir uma morada ao Super-homem e preparar para ele a terra, os animais e as plantas, porque assim quer o seu acabamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que ama a sua virtude, porque a virtude é vontade de extinção e uma seta do desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que não reserva para si uma gota do seu espírito, mas que quer ser inteiramente o espírito da sua virtude, porque assim atravessa a ponte como espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que faz da sua virtude a sua tendência e o seu destino, pois assim, por sua virtude, quererá viver ainda e deixar de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que não quer ter demasiadas virtudes. Uma virtude é mais virtude do que duas, porque é mais um nó a que se aferra o destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que prodigaliza a sua alma, o que não quer receber agradecimentos nem restitui, porque dá sempre e se não quer preservar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que se envergonha de ver cair o dado a seu favor e que pergunta ao ver tal: “Serei um jogador fraudulento?” porque quer submergir-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que solta palavras de ouro perante as suas obras e cumpre sempre com usura o que promete, porque quer perecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que justifica os vindouros e redime os passados, porque quer que o combatam os presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que castiga o seu Deus, porque ama o seu Deus, pois a cólera do seu Deus o confundirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo aquele cuja alma é profunda, mesmo na ferida, e ao que pode aniquilar um leve acidente, porque assim de bom grado passará a ponte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo aquele cuja alma transborda, a ponto de se esquecer de si mesmo e quanto esteja nele, porque assim todas as coisas se farão para sua ruína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que tem o espírito e o coração livres, porque assim a sua cabeça apenas serve de entranhas ao seu coração, mas o seu coração, o leva a sucumbir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo todos os que são como gotas pesadas que caem uma a uma da sombria nuvem suspensa sobre os homens, anunciam o relâmpago próximo e desaparecem como anunciadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede: eu sou um anúncio do raio e uma pesada gota procedente da nuvem; mas este raio chama-se o Super-homem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;Pronunciadas estas palavras, Zaratustra tornou a olhar o povo, e calou-se. “Riem-se — disse o seu coração. — Não me compreendem; a minha boca não é a boca que estes ouvidos necessitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terei que principiar por lhes destruir os ouvidos para que aprendam a ouvir com os olhos? Terei que atroar à maneira de timbales ou de pregadores de Quaresma? Ou só acreditarão nos gagos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer coisa se sentem orgulhosos. Como se chama então, isso de que estão orgulhosos? Chama-se civilização: é o que se distingue dos cabreiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, porém, não gostam eles de ouvir, porque os ofende a palavra “desdém”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar-lhes-ei, portanto, ao orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar-lhes-ei do mais desprezível que existe, do último homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Zaratustra falava assim ao povo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É tempo que o homem tenha um objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tempo que o homem cultive o germe da sua mais elevada esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu solo é ainda bastante rico, mas será pobre, e nele já não poderá medrar nenhuma árvore alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai! aproxima-se o tempo em que o homem já não lançará por sobre o homem a seta do seu ardente desejo e em que as cordas do seu arco já não poderão vibrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vo-lo digo: é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vo-lo digo: tendes ainda um caos dentro de vós outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai! Aproxima-se o tempo em que o homem já não dará a luz às estrelas; aproxima-se o tempo do mais desprezível dos homens, do que já se não pode desprezar a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhai! Eu vos mostro o último homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vem a ser isso de amor, de criação, de ardente desejo, de estrela? — pergunta o último homem, revirando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terra tornar-se-á então mais pequena, e sobre ela andará aos pulos o último homem, que tudo apouca. A sua raça é indestrutível como a da pulga; o último homem é o que vive mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Descobrimos a felicidade” — dizem os últimos homens, e piscam os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonaram as comarcas onde a vida era rigorosa, porque uma pessoa necessita calor. Ainda se quer ao vizinho e se roçam pelo outro, porque uma pessoa necessita calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfraquecer e desconfiar parece-lhes pecaminoso; anda-se com cautela. Insensato aquele que ainda tropeça com as pedras e com os homens!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum veneno uma vez por outra, é coisa que proporciona agradáveis sonhos. E muitos venenos no fim para morrer agradavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalha-se ainda porque o trabalho é uma distração; mas faz-se de modo que a distração não debilite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já uma pessoa se não torna nem pobre nem rica; são duas coisas demasiado difíceis. Quem quererá ainda governar? Quem quererá ainda obedecer? São duas coisas demasiado custosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum pastor, e só um rebanho! Todos querem o mesmo, todos são iguais: o que pensa de outro modo vai por seu pé para o manicômio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Noutro tempo toda a gente era doida” — dizem os perspicazes, e reviram os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É-se prudente, e está-se a par do que acontece: desta maneira pode-se zombar sem cessar. Questiona-se ainda, mas logo se fazem as pazes; o contrário altera a digestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falta um pouco de prazer para o dia e um pouco de prazer para a noite; mas respeita-se a saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Descobrimos a felicidade” — dizem os últimos homens — e reviram os olhos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui acabou o primeiro discurso de Zaratustra, — que também se chama preâmbulo — porque neste ponto foi interrompido pelos gritos e pelo alvoroço da multidão. “Dá-nos esse último homem, Zaratustra — exclamaram — torna-nos semelhantes a esses últimos homens! perdoar-te-emos o Super-homem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todo o povo era alegria. Zaratustra entristeceu e disse consigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não me compreendem; não. Não é da minha boca que estes ouvidos necessitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi demais nas montanhas, escutei demais os arroios e as árvores, e agora falo-lhes como um pastor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha alma é sossegada e luminosa como o monte pela manhã; mas eles julgam que sou um frio e astuto chocareiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei-los olhando-me e rindo-se, e enquanto se riem, continuam a odiar-me. Há gelo nos seus risos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;Sucedeu, porém, qualquer coisa que fez emudecer todas as bocas e atraiu todos os olhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrementes pusera-se a trabalhar o volteador; saíra de uma pequena porta e andava pela maroma presa a duas torres sobre a praça pública e a multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estava justamente na metade do caminho abriu-se outra vez a portinhola, donde saltou o segundo acrobata que parecia um palhaço com as suas mil cores, o qual seguiu rapidamente o primeiro. “Depressa, bailarino! — gritou a sua horrível voz. — “Depressa, mandrião, manhoso, cara deslavada! Olha que te piso os calcanhares!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fazes aqui entre estas torres? Na torre devias tu estar metido; obstrues o caminho a outro mais ágil do que tu!” E a cada palavra se aproximava mais, mas, quando se encontrou a um passo, sucedeu essa coisa terrível que fez calar todas as bocas e atraiu todos os Olhares; lançou um grito diabólico e saltou por cima do que lhe interceptava o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este, ao ver o rival vitorioso, perdeu a cabeça e a maroma, largou o balancim e precipitou-se no abismo como um remoinho de braços e pernas. A praça pública e a multidão pareciam o mar quando se desencadeia a tormenta. Todos fugiram atropeladamente, em especial do sítio onde deveria cair o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra permaneceu imóvel, e junto dele caiu justamente o corpo, destroçado, mas vivo ainda. Passado um momento o ferido recuperou os sentidos e viu Zaratustra ajoelhado junto de si. “Que fazes aqui? — lhe disse. Já há tempo que eu sabia que o diabo me havia de derrubar. Agora arrasta-me para o inferno. Queres impedi-lo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amigo — respondeu Zaratustra — palavra de honra que tudo isso de que falas não existe, não há diabo nem inferno. A tua alma ainda há de morrer mais depressa do que o teu corpo; nada temas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem olhou receioso. “Se dizes a verdade — respondeu — nada perco ao perder a vida. Não passo de uma besta que foi ensinada a dançar a poder de pancadas e de fome”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não — disse Zaratustra — fizeste do perigo o teu ofício, coisa que não é para desprezar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora por causa do teu ofício sucumbes e atendendo a isso vou enterrar-te por minha própria mão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O moribundo já não respondeu, mas moveu a mão como se procurasse a de Zaratustra para lhe agradecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;Abeirava-se a noite, e a praça sumia-se nas trevas. Então a multidão dispersou-se porque até a curiosidade e o pavor se cansam. Sentado ao pé do cadáver, Zaratustra encontrava-se tão abismado nas suas reflexões que se esqueceu do tempo. Fez-se noite e sobre o solitário soprou um vento frio. Zaratustra ergueu-se então, e disse consigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na verdade, Zaratustra fez hoje uma boa pesca! Não alcançou um homem, mas um cadáver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa para nos preocupar é a vida humana, e sempre vazia de sentido: um trovão lhe pode ser fatal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero ensinar aos homens o sentido da sua existência, que é o Super-homem, o relâmpago que brota da sombria nuvem homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou, porém, longe deles, e o meu sentido nada diz aos seus sentidos. Para os homens sou uma coisa intermediária entre o doido e o cadáver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escura é a noite, escuros são os caminhos de Zaratustra. Vem, companheiro frio e rigido! Levar-te-ei ao sítio onde por minha mão te enterrarei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;Dito isto ao seu coração, Zaratustra deitou o cadáver às costas e pôs-se a caminho. Ainda não andara cem passos quando se lhe acercou furtivamente um homem e lhe falou baixinho ao ouvido. O que falava era o palhaço da torre. Eis o que lhe dizia: — “Sai desta cidade, Zaratustra, — há aqui demasiada gente que te odeia. Os bons e os justos odeiam-te e chamam-te seu inimigo e desprezador; os fiéis da verdadeira crença odeiam-te e dizem que és o perigo da multidão. Ainda tiveste sorte em zombarem de ti, e na verdade falavas como um truão. Tiveste sorte em te associar a esse vilão desse morto; rebaixando-te, por essa forma salvaste-te por hoje; mas sai desta cidade, ou amanhã salto eu por cima de ti, um vivo por cima de um morto”. E o homem desapareceu, e Zaratustra seguiu o seu caminho pelas escuras ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À porta da cidade encontrou os coveiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes aproximaram-lhe da cara as enxadas, e conheceram Zaratustra e troçaram muito dele. “Zaratustra leva o indigno morto! Bravo! Zaratustra tornou-se coveiro! As nossas mãos são puras demais para tocar nessa peça! Com que então Zaratustra quer roubar o pitéu ao demônio! Apre! Bom proveito! Isto se o diabo não for melhor ladrão que Zaratustra e os não roubar aos dois!” E riam entre si, cochichando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra não respondeu palavra e seguiu seu caminho. Passadas duas horas a andar à beira de bosques e de lagoas; já ouvira latir os lobos esfomeados, e também a ele o atormentava a fome. Por esse motivo parou diante de uma casa isolada onde brilhava uma luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Apodera-se de mim a fome como um salteador — disse Zaratustra: — no meio dos bosques e das lagoas e na escura noite me surpreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha fome tem estranhos caprichos. Em geral só me aparece depois de comer, e hoje em todo o dia não me apareceu. Onde se entreteria então?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim dizendo, Zaratustra bateu à porta da casa. Logo apareceu um velho com uma luz e perguntou: “Quem se abeira de mim e do meu fraco sono?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um vivo e um morto — respondeu Zaratustra. — Dá-me de comer e de beber; esqueci-me de o fazer durante o dia. Quem dá de comer ao faminto reconforta a sua própria alma: assim falava a sabedoria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho retirou-se; mas tornou no mesmo instante e ofereceu a Zaratustra pão e vinho. “Ruim terra é esta para os que têm fome — disse ele — por isso eu habito nela. Homens e animais de mim se aproximam, de mim, o solitário. Mas chama também o teu companheiro para comer e beber; está mais cansado do que tu”. Zaratustra respondeu: “O meu companheiro está morto; não é fácil decidi-lo a comer”. “Nada tenho com isto — resmungou o velho. — O que bate à minha porta deve receber o que lhe ofereço. Come, e passa bem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra tornou a andar outras duas horas, confiando-se ao caminho e à luz das estrelas, porque estava acostumado às caminhadas noturnas e gostava de contemplar tudo quanto dorme. Quando principiou a raiar a aurora encontrava-se num espesso bosque e já não via nenhum caminho. Então colocou o cadáver no côncavo de uma árvore à altura da sua cabeça — pois queria livrá-lo dos lobos — e deitou-se no solo sobre a relva. No mesmo instante adormeceu cansado de corpo, mas com a alma tranqüila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX&lt;br /&gt;Zaratustra dormiu muito tempo e por ele passou não só a aurora mas toda a manhã. Por fim abriu os olhos, e olhou admirado no meio do bosque e do silêncio; admirado olhou para dentro de si mesmo. Ergueu-se precipitado, como navegante que de súbito avista terra, e soltou um grito de alegria porque vira uma verdade nova. E falou deste modo ao seu coração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um raio de luz me atravessa a alma: preciso de companheiros, mas vivos, e não de companheiros mortos e cadáveres, que levo para onde quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de companheiros, mas vivos, que me sigam — porque desejem seguir-se a si mesmos — para onde quer que eu vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um raio de luz me atravessa a alma: não é à multidão que Zaratustra deve falar, mas a companheiros! Zaratustra não deve ser pastor e cão de um rebanho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para apartar muitos do rebanho, foi para isso que vim. O povo e o rebanho irritam-se comigo. Zaratustra quer ser acoimado de ladrão pelos pastores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu digo pastores, mas eles a si mesmos se chamam os fiéis da verdadeira crença!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede os bons e os justos! a quem odeiam mais? A quem lhes despedaça as tábuas de valores, ao infrator, ao destruidor. É este, porém, o criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O criador procura companheiros, não procura cadáveres, rebanhos, nem crentes; procura colaboradores que inscrevam valores novos ou tábuas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O criador procura companheiros para seguir com ele; porque tudo está maduro para a ceifa. Faltam-lhe, porém, as cem foices, e por isso arranca espigas, contrariado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Companheiros que saibam afiar as suas foices, eis o que procura o criador. Chamar-lhes-ão destruidores e desprezadores do bem e do mal, mas eles hão de ceifar e descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colaboradores que ceifem e descansem com ele, eis o que busca Zaratustra. Que se importa ele com rebanhos, pastores e cadáveres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu, primeiro companheiro meu, descansa em paz! Enterrei-te bem, na tua árvore oca, deixo-te bem defendido dos lobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Separo-me, porém, de ti; já passou o tempo. Entre duas auroras me iluminou uma nova verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devo ser pastor nem coveiro. Nunca mais tornarei a falar ao povo; pela última vez falei com um morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero unir-me aos criadores, aos que colhem e se divertem; mostrar-lhes-ei o arco-iris e todas as escadas que levam ao Super-homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entoarei o meu cântico aos solitários e aos que se encontram juntos na solidão; e a quem quer que tenha ouvidos para as coisas inauditas confranger-lhe-ei o coração com a minha ventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho para o meu fim; sigo o meu caminho; saltarei por cima dos negligentes e dos retardados. Desta maneira será a minha marcha o seu fim!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra ao seu coração quando o sol ia em meio do seu curso; depois dirigiu para as alturas um olhar interrogador porque ouvia por cima de si o grito penetrante de uma ave. E viu uma águia que pairava nos ares traçando largos rodeios e sustentando uma serpente que não parecia uma presa, mas um aliado, porque se lhe enroscava ao pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“São os meus animais! — disse Zaratustra, e regozijou-se intimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O animal mais arrogante que o sol cobre e o animal mais astuto que o sol cobre sairam em exploração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queriam descobrir se Zaratustra ainda vivia. Ainda viverei, deveras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei mais perigos entre os homens do que entre os animais; perigosas sendas segue Zaratustra. Guiem-me os meus animais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dízer isto, Zaratustra recordou-se das palavras do santo do bosque, suspirou e falou assim ao seu coração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Devo ser mais judicioso! Devo ser tão profundamente astuto como a minha serpente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço, porém, o impossível; rogo, portanto, a minha altivez que me acompanhe sempre a prudência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se um dia a prudência me abandonar — ai! agrada-lhe tanto fugir! — possa sequer a minha altivez voar com a minha loucura!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim começou o caso de Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS DISCURSOS DE ZARATUSTRA&lt;br /&gt;DAS TRÊS TRANSFORMAÇÕES&lt;br /&gt;“Três transformações do espírito vos menciono: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitas coisas pesadas para o espírito, para o espírito forte e sólido, respeitável. A força deste espírito está bradando por coisas pesadas, e das mais pesadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o quer que seja pesado? — pergunta o espírito sólido. E ajoelha-se como camelo e quer que o carreguem bem. Que há mais pesado, heróis — pergunta o espírito sólido — a fim de eu o deitar sobre mim, para que a minha forca se recreie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será rebaixarmo-nos para o nosso orgulho padecer? Deixar brilhar a nossa loucura para zombarmos da nossa sensatez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será separarmo-nos da nossa causa quando ela celebra a sua vitória? Escalar altos montes para tentar o que nos tenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será sustentarmo-nos com bolotas e erva do conhecimento e padecer fome na alma por causa da verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será estar enfermo e despedir a consoladores e travar amizade com surdos que nunca ouvem o que queremos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será submerjirmo-nos em água suja quando é a água da verdade, e não afastarmos de nós as frias rãs e os quentes sapos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será amar os que nos desprezam e estender a mão ao fantasma quando nos quer assustar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito sólido sobrecarrega-se de todas estas coisas pesadíssimas; e à semelhança do camelo que corre carregado pelo deserto, assim ele corre pelo seu deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No deserto mais solitário, porém, se efetua a segunda transformação: o espírito torna-se leão; quer conquistar a liberdade e ser senhor no seu próprio deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procura então o seu último senhor, quer ser seu inimigo e de seus dias; quer lutar pela vitória com o grande dragão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o grande dragão a que o espírito já não quer chamar Deus, nem senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tu deves”, assim se chama o grande dragão; mas o espírito do leão diz: “Eu quero”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “tu deves” está postado no seu caminho, como animal escamoso de áureo fulgor; e em cada uma das suas escamas brilha em douradas letras: “Tu deves!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valores milenários brilham nessas escamas, e o mais poderoso de todos os dragões fala assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em mim brilha o valor de todas as coisas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todos os valores foram já criados, e eu sou todos os valores criados. Para o futuro não deve existir o “eu quero!” Assim falou o dragão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus irmãos, que falta faz o leão no espírito? Não bastará a besta de carga que abdica e venera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar valores novos é coisa que o leão ainda não pode; mas criar uma liberdade para a nova criação, isso pode-o o poder do leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para criar a liberdade e um santo NÃO, mesmo perante o dever; para isso, meus irmãos, é preciso o leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquistar o direito de criar novos valores é a mais terrível apropriação aos olhos de um espírito sólido e respeitoso. Para ele isto é uma verdadeira rapina e coisa própria de um animal rapace.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o mais santo, amou em seu tempo o “tu deves” e agora tem que ver a ilusão e arbitrariedade até no mais santo, a fim de conquistar a liberdade à custa do seu amor. É preciso um leão para esse feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizei-me, porém, irmãos: que poderá a criança fazer que não haja podido fazer o leão? Para que será preciso que o altivo leão se mude em criança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança é a inocência, e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim; para o jogo da criação, meus irmãos, é preciso uma santa afirmação: o espírito quer agora a sua vontade, o que perdeu o mundo quer alcançar o seu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três transformações do espírito vos mencionei: como o espírito se transformava em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra. E nesse tempo residia na cidade que se chama “Vaca Malhada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DAS CÁTEDRAS DA VIRTUDE&lt;br /&gt;Elogiaram a Zaratustra um sábio que falava doutamente do sono e da virtude; por isso se via cumulado de honrarias e recompensas, e todos os mancebos acorriam à sua cátedra. Zaratustra foi ter com ele, e, como todos os mancebos, sentou-se diante da sua cátedra. E o sábio falou assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Honrai o sono e respeitai-o! É isso o principal. E fugi de todos os que dormem mal e estão acordados de noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio ladrão se envergonha em presença do sono. Sempre vagueia silencioso durante a noite: mas o relento é insolente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é pouco saber dormir; para isso é preciso aprontar-se durante o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez vezes ao dia deves saber vencer-te a ti mesmo; isto cria uma fadiga considerável, e esta é a dormideira da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez vezes deves reconciliar-te contigo mesmo, porque é amargo, vencermo-nos, e o que não está reconciliado dorme mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez verdades hás de encontrar durante o dia; se assim não for, ainda procurarás verdades durante a noite e a tua alma estará faminta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez vezes ao dia precisas rir e estar alegre, senão incomodar-te-á de noite o estômago, esse pai da aflição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que poucas pessoas o saibam, é preciso ter todas as virtudes para dormir bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto falsos testemunhos? Cometi adultério?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobiço a serva do próximo? Tudo isto se combina mal com um bom sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se se tivessem as virtudes, seria preciso saber fazer coisa: adormecer a tempo todas as virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mister que estas lindas mulheres se não desavenham! E por tua causa, infeliz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paz com Deus e com o próximo: assim o quer o bom sono. E também paz com o diabo do próximo, senão, atormentar-te-á de noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honra e obediência à autoridade, mesmo à autoridade que claudique! Assim o exige o bom sono! Acaso tem uma pessoa culpa do poder gostar de andar com pernas coxas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que conduz as suas ovelhas ao prado mais viçoso, para mim será melhor pastor: isto é conveniente ao bom sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero muitas honras nem grandes tesouros; isto exacerba a bilis. Dorme-se mal, porém, sem uma boa reputação e um pequeno tesouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro pouca ou má companhia; mas é mister que venha e se vá embora no momento oportuno. É isto o que convém ao bom sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também me agradam muito os pobres de espírito: apressam o sono. São bem-aventurados, mormente quando se lhes dá sempre razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim passam o dia os virtuosos. Quando chega a noite, livro-me bem de chamar o sono. O sono, que é o rei das virtudes, não quer ser chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente penso no que fiz e pensei durante o dia. Ruminando, interrogo-me pacientemente como uma vaca. Então, quais foram as tuas dez vitórias sobre ti mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quais foram as dez reconciliações, e as dez verdades, e os dez risos, com que se alegrou o meu coração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maquinando nestas coisas e acalentado por quarenta pensamentos, o sono, que eu não chamei, logo me surpreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sono dá-me nos olhos, e sinto-os pesados. O sono aflora à minha boca, e a boca fica aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sutilmente se introduz em mim o ladrão predileto e rouba-me os pensamentos. Estou de pé, feito um tronco; mas ainda há pouco de pé, logo me estendo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvindo falar o sábio, Zaratustra riu-se consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Parece-me doido este sábio com os seus quarenta pensamentos, mas creio que compreende bem o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-aventurado o que habite ao pé deste sábio! Um sono assim é contagioso, mesmo através de uma parede espessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua cátedra mesmo há um feitiço. E não era debalde que os mancebos estavam sentados ao pé do pregador da virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a sua sabedoria: “Velar para dormir bem”. E, na verdade, se a vida faltasse senso e eu tivesse que eleger um contra-senso, esse contra-senso parecer-me-ia o mais digno de eleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora compreendo o que se procurava primeiro que tudo em nossos dias, quando se procurava mestres de virtude. O que se procurava era um bom sono, e para isso virtudes coroadas de dormideiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para todos estes sábios catedráticos, tão ponderados, a sabedoria era dormir sem sonhar: não conheciam melhor sentido da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ainda há alguns como este pregador da virtude, e nem sempre tão honestos como ele; mas o seu tempo já passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda bem não estão em pé, já se estendem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-aventurados tais dormentes porque não tardarão a dormir de todo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOS CRENTES EM ALÉM MUNDOS (3)&lt;br /&gt;Um dia, Zaratustra elevou a sua ilusão mais além da vida dos homens, à maneira de todos os que crêem em além-mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra de um deus dolente e atormentado lhe pareceu então o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sonho me parecia, e ficção de um deus: vapor colorido ante os olhos de um divino descontente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem e mal, alegria e desgosto, eu e tu, vapor colorido me parecia tudo ante os olhos criadores. O criador queria desviar de si mesmo o olhar... e criou o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem sofre é uma alegria esquecer o seu sofrimento. Alegria inebriante e esquecimento de si mesmo me pareceu um dia o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mundo, o eternamente imperfeito, me pareceu um dia, imagem de uma eterna contradição, e uma alegria inebriante para o seu imperfeito criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma maneira projetei eu também a minha ilusão mais para além da vida dos homens à semelhança de todos os crentes em além-mundos. Além dos homens, realmente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, meus irmãos! Este deus que eu criei, era obra humana e humano delírio, como todos os deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era homem, tão somente um fragmento de homem e de mim. Esse fantasma saía das minhas próprias cinzas e da minha própria chama, e nunca veio realmente do outro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sucedeu, meus irmãos? Eu, que sofria, dominei-me; levei a minha própria cinza para a montanha; inventei para mim uma chama mais clara. E vede! O fantasma ausentou-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que estou curado, seria para mim um sofrimento e um tormento crer em semelhantes fantasmas. Assim falo eu aos que creem em além-mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofrimentos e incompetências; eis o que criou todos os além-mundos, e esse breve desvario da felicidade que só conhece quem mais sofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fadiga, que de um salto quer atingir o extremo, uma fadiga pobre e ignorante, que não quer ao menos um maior querer; foi ela que criou todos os deuses e todos os além-mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditai-me, meus irmãos! Foi o corpo que desesperou do corpo: tateou com os dedos do espírito extraviado as últimas paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditai-me, meus irmãos! Foi o corpo que desesperou da terra: ouviu falar as entranhas do ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis então que a sua cabeça transpassasse as últimas paredes, e não só a cabeça: até ele quis passar para o “outro mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “outro mundo”, porém, esse mundo desumanizado e inumano, que é um nada celeste, está oculto aos homens, e as entranhas do ser não falam ao homem, a não ser como homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É deveras difícil demonstrar o Ser, e difícil é fazê-lo falar. Dizei-me, porém, irmãos: a mais estranha de todas as coisas não será a melhor demonstrada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, este Eu que cria, que quer, e que dá a medida e o valor das coisas, este Eu, e a contradição e confusão do Eu falam com a maior lealdade do seu ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este ser lealíssimo, o Eu, fala do corpo, e quer o corpo, embora sonhe e divague e esvoace com as asas partidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Eu aprende a falar mais realmente de cada vez, e quanto mais aprende, mais palavras acha para honrar o corpo e terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu Eu ensinou-me um novo orgulho que eu ensino aos homens: não ocultar a cabeça nas nuvens celestes, mas levá-la descoberta; sustentar erguida uma cabeça terrestre que creia no sentido da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ensino aos homens uma nova vontade: querer o caminho que os homens têm seguido cegamente, e considerá-lo bom e fugir dele como os enfermos e os decrépitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermos e decrépitos foram os que menosprezaram o corpo e a terra, os que inventaram as coisas celestes e as gotas de sangue redentor; mas até esses doces e lúgubres venenos foram buscar no corpo e na terra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queriam fugir da sua miséria, e as estrelas estavam demasiado longe para eles. Então suspiraram: “Oh! se houvessem caminhos celestes para alcançar outra vida e outra felicidade!” E inventaram os seus artifícios e as suas beberagens sangrentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E julgaram-se arrebatados para longe do seu corpo e desta terra, os ingratos! A quem deviam, porém, o seu espasmo e o deleite do seu arroubamento? Ao seu corpo e a esta terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra é indulgente com os enfermos. Não o enfadam as suas formas de se consolarem, nem a sua ingratidão. Curem-se, dominem-se, criem um corpo superior!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra também se não enfada com o que sara quando este olha com carinho as suas ilusões, e vai à meia-noite rodear a tumba do seu Deus; mas as suas lágrimas continuam sendo para mim enfermidade e corpo enfermo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve semprei muitos enfermos entre os que sonham e suspiram por Deus; odeiam furiosamente o que procura o conhecimento e a mais nova das virtudes, que se chama lealdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olham sempre para trás, para tempos obscuros; nesse tempo, de certo, a ilusão e a fé eram outra coisa. O delírio da razão era coisa divina, e a dúvida, pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço demasiado esses semelhantes a Deus; querem que se acredite neles e que a dúvida seja pecado. Também sei de sobra no que é que eles crêem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é, certamente, em além-mundos e em gotas de sangue redentor; eles também crêem sobretudo no corpo, e ao seu próprio que olham como a coisa em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu corpo, porém, é coisa enfermiça e de boa vontade se livrarão dele. Por isso escutam os pregadores da morte e eles mesmos pregam os além-mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferi, meus irmãos, a voz do corpo curado; é uma voz mais leal e mais pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo são, o corpo cheio de ângulos retos, fala com mais lealdade e mais pureza; fala do sentido da terra”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOS QUE DESPREZAM O CORPO&lt;br /&gt;Aos que desprezam o corpo quero dizer a minha opinião. O que devem fazer não é mudar de preceito, mas simplesmente despedirem-se do seu próprio corpo, e por conseguinte, ficarem mudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu sou corpo e alma” — assim fala a criança. — E porque sei não há de falar como as crianças?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que está desperto e atento diz: — “Tudo é corpo, e nada mais; a alma é apenas nome de qualquer coisa do corpo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo é uma razão em ponto grande, uma multiplicidade com um só sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instrumento do teu corpo é também a tua razão pequena, a que chamas espírito: um instrumentozinho e um pequeno brinquedo da tua razão grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu dizes “Eu” e orgulhas-te dessa palavra. Porém, maior — coisa que tu não queres crer — é o teu corpo e a tua razão grande. Ele não diz Eu, mas: procede como Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os sentidos apreciam, o que o espírito conhece, nunca em si tem seu fim; mas os sentidos e o espirito quereriam convencer-te de que são fim de tudo; tão soberbos são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sentidos e o espírito são instrumentos e joguetes; por detrás deles se encontra o nosso próprio ser (4). Ele esquadrinha com os olhos dos sentidos e escuta com os olhos do espirito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre escuta e esquadrinha o próprio ser: combina, submete, conquista e destrói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reina, e é também soberano do Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por detrás dos teus pensamentos e sentimentos, meu irmão, há um senhor mais poderoso, um guia desconhecido, chama-se “eu sou”. Habita no teu corpo; é o teu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais razão no teu corpo do que na tua melhor sabedoria. E quem sabe para que necessitará o teu corpo precisamente da tua melhor sabedoria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio ser se ri do teu Eu e dos seus saltos arrogantes. Que significam para mim esses saltos e vôos do pensamento? — diz. — Um rodeio para o meu fim. Eu sou o guia do Eu e o inspirador de suas idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso próprio ser diz ao Eu: “Experimenta dores!” E sofre e medita em não sofrer mais; e para isso deve pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso próprio ser diz ao Eu: “Experimenta alegrias!” regozija-se então e pensa em continuar a regozijar-se freqüentemente; e para isso deve pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero dizer uma coisa aos que desprezam o corpo: desprezam aquilo a que devem a sua estima. Quem criou a estima e o menosprezo e o valor e a vontade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio ser criador criou a sua estima e o seu menosprezo, criou a sua alegria e a sua dor. O corpo criador criou a si mesmo o espírito como emanação da sua vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desprezadores do corpo: até na vossa loucura e no vosso desdém sereis o vosso próprio ser. Eu vos digo: o vosso próprio ser quer morrer e se afasta da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode fazer o que mais desejaria: criar superando-se a si mesmo. É isto o que ele mais deseja; é esta a sua paixão toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, porém, tarde demais para isso: de maneira que até o vosso próprio ser quer desaparecer, desprezadores do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vosso próprio ser quer desaparecer: por isso desprezais o corpo! Porque não podeis criar já, superando-vos a vós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso vos revoltais contra a vida e a terra. No olhar oblíquo do vosso menosprezo transparece uma inveja inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sigo o vosso caminho, desprezadores do corpo! Vós, para mim não sois pontes que se encaminhem para o Super-homem!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DAS ALEGRIAS E PAIXÕES&lt;br /&gt;“Irmão, quando possues uma virtude e essa virtude é tua, não a tens em comum com pessoa nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falar verdade, tu queres chamá-la pelo seu nome e acariciá-la; queres puxar-lhe a orelha e divertir-te com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já vês! Tens agora o seu nome em comum com o povo, e tornaste-te povo e rebanho com a tua virtude!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farias melhor dizendo: “Coisa inexprimível e sem nome é o que constitui o tormento e a doçura da minha alma, e o que é também a fome das minhas entranhas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja a tua virtude demasiado alta para a familiaridade de denominações; e se necessitas falar dela não te envergonhes de balbuciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala e balbucia assim: “Este é o meu bem, o que amo; só assim me agrada inteiramente; só assim é que quero bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não o quero como mandamento de um Deus, nem como uma lei e uma necessidade humana; não há de ser para mim um guia de terras superiores e paraísos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu amo é uma virtude terrena, que se não relaciona com a sabedoria e o sentir comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este pássaro, porém, construiu o seu ninho em mim; por isso lhe quero e o estreito ao coração. Agora incuba em mim os seus dourados ovos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que deves balbuciar e elogiar a tua virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dantes tinhas paixões e chamava-lhes males. Agora, porém, só tens as tuas virtudes: nasceram das tuas paixões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puseste nessas paixões o teu objetivo mais elevado; então passaram a ser tuas virtudes e alegrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fostes da raça dos coléricos, ou dos volutuosos ou dos fanáticos, ou dos vingativos, todas as tuas paixões acabaram por se mudar em virtudes, todos os teus demônios em anjos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dantes tinhas no teu antro, cães selvagens, mas acabaram por se converter em pássaros e aves canoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os teus venenos preparaste o teu bálsamo; ordenhaste a tua vaca de tribulação e agora bebes o saboroso leite dos seus úberes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nenhum mal nasce em ti, a não ser aquele que brota da luta das tuas virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmão, quando gozas de boa sorte tens uma virtude, e nada mais; assim passas mais ligeiro a ponte. É uma distinção ter muitas virtudes, mas é sorte bem dura; e não são poucos os que se têm ido matar ao deserto por estarem fartos de ser combatente e campo de batalha de virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmão, a guerra e as batalhas são males? Pois são males necessários; a inveja, a desconfiança e a calúnia são necessárias entre as tuas virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repara como cada uma das virtudes deseja o mais alto que há: quer todo o teu espírito para seu arauto, quer a tua força toda na cólera, no ódio e no amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada virtude é ciosa das outras virtudes, e os ciúmes são uma coisa terrível. Também há virtudes que podem morrer por ciúmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que anda em redor da chama dos ciúmes, acaba qual escorpião, por voltar contra si mesmo o aguilhão envenenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, meu irmão! Nunca viste uma virtude caluniar-se e aniquilar-se a si mesma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem precisa ser superado. Por isso necessitas amar as tuas virtudes, porque por elas morrerás”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DO PÁLIDO DELINQÜENTE&lt;br /&gt;“Vós, juizes e sacrificadores, não quereis matar enquanto a besta não haja inclinado a cabeça? Vede: o pálido delinqüente inclinou a cabeça; em seus olhos fala o supremo desprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O meu Eu deve ser superado: o meu Eu é para mim o grande desprezo do homem”. Assim falam os olhos dele. O seu momento maior foi aquele em que a si mesmo se julgou. Não deixeis o sublime tornar ai cair na sua baixeza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aquele que tanto sofre por si, só há salvação na morte rápida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vosso homicídio, oh! juizes! deve ser compaixão, e não vingança. E ao matar, tratai de justificar a própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vos basta reconciliar-vos com aquele que matais. Seja a vossa tristeza amor ao Super-homem; assim justificais a vossa supervivência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizei “inimigo”, “malvado” não; dizei “enfermo” e não “infame”; dizei “insensato” e não “pecador”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu, vermelho juiz, se dissesses em voz alta o que fizeste já em pensamento, toda gente gritaria: Abaixo essa imundície e esse verme venenoso!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa, porém, é o pensamento, outra a ação, outra a imagem da ação. A roda da causalidade não gira entre elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma imagem fez empalidecer esse homem pálido. Ele estava à altura do seu ato quando o realizou, mas não suportou a sua imagem depois de o ter consumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre se viu só, como o autor de um ato. Eu chamo isso loucura; a exceção converteu-se para ele em regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O golpe que deu fascina-lhe a pobre razão: a isso chamo eu a loucura depois do ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi, Juizes! Ainda há outra loucura: a loucura antes do ato. Ah! não penetrastes profundamente nessa alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz vermelho fala assim: “Por que foi que este criminoso matou? Queria roubar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu vos digo: a sua alma queria sangue e não o roubo; tinha sede do gozo da faca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua pobre razão, porém, não compreendia essa loucura e decidiu-o. “Que importa o sangue? — disse ela. — Nem ao menos desejas roubar ao mesmo tempo? Não te desejas vingar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E atendeu a sua pobre razão, cuja linguagem pesava sobre ele como chumbo; então roubou ao assassinar. Não se queria envergonhar da sua loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora pesa sobre ele o chumbo do seu crime; mas a sua pobre razão está tão paralisada, tão torpe!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ao menos pudesse sacudir a cabeça, a sua carga cairia, mas, quem sacudirá esta cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é este homem? Um conjunto de enfermidades que, pelo espírito, abrem caminho para fora do mundo, onde querem apanhar a sua presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é este homem? Um magote de serpentes ferozes que se não podem entender; por isso cada qual vai por seu lado procurar presa pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede este pobre corpo! O que ele sofreu e o que desejou, a alma o interpretou a seu favor; interpretou-o como gozo e desejo sanguinário do prazer da faca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que enferma agora, vê-se dominado pelo mal, que é mal agora; quer fazer sofrer com o que o faz sofrer; mas houve outros tempos e outros males e bens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dantes era um mal a dúvida e a vontade própria. Então o enfermo torna-se hereje e bruxa; como hereje e bruxa padecia e fazia padecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto não quer entrar nos vossos ouvidos; prejudica, dizeis, os vossos bons; mas que me importam a mim os vossos bons?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos vossos bons há muitas coisas que me repugnam, e de certo não é o seu mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quereria que tivessem uma loucura que os levasse a sucumbir, como esse pálido criminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quereria que a sua loucura se chamasse verdade, ou fidelidade, ou justiça; mas têm virtude para viver em mísera conformidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um anteparo na margem do rio; aquele que puder prender-me, que o faça. Saiba-se, porém, que não sou vossa muleta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LER E ESCREVER&lt;br /&gt;“De todo o escrito só me agrada aquilo que uma pessoa escreveu com o seu sangue. Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil compreender sangue alheio: eu detesto todos os ociosos que lêm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que conhece o leitor já nada faz pelo leitor. Um século de leitores, e o próprio espírito terá mau cheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter toda a gente o direito de aprender a ler é coisa que estropia, não só a letra mas o pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutro tempo o espírito era Deus; depois fez-se homem; agora fez-se populaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que escreve em máximas e com sangue não quer ser lido, mas decorado. Nas montanhas, o caminho mais curto é o que medeia de cimo a cimo; mas para isso é preciso ter pernas altas. Os aforismos devem ser cumieiras, e aqueles a quem se fala devem ser homens altos e robustos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar leve e puro, o próximo perigo e o espírito cheio de uma alegre malícia, tudo isto se harmoniza bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero ver duendes em torno de mim porque sou valoroso. O valor que afugenta os fantasmas cria os seus próprios duendes: o valor quer rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já não sinto em unísono convosco; essa nuvem que eu vejo abaixo de mim, esse negrume e carregamento de que me rio, é precisamente a vossa nuvem tempestuosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vós olhais para cima quando aspirais a vos elevar. Eu, como estou alto, olho para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual de vós pode estar alto e rir ao mesmo tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que escala elevados montes ri-se de todas as tragédias da cena e da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valorosos, despreocupados, zombeteiros, violentos, eis como nos quer a sabedoria. É mulher e só lutadores podem amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vós dizeis-me: “A vida é uma carga pesada”. Mas, para que é esse vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão, à tarde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é uma carga pesada; mas não vos mostreis tão contristados. Todos somos jumentos carregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que parecença temos com o cálice de rosa que treme porque o oprime uma gota de orvalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas ao amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sempre o seu quê de loucura no amor; mas também há sempre o seu quê de razão na loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca a Zaratustra lágrimas e canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando vi o meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo e solene: era o espírito do pesadelo. Por ele caem todas as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é com cólera, mas com riso que se mata. Adiante! matemos o espírito do pesadelo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aprendi a andar; por conseguinte corro. Eu aprendi a voar; por conseguinte não quero que me empurrem para mudar de sítio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sou leve, agora vôo; agora vejo por baixo de mim mesmo, agora salta em mim um Deus”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA ÁRVORE DA MONTANHA&lt;br /&gt;Os olhos de Zaratustra tinham visto um mancebo que evitava a sua presença. E, uma tarde, ao atravessar sozinho as montanhas que rodeiam a cidade denominada “Vaca Malhada”, encontrou esse mancebo sentado ao pé de uma árvore, dirigindo ao vale um olhar fatigado. Zaratustra agarrou a árvore a que o mancebo se encostava e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se eu quisesse sacudir esta árvore com as minhas mãos não poderia; mas o vento, que não vemos, açoita-a e dobra-a como lhe apraz. Também a nós outros, mãos invisíveis nos açoitam e dobram rudemente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tais palavras, o mancebo ergueu-se assustado, dizendo: “Ouço Zaratustra, e positivamente estava a pensar nele”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por que te assustas? O que sucede à árvore, sucede ao homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais se quer erguer para as alturas e para a luz, mais vigorosamente enterra as suas raízes para baixo, para o tenebroso e profundo: para o mal.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim; para o mal! — exclamou o manicebo — Como é possível teres descoberto a minha alma?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaratustra sorriu e disse: “Há almas que nunca se descobrirão, a não ser que se principie por inventá-las”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim; para o mal! — exclamou outra vez o mancebo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizias a verdade, Zaratustra. Já não tenho confiança em mim desde que quero subir às alturas, e já nada tem confiança em mim. A que se deve isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu transformo-me depressa demais: o meu hoje contradiz o meu ontem. Com freqüência salto degraus quando subo, coisa que os degraus me não perdoam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chego em cima, sempre me encontro só. Ninguém me fala; o frio da soledade faz-me tiritar. Que é que quero, então, nas alturas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu desprezo e o meu desejo crescem a par; quanto mais me elevo mais desprezo o que se eleva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como me envergonho da minha ascenção e das minha quedas! Como me rio de tanto anelar! Como odeio o que voa! Como me sinto cansado nas alturas!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mancebo calou-se. Zaratustra olhou atento a árvore a cujo pé se encontravam e falou assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Esta árvore está solitária na montanha. Cresce muito sobranceira aos homens e aos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se quisesse falar ninguém haveria que a pudesse compreender: tanto cresceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora espera, e continua esperando. Que esperará, então? Habita perto demais das nuvens: acaso esperará o primeiro raio?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Zaratustra acabava de dizer isto, o mancebo exclamou com gestos veementes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É verdade, Zaratustra: dizes bem. Eu desejei a minha queda ao querer chegar às alturas, e tu eras o raio que esperava. Olha: que sou eu, desde que tu nos apareceste? A inveja aniquilou-me!” Assim falou o mancebo, e chorou amargamente. Zaratustra cingiu-lhe a cintura com o braço e levou-o consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de andarem juntos durante algum tempo, Zaratustra começou a falar assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho o coração desfibrado. Melhor do que as tuas palavras, dizem-me os teus olhos todo o perigo que corres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não és livre, ainda procuras a liberdade. As tuas buscas desvelaram-te e envaideceram-te demasiadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres escalar a altura livre; a tua alma está sedenta de estrelas; mas também os teus maus instintos têm sede de liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus cães selvagens querem ser livres; ladram de alegria no seu covil quando o teu espírito tende a abrir todas as prisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, és ainda um preso que sonha com a liberdade. Ai! a alma de presos assim torna-se prudente, mas também astuta e má.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que libertou o seu espírito necessita ainda purifioar-se. Ainda lhe restam muitos vestígios de prisão e de lodo: é preciso, todavia, que a sua vista se purifique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim; conheço o teu perigo; mas, por amor de mim te exorto a não afastares para longe de ti o teu amor e a tua esperança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda te reconheces nobre, assim como nobre te reconhecem os outros, os que estão mal contigo e te olham com maus olhos. Fica sabendo que todos tropeçam com algum nobre no seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também os bons tropeçam com algum nobre no seu caminho, e se lhe chamam bom é tão somente para o pôr de parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nobre quer criar alguma coisa nobre e uma nova virtude. O bom deseja o velho e que o velho se conserve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perigo do nobre, porém, não é tornar-se bom, mas insolente, zombeteiro e destruidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! eu conheci nobres que perderam a sua mais elevada esperança. E depois caluniaram todas as elevadas esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora têm vivido abertamente com minguadas aspirações, e apenas planearam um fim de um dia para outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O espírito é também voluptuosidade” — diziam. E então o seu espírito partiu as asas; arrastar-se-á agora de trás para diante, maculando tudo quanto consome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutro tempo pensavam fazer-se heróis; agora são folgazões. O herói é para ele aflição e espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por amor de mim e da minha esperança te digo: não expulses para longe de ti o herói que há na tua alma! Santifica a tua mais elevada esperança!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOS PREGADORES DA MORTE&lt;br /&gt;“Há pregadores da morte, e a terra está cheia de indivíduos a quem é preciso pregar que desapareçam da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terra está cheia de supérfluos, e os que estão demais prejudicam a vida. Tirem-nos desta com o engodo da “eterna”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amarelos” se costuma chamar aos pregadores da morte, ou então “pretos”. Eu, porém, quero apresentá-los também sob outras cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terríveis são os que têm dentro de si a terra, e que só podem escolher entre as concupiscências e as mortificações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sequer chegariam a ser homens esses seres terríveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preguem, pois, o abandono da vida, e vão-se eles também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis os tísicos da alma. Mal nasceram e já conteçaram a morrer, e sonham com as doutrinas do cansaço e da renúncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quereriam estar mortos, e nós devemos santificar-lhes a vontade. Livremo-nos de ressuscitar esses mortos e de lhes violar as sepulturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontram um doente, um velho ou um cadáver, e depois dizem: “Reprove-se a vida!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os reprovados, contudo, são eles unicamente, assim como os seus olhos que só vêem um aspecto da sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumidos na densa melancolia e ávidos dos leves acidentes que matam, esperam cerrando os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então estendem a mão para doces e zombam das suas próprias criancices: estão encostados à vida como uma palha, e escarnecem de se apoiarem a uma palha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua sabedoria diz: “Louco é aquele que pertence à vida, mas, assim somos nós loucos! E esta é a maior loucura da vida!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A vida não é mais do que sofrimento”, dizem outros, e não mentem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratai pois de abreviar a vossa. Fazei cessar a vida que é só sofrimento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o ensinamento da vossa virtude: “Deves matar-te a ti mesmo! Deves desaparecer diante de ti mesmo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A luxúria é pecado — dizem alguns dos que pregam a morte. — Separemo-nos e não engendremos filhos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É doloroso dar à luz — dizem os outros. — Para que se há de continuar a dar à luz?” E também eles são pregadores da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É preciso ser compassivo — dizem os terceiros — Recebei o que tenho. Recebei o que sou! Assim me prendo menos à vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fossem verdadeiramente compassivos procurariam desgostar da vida o próximo. Serem maus, seria a verdadeira bondade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles, porém, querem libertar-se da vida. Que lhes importa prender outros a ela mais estreitamente com as suas cadeias e as suas dádivas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vós outros também, vós que levais uma vida de inquietação e de trabalho furioso, não estais cansadíssimos da vida? Não estais bastante sazonados para a pregação da morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vós todos que amais o trabalho furioso e tudo o que é rápido, novo, singular, suportai-vos mal a vós mesmos: a vossa atividade é fuga e desejo de vos esquecerdes de vós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivésseis mais fé na vida, não vos entregaríeis tanto ao momento corrente; mas não tendes fundo suficiente para esperar nem tão pouco para a preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda parte ressoa a voz dos que pregam a morte, e a terra está cheia de seres a que é mister pregar a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou “a vida eterna” — que para mim é o mesmo — contanto que se vão depressa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA GUERRA E DOS GUERREIROS&lt;br /&gt;“Não queremos que os nossos inimigos nos tratem com indulgência, nem tão pouco aqueles a quem amamos de coração. Deixai-me, portanto, dizer-vos a verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmãos na guerra! Amo-vos de todo o coração; eu sou e era vosso semelhante. Também sou vosso inimigo. Deixai-me, portanto, dizer-vos a verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço o ódio e a inveja do vosso coração. Não sois bastante grandes para não conhecer o ódio e a inveja. Sede, pois, bastante grandes para não vos envergonhardes disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se não podeis ser os santos do conhecimento, sede ao menos os seus guerreiros. Eles são os companheiros e os precursores dessa entidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo muitos soldados; oxalá possa ver muitos guerreiros. Chama-se “uniforme” o seu traje; não seja, porém, uniforme o que esse traje oculta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vós deveis ser daqueles cujos olhos procuram sempre um inimigo, o vosso inimigo. Em alguns de vós se descobre o ódio à primeira vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vós deveis procurar o vosso inimigo e fazer a vossa guerra, uma guerra por vossos pensamentos. E se o vosso pensamento sucumbe, a vossa lealdade, contudo, deve cantar vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveis amar a paz como um meio de novas guerras, e mais a curta paz do que a prolongada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vos aconselho o trabalho, mas a luta. Não vos aconselho a paz, mas a vitória. Seja o vosso trabalho uma luta! Seja vossa paz uma vitória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é possível estar calado e permanecer tranqüilo senão quando se têm flechas no arco; a não ser assim questiona-se. Seja a vossa paz uma vitória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizeis que a boa causa é a que santifica também a guerra? Eu vos digo: a boa guerra é a que santifica todas as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra e o valor têm feito mais coisas grandes do que o amor do próximo. Não foi a vossa piedade mas a vossa bravura que até hoje salvou os náufragos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é bom? — perguntais. — Ser valente. Deixai as raparigas dizerem: “Bom é o bonito e o meigo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamam-vos gente sem coração; mas o vosso coração é sincero, e a mim agrada-me o pudor da vossa cordialidade. Envergonhai-vos do vosso fluxo, e os outros se envergonham do seu refluxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sois feios? Pois bem, meus irmãos; envolvei-vos no sublime, o manto da fealdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a vossa alma cresce, torna-se arrogante, e há maldade na vossa elevação. Conheço-vos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na maldade, o arrogante encontra-se com o fraco, mas não se compreendem. Conheço-vos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só deveis ter inimigos para os odiar, e não para os desprezar. Deveis sentir-vos orgulhosos do vosso inimigo; então os triunfos dele serão também triunfos vossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolta é a nobreza do escravo. Seja a obediência a vossa nobreza. Seja a obediência o vosso próprio mandato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o verdadeiro homem de guerra soa mais agradavelmente “tu deves” do que “eu quero”. E vós deveis procurar ordenar tudo o que quiserdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja o vosso amor à vida amor às mais elevadas esperanças, e que a vossa mais elevada esperança seja o mais alto pensamento da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o vosso mais alto pensamento deveis ouvi-lo de mim, e é este: o homem deve ser superado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivei assim a vossa vida de obediência e de guerra. Que importa o andamento da vida! Que guerreiro quererá poupar-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não uso de branduras convosco, amo-vos de todo o coração, irmãos na guerra!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DO NOVO ÍDOLO&lt;br /&gt;“Ainda em algumas partes há povos e rebanhos; mas entre nós, irmãos, entre nós há Estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estados? Que é isso? Vamos! Abri os ouvidos, porque vos vou falar da morte dos povos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estado chama-se o mais frio dos monstros. Mente também friamente, e eis que mentira rasteira sai da sua boca: “Eu, o Estado, sou o Povo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma mentira! Os que criaram os povos e suspenderam sobre eles uma fé e um amor, esses eram criadores: serviam a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que armam laços ao maior número e chamam a isso um Estado são destruidores; suspendem sobre si uma espada e mil apetites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde há ainda povo não se compreende o Estado que é detestado como uma transgressão aos costumes e às leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vos dou este sinal: cada povo fala uma língua do bem e do mal, que o vizinho não compreende. Inventou a sua língua para os seus costumes e as suas leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Estado mente em todas as línguas do bem e do mal, e em tudo quanto diz mente, tudo quanto tem roubou-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo nele é falso; morde com dentes roubados. Até as suas entranhas são falsas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma confusão das línguas do bem e do mal: é este o sinal do Estado. Na Verdade, o que este sinal indica é a vontade da morte; está chamando os pregadores da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vêm ao mundo homens demais, para os supérfluos inventou-se o Estado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede como ele atrai os supérfluos! Como os engole, como os mastiga e remastiga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na terra nada há maior do que eu; eu sou o dedo ordenador de Deus” — assim grita o monstro. E não são só os que têm orelhas compridas e vista curta que caem de joelhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai! também em vossas almas grandes murmuram as suas sombrias mentiras! Aí eles advinham os corações ricos que gostam de se prodigalizar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim; adivinha-vos a vós também, vencedores do antigo Deus. Saistes rendido do combate, e agora a vossa fadiga ainda serve ao novo ídolo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele queria rodear-se de heróis e homens respeitáveis. A este frio monstro agrada-lhe acalentar-se ao sol da pura consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vós outros quer ele dar tudo, se adorardes. Assim compra o brilho da vossa virtude e o altivo olhar dos vossos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convosco quer atrair os supérfluos! Sim; inventou com isso uma artimanha infernal, um corcel de morte, ajaezado com adorno brilhante das honras divinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventou para o grande número uma morte que se preza de ser vida, uma servidão à medida do desejo de todos os pregadores da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado é onde todos bebem veneno, os bons e os maus; onde todos se perdem a si mesmos, os bons e os maus; onde o lento suicídio de todos se chama “a vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede, pois, esses supérfluos! Roubam as obras dos inventores e os tesouros dos sábios; chamam a civilização ao seu latrocínio, e tudo para eles são doenças e contratempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede, pois, esses supérfluos. Estão sempre doentes; expelem a bilis, e a isso chamam periódicos. Devoram-se e nem sequer se podem dirigir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede, pois, esses adquirem riquezas, e fazem-se mais pobres. Querem o poder, esses ineptos, e primeiro de tudo o palanquim do poder: muito dinheiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede trepar esses ágeis macacos! Trepam uns sobre os outros e arrastam-se para o lodo e para o abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos querem abeirar-se do trono; é a sua loucura — como se a felicidade estivesse no trono! — Freqüentemente também o trono está no lodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim todos eles são doidos e macacos trepadores e buliçosos. O seu ídolo, esse frio monstro, cheira mal; todos eles, esses idólatras, cheiram mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus irmãos, quereis por agora afogar-vos na exalação de suas bocas e de seus apetites? Antes disso, arrancai as janelas e saltai para o ar livre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evitai o mau cheiro! Afastai-vos da idolatria dos supérfluos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evitai o mau cheiro! Afastai-vos do fumo desses sacrifícios humanos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda agora o mundo é livre para as almas grandes. Para os que vivem solitários ou aos pares ainda há muitos sítios vagos onde se aspira a fragrância dos mares silenciosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda têm franca uma vida livre as almas grandes. Na verdade, quem pouco possui tanto menos é possuído. Bendita seja a nobreza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além onde acaba o Estado começa o homem que não é supérfluo; começa o canto dos que são necessários, a melodia única e insubstituível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além, onde acaba o Estado... olhai, meus irmãos! Não vedes o arco-iris e a ponte do Super-homem?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DAS MOSCAS DA PRAÇA PÚBLICA&lt;br /&gt;“Foge, meu amigo, para a tua soledade! Vejo-te aturdido pelo ruído dos grandes homens e crivado pelos ferrões dos pequenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dignamente sabem calar-se contigo os bosques e os penedos. Assemelha-te de novo à tua árvore querida, a árvore de forte ramagem que escuta silenciosa, pendida para o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde cessa a soledade principia a praça pública, onde principia a praça pública começa também o ruído dos grandes cômicos e o zumbido das moscas venenosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo as melhores coisas nada valem sem alguém que as represente; o povo chama a esses representantes grandes homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo compreende mal o que é grande, quer dizer, o que cria; mas tem um sentido para todos os representantes e cômicos das grandes coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo gira em torno dos inventores de valores novos; gira invisivelmente; mas em torno do mundo giram o povo e a glória: assim “anda o mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cômico tem espírito, mas pouca consciência do espírito. Crê sempre naquilo pelo qual faz crer mais energicamente — crer em si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã tem uma fé nova, e depois de amanhã outra mais nova. Possui sentidos rápidos como o povo, e temperaturas variáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derribar: chama a isto demonstrar. Enlouquecer: chama a isto convencer. E o sangue é para ele o melhor de todos os argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama mentira e nada a uma verdade que só penetra em ouvidos apurados. Verdadeiramente só crê em deuses que façam muito ruído no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A praça pública está cheia de truões ensurdecedores, e o povo vangloria-se dos seus grandes homens. São para eles os senhores do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento oprime-o e eles oprimem-te a ti, exigem-te um sim ou um não. Desgraçado! Queres colocar-te entre um pró e um contra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não invejes esses espíritos opressores e absolutos ó! amante da verdade! Nunca a verdade pendeu do braço de um espírito absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torna ao teu asilo, longe dessa gente tumultuosa; só na praça pública assediam uma pessoa com o “sim ou não?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fontes profundas têm que esperar muito para saber o que caiu na sua profundidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo quanto é grande passa longe da praça pública e da glória. Longe da praça pública e da glória viveram sempre os inventores de valores novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foge, meu amigo, para a soledade; vejo-te aqui aguilhoado por moscas venenosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foge para onde sopre um vento rijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foge para a tua soledade. Viverás próximo demais dos pequenos mesquinhos. Foge da sua vingança invisível! Para ti não mais que vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não levantes mais o braço contra eles!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São inumeráveis, e o teu destino não é ser enxota-moscas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São inumeráveis esses pequeninos e mesquinhos; e altivos edifícios se têm visto destruídos por gotas de chuva e ervas ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não és uma pedra, mas já te fenderam infinitas gotas. Infinitas gotas continuarão a fender-te e a quebrar-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-te cansado das moscas venenosas, vejo-te arranhado e ensangüentado, e o teu orgulho nem uma só vez se quer encolerizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas desejariam o teu sangue com a maior inocência; as suas almas anêmicas reclamam sangue e picam com a maior inocência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu, que és profundo, sentias profundamente até as pequenas feridas, e antes da cura já passeava outra vez pela tua mão o mesmo inseto venenoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareces-me altivo demais para matar esse glutões; mas repara, não venha a ser destino teu suportar toda a sua venenosa injustiça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também zumbem à tua roda com os seus louvores. Importunidades: eis os seus louvores. Querem estar perto da tua pele e do teu sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adulam-te como um deus ou um diabo! choramingam diante de ti como de um deus ou de um diabo. Que importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São aduladores e choramingas, nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também sucede fazerem-se amáveis contigo; mas foi sempre essa a astúcia dos covardes. É verdade; os covardes são astutos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensam muito em ti com a alma mesquinha. Suspeitam sempre de ti. Tudo o que dá muito que pensar se torna suspeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castigam-te pelas tuas virtudes todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só te perdoam verdadeiramente os teus erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como és benévolo e justo, dizes: “Não têm culpa da pequenez da sua existência”. Mas a sua alma acanhada pensa: “Toda a grande existência é culpada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que sejas benévolo com eles, ainda se consideram desprezados por ti e pagam o teu benefício com ações dissimuladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teu mudo orgulho contraria-os sempre, e alvorotam quando acertas em ser bastante modesto para ser vaidoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que reconhecemos num homem infamamos-lhe também nele. Livra-te, portanto, dos pequenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tua presença sentem-se pequenos, e sua baixeza arde em invisível vingança contra ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não notaste como costumávamos emudecer quando te aproximava deles, e como as forças os abandonavam tal como a fumaça que se extingue?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, meu amigo; és a consciência roedora dos teus próximos, porque não são dignos de ti. Por isso te odeiam e quereriam sugar-te o sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus próximos hão de ser sempre moscas venenosas. E o que é grande em ti deve precisamente torná-los mais venenosos e mais semelhantes às moscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foge, meu amigo, para a tua soledade, para além onde sopre vento rijo e forte. Não é destino teu ser enxota-moscas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA CASTIDADE&lt;br /&gt;“Amo o bosque. É difícil viver nas cidades; nelas abundam fogosos demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vale mais cair nas mãos de um assassino do que nos sonhos de uma mulher ardente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não, olhai para esses homens; os seus olhos o dizem; nada melhor conhecem na terra do que deitar-se com uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Têm lodo no fundo da alma; e coitados deles se o seu lodo possui inteligência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ao menos fosseis animais completos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para ser animal é preciso inocência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será isto aconselhar-vos a que mateis os vossos sentidos? Aconselho-vos a inocência dos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será isto aconselhar-vos a castidade? Em alguns a castidade é uma virtude; mas em muitos é quase um vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes serão continentes; mas a vil sensualidade babuja zelosa tudo o que fazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até às alturas da sua virtude e até ao seu espírito os segue esse animal com a sua discórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com gentileza a vil sensualidade sabe mendigar um pedaço de espírito quando se lhe nega um pedaço de carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vós outros agradam as tragédias e tudo o que lacera o coração? Pois eu olho desconfiado a vossa sensualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendes olhos demasiado cruéis, e olhais, cheios de desejos, para os que sofrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será simplesmente porque a vossa sensualidade se disfarçou e tomou o nome de compaixão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também vos apresento esta parábola:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poucos, que queriam expulsar os demônios, se meteram com os porcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a castidade pesa a algum, é preciso afastá-lo dela, para que a castidade não chegue a ser o caminho do inferno, isto é, da lama e da fogueira da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei de coisas imundas? Para mim não é isso o pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quando a verdade é imunda, mas quando é superficial, é que o investigador mergulha de má vontade nas suas águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdadeiramente há os castos por essência; são de coração mais meigo, agrada-lhes mais rir, e riem mais que vós outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riem-se também da castidade e perguntam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que é a castidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é uma loucura? Mas essa loucura não veio ter conosco, não fomos nós que a buscámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oferecemos a esse hóspede pousada e simpatia: agora habita em nós. Demore-se quanto queira!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DO AMIGO&lt;br /&gt;“Um só me assedia sempre excessivamente (assim pensa o solitário). Um sempre acaba por fazer dois!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu e Mim estão sempre em conversações incessantes. Como se poderia suportar isto se não houvesse um amigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o solitário o amigo é sempre o terceiro; o terceiro é a válvula que impede a conservação dos outros dois de se abismarem nas profundidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai! Existem demasiadas profundidades para todos os solitários. Por isso aspiram a um amigo e à sua altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa fé nos outros revela aquilo que desejaríamos crer em nós mesmos. O nosso desejo de um amigo é o nosso delator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E freqüentemente, como a amizade, apenas se quer saltar por cima da inveja. E freqüentemente atacamos e criamos inimigos para ocultar que nós mesmos somos atacáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sê ao menos meu inimigo!” — Assim, fala o verdadeiro respeito, o que se não atreve a solicitar a amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se se quiser ter um amigo, é preciso também guerrear por ele; e para guerrear é mister poder ser inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso honrar no amigo o inimigo. Podes aproximar-te do teu amigo sem passar para o seu bando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No amigo deve ver-se o melhor inimigo. Deves ser a glória do teu amigo, entregares-te a ele tal qual és? Pois é por isso que te manda para o demônio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se não recata, escandaliza. “Deveis temer a mudez! Sim; se fosseis deuses, então poderíeis einvergonhar-vos dos vossos vestidos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca te adornarás demais para o teu amigo, porque deves ser para ele uma seta e também um anelo para o Super-homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já viste dormir o teu amigo para saberes como és? Qual é, então, a cara do teu amigo? É a tua própria cara num espelho tosco e imperfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já viste dormir o teu amigo? Não te assombrou o seu aspecto? Ó! meu amigo; o homem deve ser superado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amigo deve ser mestre na adivinhação e no silêncio: não deves querer ver tudo. O teu sono deve revelar-te o que faz o teu amigo durante a vigília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja a tua compaixão uma adivinhação: é mister que, primeiro que tudo, saibas se o teu amigo quer compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez em ti lhe agradem os olhos altivos e a contemplação da eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oculte-se a compaixão com o amigo sob uma rude certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serás tu para o teu amigo ar puro e soledade, pão e medicina? Há quem não possa desatar as suas próprias cadeias, e todavia seja salvador do amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És escravo? Então não podes ser amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És tirano? Então não podes ter amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há demasiado tempo que se ocultavam na mulher um escravo e um tirano. Por isso a mulher ainda não é capaz de amizade; apenas conhece o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No amor da mulher há injustiça e cegueira para tudo quanto não ama. E mesmo o amor, reflexo da mulher, oculta sempre, a par da luz, a surpresa, o raio da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher ainda não é capaz de amizade: as mulheres continuam sendo gatas e pássaros. Ou, melhor, vacas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher ainda não é capaz de amizade. Mas dizei-me vós homens: qual de vós outros é, porventura, capaz de amizade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, homens! que pobreza e avareza a da vossa alma! Quando vós outros dais a vossos amigos eu quero dar também aos meus inimigos sem me tornar mais pobre por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja camaradagem. Haja amizade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS MIL OBJETOS E O ÚNICO OBJETO&lt;br /&gt;“Muitos países e muitos povos viu Zaratustra; assim descobriu o bem e o mal de muitos povos. Zaratustra não encontrou maior poder na terra do que o bem e o mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum poderia viver sem avaliar; mas, para se conservar não deve avaliar como o seu vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas coisas que um povo chama boas, eram para outros vergonhosas e desprezíveis; foi o que vi. Muitas coisas, aqui qualificadas de más, além as enfeitavam com o manto de púrpura das honrarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca um vizinho compreendeu o outro; sempre a sua alma se assombrou da loucura e da maldade do vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre cada povo está suspensa uma tábua de bens. E vede: é a tábua dos triunfos dos seus esforços; é a voz da sua vontade de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É honroso o que lhe parece difícil; o que é indispensável e difícil chama-se bem, e o que livra de maiores misérias, o mais raro e difícil, santifica-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que lhe permite reinar, vencer e brilhar com temor e inveja do seu vizinho, é para ele o mais elevado, o principal, a medida e o sentido de todas as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdadeiramente, se tu conheces a necessidade, o país, o céu e o vizinho de um povo, adivinhas também a lei dos seus triunfos e por que razão sobe às suas esperanças por esses graus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deves ser sempre o primeiro a avantajar-se aos outros; a tua alma zelosa não deve amar ninguém senão o amigo”. — Isto fez tremer a alma de um grego, e levou-o a seguir o caminho da grandeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dizer a verdade e saber manejar bem o arco e as flechas”. — Isto parecia caro ao mesmo tempo que difícil ao povo donde vem o meu nome, o nome que é para mim caro ao mesmo tempo que difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Honrar pai e mãe, e ter para eles submissão”. Essa tábua das vitórias sobre si elegeu outro povo, e com ela foi eterno e poderoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Render culto à fidelidade, e pela fidelidade dar sangue e honra ainda tratando-se de coisas más e perigosas”. Por esse ensinamento venceu-se a si mesmo outro povo, e a vencer-se assim chegou a encher-se de grandes esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que os homens se deram todo o seu bem e todo o seu mal. A verdade é que o não tomaram, que o não encontraram, que lhes não caiu com uma voz do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é que pôs valores nas coisas a fim de se conservar; foi ele que deu um sentido às coisas, um sentido humano. Por isso se chama “homem” isto é, o que aprecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avaliar é criar. Ouvi, criadores! Avaliar é o tesouro e a jóia de todas as coisas avaliadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela avaliação se dá o valor; sem a avaliação, a noz da existência seria oca. Ouvi-o, criadores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança dos valores é mudança de quem cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre o que há de criar destrói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os criadores, num princípio foram povos, e só mais tarde indivíduos. Na verdade, os indivíduos é a mais recente das criações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Povos suspenderam noutro tempo sobre si uma tábua do bem. O amor, que quer dominar, e o amor que quer obedecer, criaram juntos essas tábuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prazer do rebanho é mais antigo que o prazer do Eu. E enquanto a boa consciência se chama rebanho, só a má diz: Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o Eu astuto, o Eu egoísta, que procura o seu bem no bem de muitos, este não é a origem do rebanho, mas a sua destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre foram ardentes os que criaram o bem e o mal. O fogo do amor e o fogo da cólera ardem sob o nome de todas as virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos países e muitos povos viu Zaratustra. Não encontrou poder maior na terra que a obra dos ardentes; “bem e mal” é o seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o poder desses elogios e destas censuras é semelhante a um monstro. Dizei-me, meus irmãos: Quem o derrubará? Dizei: quem lançará uma cadeia sobre as mil cervizes dessa besta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até ao presente têm havido mil objetos, porque têm havido mil povos. Só falta a cadeia das mil cervizes: falta o único objeto. A humanidade não tem objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dizei-me, irmãos: se falta objeto à humanidade, não é porque ela mesma ainda não existe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DO AMOR AO PRÓXIMO&lt;br /&gt;“Vós outros andais muito solícitos em redor do próximo, e manifestai-o com belas palavras. Mas eu vos digo: o vosso amor ao próximo é vosso meu amor a vós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugis de vós em busca do próximo, e quereis converter isso numa virtude; mas eu compreendo o vosso “desinteresse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tu é mais velho do que Eu; o Tu acha-se santificado, mas o Eu ainda não. Por isso o homem anda diligente atrás do próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaso vos aconselho o amor ao próximo? Antes vos aconselho a fuga do “próximo” e o amor ao remoto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais elevado que o amor ao próximo é o amor ao longínquo, ao que está por vir, mais alto ainda que o amor ao homem coloco o amor às coisas e aos fantasmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse fantasma que corre diante de vós, meus irmãos, é mais belo que vós. Por que lhe não dais a vossa carne e os vossos ossos? Mas tende-lhes medo e fugis à procura do vosso próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vos suportais a vós mesmos e não vos quereis bastante; desejaríeis seduzir o próximo por vosso amor e dourar-vos com a sua ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera que todos esses próximos e seus vizinhos se vos tornassem insuportáveis; assim teríeis que criar para vós mesmos o vosso amigo e o seu coração fervoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamais uma testemunha quando quereis falar bem de vós, e logo que a haveis induzido a pensar bem da vossa pessoa, vós mesmos pensais bem da vossa pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só mente o que fala contra a sua consciência, mas sobretudo o que fala com a sua inconsciência. E assim falais de vós no trato social, enganando o vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala o louco: “O trato com os homens exaspera o caráter, principalmente quando o não temos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vai após o próximo, porque se procura; o outro porque se quisera esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vossa malquerença com respeito a vós mesmos converte a vossa soledade num cativeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais afastados são os que pagam o nosso amor ao próximo, e quando vós juntais cinco, deve morrer um sexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também me não agradam as vossas festas; encontrei nelas demasiados cômicos e os mesmos espectadores se conduzem freqüentemente como cômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falo do próximo; falo só do amigo. Seja o amigo para vós a festa da terra e um presentimento do Super-homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo-vos do amigo e do seu coração exuberante. Mas é preciso saber ser uma esponja quando se quer ser amado por corações exuberantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo-vos do amigo que leva em si um mundo disponível, um envólucro do bem — do amigo criador que tem sempre um mundo disponível para dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como se desenvolveu o mundo para ele, assim se envolve de novo: tal é o advento do bem pelo mal, do desígnio pelo acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam o porvir e o mais remoto a causa do vosso hoje; no vosso amigo deveis amar o Super-homem, como razão de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus irmãos, eu não vos aconselho o amor ao próximo; aconselho-vos o amor ao mais afastado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DO CAMINHO DO CRIADOR&lt;br /&gt;“Queres, meu irmão, insular-te? Queres procurar o caminho que te guia a ti mesmo? Espera ainda um momento e ouve-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que procura, facilmente se perde a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o insulamento é um erro”. Assim fala o rebanho. E tu pertenceste ao rebanho durante muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ti também ainda há de ressoar a voz do rebanho. E tu pertenceste ao rebanho durante muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ti também ainda há de ressoar a voz do rebanho. E quando disseres: “Já não tenho uma consciência comum convosco”, isso será uma queixa e uma dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha: essa mesma dor é filha da consciência comum e a última centelha dessa consciência ainda brilha na tua aflição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres, porém, seguir o caminho da tua aflição, que é o caminho para ti mesmo? Demonstra-me o teu direito e a tua força para isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaso és uma força nova e um novo direito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um primeiro movimento? Uma roda que gira sobre si mesma? Podes obrigar as estrelas a girarem em torno de ti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai! Existe tanta ansiedade pelas alturas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tantas convulsões de ambição! Demonstra-me que não pertences ao número dos cobiçosos nem dos ambiciosos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai! Existem tantos pensamentos grandes que apenas fazem o mesmo que um fole. Incham e esvaziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamas-te livre? Quero que me digas o teu pensamento fundamental, e não que te livraste de um jugo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serás tu alguém que tenha o direito de se livrar de um jugo? Há quem perca o seu último valor ao libertar-se da sua sujeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre de quê? Que importa isso a Zaratustra? O teu olhar, porém, deve anunciar-se claramente: livre, para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podes proporcionar a ti mesmo teu bem e o teu mal, e suspender a tua vontade por cima de ti como uma lei? Podes ser o teu próprio juiz e vingador da tua lei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terrível é estar a sós com o juiz e o vingador da própria lei, como estrela lançada ao espaço vazio no meio do sopro gelado da soledade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje te atormenta a multidão; ainda conservas o teu valor e as tuas esperanças todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, contudo, te fatigará a soledade, se abaterá o teu orgulho e cerrarás os dentes. Um dia clamarás: “Estou só!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegará um dia em que já não vejas a tua altura, e em que a tua baixeza esteja demasiado perto de ti. A tua própria sublimidade te amendrontará como um fantasma. Um dia gritarás: “Tudo é falso!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sentimentos que querem matar o solitário. Não o conseguem? Pois eles que morram! Mas, serás tu capaz de ser assassino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu irmão, já conheces a palavra “desprezo”? E o tormento da justiça de ser justo para com os que te menosprezam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigas muitos a mudarem de opinião a teu respeito; por isso te consideram. Abeiraste-te deles e, contudo, passaste adiante; é coisa que te não perdoam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elevaste-te acima deles; mas quanto mais alto sobes, tanto mais pequeno te vêm os olhos da inveja. E ninguém é tão odiado como o que voa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como quereríeis ser justo para comigo! — assim é que deves falar. — Eu elejo para mim a vossa injustiça, como lote que me está destinado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Injustiça e baixeza é o que eles arrojam ao solitário; mas, meu irmão, se queres ser uma estrela, nem por isso os hás de iluminar menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E livra-te dos bons e dos justos! Agrada-lhes crucificar os que invejam a sua própria virtude: odeiam o solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E livra-te ainda assim da santa simplicidade! A seus olhos não é santo o que é simples, e apraz-lhe brincar com fogo... das fogueiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E livra-te também dos impulsos do teu amor! O solitário estende depressa demais a mão a quem encontra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há homens a quem não deves dar a mão, mas tão somente a pata, e além disso quero que a tua pata tenha garras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior inimigo, todavia, que podes encontrar, és tu mesmo; lança-te a ti próprio nas cavernas e nos bosques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solitário, tu segues o caminho que te conduz a ti mesmo! E o teu caminho passa por diante de ti e dos teus sete demônios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serás herege para ti mesmo, serás feiticeiro, adivinho, doido, incrédulo, ímpio e malvado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mister que queiras consumir-te na tua própria chama. Como quererias renovar-te sem primeiro te reduzires a cinzas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solitário, tu segues o caminho do criador: queres tirar um deus dos teus sete demônios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solitário, tu segues o caminho do amante: amas-te a ti mesmo, e por isso te desprezas, como só desprezam os amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amante quer criar porque despreza! Que saberia do amor aquele que não devesse menosprezar justamente o que amava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai-te para o isolamento, meu irmão, com o teu amor e com a tua criação, e tarde será que a justiça te siga claudicando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai-te para o isolamento com as minhas lágrimas, meu irmão. Eu amo o que quer criar qualquer coisa superior a si mesmo e dessa arte sucumbe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A VELHA E A NOVA&lt;br /&gt;“Por que deslizas tão furtivamente durante o crepúsculo, Zaratustra? E que ocultas com tanta precaução debaixo da tua capa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É algum tesouro que te deram? É um menino que te nasceu? Seguirás tu também agora o caminho dos ladrões amigo do mal?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— Claro, meu irmão! — respondeu Zaratustra. — Levo aqui um tesouro: uma pequena verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, porém, rebelde como uma criança, e se lhe não tapasse a boca gritaria desaforadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguia eu hoje solitário o meu caminho, à hora em que o sol se escondia, quando encontrei uma velha que falou assim à minha alma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Zaratustra tem falado muito até mesmo conosco, mulheres, mas nunca nos falou da mulher”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu respondi: “Não é preciso falar da mulher senão aos homens”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fala-me a mim também da mulher — disse ela. — Sou bastante velha para esquecer logo tudo quanto me digas”. Cedi ao desejo da velha, e disse-lhe assim: “Na mulher tudo é um enigma e tudo tem uma só solução: a prenhez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é para a mulher um meio; o fim é sempre o filho. Que é, porém, a mulher para o homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro homem quer duas coisas: o perigo e o divertimento. Por isso quer a mulher, que é o brinquedo mais perigoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem deve ser educado para a guerra e a mulher para prazer do guerreiro. Tudo o mais é loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O guerreiro não gosta de frutos doces demais. Por isso a mulher lhe agrada: a mulher mais doce tem sempre o seu quê de amargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher compreende melhor do que o homem as crianças: mas o homem é mais infantil que a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo o verdadeiro homem se oculta uma criança: uma criança que quer brincar. Eia, mulheres! descobri no homem a criança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja a mulher um brinquedo puro e fino como o diamante, abrilhantado pelas virtudes de um mundo que ainda não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cintile no vosso amor o fulgor de uma estrela! A vossa esperança que diga: “Nasça de mim, do Super-homem!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja valentia no vosso amor! Com o vosso amor deveis afrontar o que vos inspire medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cifre-se a vossa honra no vosso amor! Geralmente a mulher pouco entende de honra. Seja, porém, honra vossa amar sempre mais do que fordes amadas e, nunca serdes a segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tema o homem a mulher, quando a mulher odeia: porque, no fundo, o homem é simplesmente mau; mas a mulher é perversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que odeia mais a mulher? O ferro falava assim ao imã: “Odeio-te mais do que tudo porque atrais sem ser forte bastante para sujeitar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A felicidade do homem é: eu quero; a felicidade da mulher é: ele quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vamos! Já nada falta no mundo!” — assim pensa a mulher quando obedece de todo o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é preciso que a mulher obedeça e que encontre uma profundidade para a sua superfície. A alma da mulher é superfície: móvel e tumultuosa película de águas superficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alma do homem, porém, é profunda, a sua corrente brame em grutas subterrâneas; a mulher pressente a sua força mas não a compreende”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a velha respondeu-lhe: “Zaratustra disse muitas coisas bonitas, mormente para as que são novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa singular! Zaratustra conhece pouco as mulheres, e, contudo, tem razão no que diz delas! Será porque nada é impossível na mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, como recompensa, aceita uma pequena verdade. Sou suficientemente velha para te dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sufoca-a, tapa-lhe a boca, porque do contrário grita alto demais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Venha a tua verdade, mulher!” — disse eu, e a velha falou assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Acompanhas com as mulheres? Olha, não te esqueça o látego”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A PICADA DA VÍBORA&lt;br /&gt;Um dia, estava Zaratustra a dormitar sob uma figueira, porque fazia calor, e tinha tapado o rosto com o braço. Nisto chegou uma víbora, mordeu-lhe o pescoço, e ele soltou um grito de dor. Afastando o braço do rosto, olhou a serpente; ela reconheceu os olhos de Zaratustra, contorceu-se vagarosamente e quis se retirar. “Não — disse Zaratustra: — espera, ainda não te agradeci! Despertaste-me a tempo, pois o meu caminho ainda é longo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— “O teu caminho é curto — disse tristemente a víbora: — o meu veneno mata”. Zaratustra pôs-se a rir. “Quando foi que o veneno de uma serpente matou um dragão? — disse — reabsorve o teu veneno! Não és rica demais para me fazeres presente dele”. Então a víbora tornou a enlaçar-lhe o pescoço e lambeu-lhe a ferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um dia Zaratustra contou isto aos seus discípulos, eles perguntaram-lhe: “E qual é a moral do teu conto?” Zaratustra respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os bons e os justos chamam-me o destruidor da moral: o meu conto é imoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tendes, porém, um inimigo, não lhe devolvais bem por mal porque se sentiria humilhado; demonstrai-lhe, pelo contrário, que vos fez um bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a ter que humilhar preferi encolerizar-vos. E quando se vos amaldiçoe, não me agrada que vós abençoeis. Amaldiçoai também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se vos fizeram uma grande injustiça, fazei vós imediatamente cinco injustiças pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horroriza ver o que por si só sofre o peso da injustiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sabeis isto? Injustiça repartida é semi-direito. E aquele que pode trazer a injustiça deve levá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena vingança é mais humana do que nenhuma. E se o castigo não é somente um direito e uma honra para o transgressor, eu não quero o vosso castigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais nobre condenarmos do que teimar, mormente quando temos razão. Somente é preciso ser rico bastante para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me agrada a vossa fria injustiça: nos olhos dos vossos juizes transparece sempre o olhar do verdugo e seu gelado cutelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizei-me: onde se encontra a justiça que é amor com olhos perspicazes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventai-me, pois, o amor que suporta, não só todos os castigos, mas também todas as faltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventai-me a justiça que absolve todos, exceto aquele que julga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quereis ouvir mais? No que quer ser verdadeiramente justo, a mentira muda-se em filantropia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como poderia eu ser verdadeiramente justo? Como poderia dar a cada um o seu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta-me isto: eu dou a cada um o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, irmãos livrai-vos de ser injustos com os solitários. Como poderia um solitário esquecer? Como poderia devolver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um solitário é como um poço profundo. É fácil lançar nele uma pedra; mas se a pedra vai ao fundo quem se atreverá a tirá-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livrai-vos de ofender o solitário; mas se o ofendestes então, matai-o também!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DO FILHO DO MATRIMÔNIO&lt;br /&gt;Tenho uma pergunta para ti só, meu irmão. Arrojo-a como uma sonda à tua alma, a fim de lhe conhecer a profundidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És moço e desejas filho e matrimônio. Eu, porém, pergunto. Serás tu homem que tenha o direito de desejar um filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serás tu vitorioso, o vencedor de ti mesmo, o soberano dos sentidos, o dono das tuas virtudes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso o que eu te pergunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que falam do teu desejo a besta e a necessidade física, ou o afastamento, ou a discórdia contigo mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero que a tua vitória e a tua liberdade suspirem por um filho. Deves erigir monumento vivente à tua vitória e à tua libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deves construir qualquer coisa que te seja superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro que tudo, porém, é preciso que te hajas construído a ti mesmo, retangular de corpo e alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deves só reproduzir-te, mas exceder-te! sirva-te para isso o jardim do matrimônio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deves criar um corpo superior, um primeiro movimento, uma roda que gire sobre si; deves criar um criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matrimônio: chamo assim à vontade de dois criarem um que seja mais do que aqueles que o criaram. O matrimônio é o respeito recíproco: respeito recíproco dos que coincidem em tal vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja este o sentido e a verdade do teu matrimônio; mas isso a que os que estão demais, os supérfluos, chamam matrimônio, isso como se há de chamar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai! Que pobreza de alma entre dois! Que imundície de alma entre dois! Que mísera conformidade entre dois!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tudo isso chamam matrimônio, e dizem que contraem estas uniões no céu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem! Eu não quero esse céu dos supérfluos. Não; eu não quero essas bestas presas com redes divinas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique-se também por lá bem longe de mim esse Deus que vem coxeando abençoar aquilo que não uniu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vos riais de semelhantes matrimônios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que filho não teria razão para chorar por causa de seus pais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo homem pareceu-me digno e sensato para o sentido da terra, mas quando vi a mulher dele, a terra pareceu-me moradia de insensatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim; queria que a terra se convulsionasse quando se acasalam um santo e uma pata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal outro partiu como herói em busca de verdades e não trouxe por colheita senão uma mentira engalanada. Chamam a isso o seu matrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este era frio nas suas relações e escolhia ponderadamente; mas de uma só vez transtornou para sempre a sua sociedade. A isso chamam o seu matrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele procurava uma servente com as virtudes de um anjo; mas daí a pouco tornou-se servente de uma mulher, e agora precisava ele tornar-se anjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo agora todos os compradores muito senhores de si e com olhos astutos; mas até o mais astuto compra a sua mulher às cegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A muitas loucuras pequenas chamais amor. E o vosso matrimônio termina muitas loucuras pequenas para as tornar uma loucura grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vosso amor à mulher e o amor da mulher pelo homem, ó! seja compaixão para deuses dolentes e ocultos! Duas bestas, porém, quase sempre se adivinham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vosso melhor amor, contudo, ainda não é mais do que uma imagem extasiada e um ardor doloroso. É um facho que vos deve iluminar para caminhos superiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia deverá o vosso amor elevar-se acima de vós mesmos! Aprendei, pois, primeiro a amar! Por isso vos foi preciso beber o amargo cálice do vosso amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe amargura no cálice do melhor amor; assim vos faz desejar o Super-homem; assim tendes sede do criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sede do criador, seta e desejo do Super-homem; diz-me, meu irmão, é essa a tua vontade do matrimônio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa é para mim tal vontade, santo tal matrimônio”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA MORTE LIVRE&lt;br /&gt;“Muitos morreram tarde demais, e alguns demasiado cedo. A doutrina que diz: “Morre a tempo!” ainda parece singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre a tempo: eis o que ensina Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que aquele que nunca viveu a tempo, como há de morrer a tempo? O melhor é não nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o que aconselho aos supérfluos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até os supérfluos, contudo, se fazem importantes com a sua morte, e até a noz mais oca quer ser partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos concedem importância à morte; mas a morte ainda não é uma festa. Os homens ainda não sabem como se consagram às mais belas festas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vos predico a morte necessária, a morte que, para os vivos, vem a ser um aguilhão e uma promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que cumpre morre da sua morte, vitorioso, rodeado dos que esperam e prometem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim seria preciso aprender a morrer, e não deveria haver festa sem tal moribundo santificar os juramentos dos vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer assim é o melhor, e morrer na luta é prodigalizar uma grande alma ainda maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O combatente e o vitorioso, porém, odeiam igualmente a vossa morte espaventosa, que se vem arrastando como um ladrão, e que, todavia, se aproxima como soberana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço-vos o elogio da minha morte, da morte livre, que vem porque eu quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando hei de querer? O que tem um fim e um herdeiro, quer a morte a tempo para o fim e para o herdeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por respeito ao fim e ao herdeiro, já não suspenderá coroas murchas no santuário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, não me quero parecer com os cordeiros: estiram os seus fios e eles andam sempre atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também quem se faça velho demais para as suas verdades e as suas vitórias; uma boca desdentada já não tem direito a todas as verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que queira desfrutar glória deve despedir-se a tempo das honras e exercer a difícil arte de se retirar oportunamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso fugir a deixar-se comer no próprio momento em que vos começam a tomar gosto. Os que querem ser amados muito tempo sabem isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também maçãs ácidas, cujo destino é esperar até o último dia do outono. E põem-se amarelas e enrugadas, no próprio momento em que amadurecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuns envelhece primeiro o coração, noutros a inteligência. E alguns são velhos na sua virtude; mas quando uma pessoa se faz moça muito tarde, conserva-se moça muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem fale na sua vida: um verme venenoso lhes rói o coração. Tratem ao menos de acertar na sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há os que nunca estão doces: apodrecem já no verão. É a covardia que os sustenta no ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há demasiados que ficam e permanecem fixos num ramo excessivo tempo. Venha uma tempestade, que sacuda da árvore toda essa podridão bichosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venham pregadores da morte rápida! Seriam as tempestades e as sacudidelas oportunas da árvore da vida. Eu, porém, só ouço pregar a morte lenta e a paciência com tudo o que é terrestre. Ai! Pregais a paciência com o que é terrestre? O terrestre é o que tem demasiada paciência convosco, blasfemos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, morreu demasiado cedo aquele hebreu a quem honram os pregadores da morte lenta, e para muitos foi uma fatalidade ele morrer cedo demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse Jesus hebreu só conhecia ainda as lágrimas e a tristeza do hebreu, juntamente com o ódio dos bons e dos justos; por isso o acometeu o desejo da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não ficou ele no desterto, longe dos bons e dos justos? Talvez houvesse aprendido a viver e a amar a terra e também o riso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crede-me, meus irmãos! Morreu cedo demais! retratar-se-ia da sua doutrina se tivesse vivido até minha idade! Era bastante nobre para se retratar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava, porém, ainda maduro. O amor do jovem carece da maduracão, e assim também odeia os homens e a terra. Tem ainda presas e trôpegas a alma e as asas do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No homem, contudo, há mais de criança do que no jovem, e menos tristeza: compreende melhor a morte e a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre para a morte e livre na morte; divino negador, quando já não é tempo de afirmar: assim compreende a vida e a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seja a vossa morte uma blasfêmia contra os homens e contra a terra, meus amigos; eis o que exijo da doçura da vossa alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vosso espírito e vossa virtude devem inflamar até a vossa agonia, como o arrebol do poente inflama a terra; senão a vossa morte será malograda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim quero morrer eu para que, por mim, ameis mais a terra, meus amigos: e eu quero tornar-me terra, para encontrar o meu repouso naquela que me gerou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, Zaratustra tinha um objetivo; lançou a péla. Agora, meus amigos, sois vós os herdeiros do meu objetivo; a vós envio a dourada péla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro a tudo, meus amigos, ver-nos lançar a péla dourada. E por isso me demoro ainda um pouquinho na terra. Perdoai-me!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA VIRTUDE DADIVOSA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;Quando Zaratustra se despediu da cidade que o seu coração amava, a qual tem por nome a “Vaca Malhada”, muitos dos que se diziam seus discípulos o acompanharam. Assim chegaram a uma encruzilhada. Então lhes disse Zaratustra que queria ficar só porque era amigo das caminhadas solitárias. Ao despedirem-se dele, os discípulos ofereceram-lhe como prenda um bastão, cujo castão representava uma serpente enroscada em torno do sol. Zaratustra aceitou-o alegremente, e apoiou-se nele. Depois falou assim aos discípulos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dizei-me: como alcançou o ouro o mais alto valor? E porque é raro e inútil, de brilho cintilante e brando: dá-se sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só como símbolo da mais alta virtude o ouro alcançou o mais alto valor. É como o ouro, reluzente, o olhar daquele que dá. O brilho do ouro firma a paz entre a lua e o sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais alta virtude é rara e inútil: é resplandecente e de um brilho brando: uma virtude dadivosa é a mais alta virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade vos adivinho, meus discípulos: vós aspirais como eu à virtude dadivosa. Que podereis ter de comum com os gatos e com os lobos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vossa ambição é querer converter-vos, vós mesmos, em oferendas e presentes. Por isso desejais acumular todas as riquezas em vossas almas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vossa alma anela insaciavelmente tesouros e jóias, porque é insaciável a vontade de dar da vossa virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigais todas as crises a aproximarem-se de vós e a penetrar em vós outros, para tornarem a emanar da vossa fonte como os dons do vosso amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, é preciso que tal amor dadivoso se faça saqueador de todos os valores; mas eu chamo são e sagrado esse egoísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há outro egoísmo, um egoísmo demasiado, pobre e famélico, que quer roubar sempre: o egoísmo dos doentes, o egoísmo enfermo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com olhos de ladrão olha tudo o que reluz, com a aridez da fome mede o que tem abundantemente que comer, e sempre se arrasta à roda da mesa do que dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A doença é uma invisível degeneração, eis o que tal apetite demonstra; a avidez de roubo desse egoísmo apregoa um corpo valetudinário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizei-me, meus irmãos: qual é a coisa que nos parece má, a pior de todas? Não é a degeneração? E pensamos sempre na degeneração quando falta a alma que dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso caminho é para cima: da espécie à espécie superior; mas o sentido que degenera, o sentido que diz: “Tudo para mim”, assombra-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso sentido voa para cima, assim o símbolo do nosso corpo é símbolo de uma elevação. Os símbolos dessas elevações são os nomes das virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim atravessa o corpo a história, lutando e elevando-se. E o espírito que é para o corpo? É o arauto das suas lutas e vitórias, o seu companheiro e o seu eco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os nomes do bem e do mal são símbolos; não falam, limitam-se a fazer sinais. Louco é o que lhes quer pedir o conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus irmãos, estai atentos às ocasiões em que o vosso espírito quer falar em símbolos: assistis então à origem da vossa virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é quando o vosso corpo se elevou e ressuscitou; então arrebata o espírito com os seus transportes para que se faça criador e apreciador e amante, benfeitor de todas as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o nosso coração se agita, amplo e cheio, como o grande rio, bênção e perigo dos ribeirinhos, então assistis à origem da vossa virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vos elevais acima do louvor e da censura, e quando a vossa vontade, como vontade de um homem que ama e quer mandar em todas as coisas, então assistis à origem da vossa virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando desprezais o que é agradável, a cama fofa, e quando nunca vos credes bastante longe da moleza para repousar, então assistis à origem da vossa virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdadeiramente é um novo bem e mal! Verdadeiramente é um novo murmúrio profundo e a voz de um manancial novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa nova virtude é poder; um pensamento reinante e em torno desse pensamento uma alma sagaz: um sol dourado, e em torno dele a serpente do conhecimento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Aqui Zaratustra calou-se um bocado e olhou os discípulos com amor. Em seguida prosseguiu assim. A voz havia-se-lhe transformado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meus irmãos, permanecei fiéis à terra com todo o poder da vossa virtude. Sirvam ao sentido da terra o vosso amor dadivoso e o vosso conhecimento. Eu vo-lo rogo, e a isso vos conjuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixeis a vossa virtude fugir das coisas terrestres e adejar contra paredes eternas. Ai! Tem havido sempre tanta virtude extraviada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restituí, como eu, à terra a virtude extraviada. Sim; restituí-a ao corpo e à vida, para que dê à terra o seu sentido, um sentido humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inteligência e a virtude têm-se extraviado e enganado de mil maneiras diferentes. Ainda agora residem no nosso corpo essa loucura e esse engano: tornaram-se corpo e vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inteligência e a virtude ensaiaram-se e extraviaram-se de mil maneiras diferentes. Sim; o homem era um ensaio. Ai! quantas ignorâncias e erros se incorporam em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só a razão dos milenáríos, mas também a sua loucura aparece em nós. É perigoso ser herdeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lutamos ainda passo a passo com o gigante azar e na humanidade inteira reinava até aqui a falta de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sirvam a vossa inteligência e a vossa virtude no sentido da terra, meus irmãos, e o valor de todas as coisas será renovado por vós. Para isso deveis ser criadores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo purifica-se pelo saber, eleva-se com o esforço inteligente: todos os instintos do que pensa e conhece se santificam; a alma do que se eleva alvoroça-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médico, ajuda-te a ti mesmo; assim, ajudas também o teu doente. Seja a melhor assistência do doente ver com os seus próprios olhos o que se cura a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mil sendas que nunca foram calcadas, mil fontes de saúde e mil terras ocultas na vida. Ainda se não descobriram nem esgotaram o homem nem a terra dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vigiai e escutai, solitários! Sopros de adejos secretos chegam do futuro, e a ouvidos apurados chega uma fausta mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solitários de hoje, vós, os afastados, sereis um povo algum dia. Vós que vos haveis entrescolhido a vós mesmos, formareis um dia um povo eleito do qual nascerá o Super-homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terra, a terra far-se-á um dia um lugar de cura. Já a envolve um odor novo, um eflúvio de saúde e uma nova esperança”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Ditas estas palavras, Zaratustra emudeceu, como quem ainda não disse a última palavra. Sopesou demoradamente o bastão, como que perplexo. Por fim falou assim, e a voz havia-se-lhe transformado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Agora, meus discípulos, vou-me embora sozinho! Ide-vos, vós outros, sozinhos também! Assim o quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com toda a sinceridade vos dou este conselho: Afastai-vos de mim e precavei-vos contra Zaratustra! Melhor ainda: envergonhai-vos dele! Talvez vos haja enganado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que reflexiona não só deve amar os seus inimigos, mas também odiar os seus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal corresponde ao mestre aquele que nunca passa de discípulo. E por que não quereis arrancar a minha coroa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venerais-me! Mas, que sucederia se uma vez caísse a vossa veneração? Cuidado, não vos esmague uma estátua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizeis que creis em Zaratustra? Vós sois crentes em mim; mas, que importam todos os crentes?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vós ainda vos haveis procurado; encontrastes-me então. Assim fazem todos os crentes: por isso a fé é tão pouca coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vos mando que me percais e vos encontreis a vós mesmos; e só quando todos me houverdes renegado tornarei para vós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, meus irmãos, então buscareis com outros olhos as minhas ovelhas desgarradas; eu vos amarei então com outro amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um dia devereis ser meus amigos e filhos de uma só esperança; então quero estar a vosso lado, pela terceira vez, para festejar convosco o grande meio-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o grande meio-dia será quando o homem estiver a meio do trajeto, entre a besta e o Super-homem, o célere, como sua esperança suprema, o seu caminho para o ocaso: porque será o caminho para uma nova manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o que desaparece se abençoará a si mesmo, a fim de passar para o outro lado, e o sol do seu conhecimento estará no seu meio-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todos os deuses morreram; agora viva o Super-homem!” Seja esta, chegado o grande meio-dia, a vossa última vontade!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGUNDA PARTE&lt;br /&gt;ASSIM FALAVA ZARATUSTRA&lt;br /&gt;“...e só quando todos me houverdes renegado, tornarei para vós.&lt;br /&gt;Em verdade, meus irmãos, então buscarei com outros olhos as minhas ovelhas desgarradas; eu vos amarei então com outro amor”.&lt;br /&gt;Da virtude dadivosa — III pág.&lt;br /&gt;ZARATUSTRA.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CRIANÇA DO ESPELHO&lt;br /&gt;Depois disto Zaratustra tornou para a montanha e para a soledade da sua caverna, apartando-se dos homens. E esperou, como o semeador que lançou a sua semente; mas a alma, se lhe encheu de impaciência e desejo do que amava, por que ainda tinha muitas coisas que lhes dar. Que isto é o mais difícil: fechar por amor a mão aberta e conservar o pudor ao dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim decorreram para o solitário meses e anos; mas a sua sabedoria aumentava e fazia-o padecer com a sua plenitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa manhã, despertando antes de amanhecer, meditou por muito tempo na cama, e por fim disse consigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Assustei-me tanto a sonhar que acordei! Não se aproximou de mim uma criança que levava um espelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Zaratustra — disse ela — olha-te a este espelho!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, porém, olhei para o espelho, soltei um grito e o coração deu-me um baque; porque não foi a mim que vi, mas a carranca sarcástica de um demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, compreendo demais o significado e a advertência do sonho: ia minha doutrina corre perigo; o joio quer chamar-se trigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus inimigos tornaram-se poderosos e desfiguraram a imagem da minha doutrina, a ponto de meus prediletos se envergonharem dos dons que lhes fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi os meus amigos! Chegou o momento de ir procurar os que perdi!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizendo estas palavras, Zaratustra sobressaltou-se, não como quem tem medo e perde alento, mas como um visionário possuído do Espírito. A águia e a serpente olharam-no estupefatos: porque à semelhança da aurora, uma próxima ventura lhe pairava no semblante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que me sucedeu, animais meus? — disse Zaratustra. — Não estou transformado?! Não se abeirou de mim a ventura como uma tempestade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha ventura é louca e apenas dirá loucuras; ainda é nova demais. Suportai-a, pois, com paciência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aniquila-me a ventura! Sejam meus médicos os que sofrem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso tornar a descer para o pé dos meus amigos e também dos meus inimigos! Zaratustra pode tornar a falar e dar e a fazer bem aos seus prediletos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu impaciente amor transborda em torrentes, precipitando-se desde o oriente até o ocaso. Até minha alma se agita nos vales, abandonando os montes silenciosos e as tempestades da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demasiado tempo sofri e estive em perspectiva. Demasiado tempo me possuiu a solidão. Agora esqueci o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo eu me tornei qual boca e murmúrio de um rio que salta de elevadas penhas: quero precipitar as minhas palavras nos vales.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre o rio do meu amor para o insuperável! Como não encontraria um rio enfim o caminho do mar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida há um lago em mim, um lago solitário que se basta a si mesmo; mas o meu rio de amor arrasta-o consigo para o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sigo novas sendas e encontro uma linguagem nova; à semelhança de todos os criadores, cansei-me das línguas antigas. O meu espírito já não quer correr com solas gastas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a linguagem me torna moroso. Salto para o teu carro, tempestade! E a ti também quero fustigar com a minha malícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero passar por vastos mares como uma exclamação ou um grito de alegria, até que encontre as ilhas bem-aventuradas onde moram os meus amigos... e entre eles os meus inimigos! Como amo agora todos a quem posso falar! Os meus inimigos também formam parte da minha ventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando quero montar no meu mais fogoso cavalo, nada me ajuda tanto como a minha lança; sempre está pronta a servir-me, a lança que brando contra os meus inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito grande a tensão da minha nuvem; por entre os risos dos relâmpagos quero lançar granizo às profundidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formidavelmente se alevantará o meu peito; formidavelmente soprará a sua tempestade; assim se aliviará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdadeiramente, a minha felicidade e minha liberdade sobrevém como tempestades! É mister, porém, que os meus inimigos imaginem que o mal desencadeia sobre as suas cabeças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim; também a vós, meus amigos, vos assombrará a minha selvagem sabedoria, e talvez vos ponhais em fuga com os meus inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Saiba eu tornar a atrair-vos com flautas pastoris! Aprenda a rugir com ternura a minha leonina sabedoria! Já temos aprendido tanta coisa juntos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha selvagem sabedoria emprenhou nos montes solitários; nas duras pedras pariu o mais novo dos seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora corre louca pelo deserto árido e procura sem cessar o branco céspede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais branco céspede de vossos corações, meus amigos... no vosso amor desejaria eu depositar o mais caro que possuo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falava Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NAS ILHAS BEM-AVENTURADAS&lt;br /&gt;“Os figos caem das árvores: são bons e doces; e conforme caem assim se lhes abre a vermelha pele. Eu sou um vento do Norte para os figos maduros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os figos, caem em vós estas práticas; recebei o seu suco e a sua doce polpa. Em torno de nós reina o outono, reina a tarde como um céu sereno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vede que plenitude em nosso redor! E que belo, do seio da abundância, olhar para fora, para os mares longínquos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutro tempo, quando se olhava para os mares longínquos, dizia-se: “Deus”; mas agora eu vos ensinei a dizer: “Super-homem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é uma conjectura; mas eu quero que a vossa conjectura não vá mais longe do que a vossa vontade criadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíeis criar um Deus? Pois então não me faleis de deuses! Poderíeis, contudo, criar um Super-homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez vós o não sejais, meus irmãos! Podeis transformar-vos em pais e ascendentes do Super-homem: seja essa a vossa melhor criação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é uma conjectura; mas eu quero que a vossa conjectura se circunscreva ao imaginável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíeis imaginar um Deus? Signifique, para vós outros, a vontade de verdade, que tudo se transforme no que o homem pode pensar, ver e sentir! Deveis cuidar até o último os vossos próprios sentidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que chamáveis mundo deve ser criado já por vós outros; a vossa razão, a vossa imagem, a vossa vontade, o vosso amor devem tornar-se o vosso próprio mundo. E verdadeiramente, será para ventura vossa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vós, que pensais e compreendeis, como havíeis de suportar a vida sem essa esperança? Não deveríeis persistir no que é incompreensível nem no que é irracional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei de vos abrir, porém, inteiramente o meu coração, meus amigos; se existissem deuses como poderia eu suportar não ser um deus?! Por conseguinte, não há deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui eu, na verdade, quem tirou essa conseqüência; mas agora é ela que me tira a mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é uma conjectura; mas, quem beberia sem morrer, todos os tormentos desta conjectura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaso se quererá tirar ao criador a sua fé, e à águia o seu vôo pelas regiões longínquas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é um pensamento que torce tudo quanto está fixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que!? Não existiria já o tempo, e todo o perecível seria mentira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar tal produz vertigem nos ossos humanos e náuseas no estômago; verdadeiramente, pensar assim é como sofrer modorra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo mau e desumano a isso: a todo esse ensinamento do único, do pleno, do imóvel, do saciado, do imutável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imutável é apenas um símbolo! E os poetas mentem demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As melhores parábolas devem falar do tempo e do acontecer; devem ser um elogio e uma justificação de tudo o que é perecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar é a grande emancipação da dor e do alívio da vida; mas, para o criador existir são necessárias muitas dores e transformações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, criadores, é mister que haja na vossa vida muitas mortes amargas. Sereis assim os defensores e justificadores de tudo o que é perecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o criador ser o filho que renasce, é preciso que queira ser a mãe com as dores de mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, o meu caminho atravessou cem almas, cem berços e cem dores de parto. Muitas vezes me despedi; conheço as últimas horas que desgarram o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas assim o quer a minha vontade criadora, o meu destino. Ou, para o dizer mais francamente: esse destino quer ser minha vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os meus sentimentos sofrem em mim e estão aprisionados; mas o meu querer chega sempre como libertador e mensageiro de alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querer, libertar”: é essa a verdadeira doutrina da vontade e da liberdade; tal é a que ensina Zaratustra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não querer mais, não estimar mais e não criar mais! Ó! fique sempre longe de mim, esse grande desfalecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na investigação do conhecimento só sinto a alegria da minha vontade, a alegria do engendrar; e se há inocência no meu conhecimento, é porque nele há vontade de engendrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa vontade apartou-me de Deus e dos deuses. Que haveria, pois, que criar se houvesse deuses?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha ardente vontade de criar impele-me sempre de novo para os homens, assim como é impelido o martelo para a pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, homens! Uma imagem dormita para mim na pedra, a imagem das minhas imagens. Ó! haja de dormir na pedra mais feia e mais rija!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o meu martelo desencadeia-se cruelmente contra a sua prisão. A pedra despedaça-se: que me importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero 
